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Kinetics of the Squaramate Esters Hydrolysis

Squaramate Esters

3.3. RESULTS AND DISCUSSION

3.3.2. Kinetics of the Squaramate Esters Hydrolysis

África do Norte

Os materiais para a África do Norte de língua árabe, como os de outras partes do continente, passaram por algumas profundas mudanças em comparação com o período anterior, o mesmo não ocorrendo, no entanto, com as narrativas históricas locais, que continuaram, como anteriormente, a relatar os principais acontecimentos da maneira tradicional. Nenhuma figura comparável aos grandes historiadores árabes da Idade Média surgiu entre os cronistas e compiladores dessa época, e a abordagem crítica do historiador, preconizada por Ibn Khaldun, não foi seguida por seus sucessores. A historiografia árabe moderna só vai aparecer no século XX.

As mudanças que se fazem sentir dizem respeito principalmente a dois tipos de fontes: os documentos arquivísticos de diversas origens e os escritos europeus. Somente a partir do início do século XVI, os materiais primários, tanto em árabe como em turco, começam a aparecer em maior abundância. Os arquivos otomanos são comparáveis em volume e importância aos mais ricos da Europa, mas, àquela época, raramente eram utilizados e estudados por historiadores dessa parte da África. É do mesmo período que remontam os arquivos secundários dos países que faziam parte do Império Otomano (Egito, Tripolitânia, Tunísia e Argélia)1. Um caso

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As fontes escritas a partir do século XV

especial é o do Marrocos, que sempre conservou sua independência, e seus arquivos preservaram um rico material histórico2. Os documentos são principalmente de

arquivos governamentais, administrativos e jurídicos; os materiais relativos ao comércio, à produção, à vida social e cultural são menos numerosos, pelo menos os de antes do século XIX. Isto se deve, em parte, à falta de arquivos particulares que forneçam informações valiosas para a história econômica e social da Europa. Para alguns países e períodos esta lacuna pode ser preenchida: por exemplo, o material sobre o Marrocos, encontrado em muitos países europeus, foi coligido e publicado no trabalho monumental de Henri de Castries3. A compilação de coleções similares,

ou ao menos o arrolamento dos documentos relativos aos demais países da África do Norte está entre as tarefas mais urgentes do futuro próximo.

Examinando, agora, as fontes narrativas em árabe, pode -se constatar uma retração constante na quantidade e na qualidade dos escritos históricos na África do Norte, com exceção apenas do Marrocos, onde as escolas tradicionais de cronistas continuaram a produzir histórias detalhadas das duas dinastias xerifinas até a época atual. Pode -se citar como exemplo a Ma’sul de Mokhtar Soussi, em vinte volumes, e a Histoire de Tetouan, em vias de publicação4. Da corrente

ininterrupta de historiadores podemos indicar apenas alguns nomes entre os mais destacados. A dinastia Sádida encontrou um excelente historiador em al -Ufrani (morto em c. 1738)5, que cobriu os anos 1511 -1670; o período seguinte (1631-

-1812) foi descrito detalhadamente pelo maior historiador marroquino desde a Idade Média, al -Zay (morto em 1833)6, enquanto al -Nasiri al -Slawi (morto em

1897) escreveu uma história geral de seu país com ênfase especial no século XIX, combinando os métodos tradicional e moderno, usando, entre outros, documentos de arquivos. Ele é o autor também de uma obra geográfica bastante rica em informações sobre a vida social e econômica7. A essas obras estritamente históricas

devem ser acrescentadas as narrativas de viajantes, em sua maioria peregrinos, que descreveram não apenas o Marrocos, mas também outros países árabes até a Arábia. As duas melhores narrativas desse tipo são as escritas por al -’Ayyashi de Sijilmasa (morto em 1679) e Ahmad el -Darci de Tamgruti nas proximidades

2 MEKNASI, A. 1953; AYACHE, G. 1961.

3 Les Sources inédites de l’histoire du Maroc, 24 v., Paris, 1905 -1951.

4 LÉVI -PROVENÇAL, E. 1922; MOKHTAR SOUSSI, Ma’sul, 20 v. publicados; DAOUD, Histoire de

Tetouan.

5 Ed. e trad. por O. HOUDAS, Paris, 1889. 6 HOUDAS, Paris, 1886.

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do Saara (morto em 1738)8; outros textos interessantes são o relatório de el -

Tamghruti, embaixador marroquino junto à corte otomana em 1589 -15919, e a

Rihla de Ibn Othman, embaixador do Marrocos junto à corte de Madri.

