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Intramolecular Cyclization of Esters 13b and 14b

Squaramate Esters

3.3. RESULTS AND DISCUSSION

3.3.3. Intramolecular Cyclization of Esters 13b and 14b

Em comparação com outras partes do continente (com exceção dos países de língua árabe e da Etiópia), a África do Sul oferece, para o período em estudo, uma quantidade muito maior de interessantes materiais escritos, na forma de arquivos e de narrativas. A falta de fontes de origem genuinamente africana anteriores ao século XIX representa uma certa desvantagem, não obstante muitas narrativas europeias preservarem fragmentos de tradições orais dos povos locais. As informações mais antigas provêm de marinheiros portugueses ou holandeses cujos navios naufragaram na costa sudeste no decorrer dos séculos XVI e XVII36. Com o estabelecimento da colônia holandesa no Cabo (1652),

a produção de materiais torna -se mais rica e mais variada: consiste, por um lado, em documentos oficiais, mantidos atualmente sobretudo em arquivos da própria África do Sul, mas também em Londres e Haia, parcialmente publicados ou difundidos por outros meios, mas em sua grande maioria inéditos37; por

33 Cf. a monumental coleção de BECCARI. Rerum Aethiopicarum Scriptores occidentales inediti a seculo

XVI ad XX curante. 15 v., Roma, 1903 -1911. Mas muitos registros anteriormente desconhecidos foram

descobertos depois de BECCARI e estão à espera de publicação e estudo.

34 Por exemplo, o famoso viajante turco Evliya CHELEBI (morto em 1679), cuja obra Siyasat ‑name (Livro de viagens) contém em seu décimo volume descrições do Egito, Etiópia e Sudão. O embaixador iemenita al -Khaymi al -Kawkabani deixou (em 1647) um relato vivo de sua missão junto ao Imperador Fasílidas, para cujo reino não há nenhuma crônica etíope. Publicado por F. E. PEISER em dois volumes, Berlim, 1894 e 1898.

35 RUBENSON, Sven. “The Protectorate Paragraph of the Wichale Treaty”. JAH 5, n. 2, 1964; e discussão com C. GIGLIO, JAH 6, n. 2, 1965 e 7, n. 3, 1966.

36 Cf. THEAL, G. M. 1898 -1903, e BOXER, C. R. 1959.

37 Trechos de diários oficiais e outros documentos relativos a povos de fala san, khoi e bantu encontram -se em MOODIE, D. 1960; v. também THEAL, G. M. 1897 -1905

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As fontes escritas a partir do século XV

outro, em documentos narrativos representados por livros e artigos escritos por brancos – viajantes, comerciantes, oficiais, missionários e colonizadores, todos eles observadores diretos das sociedades africanas. Durante muito tempo, entretanto, seu horizonte geográfico permaneceu bastante restrito, e foi só na segunda metade do século XVIII que começaram a penetrar realmente o interior das terras. Assim, é natural que as primeiras narrativas tratem dos Khoi do Cabo (hoje desaparecidos). A primeira descrição detalhada desse povo, depois de alguns registros do século XVII38, é a de Peter Kolb (1705 -1712)39. Durante

o período holandês, muitos europeus visitaram a colônia do Cabo, mas muito raramente chegaram a demonstrar mais que um ligeiro interesse pelos africanos ou a aventurar -se para o interior. Um grande número de seus relatórios foi reunido por Godee -Molsbergen e L’Honoré -Naber, e muitos relatos menos conhecidos têm sido regularmente publicados, desde a década de 1920, pela Sociedade Van Riebeeck da Cidade do Cabo40. Um retrato mais detalhado

das sociedades africanas pode ser obtido nos arquivos de missionários41 ou nos

registros de alguns observadores experientes do fim do século XVIII e início do XIX, como Sparrman, Levaillant, Alberti, John Barrow e Lichtenstein42. Um

lugar de honra pertence a John Philips, cuja vida e trabalho foram dedicados à defesa dos direitos africanos, sendo, por isso, sua obra, reveladora de aspectos raramente encontrados em relatos mais conformistas43.

