5.1 F ORBRUKERDEMOGRAFI , KONSUM OG FAKTORER SOM PÅVIRKER VALG AV SJOKOLADEMELK
5.4.2 Sammenhengen mellom galvanisk hudrespons og aksept
As principais críticas à teoria de Kohlberg dirigem-se à universalidade dos estágios, à desvalorização do papel da emoção e do hábito no processo de desenvolvimento, bem como carregam a acusação de que a teoria é elitista, por dividir os seres humanos em grupos de pessoas mais morais e menos morais, além de ignorar as peculiaridades do desenvolvimento moral feminino.
Elliot Turiel, primeiro orientando de doutorado de Kohlberg, na Universidade de Yale, propôs uma teoria dos Domínios de Conhecimento Social, concebidos como estruturas sócio- cognitivas que se organizam, coordenando-se e subordinando-se entre si. Para Turiel, os padrões de julgamento variam segundo situações e contextos, diferentemente da proposta linear de Kohlberg, já que exigem formas distintas de organização, compreendendo-se aí a coordenação ou subordinação entre os diferentes domínios. Ou seja, os três domínios considerados por Turiel – o pessoal, o convencional e o moral – “são estruturas cognitivas que acompanham as características de desenvolvimento intelectual propostos por Piaget, mas são construídas distintamente, ainda que coordenáveis entre si”, nas palavras de Sapiro (2005).
Enquanto para Kohlberg, as pessoas obrigatoriamente passam pelo nível pré- convencional, para chegarem ao nível convencional e, então, poderem alcançar o nível pós- convencional, para Turiel crianças bem pequenas já são capazes de distinguir meras convenções sociais de princípios morais obrigatórios, semelhantes ao que Kohlberg rotulou como pensamento pós-convencional. Portanto, para Turiel, os domínios pessoal, convencional e moral desenvolvem-se paralelamente, desde a infância.
O domínio pessoal circunscreve-se a ações cujas conseqüências afetam principalmente ao sujeito e que não resultam em quebra da ordem social, nem representam uma injustiça a outras pessoas. O domínio convencional refere-se à área em que são elaboradas as normas de organização social compartilhadas pelo sujeito com o grupo. Já o domínio moral abrange conceitos que derivam da necessidade de justiça e bem-estar individual ou social, no âmbito das interações e investimentos inter-pessoais.
Os julgamentos e ações dos indivíduos não poderiam sofrer generalizações acerca do nível de desenvolvimento ao qual cada um pertenceria, segundo a Teoria dos Domínios. (COSTA e SIQUEIRA-BATISTA, 2004, p. 246). Esta possibilita, além da superação da linearidade e irreversibilidade que caracterizam o desenvolvimento moral proposto por Kohlberg, uma compreensão satisfatória para o papel da interação social e para o valor da interferência cultural, já que a identificação dos conteúdos concernentes a cada domínio só é possível por meio de um estudo da cultura. Consegue-se, assim, determinar o que pode ser entendido como prerrogativas pessoais, convencionais ou morais, concebidas como estruturas do conhecimento social. (MILNITSKY-SAPIRO, 2000, p. 11)
Carol Gilligan (1982, pp.28-30) aponta possíveis distorções nos estudos de Kohlberg pela utilização de amostras compostas apenas por rapazes. Para aquela autora, o nível pós- convencional despreza o modo como as mulheres raciocinam sobre questões morais, quando
são postos conflitos entre as regras sociais e os princípios éticos. Isto é, além do centramento na justiça, há uma ética do cuidado, que privilegia a promoção das relações inter-pessoais por meio dos afetos e sentimentos. O nível pós-convencional que integra o desenvolvimento feminino inclui a mútua dependência entre pessoas. Gilligan argumenta, portanto, que existem duas vozes morais, duas linguagens que devem ser consideradas nos programas de educação moral: a da justiça e a do cuidado. Suas críticas podem ser compreendidas, contudo, mais como um desenvolvimento da teoria do que oposição aberta a ela, isto é, Gilligan procurou ir além dos limites traçados pela pesquisa de Kohlberg. Assim é que ela declara:
O conceito de identidade amplia-se para incluir a experiência da interconexão. O domínio moral é igualmente ampliado pela inclusão da responsabilidade e do cuidado nos relacionamentos. E a correspondente epistemologia subjacente passa do ideal grego do conhecimento como uma correspondência entre mente e forma para a concepção bíblica de saber como um processo de relacionamento humano. (GILLIGAN, 1982, p.185)
Ora, nessa concepção epistemológica encontram-se fundamentos para a compreensão do altruísmo como objeto de pesquisa, mas também como componente que não pode ser ignorado no e pelo sujeito produtor de conhecimento.
