3. RISIKO SETT I FORHOLD TIL RESILIENS
3.1 S TRESS
3.1.2 Risikoindikatorer og risikomekanismer
Todavia a nossa investigação inclui dados que não podem ser analisados com recurso a método estatístico. Por esse motivo e tratando-se da análise de opiniões relativas ao PGEI, optámos pela Análise de conteúdo.
Para o investigador social, o recurso à análise de conteúdo constitui-se como um instrumento básico de trabalho. A utilização de métodos de análise de conteúdo implica a aplicação de processos técnicos precisos e não apenas a análise de aspetos formais que são úteis apenas como indicadores da atividade cognitiva do locutor. Atualmente, este tipo de abordagem reveste-se de grande importância devido, acima de tudo, à forma circunspecta com que as informações e os testemunhos complexos são abordados e tratados.
A análise de conteúdo é uma das técnicas ou metodologias mais comuns na investigação empírica realizada no domínio das ciências sociais e humanas, em especial, na análise textual das respostas abertas de um questionário ou no caso das entrevistas. Face às características dos instrumentos de recolha de informação usados nesta investigação, torna-se necessário recorrer a esta técnica que Bardin (2011) define como:
“um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando, por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens, obter indicadores quantitativos ou não, que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) das mensagens” (44)
Este tipo de análise permite, assim, descrever o conteúdo das mensagens proferidas por indivíduos num determinado contexto e sobre um determinado tema sendo, por isso, um processo que se espera ser objetivo e sistemático. Para que se verifique a objetividade e sistematicidade é necessário definir de forma clara e precisa as categorias de análise, pois esta definição permitirá a sua utilização por diferentes utilizadores com a obtenção de resultados próximos. Após a definição das categorias é conveniente analisar as entrevistas tendo em conta as unidades de registo, unidades de contexto e unidades de numeração. Na análise de entrevistas, as unidades de registo podem apresentar-se sobre a forma de frases, enquanto a unidade de contexto correspondente pode ser um parágrafo. A unidade de numeração é por norma aritmética e serve para contabilizar o número de vezes que cada unidade de registo se repete. Para Coutinho (2007), a quantificação permite obter informações mais precisas e objetivas sobre a frequência da ocorrência das características do conteúdo.
99
interpretação inferencial, que abordaremos em seguida, tentando estabelecer uma associação com a investigação que desenvolvemos.
A fase de pré-análise corresponde à organização do material. Nesta investigação recolhemos a opinião de alunos, encarregados de educação e professores através de questionários e entrevistas realizadas aos alunos de forma a encontrar indícios que nos permitam responder à problemática, assim como afirmar ou refutar as hipóteses que almejamos analisar. Após a coleta das informações torna-se pertinente proceder a uma primeira leitura dos dados recolhidos, pois dar-nos-ão uma primeira ideia do tipo de informação que teremos de analisar. A esta fase deve sempre seguir-se a fase de analítica na qual o material recolhido é submetido a um estudo aprofundado orientado, por norma, pelas hipóteses em estudo, assim como pelo enquadramento teórico.
A análise de conteúdo não tem sentido se não for orientada para um objetivo pelo que se deve, numa primeira instância, obter um resumo de cada entrevista para que numa fase posterior se possam comparar as diversas entrevistas realizadas. Em seguida, deve proceder-se ao isolamento, em cada discurso, dos elementos que nos interessa, de forma a sistematizar as semelhanças e diferenças e a postular, como refere Coutinho (2007), hipóteses sobre as condições que originaram discursos diferentes nas entrevistas. No contexto da presente investigação, optámos pela categorização das variáveis em estudo, para que pudéssemos ter uma visão ampla das informações que nos fornecessem o suporte necessário para encontrar a resposta à problemática em investigação. Este tipo de reflexão levar-nos-á à última fase da análise, ou seja, a análise inferencial, que apoiada na leitura inicialmente realizada, assim como no corpus teórico, nos permitiu determinar as perceções dos inquiridos relativamente ao PGEI e à sua implementação e a relação que os alunos têm vindo a desenvolver com o idioma. A inferência permite, assim, a passagem da descrição à interpretação e para Bardin (2011), enquanto atribuição, é uma operação de: “classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e por reagrupamento segundo o género (analogia), com os critérios previamente definidos.” (145).
Alem destes aspetos, é conveniente assegurar a fiabilidade do procedimento de forma a garantir o rigor e a qualidade não só de dados como também das próprias conclusões da investigação, pois como menciona Tuckman (2000): “[a] parte referente à avaliação da tarefa concentra-se em duas características ou qualidades de todas as técnicas de medida, ou seja, a validade e a fidelidade” (561). A validade pode ser definida como a adequação dos objetivos sem que se proceda à distorção dos factos e pode ser tanto externa como interna. Para Tuckman (2000), um estudo possui validade interna quando o seu resultado está de acordo com as hipóteses a testar e externa quando os resultados obtidos forem aplicáveis noutras abordagens similares estando, por isso, diretamente ligada à confiança dos resultados da investigação. Em termos investigativos é necessário que se encontre o ponto de equilíbrio
100
entre os dois tipos de validade sendo, por isso, indispensável obter-se um nível satisfatório de validade interna, para que os resultados sejam conclusivos e que se mantenha integrada na realidade em estudo a fim de ser generalizada e representativa de uma população. Porém, é importante ressalvar que o problema da validade é transversal a todas as fases da análise, pelo que se deve assegurar que se avaliou e analisou o que se pretendia para atingir os objetivos propostos. Por outro lado, a fidelidade dos resultados pode ser definida como o grau de exatidão que podemos ter relativamente à informação que possuímos, pelo que se espera que os resultados sejam independentes daqueles que os originam.
Após a explanação dos procedimentos metodológicos adotados para a análise dos dados assumimos que esta investigação possibilita o aprofundamento da temática, dos contextos em que decorre, dos constrangimentos relevantes, assim como das potencialidades identificadas. Por estes motivos, apresentamos, no capítulo seguinte, a análise e discussão dos resultados obtidos com a realização deste estudo, assim como as principais conclusões que se podem retirar desta análise.