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5. ELECTRICITY GENERATION PATHS

6.1 Putting a price on carbon emissions

Desde as vésperas da proclamação da república era auspiciosa a relação do Brasil com a Alemanha, em virtude dos investimentos feitos por esta e pelo desejo de estabelecer tratados conosco (MALATIAN, 2001). Nesse âmbito, foi de fundamental importância a ação do Barão do Rio Branco.57 Entre as suas características, encontrava-se o apresso pela imigração europeia, que para ele era um sinal de progresso (BUENO, 2003). De acordo com o barão, a imigração seria um dos elementos que contribuiria positivamente para a imagem brasileira no exterior. Ainda mais importante, segundo ele, seria realizar todo o esforço necessário para obter um nível adequado de ordem interna, que desse garantia de liberdade ao país ante a ameaça de intervenção estrangeira.

Conhecendo bem a diplomacia das grandes potências, o barão acreditava que, indistintamente, qualquer uma delas poderia ser uma ameaça à América Latina em um futuro próximo, porque, depois da África e da Ásia, julgava que o nosso destino poderia ser

57 Ministro das Relações Exteriores (1902-1912). De acordo com Álvaro Lins (1965), a partir da década de 1870,

o Barão percebeu que a paz mundial resultava do equilíbrio de poder militar naval e terrestre da Inglaterra e da Alemanha. Além disso, fora um homem atinado às tendências diplomáticas do período, que pareciam considerar o poderio militar como critério de projeção internacional e, assim como a Alemanha de Guilherme II, ele revelou uma preocupação com o poderio que a marinha deveria desempenhar (HAYES, 1991).

semelhante. Portanto, ele acreditava que o desenvolvimento das forças armadas nacionais era essencial a um maior prestígio brasileiro. Até por isso, a sua diplomacia foi conduzida de maneira enfática, em alguns momentos até agressiva (MCCAN, 2007).

Mesmo não gostando do imperialismo, Rio Branco sabia que essa prática fazia parte do arsenal disponível à política externa das potências e, sendo parte das regras do jogo, ele a usou. Afinal, o Brasil deveria destoar do comportamento vulgar que, para o barão, era típico das repúblicas latino-americanas (sempre envolvidas em golpes de Estado), mediante o estabelecimento de regras de convivência claras com os vizinhos e, sendo preciso, através de medidas firmes e concisas, no intuito de debelar querelas da maneira mais rápida possível (BUENO, 2003).

Compreendendo a extensão do pensamento de Rio Branco, o Ministro da Guerra entre os anos de 1902 e 1906 – o general Francisco de Paula Argolo – percebeu que o mais exitoso argumento em relações diplomáticas, lamentavelmente, encontrava seu limite no uso da força militar, e que, portanto, o sucesso de qualquer empreendimento, no final das contas, dependeria da disposição das grandes potências. Via, por conseguinte, a necessidade premente de reforma militar, que passaria obrigatoriamente pela qualificação dos quadros para a remodelagem das forças armadas. A essa época, a reforma do exército turco, mediante a cooperação com os alemães, tornara-se uma grande referência. Ele tomou, como exemplo importante a ser observado, o desenvolvimento militar da Alemanha. Em um esboço de

reforma, no ano de 1906, “o ministério da Guerra mandou seis oficiais de baixa patente servir

arregimentados no Exército imperial alemão por dois anos como treinamento, iniciando assim

uma prática que teria repercussões” (MCCAN, 2007, p. 137).

No entanto, a proximidade maior entre ambos países se desenrolou durante a ascensão do marechal Hermes da Fonseca ao Ministério da Guerra (MCCAN, 2007; VINHOSA, 1990), em substituição ao general Argolo. O barão do Rio Branco conseguiu fazer com que o Kaiser Guilherme II convidasse, em 1908, o novo ministro para assistir às manobras do exército alemão, mediante honrarias compatíveis às de um chefe de Estado, o que renderia negociações para uma missão militar com vias à reorganização do exército (MCCAN, 2007).

