4 NVES VURDERING AV KONSEKVENSUTREDNINGEN E
5.1 V URDERING AV BEHOV OG TEKNISK LØSNING
5.1.1 Samfunnets behov for sikker strømforsyning
As primeiras povoações da região, onde se encontra Jequiá da Praia, se iniciaram sob a influência da Vila de São José do Poxim, vilarejo surgido por volta de 1600, e cuja freguesia foi criada pelo Bispo de Olinda em 1718, hoje pertencente ao município de Coruripe. A vila se consolidou por estar próxima do ancoradouro natural da atual Fazenda Pituba, onde os navios negreiros atracavam trazendo os negros para ser comercializados aos senhores de engenho. Porém os negros doentes, velhos ou com deficiência física que não eram comercializados ficavam na vila, o que caracteriza a população do Poxim como predominante de pessoas de cor negra (PREFEITURA MUNICIPAL DE JEQUIÁ DA PRAIA; DLIS; SEBRAE, 2002).
A igreja de São José do Poxim, existente no atual Povoado de Poxim, foi construída provavelmente em 1717, e a igreja de N. S. do Pilar, localizada em Jequiá da Praia, cuja construção data de 1762; teria sido construída inicialmente para ser a capela de um antigo engenho de açúcar existente nas imediações da atual igreja — o engenho teria sido construído em um local denominado Porto do Engenho — dando início ao povoamento da atual área urbana (Fotos 10 e 11). A igreja de N. S. do Pilar incorporou na comunidade valores e tradições desde a sua fundação, o que demonstra a sua importância tanto como patrimônio arquitetônico36 como patrimônio intangível37 (ROMÃO; SILVA, 2004).
36 De acordo com a Declaração de Amsterdã (CONSELHO DA EUROPA, 1975), o patrimônio
arquitetônico compreende não somente as construções isoladas e seu entorno, mas também os conjuntos e bairros que apresentam um interesse histórico ou cultural.
37 A Carta de Mar Del Plata sobre Patrimônio Intangível (MERCOSUL, 1997), afirma que esse
Foto 10 - Fachada da Igreja N. S. do Pilar, localizada no Centro de Jequiá da Praia. Fonte: Medeiros, Daniel (2004).
Foto 11 - Vista da fachada lateral da Igreja N. S. do Pilar e do Cemitério.
Fonte: Romão, Simone (2004).
Entre 1788 e 1790, existiam estaleiros que fabricavam barcos em Jequiá e na Barra de Jequiá, este por sua vez foi o primeiro e melhor estaleiro da região de Coruripe. A construção naval era importante para a economia local e o barcaceiro é um dos personagens que contribuíram para a história econômica da região de Coruripe (LEMOS,1999). No séc. XVIII se utilizavam árvores das matas entre a lagoa Jequiá e o rio São Miguel para a construção de navios mercantis, nas matas é que ‘se provê toda a marinha mercantil da Baía, depois da proibição das matas de Palmares’ e nos seus portos constroem-se muitas embarcações; na mesma época estavam sendo construídas sete ou oito (MOREIRA, apud DIÉGUES JÚNIOR, 2006, p. 47).
Por volta de 1816, o português Manoel da Cunha Coelho ocupava o Sitio Espera, representando este uma das famílias mais antigas a ocuparem as terras da atual cidade, às margens do rio Jequiá (canal da Lagoa). Naquele tempo, as atividades predominantes eram a retirada de madeira, a produção de coco e cana-de-açúcar. Ligados à produção de açúcar, aparecem figuras ilustres como o Comendador Miguel Palmeira, denominado Barão de Coruripe e o Sr. Manuel Duarte Ferreira Ferro, o Barão de Jequiá, cuja residência — a atual sede da fazenda e antigo engenho Prata — teve sua construção concluída em 1886 (Foto 12).
Foto 12 - Vista da casa grande do antigo engenho Prata. Fonte: DIÉGUES JÚNIOR (2006).
Em 1900, a pesca artesanal já se iniciava na Lagoa de Jequiá. O filho do português Manoel, João Manoel Cunha Coelho, arrematou em Coruripe o direito à pescaria no rio e na lagoa Jequiá. A pesca é uma atividade tradicional, tanto na lagoa quanto no mar, como pode ser observado no povoado da Lagoa Azeda que abriga nas águas do seu mar os vestígios do navio Itapajés, naufragado, em setembro de 1943 durante a 2ª Guerra Mundial, por um submarino alemão e os relatos da bravura dos seus pescadores que vigiavam a costa e avisavam da chegada dos navios inimigos.
De 1884, até por volta de 1950, o transporte do açúcar era feito por trem e barcaças. Nesse período existia uma ponte elevadiça sobre o rio Jequiá para permitir a passagem das embarcações que levavam o açúcar desde o Porto da Boca, na lagoa Jequiá, até o Porto de Jaraguá. Já em 1945 começa o processo de mudança do tipo de transporte, com a substituição do uso das barcaças pelo transporte rodoviário (PREFEITURA MUNICIPAL DE JEQUIÁ DA PRAIA; DLIS; SEBRAE, 2002).
A estrada de ferro que pertencia à usina Sinimbu servia para o transporte das canas e do açúcar na área da várzea. Essa rede ferroviária possuía uma linha tronco acompanhando o rio Jequiá, que cortava os engenhos Prata e Mangabeira, da qual partiam ramais que subiam os vales secundários dos seus afluentes: Chapéu de sol, Baixa d’água e Santa Luzia. A usina Coruripe também dispunha de uma estrada de ferro38 (DER-AL, 1990).
Segundo dados apresentados pelo Instituto Arnon de Mello (2006), Tomás Espíndola refere-se a Jequiá da Praia, quando trata acerca do município de São Miguel dos Campos, com a seguintes informações: o povoado situa-se ‘à margem norte do
desaguadouro da Lagoa Jequiá, sobre o qual existe um pontilhão: é pequeno, pobre, sem comércio, muito abundante de cocos e peixes da lagoa, principalmente de curimãs no tempo da desova’.
O mesmo Instituto relata que Adalberto Marroquim, menciona ‘as célebres barreiras de Jequiá que, pelas formas caprichosas que tomaram, dão a idéia de torres e minaretes de uma cidade vasta’ e afirma que por volta de 1922, o Estado mantinha naquele núcleo populacional uma escola subvencionada. Ainda consoante esse autor, a povoação, que pertencia ao município de São Miguel dos Campos, era famosa pelas curimãs da Lagoa Jequiá, ‘das quais se extraem as ovas que se vendem salgadas na capital e no interior’ (MARROQUIM, apud INSTITUTO ARNON DE MELLO, 2006).
Quanto à descrição de fatos ocorridos no período de 1950 há 1990, não foram obtidos dados, até o momento, que embasassem a presente descrição. Coloca-se a necessidade da participação da população e a análise detalhada de outros documentos que relatem a história dos municípios de São Miguel dos Campos e Coruripe para preencher as lacunas existentes nos documentos históricos quanto à evolução histórica e urbana do referido município.
Com a mudança do tipo de transporte do açúcar (a substituição das barcaças pelo transporte rodoviário), a partir de 1945, houve um período de estagnação econômica até a inauguração da rodovia AL-101 Sul em 1992 que marca o fim desse período e possibilita o início do desenvolvimento do turismo na região (PREFEITURA MUNICIPAL DE JEQUIÁ DA PRAIA; DLIS; SEBRAE, 2002).