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S TØTTENDE VOKSNE

In document Barn av psykisk syke foreldre (sider 113-118)

7. ANALYSE OG DISKUSJON AV FUNN

7.5 S TØTTENDE VOKSNE

4.2.1. DA PÓRTICO À DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Em meados dos anos cinquenta, a imprensa internacional começou a chegar a algumas livrarias lisboetas, dando-se uma abertura da comunicação com o estrangeiro (Gonçalves, 1991: 66). A criação da Fundação Gulbenkian em 1956 teve um papel fundamental nesta abertura ao mundo, bem como outras instituições (nem sempre ligadas ao meio artístico),64 que mais tarde ajudaram os artistas com bolsas65 e incentivos através de concursos, gerando uma maior hipótese de profissionalização.66

O coletivo KWY (e revista homónima, fundada em 1958),67 contribuiu excecionalmente para a dinamização da internacionalização dos artistas portugueses e do posicionamento do país no estrangeiro através da vinda de artistas como Christo e Jan Voss a Portugal para a realização de trabalhos de cariz colaborativo (Dias, 2001:66). O grupo KWY não se ficou apenas por estas iniciativas: a Galeria Pórtico surgiu como um projeto de alguns destes jovens artistas,68 enquanto eram ainda alunos do curso de Belas-Artes (França, 1948: 187). Note-se que esta galeria se encontrava ligada a uma loja de mobiliário69 e a um salão temático ligado ao jazz para promover uma maior dinamização do espaço enquanto ponto de encontro cultural (França, 1948: 187). Em 195570 esta galeria inaugurou com uma exposição coletiva dedicada à colagem,71 técnica que revela o espírito vanguardista associado ao espaço. A galeria sobreviveu até 1957 mantendo uma programação regular e inovadora. A partir desta data, surgiram problemas a nível financeiro que se foram “arrastando penosamente” até ao final do ano de 1959 (Pena, 1994: 91). A galeria

64 Por exemplo, o Prémio GM67, o da Soquil (1968-72) ou o Prémio Guérin de Artes Plásticas 68

(Sociedade Guérin, indústria automóvel) (Jürgens, 2016:137).

65 França afirmava em relação à Fundação Gulbenkian:“(...) num total de trezentas e vinte bolsas concedidas neste triénio, além de cento e sessenta contos de subsídio de atelier, para compra de material”

(França, 1991:350).

66 Têm como destinos especialmente Paris e Londres. Pertencem a esta vaga de emigrantes ao longo da

década de 60 artistas como Paula Rego, João Cutileiro, Bartolomeu Cid dos Santos, Ruy Leitão e Menez. Prolonga-se pela década de setenta com Sá Nogueira, João Vieira, António Sena, Ana Haterly e Ângelo de Sousa. (http://cvc.instituto-camoes.pt/base4/arte-e-artistas-em-portugal.html#.W4QhXn4nbVo,

consultado em 05.2018)

67 Revista experimental de orientação neo-dada, publicada entre 1958 e 1964, integrava os seguintes artistas

portugueses: Lourdes Castro, René Bertholo, António Costa Pinheiro, João Vieira, José Escada e Gonçalo Duarte. Também se juntaram Christo e Jan Voss.

68 R. Bertholo, Lourdes Castro, J. Escada, Costa Pinheiro, entre outros (França, 1991: 481).

69 Situava-se no largo Camões, mais concretamente na Rua da Misericórdia, números 31 a 33 (Cat. Pórtico,

1955).

70 Data da última EGAP – Exposição Geral de Artes Plásticas - e da criação da Fundação Calouste

Gulbenkian.

71 Com jovens nomes como René Bertholo, Lourdes Castro, José Escada e Costa Pinheiro, os coordenadores

da galeria. Mais tarde, viria a expor artistas como João Vieira, António Areal, Nuno de Siqueira, Carlos Calvet, Semke (1957), Júlio (1955), Lemos, Vespeira e Cargaleiro (1955) e ainda chegou a ter uma exposição de Vieira da Silva (França, 1991: 481).

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acabou por se dissolver com a emigração do grupo promotor e, mais uma vez, por falta de compradores (França, 1948:187).