Em 1909, um segundo grupo de seis oficiais foi servir por dois anos em regimentos alemães [...]. Em 1910, quando embarcou o terceiro grupo, com 24 oficiais, os alemães já haviam selecionado os membros da missão para ir ao Brasil, e sabiam

que poderiam trabalhar com um dedicado núcleo de oficiais treinados na Alemanha (MCCAN, 2007, p. 145).58

Afora esse fator, em se tratando de material bélico, nenhum país possuía maior respeitabilidade que a Alemanha.59 A relevância desse fato certamente teve influência sobre o pensamento dos responsáveis pelo governo brasileiro naquilo que tangesse à modernização das forças armadas. Quando, em 1904, o Congresso aprovou a reorganização da esquadra, os estaleiros contemplados para a encomenda brasileira foram os da inglesa Vickers – que resultou nas modernas embarcações São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro –, porque a Inglaterra era a senhora dos mares. A blindagem dos mesmos, todavia, ficou a cargo da alemã

Krupp. Obra no valor de dois milhões de libras (BANDEIRA, 2003). Em se tratando dos

demais equipamentos militares, todos foram encomendados na Alemanha.60

No entanto, como já mencionado, a admiração pela Alemanha estava restrita a alguns círculos bastante específicos, cuja expansão não foi favorecida pela entrada da Alemanha na guerra. Sobre ela, deve ser citado o deputado Dunshee de Abranches, que proferiu um discurso em defesa da Alemanha, ao explicar as causas do conflito (VINHOSA, 1990), mas sempre defendendo a posição de neutralidade do Brasil. Posteriormente, em 1917, o parlamentar viria a escrever um libelo para alertar o Brasil, quanto ao ingênuo comportamento

“aliadófilo” na guerra, chamado A Ilusão Brasileira.

Como era grande a influência cultural francesa no Brasil, e como também fora grande a manobra diplomática francesa, resultou que a missão alemã nunca saísse do papel. Houve um grande lobby pró-francês vindo do estado de São Paulo que, no começo do século, havia contratado uma missão militar francesa para treinar a sua polícia estadual. Por influência paulista, Hermes acabou cativado na viagem feita à França, após convite que lhe fora feito para observar o exército daquele país, com uma série de elogios à sua pessoa, que o levaram a

proclamar que o “caráter do povo brasileiro e do soldado brasileiro assemelhavam-se mais ao

do povo francês e do soldado francês do que ao de qualquer povo e qualquer outro soldado” (MCCAN, 2007, p. 147).

58 Já no Brasil, os oficiais brasileiros foram os responsáveis pela criação da revista A Defesa Nacional em 1913,

inspirada na congênere alemã Militaer Wochenblatt (RODRIGUES, 2008).

59 Exceção feita à construção naval inglesa que, mesmo com a intensa competição alemã, voltada para a

construção da potência naval do país e atendendo o apelo marítimo do Kaiser nesse sentido, ainda era o referencial a ser seguido. Hegemonia confirmada no começo do século XX, quando do lançamento dos seus revolucionários dreadnoughts (MASSIE, 1992).

60 Era uma grande quantidade, resultado de um plano de modernização. Incluía 50 mil fuzis e 10 mil carabinas,

Para pavimentar o sucesso francês, o senador e empresário do setor jornalístico Antônio Azeredo entrou em ação. Ele possuía laços partidários e clientelísticos com políticos paulistas e oficiais franceses, mediante os jornais O Malho, A Tribuna, O País e O Jornal do Comércio fez uma intensa campanha anti-alemã, que ajudou a demover o governo da intenção de trazer oficiais alemães (MCCAN, 2007).

Essa mesma imprensa apoiou com veemência a venda de um grande carregamento de armas que o governo brasileiro fizera junto à Alemanha antes da guerra. O problema era que o candidato mais entusiasmado para adquirir o material bélico era a Inglaterra, o que significaria uma clara violação à condição de neutralidade. Tendo o Brasil resistido à tentação do negócio, e à ação feroz da mídia, o governo de Sua Majestade começou a pressionar o Brasil mediante a cobrança, sem margem para negociação, dos títulos de dívidas que estavam nas mãos dos banqueiros Rotschild. Apesar da dificuldade para honrar o pagamento, o governo conseguiu e não necessitou vender as armas (VINHOSA, 1990), apesar disso os ingleses continuaram pressionando através de outros subterfúgios (como veremos no capítulo 3).

Por certo, a jovem oficialidade brasileira mantivera sua crença na superioridade alemã. Continuaram a professar sua crença na necessidade de uma cooperação germano-brasileira para reconstrução do exército nacional, sob uma aparência de profissionalismo. Apesar da revista A Defesa Nacional ter publicado, ainda nos primeiros anos da guerra, artigos em defesa da Alemanha, pois desprezava a imprensa aliadófila (VINHOSA, 1990), as relações de afinidade haviam chegado ao seu limite e daí não prosseguiram para diante.

2.4 ALGUNS DADOS DESABONADORES SOBRE OS