Montenegro (2003, p.493), por sua vez, procura ressaltar a necessidade de “rompimento com a pretensão de tomar o cuidado como categoria teórica ou de considerar peculiaridades de gênero para explicá-lo”. Quer dizer, não é tão simples estabelecer “cuidado” como categoria, nem pode ser automática sua vinculação ao que caracteriza uma maneira de ser feminina. Montenegro autora invoca as teorias maternalistas que tentam interpretar a presença de mulheres em atividades que envolvem o cuidado com o outro. Tais teorias argumentam que as mulheres transferem habilidades e funções de cuidar, aprendidas e praticadas em casa e na comunidade, para as profissões que exercem. Outras correntes teóricas identificam três possibilidades que levariam pessoas a se dedicarem a profissões de cuidado: altruísmo, reciprocidade duradoura e realização de uma obrigação ou responsabilidade.
Mas afinal, o que vem a ser o “cuidado”? Segundo a compreensão de Ricks (1992, p.49), o cuidar na perspectiva feminina é de alguma forma diferente, tendo a ver com ser mulher, e está de algum modo incrustado em uma estrutura diferente de valor feminista. Ainda conforme Ricks (1992, p.55), cuidar é uma interação de intervenção intencional, iniciada a partir das percepções do doador e do receptor (do cuidado) de que algo ou alguém não está bem, está em risco ou em necessidade; a interação é concretizada em atitudes compartilhadas e no sentimento de preocupação de um pelo outro.
Cuidado, portanto, não é algo automático, mas resultado de processos cognitivos, emocionais e volitivos, de tomada de decisão para retirar o outro de uma situação de vulnerabilidade. Montenegro (2005, p.84) escreve que há uma associação entre cuidar com suas origens etimológicas latinas nos verbos cogitare e curare. Ou seja, o sentido de pensar, supor, imaginar alia-se a tratar, visando à superação de uma situação desfavorável para alguém. Cuidado, assim, relaciona-se com reflexão e ponderação, mas não se restringe ao campo da introspecção, já que implica atitudes e ação para com o outro, aproximando-se do que é comumente rotulado como generosidade, componente importante no altruísmo.
A ética do cuidado é apreendida no modo como as mulheres respondem a dilemas morais e pode ser traduzida na busca de intimidade e sensibilidade às necessidades do outro. Distingue-se da ética da justiça, que associa maturidade moral como sinônimo de autonomia e que se orienta por dar a cada um o que lhe é de direito. Ao priorizar o outro em suas ações morais, as mulheres se guiam por um princípio diferenciado, para além do princípio da justiça, conforme escreve Gilligan (1982, p.27). Suas respostas indicam cuidado e interesse pelo outro, fundamentando a psicologia do desenvolvimento das mulheres, e costumam ser responsáveis pelo que é considerado como problemático na natureza feminina.
Kohlberg discorda das conclusões de Gilligan de que homens e mulheres percorrem trajetórias diferentes de desenvolvimento moral, com homens tendendo a focalizar mais a justiça e as mulheres, o cuidado. Segundo Montenegro (2003, p.499):
Em sua justificativa para conceber a moralidade como justiça, Kohlberg expõe claramente a dicotomia entre razão e subjetividade, e a necessidade de sua separação tanto para produzir conhecimento quanto para possibilitar a universalização da concepção de moralidade. Assim, em seu modelo de desenvolvimento moral, os níveis considerados mais avançados são aqueles em que os indivíduos utilizam princípios universais de justiça para efetuar seus julgamentos morais.