Ganhava força então uma outra galeria, inaugurada em 1957,72 a Galeria/Livraria Diário de Notícias que se encontrava associada ao jornal com o mesmo nome.73 A ligação com o periódico providenciava o sustentáculo financeiro necessário para conseguirem organizar exposições com a liberdade cultural que o panorama artístico lisboeta ansiava (Pena, 1994: 109).74 Sob a direção de José Faria de Carvalho, a galeria alternava entre exposições de modernistas, naturalistas académicos e artistas estrangeiros,75 pelo que não tinha uma orientação ponderada e criteriosa. Tinha a seu favor a publicação de catálogos com críticas de colaboradores do jornal e reproduções a preto e branco das obras, sendo este um esforço assinalável (Pena, 1994: 110). Entrou em decadência quando abriu a sucursal da galeria portuense Divulgação na zona da Estefânia (1963) (França, 1948: 187). Sob a direção de Fernando Pernes, esta galeria conseguiu recrutar os melhores artistas que estavam ligados à Galeria Diário de Notícias (Pena, 1994:110). Esta é a primeira galeria associada a uma livraria de que falamos. É através da junção destes dois domínios que virão surgir as galerias mais resistentes do cenário galerístico, não só lisboeta, mas nacional.

É de mencionar, ainda um pequeno espaço expositivo que surgiu em 195876 na Casa Fravel – a Galeria Mansarda, que dispunha de um bar público. Segundo França, “não logrou a manter-se nem teve prestígio artístico.” (França, 1991: 596 - 545).

Assiste-se neste período a uma certa assimetria do panorama artístico nacional. Enquanto o clima cultural da capital vivia encerrado entre as Exposições Gerais, Salões do SNI/SEIT e uma ou outra galeria efémera, a cidade do Porto encontrava-se numa situação muito mais dinamizadora graças à atividade das galerias Alvarez e a Divulgação.77 A sua existência simultânea gerava uma

72 Ano da primeira Exposição de Artes Plásticas da Gulbenkian e de três exposições realizadas na SNBA

em 1957, 1961 e 1986, com o intuito de traçar um panorama do estado atual das artes plásticas em Portugal, em conjunto com algumas conferências sobre o tema. Nasce uma maior preocupação com a história artística do país.

73 Localizava-se, tal como as anteriores galerias aqui analisadas, perto da Faculdade de Belas-Artes, na

zona nobre da cidade – o Chiado.

74 A produção oscilava entre duas a três exposições por mês (Pena, 1994:110), o que é um ritmo bastante

acelerado para uma organização ponderada das exposições.

75 Contaram com exposições como a de Lourdes Castro com René Bertholo (1957), e mostras individuais

de Costa Pinheiro (1958), João Vieira (1959 e 1962), Carlos Calvet (1959), Fernando Conduto (1963), Manuel Baptista (1961), Costa Martins e Victor Palla (1958). Houve, também, um interesse pela apresentação de artistas estrangeiros, especialmente espanhóis (Pena, 1994:110).

76 Era uma sala numa loja de artigos de Belas-Artes, situada na zona do Príncipe Real, na Rua D. Pedro

V. (Jürgens, 2016: 126)

77 Galeria que surgiu em 1958 e teve a duração de relativamente sete anos (Pena, 1994). Proveniente de

uma das livrarias mais conceituadas do Porto, o primeiro andar do edifício foi transformado num espaço galerístico. Através de uma dinâmica entre as duas galerias portuenses, eram organizadas exposições em conjunto, ou com os mesmos artistas, também com o apoio da ESBAP. Foi Jaime Isidoro (curador da

Alvarez) quem organizou a primeira exposição na Divulgação, em 1958, com artistas da sua própria galeria.

Dirigida pelo Arq. Pulido Valente, foi essencial para a promoção de uma “quarta geração” de artistas, estritamente portuense.

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interessante sinergia no mercado que se revelou difícil de acompanhar por parte das galerias lisboetas, alguns anos mais tarde78 (Pena, 1994:111). Aliás, na capital, poucas mudanças se sentiram ao longo da década de cinquenta, chegando à mesma conclusão que José Augusto França: “Salas de exposição, mais do que galerias com definição de marchand, nenhuma delas propunha propriamente meios de vida aos seus expositores” (França, 1991: 481). Apesar de algumas tentativas de criação de novas iniciativas galerísticas, o facto de não existir um contexto socioeconómico favorável, nomeadamente um público comprador, tornou inviável a subsistência desses projetos.

78 Como veremos com o exemplo da criação Galeria 111 no Porto (Zen) que acabou por fechar por falta

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