5. ELECTRICITY GENERATION PATHS
5.1 Scandinavian Electricity Market
Um dos efeitos da longa duração da ascendência britânica sobre a economia mundial foi a gradual inserção dos demais países na economia liberal. O Brasil também a adotou. Para provar a sua qualidade, o governo brasileiro, a partir da proclamação da república, se esmerou para manter a meta da estabilidade monetária, o que passava pela adoção do padrão-ouro69,
no ano de 1906, ano em que o Brasil assinou o Fundig Loan (MENEGHETTI, 2006). Pelo acordo, a soberania do país ficava dependente do compromisso em honrar suas cláusulas, pois as alfândegas do país entravam como garantia de pagamento (CARONE, 1970). Como haviam sido os ingleses que avalizaram o acordo, os mesmos se sentiam confiantes em relação ao país.
Acontece que a adoção do padrão-ouro, que se tornava muito interessante para os investidores estrangeiros no país, requisitava a estabilização do câmbio. Isso predispôs a economia brasileira à maior interferência externa.70
Daí a arrogância de autores ingleses, como James Bryce, que em 1912 publicou um livro polêmico, intitulado South America. Passando pelo Brasil em 1910, viu a mão protetora de seu país por trás de todas as realizações nacionais: estradas de ferro, portos, estabelecimentos comerciais e indústrias (VINHOSA, 1990, p. 25).
Seria adequado lembrar que os norte-americanos e os alemães tomavam para si fatias cada vez maiores do mercado brasileiro. Notadamente, sabe-se que às custas britânicas.
Essa estabilização durou até a eclosão da Grande Guerra. Nesse ínterim, de fato, houve a entrada de investimentos em abundância, permitindo a constituição de um sólido sistema
69 Estando em uma posição desconfortável em relação ao sistema mundial de trocas, o Brasil manteve uma
preocupação constante com a obtenção de capital. A entrada de capitais dependia de investimentos externos, empréstimos e do sucesso nas vendas dos produtos primários. Uma vez que os compradores geralmente eram oriundos dos lugares exportadores de capital para cá, a perspectiva se tornava alentadora, dentro de um panorama geral positivo, e tendia a atenuar os conflitos. Contudo, quando as vendas caíam, ficava latente o problema de refluxo de capitais, o que significava o risco de não poder honrar os pagamentos. Isso acelerava a tendência dos produtores agro-exportadores de pressionar o governo no interesse de desvalorizar a moeda em relação à libra para repor as suas perdas. Essa medida satisfazia exclusivamente o setor agro-exportador, prejudicando os investidores, que tinham prejuízo na remeça de lucros (que se perdiam na conversão dos valores).
70 O comércio interestatal requeria a aquisição do ouro para a efetivação das importações, todavia, numa situação
de instabilidade na qual as exportações caíam, o governo acabava emitindo papel moeda levando a que se necessite mais papel para a compra de ouro. As empresas que remetiam capital ao exterior se beneficiavam logo do câmbio alto, uma vez que requeria menor quantidade de dinheiro para a aquisição de ouro. Os grandes bancos, com aporte de capital no Brasil, manipulavam o câmbio para satisfazer suas próprias demandas (CARONE, 1970).
bancário que, através de empréstimos, facilitou a diversificação de ramos da economia, que favoreceria os ingleses.
Apesar disso, já no final de 1913, ressurgiam no Brasil alguns problemas. Ante a iminência do conflito, os capitais estrangeiros migraram de volta aos países de origem (CARONE, 1970). Conjuntamente, ocorreu a queda dos preços dos produtos exportáveis, levando à perda do poder de importação. Enfim, estava comprometida a fonte de receita do governo federal (CARDOSO et al., 2006a). Inicialmente, esses efeitos foram atenuados pela participação incisiva dos Estados Unidos junto à nossa economia.
Até os primeiros dezoito meses da guerra, as importações norte-americanas, na sua totalidade, ultrapassaram o conjunto daquelas da Inglaterra, mais as da Alemanha (VINHOSA, 1990). Com a passagem do tempo, a conflagração fez diminuir o fluxo dos produtos tropicais com destino à Europa. Às complicações nesse sentido estiveram ligadas questões diplomáticas, que envolveram o nosso país com a Alemanha e com a Inglaterra. Não obstante as complicações decorrentes dos acontecimentos em solo europeu, os principais produtos nacionais, já no começo do século XX, tinham como destino mais importante os Estados Unidos (BUENO, 2003). No caso do café, os Estados Unidos já haviam se tornado os maiores compradores, desde o final da década de 1860. A entrada de produtos do Brasil no vizinho do norte aumentou com o passar do tempo.
Por outro lado, o setor secundário granjeou papel mais destacado. Pela primeira vez, a indústria se tornou de grande importância para a economia do país. Não que ela estivesse começando naquele momento.
Há de se considerar outro fator. Entre 1901 e 1910, o café e a borracha, juntos, representavam 79,5% do total das exportações do Brasil (VINHOSA, 1990). Com a guerra, produtos agrícolas até então de menor expressão no mercado interno passaram a obter maior destaque. Foi o caso do feijão, do arroz e do milho, que ajudaram a incrementar a renda das exportações (VINHOSA, 1990).
Apesar do destaque desses produtos, no contexto geral, a produção primária sofreu um impacto negativo. Um dos produtos agrícolas de maior importância durante a guerra foi o trigo, principalmente para os países em guerra – problema, porque o Brasil era carente no quesito, e dependia da importação do mesmo (VINHOSA, 1990).
Uma reação adversa da guerra que se prolongava foi o crescimento das restrições internacionais à entrada do café brasileiro. Como efeito, houve a queda da arrecadação. Consta que a arrecadação interna do Tesouro, em 1914, caiu assustadoramente (CAVALCANTI, 1983).
Em virtude da guerra, houve a carência de produtos importados, e o país se viu na situação de ter de suprir as próprias necessidades (CARONE, 1970). A isso se ligou o aumento no número de empresas no Brasil a partir do ano de 1914.
No Rio Grande do Sul também houve problemas. Além do baque na arrecadação do governo, havia um fator extra que complicava a atividade comercial. O motivo estava relacionado ao principal parceiro que o estado possuía até aquele ano.