Com a expansão comercial, missionária e colonial no século XIX, material mais rico e em maior quantidade sobre os grupos étnicos africanos mais afastados tornou -se acessível. Embora a Namíbia fosse esporadicamente visitada no fim do século XVIII44, é somente a partir de 1830 que começam as descrições mais

detalhadas da vida dos San, Nama e Herero, quando então os missionários iniciaram suas atividades45 e a região tornou -se alvo de pesquisadores, como J.

Alexander, F. Galton, J. Tindall e outros46.

38 SHAPERS, 1668; TEN RHYNE, W. 1686 e GREVEBROEK, G. 1695, Cidade do Cabo, 1933. 39 KOLB, P. 1719.

40 GODEE -MOLSBERGEN, E. C. 1916 -1932; L’HONORÉ -NABER, S. L. 1931. 41 Cf., por exemplo, MÜLLER, D. K. 1923.

42 SPARRMAN, A. 1785; LEVAILLANT, F. 1790; ALBERTI, L. 1811; BARROW, J. 1801 -1806; LICHTENSTEIN, H. 1811.

43 PHILIPS, J. 1828. 44 WAITS, A. D. 1926.

45 A obra clássica de H. VEDDER, South West Africa in Early Times, Oxford, 1938, foi compilada principalmente de relatórios de missionários alemães.

46 ALEXANDER, Sir James, 1836, 1967; GALTON, G. 1853; Journal of Joseph Tindall 1839 ‑1855, Cidade do Cabo, 1959.

116 Metodologia e pré -história da África

Situação análoga é observada nas áreas ao norte do rio Orange: os relatórios dos primeiros comerciantes e caçadores dão lugar a uma quantidade cada vez maior de trabalhos escritos por pesquisadores e missionários, melhor capacitados para a observação devido à sua maior experiência e conhecimento das línguas africanas. Podemos citar, por exemplo, Robert Moffat, E. Casalis, T. Arbousset e outros, sendo, o mais conhecido, evidentemente, David Livingstone47. Vários documentos (arquivos, correspondência, contratos e atas

oficiais, etc.) da história antiga do Lesoto foram coletados por G. M. Theal48.

Uma característica positiva desse período é o surgimento de documentos que expressam pontos de vista africanos, como as cartas escritas por Moshesh e outros líderes africanos.

Diversamente da costa, o interior de Natal e da Zululândia tornou- -se conhecido por forasteiros somente nas primeiras décadas do século XIX. Os primeiros observadores, como N. Isaac ou N. F. Fynn49, em geral

eram inexperientes, raramente precisos e careciam de objetividade quando tratavam dos não -brancos. Já os registros das tradições orais dos Zulu foram feitos relativamente cedo, na década de 1880, embora só fossem publicados mais tarde, por A. T. Bryant, cujo livro deve, todavia, ser utilizado com cautela50.

Como para outras partes da África, a quantidade de materiais escritos por europeus aumentou enormemente no decorrer do século XIX, e não cabe aqui examinar, com mais detalhe todos os seus tipos e autores. Mais interessantes são os registros das reações dos primeiros africanos letrados ou de alguns chefes tradicionais, encontrados em correspondências, jornais, queixas, diários, contratos ou, já mais tarde, nas primeiras tentativas de redação da história de seu próprio povo.

Além da volumosa correspondência entre governantes africanos Moshesh, Dingaan, Cetwayo, Mzilikazi, Lobenguela, Witbooi, os chefes Gríqua e muitos outros – e as autoridades coloniais, encontramos documentos tais como as Leis

47 MOFFAT, R. 1842 e 1945; CASALIS, E., Les Bassutos, Paris, 1859; ed. inglesa, Londres, 1861; T. ARBOUSSET, Relation d’un voyage d’exploration, Paris, 1842; ed. inglesa; Cidade do Cabo, 1846; LIVINGSTONE, D. 1957.

