2 Teoretiske perspektiver og retningslinjer
2.5 Seksuelle uttrykk
Este não é um momento de pôr um fim ou de tratar sobre o tema deste trabalho como esgotado, ao contrário. Trata-se de um momento de refletir e pontuar sobre os resultados que foram encontrados e discutidos, possibilitando a ampliação do conhecimento aqui fomentado em novos estudos que possam complementar, aprimorar, confirmar ou negar o que aqui tratamos. Entendemos que o conhecimento nunca se esgota, mas torna-se um alicerce para novas e importantes descobertas.
Diante dessas ideias, o presente estudo que teve como objetivo principal investigar a dinâmica familiar e a vivência da paternidade na meia-idade, permitiu identificar consideráveis mudanças na dinâmica conjugal, após o nascimento da criança, especialmente na sexualidade do casal, e na relação da família nuclear com a família extensa e com o meio social mais amplo; descrever os principais sentimentos dos genitores e genitoras relacionados à expectativa do nascimento da criança; conhecer a percepção dos cônjuges sobre a idade dos homens e a influência sobre a educação da criança; identificar diferenças no modo como os pais educaram os filhos de outros relacionamentos que antecederam o nascimento da criança e conhecer as expectativas de futuro dos participantes com relação a vida familiar.
O interesse de pesquisar duas famílias com homens que se tornaram genitores na meia-idade surge com a inquietação de identificar a dinâmica familiar nesses moldes, cada vez mais comum em nossa sociedade. Para nossa surpresa, deixando o fenômeno a ser estudado ainda mais complexo, as duas famílias são recasadas e todos os membros do subsistema parental vinham de relacionamentos anteriores e com filhos e filhas. A literatura nos esclarece que precisamos estar atentos para o fato de que as famílias no passado distante e em muitas outras culturas, têm tido estruturas multivariadas e que os processos familiares importam mais do que a forma familiar para o seu funcionamento efetivo.
As famílias estudadas tiveram pontos convergentes e divergentes em seus discursos, apresentando também diferenças consideráveis nas visões entre os homens e as mulheres que repercutem diretamente na dinâmica familiar como um todo.
Na fase inicial dos relacionamentos, o que atraiu as mulheres nos homens foi a “maturidade” deles. Elas vieram de casamentos anteriores e se frustraram com os
antigos maridos. Dessa forma, Flávio e Lucas surgiram como “salvadores” diante da possibilidade do novo casamento dar certo. Para que isso acontecesse, as esposas elegeram a idade dos homens como uma das características que as atraíram no primeiro momento, que é geralmente associada à seriedade e segurança para o relacionamento. Quanto aos homens, estes destacaram características relacionadas à personalidade e à beleza física delas como preponderantes nas suas escolhas.
A chegada das crianças trouxe grandes mudanças para os dois sistemas familiares, começando com as expectativas e sentimentos que foram bem diversificadas. Para Daniele, a notícia da gravidez foi “horrível”. Já para seu esposo, Lucas e Camila os sentimentos foram de alegria e felicidade.
A relação entre os subsistemas após o nascimento da criança também foi afetada. Na família Martins observamos competitividade entre o subsistema fraterno- filial o que pode ser explicado em função da diferença das idades e das fases diversificadas pelas quais os membros estão vivendo (criança, adolescente, adulto). Para os pais e padrasto/madrasta a vivência em diversas fases do ciclo de vida familiar é um desafio maior na tarefa de educar e tentar promover um desenvolvimento saudável de seus membros diante dessa complexidade. Observamos também competitividade na relação madrasta/enteada, o que pode ser justificado pela proximidade de suas idades e a disputa pela atenção de Flávio.
Na família Silva não observamos competitividades ou conflitos consideráveis entre os subsistemas. Porém, assim como na família Martins, destacamos os conflitos existentes no subsistema conjugal. Tanto Flávio como Lucas têm uma relação de grande proximidade afetiva com suas filhas pequenas o que traz conflitos com suas esposas por diversos motivos, dentre eles, os homens permitem que as crianças durmam no quarto e na cama do casal, embora as crianças tenham seus próprios quartos, enquanto elas se queixam da diminuição de intimidade do casal e de relacionamento sexual o que pode contribuir para o enfraquecimento do subsistema conjugal. Os esposos não externalizam essa queixa e preferem não comentar sobre o assunto.
Outro ponto importante é que elas se queixam que a maneira como eles educam as filhas está “errada” e não dão limites e regras claras para as filhas pequenas, parecendo-se mais com “avôs” do que pais. As fronteiras dos subsistemas
estão difusas, existindo evidente falta de clareza das regras que delimitam os espaços intrafamiliares. A idade dos genitores parece ter forte influência na maneira como as crianças são educadas, porém, percebemos também a influência de heranças transgeracionais nesta questão, conforme demonstraram as falas dos esposos.
