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B EHOVET FOR INFORMASJON OG KUNNSKAP

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7. ANALYSE OG DISKUSJON AV FUNN

7.6 B EHOVET FOR INFORMASJON OG KUNNSKAP

As galerias pertencentes a livrarias desempenharam um papel crucial durante todo este período, particularmente na década de sessenta, tendo impulsionado a criação de um circuito

83 Esta facilitação na mobilidade levou a que várias galerias, ao longo das décadas seguintes, emergissem

em zonas mais afastadas do centro, como iremos ver no caso da Quadrum, 111 (Alvalade e Campo Grande), incluindo mesmo a Vértice (Cascais/ Campolide) a Módulo (Campolide) ou a Arte Periférica (Massamá/Belém).

84 www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/planeamento-urbano/plano-diretor-municipal/enquadramento-do-

pdm, consultado em 12.2017.

85 (https://www.metrolisboa.pt/institucional/conhecer/historia-do-metro/, consultado em 05.2018). 86 http://capc.com.pt/site/index.php/pt/, consultado em 06.2018.

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expositivo e um mercado para a arte contemporânea. Apesar do aumento da censura – causado pela guerra colonial (1961-74) (Gonçalves, 1991: 83) – estas galerias-livrarias (ou livrarias- galerias) revelaram-se como eixos de discussão importantes, sobretudo pelo cariz marginal provocado por uma autonomia de experimentação. As galerias-livrarias conseguiram contrariar a imposição do Estado Novo e abrir-se a um experimentalismo e sofisticação que permitiu a reunião de um público constante e a promoção de discussões e eventos. Grande parte delas dirigidas por críticos ou artistas, todas tiveram um papel pioneiro, alternativo e ousado na exploração artística.87 Nesta altura, dizia Rui Mário Gonçalves: “As galerias mais ativas são: Gal.111, Gal. Divulgação, Gal. Buchholz, Gal. Quadrante, em Lisboa, todas associadas a livrarias; e Gal. Alvarez, no Porto. Uma brusca modificação se vai passar no mercado da arte moderna, até então praticamente inexistente em Portugal.” (Gonçalves, 1991:104/105).

O terreno aberto pela Galeria Diário de Notícias criou uma oportunidade de mercado no campo das livrarias aproveitada da melhor forma pelo jovem crítico Fernando Fernandes, ao abrir uma sucursal da Galeria/Livraria Divulgação em Lisboa. Tornou-se a primeira galeria portuguesa com dependências nas duas capitais artísticas (idem.). Mais tarde, chegou ainda, mais tarde, a abrir uma terceira loja em Viana do Castelo. 88 Inaugurou em 1963 na capital, com uma exposição da “Rapaziada do Porto”, selecionando doze pintores portuenses.89 A comunicação Norte-Sul e vice-versa tornou-se comum com esta galeria, mostrando o que de melhor havia em ambos os polos (Pena, 1994: 112). Durante um ano e meio, a Divulgação mostrou exposições de grande risco e heterogeneidade (França, 1948:187), que refletiam o ambiente agitado de uma exploração de novos estilos e correntes artísticas.90 Foi palco, inclusivamente, do primeiro happening feito por portugueses – Jorge Peixinho e Clotilde Rosa. No entanto, a afluência continuava a ser escassa91 e os seus artistas jovens, e intelectuais, não tinham grande impacto na capital (Pena, 1994:112). Encerrou em 1965 em Lisboa e em 1968 no Porto, sob a sombra da Buchholz e da Quadrante que começaram a ganhar terreno.

87 Surgiram nesta década quatro galerias extremamente relevantes, associadas a livrarias: a Divulgação

(dirigida por Fernando Pernes), a Buchholz (comissariada por Rui Mário Gonçalves), a Quadrante (direção artística de Artur Rosa) e a 111 (gerida por Manuel de Brito) (França, 1948: 187).

88 Este foi um exemplo seguido pela galeria Buchholz, pela Galeria Dinastia (ambas com sede na capital),

da Tempo (sucursal da Alvarez) e da Zen (sucursal no Porto da 111).

89 De entre eles: Júlio Resende, Dórdio Gomes e Ângelo de Sousa. Mais tarde, chegou a haver uma

exposição comissariada por Fernando Pernes, diretor artístico da sucursal lisboeta, denominada “14 Artistas de Lisboa”.

90 Exposições de Carlos Calvet, Conduto, Areal, Sá Nogueira, Menez, Maria Velez, Manuel Baptista,

Álvaro Lapa, João Vieira, António Sena, Eurico Gonçalves, Lourdes Castro e René Bertholo (que provocou um debate sobre a neo-figuração), Ângelo de Sousa, Escada, Jorge Martins, Eduardo Nery, Siqueira. Entre estes, expuseram ainda dois artistas estrangeiros: Millares e Jiri Kolar (Pena, 1994).