Nos países entre o Marrocos e o Egito as crônicas locais não eram tão abundantes, nem tinham a mesma qualidade. No que diz respeito à Argélia, há histórias anônimas em árabe e em turco, de Aru e Khayruddin Barbarossa10, e

uma história militar que vai até 1775, de Mohammed el -Tilimsani11. A história

da Tunísia pode ser reconstituída graças a uma série de anais, desde el -Zarkachi (até 1525)12 até Maddish el -Safakusi (morto em 1818)13. Uma história de Trípoli

foi escrita por Mohammed Ghalboun (1739)14. As crônicas e biografias ibaditas,

como a de al -Shammakhi (morto em 1524), merecem atenção especial, já que fornecem muitas informações valiosas sobre o Saara e o Sudão15.

Biografias ou dicionários biográficos, gerais ou específicos, na maior parte consagrados a pessoas proeminentes (eruditos, advogados, príncipes, místicos, escritores, etc.), geralmente combinam materiais biográficos com narrativas históricas, esclarecendo muitos aspectos da história cultural e social. Obras desse gênero proliferaram em todos os países árabes, especialmente no Marrocos. Mesmo algumas poesias, às vezes em dialetos vernáculos, podem servir como fontes históricas, como, por exemplo, os poemas satíricos do egípcio el -Sijazi (morto em 1719), em que ele descreve os principais acontecimentos de sua época16.

No que se refere à história do Egito otomano, deve -se recorrer a crônicas, em grande parte ainda inéditas e inexploradas. O Egito produziu, nesse período, apenas dois grandes historiadores – um no início do domínio turco, o outro exatamente no fim: Ibn Iyas (morto em 1524) fez um registro diário da história de sua época, oferecendo, assim, uma riqueza de detalhes raramente encontrada em outras obras17; el -Jabarti (morto em 1822) é o cronista dos últimos dias

do domínio otomano, da ocupação napoleônica e da ascensão de Mohammed

8 Ambas traduzidas por S. BERBRUGGER, Paris, 1846. 9 Traduzido por H. de CASTRIES, Paris, 1929. 10 Editado por NURUDDIN, Argel, 1934. 11 Traduzido por A. ROUSSEAU, Argel, 1841. 12 Traduzido por E. PAGNA, Constantina, S.d. 13 Publicado em Túnis, 1903.

14 Publicado por Ettore ROSSI, Bolonha, 1936. Há também algumas crônicas turcas da Tripolitânia. 15 LEWICKI, T. 1961.

16 Mencionado por EL -JABARTI. 17 WIET, G. Journal d’un bourgeois du Caire.

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As fontes escritas a partir do século XV

Ali, cobrindo, portanto, um período crucial da história do Egito18. Embora

muitas crônicas e outras obras históricas de todos os países árabes tenham sido publicadas, a grande maioria encontra -se ainda em manuscritos espalhados por muitas bibliotecas tanto dentro como fora de seu país de origem, à espera de estudo e publicação.

Nesse período as narrativas de viajantes europeus ganham importância crescente. Embora o preconceito anti -islâmico de seus autores raramente permita relatórios verdadeiramente objetivos, elas trazem muitas reflexões e observações interessantes não encontradas em outros documentos, já que os escritores locais consideravam muitos aspectos da vida banais e desprovidos de interesse. É incontável o número de europeus – viajantes, embaixadores, cônsules, mercadores e mesmo prisioneiros (entre eles Miguel de Cervantes) – que deixaram reminiscências e relatórios mais ou menos detalhados dos países do Magreb, que visitaram; o mesmo aconteceu, talvez até com maior intensidade, no caso do Egito, que atraía muitos visitantes por sua importância comercial e a proximidade da Terra Santa19. De interesse particular é a obra monumental

Description de l’ Egypte (24 volumes, Paris, 1821 -1824), compilada pela comissão

científica da expedição de Napoleão Bonaparte, fonte inesgotável de todo tipo de informação sobre o Egito às vésperas de uma nova época.

No século XIX, as fontes para a história da África do Norte são tão abundantes quanto para qualquer país europeu. As crônicas locais e narrativas de viajantes assumem um lugar secundário em relação às fontes mais objetivas – arquivos, estatísticas, jornais e outros testemunhos diretos ou indiretos –, permitindo aos historiadores empregar os métodos e abordagens clássicos elaborados para uma história amplamente documentada, como a da Europa.