Campbell e Christopher (1996a, p.23) advertem que “ao inspecionar o domínio moral, Gilligan e seus colaboradores progrediram de uma visão estreita para uma miopia; há muito mais coisas no horizonte do que justiça impessoal e auto-sacrifício”. Outro ponto que merece ser lembrado é que Gilligan afasta-se da trilha do cognitivismo e se aproxima do determinismo psíquico da psicanálise, ao abordar as vivências infantis dos primeiros anos de vida como base para a concepção de ética do cuidado. Isto é, as meninas teriam uma propensão a estabelecer vínculos, buscar relações de proximidade e atentar para as necessidades dos outros, pela identificação com a mãe nos primeiros anos de vida, o que leva a uma identidade de gênero que é resultado de fusão do apego com identidade pessoal. Nos meninos, a experiência da proximidade com a mãe leva-os a estabelecer sua identidade de
gênero no corte, isto é, na distinção da mãe em relação a si mesmos, o que faz diminuir a ênfase no vínculo empático e aumentar os sentimentos de diferenciação. Ao seguir tal caminho, Gilligan se aproxima das explicações naturalizantes - ainda que não tenha sido este o seu propósito - que supervalorizam o cuidado, como manifestação de altruísmo própria das mulheres. A relação entre razão e emoção é substituída por justiça e cuidado, pendendo o cuidado para o lado das características determinantes das mulheres.
Como os trabalhos seguintes de Gilligan focaram quase que exclusivamente as diferenças de gênero, sobretudo em orientações gerais e menos em desenvolvimento da ética do cuidado, Skoe et al. (1996, p.280) procuram fornecer apoio ao argumento original de Gilligan acerca de diferenças de gênero nas orientações morais. Para isso ela construiu um instrumento visando medir níveis de cuidado: o “Ethic of Care Interview” (ECI). Os níveis de cuidado no ECI partem de uma posição inicial de “preocupação consigo mesmo” (self-
concern), passam pela “preocupação exclusiva pelo outro” (other-concern), e chegam à
posição final de equilíbrio entre a preocupação consigo e com o outro. Os estudos de Skoe e colaboradores mostram que as diferenças de gênero no desenvolvimento psicossocial podem ser mais sutis e complexas do que mostram os testes padronizados. Ainda que não tenham sido encontradas diferenças nos escores do ECI de amostras compostas por adolescentes tardios e jovens adultos, as garotas que acabaram de entrar na adolescência obtiveram escores mais altos no ECI. Além disso, um número significativamente maior de garotas do que de garotos obtiveram escores próprios do nível 2 do ECI (cuidado pelos outros), nesta amostra. Estas descobertas de diferenças entre gêneros no desenvolvimento, em favor das garotas, nos anos mais tenros da adolescência sem correspondência entre jovens adultos, são consistentes com a pesquisa em áreas como de desenvolvimento do Ego, de raciocínio moral pró-social e juízo religioso.
Os teóricos costumam pontuar que, devido às interações entre papéis biológicos e normas culturais, as mulheres valorizam mais do que os homens a manutenção de relacionamento com os outros. Para que isso seja verdade, as mulheres deveriam obter escores mais altos do que os homens, no campo do raciocínio moral baseado no cuidado. O que os estudos de Skoe e colaboradores mostraram, entretanto, é que tais diferenças de gênero podem ser encontradas no início da adolescência, mas não no início da fase adulta. Isto pode ser reflexo da ênfase atual na igualdade entre homens e mulheres, já que, nas culturas ocidentais, os estereótipos de gênero vêm diminuindo, aumentando as opções de papéis e oportunidades tanto para homens como para mulheres. O impacto dessas mudanças ideológicas podem ser
maiores entre jovens adultos com melhor nível de educação ou escolaridade. A aplicação do mesmo instrumento junto a uma amostra composta por mulheres e homens idosos mostrou que as mulheres obtiveram escores mais altos do que os homens, nesta faixa de idade. Talvez isso ocorreu porque as pessoas mais idosas foram criadas e viveram como jovens adultos no contexto de uma sociedade mais convencional, com divisão mais explícita de papéis a serem desempenhados pelos homens e pelas mulheres, se comparada com o que se encontra atualmente.