91 O grande público começava agora a frequentar os Salões de Arte Moderna da SNBA (Pena, 1994:112).

Foi para esta instituição que Fernando Pernes transitou, como Secretário Geral, deixando, assim, a

Divulgação. Foi substituído por Bruno da Ponte, que não tinha o conhecimento necessário do meio artístico,

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A Galeria Buchholz encontrava-se associada à livraria Buchholz. Apostou na qualidade das obras, sem ter qualquer objetivo comercial (Pena, 1994: 113). Os dois primeiros anos foram de crescimento, sem exposições regulares. Numa segunda fase, teve como diretor da galeria o crítico de arte Rui Mário Gonçalves (França, 1948: 188). Seguiram-se exposições de caráter bastante eclético, aproveitando os contatos de Karl Buchholz (diretor da livraria), abrangendo uma grande rede internacional,92 particularmente com artistas de gerações anteriores (Pena, 1994). Entre Rui Mário Gonçalves e Karl Buchholz, a galeria ganhou uma importância inédita, estabelecendo parcerias com a AICA93 e os prémios Soquil (Gonçalves, 1991: 102), demonstrando uma grande liberdade e espontaneidade expositiva94 e incentivando o aumento do apoios a artistas. Em 1968, chegaram a abrir uma sucursal no Porto, mas em 1969, provocado por um acentuar dos regimes de exclusividade de artistas pela parte de outras galerias,95 começou um momento de abatimento da Buchholz. Nesta altura, na transição entre os anos sessenta e setenta, fruto de uma liberalização política moderada, decorrente da chamada Primavera Marcelista, surgiu um número significativo de galerias, num ambiente um tanto ou quanto caótico. A maior parte destas galerias não resistiu muito tempo a este desenvolvimento abrupto tendo acabado por encerrar rapidamente. A Buchholz, enquanto galeria, não escapou a esta conjuntura.

A hegemonia das livrarias no panorama galerístico é visível também no caso da Quadrante. Surgida em 1966, foi uma galeria que esteve ao mesmo nível de experimentação da Divulgação (França, 1948: 188), aproximando-se da Buchholz numa segunda fase, por ser criteriosa na escolha de artistas (Pena, 1994:117). A galeria distinguiu-se pelo cariz crítico e meticuloso da organização de cada mostra, empenhando-se para a concretização de um evento único (Pena, 1994: 118). Artur Rosa foi o dinamizador desta galeria, beneficiando de experiência anterior no espaço galerístico da Buchholz (França, 1948: 188). A inauguração constou numa

92 Karl Buchholz desenvolveu um comércio livreiro em Nova Iorque, Colômbia e Espanha, onde contactava

com artistas de forma a integrar projetos de exposições no âmbito livreiro. A inauguração em Portugal deu- se, assim, com a artista Maria Nunez, peruana, sob a direção de Catarina Braun (Pena, 1994: 113).

93 A AICA (Associação Internacional de Críticos de Arte) foi revitalizada em Portugal em 1967 pelas mãos

de José-Augusto França e Rui Mário Gonçalves. A voz da crítica portuguesa ajudou igualmente a promover os novos estilos que apareciam. Já existia a nível internacional desde 1948 (www.aica.pt, consultado em 05.2018).

94 Expuseram artistas como Maccioli, Szyslo, Botero (numa exposição coletiva em 1965); numa outra

exposição coletiva em 1966, a primeira de Rui Mário Gonçalves, expuseram René Bertholo, Lourdes Castro, Eduardo Luiz, José Escada, Jorge Martins e Cargaleiro, todos artistas exilados em Paris; Mira Schendel (1966), Chillida (1966), Cesariny (1967), em 1968, uma exposição coletiva com dezoito jovens artistas, entre eles, Botero, Rómulo Macció, Paula Rego, Noronha da Costa, o grupo KWY, Batarda, Calvet, Palolo, Areal (esta exposição pretendia colocar em confronto o “Neo-figurativismo” e a “Abstração”); chegou a apresentar ainda artistas das segunda e terceira geração, como Pomar, Eloy, Almada, António Pedro, Vespeira, Azevedo, Nadir Afonso e Lanhas, revelando a versatilidade da galeria; ainda tiveram individuais de artistas como Helena Almeida, Costa Pinheiro (1966), Artur Rosa, Cruzeiro Seixas, Areal, Noronha da Costa e José Guerrero, todas em 1967, com exceção de Costa Pinheiro; ainda se deram as exposições de Zulmiro (1970), uma retrospetiva de Nadir Afonso (1971), Alberto Carneiro (1971).

95 Como é o caso de Noronha da Costa que expôs na Buchholz em Dezembro de 1969 e foi transferido para

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mostra de um grupo de jovens artistas em voga na época.96 Em 1968, Artur Rosa tomou a decisão de abrir um outro espaço no Porto, sempre com um pensamento vanguardista e experimental, afastando-se do princípio da apresentação de obras bidimensionais (Pena, 1994:118). No início dos anos setenta, a galeria perdeu o seu fulgor no decurso de divergências entre Rosa e a diretora do espaço, Maria Alice Ferreira (Pena, 1994: 119).97

A aceleração vivida nestes anos deu a Portugal, por momentos, a ilusão de poder aproximar-se das vanguardas internacionais. Deu-se uma ampliação das fronteiras da informação sobre as artes plásticas nacionais (Gonçalves, 1991: 73), com a ajuda de uma crítica mais ativa e influente, pela voz de França, Rui Mário Gonçalves e Fernando Pernes.98

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