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N OEN REFLEKSJONER

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8. AVSLUTNING

8.3 N OEN REFLEKSJONER

Sobre a década de setenta, Rui Mário Gonçalves afirmava: “De entre as duas dezenas de galerias comerciais que existiam em Lisboa, menos de meia dúzia permanecem ativas.” (Gonçalves, 1991: 110). Os espaços de que vamos falar a seguir são dos poucos que surgiram na segunda metade da década de setenta, durante uma fase de profunda recessão económica, tendo ambos conseguido manter-se em funcionamento até aos dias de hoje. Se em termos económicos e comerciais o período foi complicado, em termos culturais houve iniciativas relevantes. Por exemplo, a exposição Alternativa Zero, decorrida em 1977, teve um papel extremamente importante para a visibilidade dos artistas nacionais e para o reconhecimento de novas tendências artísticas. Organizada por Ernesto de Sousa na Galeria de Arte Moderna em Belém, esta exposição incluiu debates, concertos, performances e vídeos que abordavam o avanço das vanguardas a nível internacional. Muitos dos galeristas ativos nessa época definem o clima que rodeou esta exposição como “um período fantástico, de muita disponibilidade e mobilização” (Santos, Melo & Martinho, 2001: 133).146

A Módulo surgiu em Lisboa em 1979 (Melo, 1999: 41). Porém, Mário Teixeira da Silva criou a galeria no Porto logo após a Revolução de Abril, em 1975, e só em 1979 é que se mudou para a capital (Melo, 1999:41). O galerista encontra-se na gerência da galeria há mais de quatro décadas. A Módulo – Centro Difusor de Arte evidencia desde o início características bem delineadas e identificadoras da galeria. Com um intuito cultural bastante presente e “longe do gosto institucional” (Melo, 1999: 43), promoveu a exibição de artistas nacionais emergentes, muitas vezes fora do circuito expositivo, o que providenciou ao espaço a constante renovação de gerações (Melo, 1999: 45).147 Um segundo parâmetro em que Mário Teixeira da Silva decidiu investir foi ao nível da internacionalização (Santos, Melo & Martinho, 2001: 128). Numa continuação da premissa anterior, nota-se uma aposta em vários artistas emergentes de outros países, com trabalho inovador e polémico.148

O foco da internacionalização pode ser subdividido em três eixos: a participação em feiras149 (em conjunto com a Quadrum, foi das primeiras galerias a participar nestes eventos), a mostra de artistas estrangeiros em Portugal150 e a parceria com outras galerias para mostra de

146 Agostinho da Silva da Diferença (Santos, Melo & Martinho, 2001: 133), Mário Teixeira da Silva da Módulo (Melo, 1999: 46).

147 Muitos destes artistas viriam a realizar a sua primeira exposição individual na galeria: Ana Vidigal

(1982), Ilda David (1983), Manuel Rosa (1984), Pedro Portugal (1985), Pedro Casqueiro (1985), Xana (1986), João Jacinto (1987), Miguel Ângelo Rocha (1991) (Melo, 1999: 45).

148 Como Patrick Corillon, Sue Williams, Karen Kilimnik ou Sylvie Fleury (Melo, 1999: 45).

149 Participou nas feiras de Basileia (1977 e 1978), Bolonha (1978), Dusseldorf (1978) e Colónia (1978)

(Melo, 1999: 45). Mais recentemente, participou com regularidade na ARCO Madrid, na ARCO Lisboa, e em 2018 na Just LX.

150 No Porto, em 1977, teve duas mostras, uma de Hamish Fulton e outra de Gilbert and George, que vieram

logo demonstrar o impacto que a galeria viria a ter. Esta internacionalização aumentou quando a galeria se transferiu para Lisboa: Jochen Gerz (1979 e 1990), Biberstein (1979), Hamish Fulton (1979), Daniel Buren

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artistas portugueses noutros países (Santos, Melo & Martinho, 2001: 128). Uma outra preocupação do galerista constituiu na divulgação de revistas internacionais de arte contemporânea em Portugal como a Artforum, a Flash Art, a Art Press, fazendo dos espaços da Módulo um ponto de distribuição.151 Mário Teixeira da Silva dedicou especial atenção à fotografia, um género facilmente desconsiderado em Portugal. A apresentação era realizada em diferentes formatos: fotografia como medium152 e também a fotografia fotojornalística (cf. entrevista Mário Teixeira da Silva, anexos, 2017: 24).153

Note-se que a atitude do galerista sempre foi a de nunca derivar para uma galeria de tendência. Isto é, nunca se focou apenas num estilo artístico ou movimento, apostando sempre na renovação, assumindo sempre a galeria como um risco em termos comerciais (Melo, 1999: 43). De quase todas as galerias que foram surgindo em Lisboa dedicadas à fotografia, a maior parte não conseguiu sobreviver às vicissitudes das depressões económicas: Ether/Vale Tudo Menos Tirar os Olhos,154 Pente 10,155 Barbado156 e, de certo modo, também a galeria Baginski (Sena, 1998: 328).157 Mário Teixeira da Silva menciona ainda a importância de um público colecionista como uma das estratégias necessárias para a manutenção de uma galeria. Relativamente à crise do princípio dos anos noventa, afirma não ter sentido muito os efeitos da crise graças à fidelidade dos colecionadores ligados à Módulo (Santos, Melo & Martinho, 2001: 130).