No Brasil, deve ser mencionado o estudo realizado por Surama Gusmão Ebrahim (2001), sobre as relações entre altruísmo, maturidade e estabilidade emocional, no caso de pessoas que adotaram crianças mais velhas. Nesse estudo, o altruísmo emerge como um componente a influenciar as escolhas dos adotantes, sendo que os adotantes tardios, isto é, de crianças com mais idade, apresentaram escores de altruísmo maiores do que os adotantes convencionais, isto é, de bebês. Entre os classificados por Ebrahim como adotantes tardios, há maior presença de filhos biológicos nos lares e sua situação civil é mais diferenciada (solteiros, casados, divorciados e viúvos). As explicações dadas por esses adotantes para seu ato foram “a situação de abandono das crianças, caridade, pena, amor ao próximo e valores religiosos”.
Na literatura mais recente, encontra-se um outro trabalho visando à construção e validação de uma “Escala de Representação Mental do Cuidar” (Mental Representation of
Caregiving Scale), realizado em Israel, por Reizer e Mikulincer (2007, pp.227-239). Estes
autores reconhecem que os estudos sobre altruísmo, comportamentos pró-sociais e de ajuda têm identificado diferenças individuais consistentes acerca dos motivos ou razões que uma pessoa apresenta para ajudar um outro, sem desprezar as atitudes, reações cognitivas e emocionais frente ao sofrimento do outro. Porém, há poucas tentativas para se ligar ajuda altruísta ao campo mais amplo das teorias psicológicas sobre personalidade, motivação e comportamento social. Em função dessas observações, Reizer e Mikulincer desenvolveram um instrumento de auto-relato pelos participantes da pesquisa, para medir representações mentais de fornecimento de cuidado, tomando John Bowlby e seus trabalhos sobre apego como referência teórica. Essas representações são classificadas em três dimensões: modelos de trabalho do “si mesmo” como cuidador, modelos dos outros necessitados, e motivos para ajudar. Os autores reconhecem que o fato dos seus estudos terem sido conduzidos em Israel pode comprometer a generalização de suas conclusões em outros estudos transculturais. O interessante em seus resultados, entretanto, é que para as amostras estudadas há evidências de
que o comportamento de ajuda não é sempre guiado pela orientação para o outro ou por motivos altruístas. Nada que seja desconhecido. Isto é, freqüentemente, a motivação egoísta governa os comportamentos para aumentar o bom humor do agente, aliviar a sua própria aflição e proteger relacionamentos próximos que são pessoalmente valiosos para o agente.
Dois pesquisadores canadenses, Krebs e Denton (2005, pp.629-649), empreenderam uma avaliação crítica da teoria de Kohlberg, para então oferecer uma moldura comportando onze propostas que, segundo os autores, aproxima-se mais do modo como as pessoas tomam decisões morais na vida cotidiana. De acordo com essa abordagem, que Krebs e Denton rotulam como mais pragmática, as pessoas fazem juízos morais e engajam-se em comportamentos morais para induzir a si mesmas e aos outros a sustentarem sistemas de trocas cooperativas, que ajudam-nas a alcançar suas metas e ampliar até mesmo os seus interesses. Em vez de apresentar dilemas, como o fez Kohlberg, Krebs e Denton desenvolveram um questionário que pudesse ajudá-los a explorar essas situações da vida real. Tal questionário começa por solicitar aos participantes do estudo que descrevam conflitos morais que experimentaram recentemente. Além disso, pede-se aos participantes que expliquem como lidaram com os conflitos, o que os levou aos conflitos, o que as pessoas envolvidas disseram, fizeram, pensaram e sentiram, para enfim os sujeitos declararem como os conflitos foram resolvidos. Os pesquisadores puderam, a partir daí, explorar o papel desempenhado pelas reações emocionais presentes nas tomadas de decisão moral, além de verificar a relação entre juízo moral e comportamento moral, desafio bastante presente para os que procuraram conhecer mais os movimentos humanos em torno da imagem altruísta que algumas pessoas têm acerca de si mesmas, em correspondência com o que fazem ou não para que o ideal se torne realidade.