O relacionamento com o sistema mais amplo ficou mais limitado neste momento do Ciclo de Vida Familiar nas duas famílias pesquisadas, embora essa não seja uma característica encontrada apenas em famílias com essa estrutura. Quando surge alguma necessidade, as famílias de origem são primeiras a serem lembradas e em seguida, os amigos também aparecem como possibilidade de aproximação. As relações sociais, embora mais escassas nas duas famílias após o nascimento das crianças, foram modificadas e as famílias reorganizaram suas maneiras de se divertir. Os programas sociais como ir a clubes, shopping e viagens, agora contemplam todos os membros da família e não somente o casal como acontecia antes.
Quanto às expectativas de futuro o estudo mostrou que os homens pensam em deixar um legado financeiro e oportunidade de estudo para as filhas, enquanto as mulheres se referem basicamente a dois medos: de eles “faltarem”, ou seja, medo que eles morram em função das idades mais avançadas com relação às delas; e medo de ter que criar sozinhas as filhas que eles “educaram”. Ainda segundo a opinião das mulheres, o “carinho” exagerado e a falta de limites para as crianças podem prejudicá- las em seu desenvolvimento.
A literatura nos ajuda a considerar que na família contemporânea, tenha o casal filhos ou não, papeis do homem e da mulher na vida conjugal confundem-se cada vez mais. Atribuir à mulher o papel de cuidar do lar e ao homem o de provedor, não só representa um modelo arcaico que remonta à origem da civilização como soa hoje em dia como um estereótipo. O papel conjugal pressupõe a interdependência dos membros do casal e sua essência baseia-se no postulado de que a sobrevivência dos indivíduos que o constituem seja facilitada pelo compartilhamento das tarefas, envolvendo premissas como compreensão, cooperação e competição. O papel conjugal vai além das funções de reprodução, que pertencem à esfera conjugal.
Além disso, autores sistêmicos acreditam que embora a tradição vigente na cultura cristã considere a família ideal aquela formada por um casal “estruturado” pelo laço do casamento monogâmico, com crianças, filhos de sangue ou por adoção, e que
vivem na mesma casa, esse tipo de tradição torna-se cada vez mais difícil de ser mantida atualmente, o que explica em parte as grandes transformações da vida conjugal e familiar.
No decorrer deste estudo nos questionamos o que poderia estar por trás do desejo desses homens de se tornarem pais nessa fase da vida? Como uma possível resposta para essa questão, nos embasamos no que acredita Walsh (2005). Ela afirma que ironicamente, ao contrário dos casais do passado, os atuais têm mais 20 ou 40 anos para viver após criar os filhos. É difícil para um relacionamento satisfazer as necessidades desenvolvimentais variáveis de ambos os parceiros durante tantos anos. Talvez por isso, esse seja um dos motivos que levaram os homens pesquisados neste estudo a inserirem novamente a paternidade na meia-idade. Mesmo nessa faixa etária, eles podem ainda viver 30, 40 anos ou mais.
Durante a realização deste trabalho outras questões, que não temos a pretensão de respondê-las, nos inquietou. Vamos aqui compartilhá-las com o objetivo de servir de fomento para outras investigações científicas com temas semelhantes ou complementares a este. O que poderá ter realmente influenciado na escolha desses homens serem pais na meia-idade? Quais os motivos para os genitores homens não assumirem o papel/função de pai na educação dessas crianças e terem uma relação afetiva tão próxima com elas? Que repercussões futuras a educação dessas crianças pode ter para o desenvolvimento familiar? Quando essas meninas entrarem na adolescência essa relação vai continuar tão próxima? Se as crianças fossem do sexo masculino essa relação seria tão próxima? Os homens brasileiros estão se tornando pais cada vez mais velhos? Por quê? Que novos desafios podem surgir para família e estudiosos diante desse fenômeno?
Tendo em vista que essa pesquisa privilegiou o estudo da família, a teoria sistêmica foi imprescindível como suporte teórico e conceitual diante de tanta complexidade. A análise das dinâmicas familiares ampliou e enriqueceu o entendimento de conceitos, entre outros, como Ciclo de Vida Familiar, papeis parentais e relacionamento familiar.
Nos resultados encontrados, observamos que as famílias também têm potencialidades diversas e muito eficazes para promoção do desenvolvimento saudável dos seus membros. Não tivemos a pretensão de chamar atenção sobre os “pontos
negativos” das famílias estudadas, até porque nosso enfoque é sempre no potencial de saúde das famílias. Por esse ser um desafio dinâmico, em interação constante com transformações sociais múltiplas estudar, pesquisar e trabalhar famílias nos faz perceber e valorizar cada dia mais a beleza que é a interação humana.
A utilização de uma metodologia qualitativa propiciou o conhecimento aprofundado do fenômeno estudado que nos forneceu dados de grande importância para a compreensão da dinâmica familiar e da vivência da paternidade na meia-idade. Esses dados podem ser ampliados por meio de um estudo longitudinal que possibilitaria conhecer a dinâmica familiar e a vivência da paternidade ao longo do ciclo de vida.