A Galeria Diferença, por sua vez, é um espaço que funciona como uma cooperativa, marcando uma presença bastante importante no panorama galerístico. Tal como Sandra Vieira Jürgens afirma (2016: 298): “Sendo a Diferença uma cooperativa e a Módulo uma galeria, não deixa de ser significativo a inversão das suas designações, a primeira também chamada Galeria Diferença e a Módulo apresentando-se como um centro de arte”. A Galeria Diferença demonstra

(1980). Colectiva de Andy Warhol, Dennis Oppenheim, Richard Tuttle (1983). Na década de noventa, já no novo espaço: Bruce Charlesworth (1990), Tremlett (1990), Hanne Darboven (1990), Franz Erhard Walther (1991 e 1993), Allan MacCollum (1993), Rémy Zaugg (1995) (Melo, 1999: 47). Mais recentemente tem exposto artistas internacionais em ascensão como Jean Marie Bijtebier (1993), Jakub Karwowski (2013), Alejandro Botubol (2016) (www.modulo.com.pt, consultado em 05.2018).

151 https://www.artecapital.net/entrevista-148-mario-teixeira-da-silva-modulo-centro-difusor-de-arte,

consultado em 05.2018.

152 Alberto Carneiro, Ângelo de Sousa, Fernando Calhau, Julião Sarmento são alguns dos artistas que expôs

que utilizavam a fotografia no seu trabalho (cf. entrevista Mário Teixeira da Silva, anexos, 2017: 25).

153 Artistas como Paulo Nozolino (82), Jorge Molder (83), Paul Den Hollander (84), Bernard Faucon (85),

Larry Fink (85), colecção da galerista Agathe Gaillard (87), Bruce Charlesworth, Axel Hutte (90), Mário Cravo Neto (92) (Melo, 1999: 47).

154 Inaugurou em 1982, com o nome de Ether/ Vale tudo menos tirar os olhos. Teve na direção António

Sena, sendo uma associação fundada por seis membros (Sena, 1998: 330). Encerrou em 1989 (fasciniodafotografia.wordpress.com, consultado em 05.2018).

155 Nasceu em 2008 e encerrou em 2013 (artephotographica.blogspot.pt/2013/02/pente-10-o-fim.html,

consultado em 05.2018).

156 Surgiu em 2015 e encerrou em 2017 (publico.pt/2017/10/06/culturaipsilon/noticia/a-barbado-gallery-

fechou-mas-joao-barbado-vai-continuar-a-vender-fotografia-1787990, consultado em 05.2018).

157 Apenas mais recentemente vemos os casos das galerias Baginski ou Pedro Alfacinha, tendo esta última

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a vontade dos artistas de um aumento do número de espaços expositivos em Lisboa. Criada como um espaço de artistas158 para artistas, esteve ligada ao lançamento de muitas carreiras e tendências marginais e polémicas da arte portuguesa (Santos, Melo & Martinho, 2001: 131).159 A Diferença foi fundada em 1978. O espaço foi constituído por duas salas de exposições, uma loja e um andar superior com oficinas de gravura. Muitos dos sócios provieram da Cooperativa Grafil (1973-77), que se dedicava principalmente à gravura (Santos, Melo & Martinho, 2001: 132). Ao longo das várias décadas tiveram mostras de diferentes géneros artísticos, desde gravura, ao vídeo, à performance, escultura, instalação, bem como debates e audições musicais (idem.).

Apesar da crise e de Portugal se encontrar afastado dos circuitos internacionais, verificou- se uma confluência tímida de novos movimentos e correntes artísticas pós-vanguardistas em alguns artistas nacionais.160 O retomar gradual do mercado artístico, no final da década de setenta, viria a dar um incentivo à prática artística, criando um “período de rutura”161 a par do surgimento de uma nova geração de comissários162 e artistas. No entanto, esta evolução só teria efeitos visíveis na década seguinte.163

158 Foram dez os artistas criadores da Cooperativa Diferença: Helena Almeida, Irene Buarque, José

Carvalho, José Conduto, Monteiro Gil, António Palolo, Fernanda Pissarro, Maria Rolão, Ernesto de Sousa e Marília Viegas (http://www.apga.pt/galerias/index.php?id=23, consultado em 05.2018).

159 Neste espaço foram feitas as primeiras exposições individuais de Pedro Calapez, Ana Leon, Pedro

Cabrita Reis, José Pedro Croft, Xana, José Loureiro e Rui Chafes (diferencagaleria.blogspot.pt/, consultado em 05.2018).

160 Como a Pop Art (Menez, Sá Nogueira, Skapinakis), Hiperrealismo (João Nascimento, Domingos Pinho),

a Op Art, Minimalismo (Fernando Calhau, Zulmiro de Carvalho, Alberto Carneiro), Arte Conceptual (Alberto Carneiro, Clara Menéres), Body Art, Performance Art (Helena Almeida, Jorge Molder) (Gonçalves, 1991: 88-90) (http://cvc.instituto-camoes.pt/base4/arte-e-artistas-em- portugal.html#.W4QhXn4nbVo, consultado em 06.2018).

161 Como é referenciado, por exemplo, na exposição da Gulbenkian Pós-Pop (2018) e por Gonçalo Pena

(1994).

162 Foi na década de setenta que se começou a notar a hegemonia de um grupo de curadores: Manuel de

Brito (111), Francisco Pereira Coutinho (S. Mamede) e Jaime Isidoro (Alvarez) (Santos, Melo & Martinho, 2001: 123).

163 http://cvc.instituto-camoes.pt/base4/arte-e-artistas-em-portugal.html#.W4QhXn4nbVo, consultado em

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PARTE III – CONSOLIDAÇÃO DO MERCADO

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