48 THEAL, G. M., Basutoland Records, 3 v., Cidade do Cabo, 1883 (v. 4 e 5 manuscritos, não publicados, nos Arquivos da Cidade do Cabo).

49 ISAAC, N. 1836; FYNN, N. F. 1950.

50 BRYANT, A. T. 1929. V. também sua A History of the Zulu, primeiramente publicada como uma série de artigos em 1911 -1913 e depois como livro, na Cidade do Cabo, 1964. Cf. também BIRD, J. The Annals

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As fontes escritas a partir do século XV

Ancestrais (Vaderlike Wete) da Comunidade Rehoboth do ano de 1874, ou o Diário de Henrik Witbooi51, ambos escritos em africâner. Há numerosas

petições e queixas de africanos mantidas nos arquivos da África do Sul ou em Londres, assim como muitos estudos, levantamentos cadastrais e estatísticos feitos com base na informação oral africana.

Graças ao aparecimento de jornais nas línguas vernáculas, podemos acompanhar as ideias dos antigos representantes de uma sociedade em mudança. No semanário Isidigimi (publicado entre 1870 e 1880) apareceu a primeira crítica à política europeia e seu impacto negativo na vida africana, escrita pelos primeiros protonacionalistas, como Tiyo Soga (morto em 1871) ou G. Chamzashe (morto em 1896), assim como a compilação das tradições históricas dos Xhosa, por W. W. Gqoba (morto em 1888). Outro porta -voz da opinião africana, desde 1884, foi Ibn Zabantsundu (A Voz do Povo Negro), que por muitos anos teve como editor John T. Jabawu (morto em 1921). Imediatamente após a Primeira Guerra Mundial, havia onze jornais em línguas africanas sendo publicados, mas nem todos defendendo a causa dos africanos. Uma das grandes figuras da época foi Ngoki (morto em 1924), que, após haver participado ativamente na guerra zulu de 1879, publicou (nos Estados Unidos) suas reminiscências, assim como muitos artigos sobre a vida na África do Sul52. As primeiras histórias escritas pelos próprios africanos só vão aparecer

no século XX53, inaugurando, assim, uma nova época na historiografia sul-

-africana. Com efeito, a história dessa parte do continente foi por muito tempo enfocada do ponto de vista da comunidade branca, que tendia a tratar a história dos povos africanos como algo insignificante e sem importância. A luta atualmente em curso na África do Sul em todos os domínios da atividade humana requer também uma nova atitude na abordagem das fontes. Uma atenção especial deve ser dispensada aos testemunhos escritos da árdua luta dos africanos por seus direitos54. Só uma pesquisa baseada em todos estes

testemunhos e material dará condições para se escrever uma história verídica da África do Sul.

51 As leis foram preservadas em Rehoboth e Windhoek; o Diário de WITBOOI foi publicado na Cidade do Cabo em 1929.

52 Cf. TURNER, L. D. 1955.

53 Cf. PLAATJE, S. T. 1916 e 1930; MOLEMA, S. M. 1920; SOGA, J. H., The South ‑Eastern Bantu, 1930; idem, Ama ‑Xoza: Life and Customs, Johannesburg, 1930; SOGA, T. B. Lovedale, 1936.

54 Cf. PLAATJE, S. T. 1916 e 1930; MOLEMA, S. M. 1920; SOGA, J. H. The South ‑Eastern Bantu, 1930; idem, Ama ‑Xoza: Life and Customs, Johannesburg, 1930; SOGA, T. B. Lovedale, 1936.

118 Metodologia e pré -história da África

Fontes narrativas externas

Se o período entre os séculos IX e XV chega a ser chamado “era das fontes árabes” devido à predominância de material nessa língua, o período em estudo é marcado por um nítido declínio nesse aspecto. As razões para essa mudança estão ligadas ao desenvolvimento político e cultural geral do mundo islâmico, que serão discutidas mais apropriadamente num volume posterior. Isso, no entanto, não significa que não haja fontes árabes, mas que seu número e qualidade, com algumas exceções, não podem ser comparados nem com o período anterior nem com fontes de outras origens.