Duas regiões de língua árabe, Mauritânia e Sudão oriental, merecem um tratamento especial devido à sua situação particular, nos limites do mundo árabe. Uma característica comum das fontes nesses dois países é a predominância de biografias, genealogias e poesia, sobre os anais históricos propriamente ditos, pelo menos até o final do século XVIII. Em relação à Mauritânia, várias genealogias e biografias foram publicadas por Ismaël Hamet20, a que se acrescentam poemas

e outros materiais folclóricos recolhidos por René Basset e mais recentemente por H. T. Norris21. Um exame intensivo de novos materiais foi realizado com

18 Muitas edições; uma tradução não muito digna de confiança de Chefik MANSOUR, Cairo, 1886 -1896. 19 CARRE, J. M. Cairo, 1932.

20 Chroniques de la Mauritaine sénégalaise, Paris, 1911. 21 BASSET, R. 1909 -1940; NORRIS, H. T. 1968.

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sucesso pelo estudioso da Mauritânia Mukhtar Wuld Hamidun. A primeira obra propriamente histórica remonta ao início deste século: al ‑ Wasil, de Ahmad al -Shinqiti, que é uma enciclopédia da história e da cultura mouriscas do passado e do presente22. Existe um grande número de crônicas locais manuscritas, de maior

ou menor valor, no estilo das crônicas breves de Nema, Oualata e Shinqiti23. As

fontes árabes da Mauritânia são de especial interesse e importância, porque em muitos casos cobrem não somente a Mauritânia propriamente dita, mas também todos os países limítrofes do Sudão ocidental. Devido às estreitas relações que existiram no passado entre a Mauritânia e o Marrocos, as bibliotecas e arquivos marroquinos devem conter certamente um precioso material histórico para o primeiro país. Além das fontes árabes, há também a literatura narrativa europeia, que se inicia no século XV nas regiões costeiras, e no fim do século XVII nas regiões fluviais. A partir do século seguinte, encontramos correspondência diplomática e comercial, tanto em árabe como em línguas europeias.

A historiografia local no Sudão oriental parece ter começado somente nos últimos anos do Sultanato Funj, isto é, no início do século XIX, quando a tradição oral foi registrada por escrito no texto chamado Crônica de Funj, do qual existem várias versões24. São fontes valiosas as genealogias de vários grupos árabes25, assim

como o grande dicionário biográfico de estudiosos sudaneses, o Tebaqat, escrito por Wad Dayfallah, que constitui um rico manancial de informações sobre a vida social, cultural e religiosa do Reino Funj26. O mais antigo visitante estrangeiro conhecido

foi o viajante judeu David Reubeni (em 1523). Até o século XIX há apenas um pequeno número de obras valiosas, mas entre elas se encontram as narrativas de observadores particularmente lúcidos, como James Bruce (em 1773), W. G. Browne (1792 -1798) e el -Tounsy (1803), sendo os dois últimos os primeiros a visitar Darfur27.

Na primeira metade do século XIX, o Sudão foi, de toda a África tropical, a região mais visitada por viajantes. Suas narrativas são inumeráveis e de variada qualidade enquanto fontes históricas. Até a década de 1830, não existe nenhuma fonte escrita para as regiões do alto vale do Nilo (ao sul da latitude 12°), mas a parte norte é fartamente coberta por documentos arquivísticos do Egito (arquivos do Cairo) e,

22 AL -SHINQITI, A. Al‑Wasit fi tarajim udaba ‘Shinqit, Cairo, 1910, e muitas edições novas. Trad. francesa parcial, St. Louis, 1953.

23 MARTY, P. 1927; NORRIS. In: BIFAN, 1962; MONTEIL, V. In: BIFAN, 1965, n. 3 -4. 24 Estudado por M. SHIBEIKA. In: Ta’rïkh Mulk ‑al ‑Sudan, Khartum, 1947.

25 Recolhidas por H. A. MACMICHAEL. In: History of the Arabs in the Sudan, II, Cambridge, 1922, juntamente com outros documentos históricos.

26 A edição comentada mais atualizada é de Yusuf FADL HASAN, Khartum, 1971. 27 BRUCE, J., 1790; BROWNE, W. G., 1806; EL -TOUNSY, Omar, 1845.

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As fontes escritas a partir do século XV

em menor número, europeus. São de extrema importância para os últimos vinte anos do século XIX os registros do Mahdiyya, que consistem em cerca de 80 mil documentos árabes, conservados, em sua maioria, em Cartum.