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1.1. TARGETED DRUG DELIVERY

1.1.1. Self-Immolative Linkers

Esse período, em relação ao que o segue, é caracterizado pela predominância das fontes arqueológicas e, em geral, não -literárias. Entretanto, ainda que secundários, os documentos escritos nos fornecem por vezes informações muito importantes; ademais, vão se tornando mais numerosos e precisos à medida que avançamos no tempo. Do ponto de vista da divisão regional, devemos notar que estão totalmente ausentes na África ocidental e central.

Egito, Núbia, África oriental

a) As fontes escritas referentes ao Egito até o primeiro milênio são exclusivamente egípcias; trata -se dos papiros hieráticos e dos ostraka, cuja origem não remonta além do Novo Império, mas que podem, como dissemos, conter informações mais antigas9. Papirus e ostrakon designam o suporte: no primeiro caso, trata -se de uma

planta; no segundo, de uma lâmina de calcário. Os signos hieráticos distinguem -se dos signos hieroglíficos por sua aparência cursiva, prestando -se melhor ao traço que ao entalhe. Os papiros e ostraka, numerosos na 19a e 20a dinastias do Novo

Império ou período ramessita (1314 -1085 antes da Era Cristã), referem -se tanto à vida administrativa, como à vida privada; encontramos relatórios administrativos e judiciários, registros de contabilidade, cartas particulares e também contos e romances. Os papiros jurídicos10 e os papiros literários11 têm sido objeto de

cuidadosos estudos e, desde o século XIX, vêm sendo publicados.

9 DRIOTON, E. e VANDIER, J. 1962, p. 7 -9; YOYOTTE, J. L’Egypte ancienne. In: Histoire universalle. Col. Pléiade.

10 Entre os documentos jurídicos, temos o papiro Abbott, os papiros Amherst e Mayer, igualmente o de Turim... nos quais se baseia nosso conhecimento dos reinados de Ramsés IX, X e XI. São publicados: cf.

Select Papyri in the hieratic character from the collections of the British Museum. Londres, 1860; NEWBERRY. The Amherst Papyri. Londres, 1899; PEET. The Mayer Papyri. Londres, 1920; PEET. The great tombs‑ ‑robberies of the Twentieth Egyptian Dynasty. 2 v., Oxford, 1930.

11 A coleção do British Museum é rica em papiros literários. Encontramos, por exemplo, o conto da Verdade e da Mentira, o de Horus e de Seth. G. POSENER, grande especialista no assunto, elaborou uma lista quase completa das obras literárias egípcias e chegou a 85 títulos: Revue d’Egyptologie VI. 1951, p. 27 -48. G. POSENER publicou, ainda, óstracos: Catalogue des ostraka hiératiques littéraires de Deir el ‑Medineh, Cairo, 1934 -1936.

88 Metodologia e pré -história da África

Nossos conhecimentos a respeito da Núbia e do país de Punt baseiam- -se unicamente em material arqueológico e epigráfico (desenhos murais em particular), não se tendo encontrado fontes escritas até o presente momento.

b) No primeiro milênio antes da Era Cristã, especialmente a partir do século VI, diversifica -se e se altera a contribuição de nossas fontes. Os documentos narrativos somam -se aos documentos arquivísticos e, em certos momentos, substituem -nos. Um exemplo é o Livro dos Reis, fragmento do Antigo Testamento, que nos dá informações preciosas sobre o advento da 22a dinastia (cerca de -950)

e continua a ser de grande utilidade para todo o período seguinte, isto é, até o domínio persa ( -525). O Livro dos Reis recebeu uma primeira redação antes da destruição de Jerusalém, ou seja, antes de -58612, e foi retocado durante o

exílio, mas reproduz tradições que remontam ao início do primeiro milênio antes da Era Cristã. Outras fontes estrangeiras, gregas sobretudo, trazem dados sobre o baixo período a partir da primeira dinastia Saíta (século VIII antes da Era Cristã): Menandro, Aristodemo, Filocoro, Heródoto. Do ponto de vista arquivístico, os papiros deste período aparecem escritos em grego ou em demótico escrita ainda mais cursiva que o hierático. No século -V, os papiros dos Judeus de Elefantina são nossa principal fonte, enquanto, nos séculos -IV e -III, aparece a crônica demótica.

c) O período que se estende do estabelecimento dos Ptolomeus no Egito (fim do século IV antes da Era Cristã) até a conquista árabe (639) cobre um milênio que se caracteriza pela abundância de fontes gregas e pela emergência da zona etíope -eritreia em nosso campo de conhecimento. Políbio, Estrabão, Diodoro, Plínio, o Velho falam -nos dessa região com uma precisão relativa, que não exclui a ignorância ou a ingenuidade. O naturalista romano nos dá em sua

História natural numerosas informações sobre o mundo etíope, em particular no

que diz respeito aos produtos do comércio e aos circuitos de troca. É obra de compilação, certamente de valor desigual, mas rica em detalhes.

A informação de que dispomos torna -se mais precisa no meio milênio que se segue ao aparecimento do Cristianismo. O Egito, como sabemos, passa a ser, no século II, o foco principal da cultura helenística, sendo muito natural que tenha produzido historiadores, geógrafos, filósofos e padres da Igreja. Integrado politicamente ao Império Romano, depois Bizantino, o Egito era objeto de inúmeros escritos latinos ou gregos externos, de ordem narrativa ou arquivística (Código de Teodósio, por exemplo, ou Novellae de Justiniano). Notemos também

12 LODS, A. Les Prophètes d’Israël et les débuts du judaïsme. Paris, 1950, p. 7; DRIOTON e VANDIER, op. cit. pas.; DORESSE, 1971, t. 1, p. 47 -61.

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As fontes escritas anteriores ao século XV

que a corrente papirológica não se esgota. Dessa massa documentária interna e externa emergem algumas obras de especial importância: a Geografia de Ptolomeu (140 aproximadamente)13; o Périplo do Mar da Eritreia14, obra anônima que

calculamos ter sido composta em cerca de 230 (datada anteriormente do século I); a Topografia Cristã15 de Cosmas Indicopleustes (535 aproximadamente).

Esses escritos representam a base de nossa informação sobre a Etiópia e o chifre oriental da África. No conjunto, esta breve exposição aponta dois descompassos: o das fontes escritas em relação aos outros tipos de documentos, e o do nosso conhecimento do Egito em relação ao nosso conhecimento da Núbia e do mundo eritreu.