• No results found

B ARN AV PSYKISK SYKE

In document Barn av psykisk syke foreldre (sider 90-96)

7. ANALYSE OG DISKUSJON AV FUNN

7.1 B ARN AV PSYKISK SYKE

verifica-se que na primeira entrevista as crianças na condição neutra deram um número inferior de respostas correctas. Este resultado poderá dever-se a um erro na elaboração das questões, uma vez que na entrevista sugestiva, apesar das perguntas serem de resposta forçada, uma das opções estava correcta, dando às crianças a possibilidade de a escolher por mero reconhecimento. Contudo, o número de respostas erradas foi semelhante pelo que se destaca o facto das crianças alvo de entrevista neutra tenderem a assumir que não sabiam a questão, ou não se recordavam, de forma mais provável que as crianças na condição sugestiva. Como referido na literatura, a utilização de questões sugestivas leva as crianças a optar por uma opção de resposta, mesmo que incorrecta, demonstrando dificuldades em assumir que não sabe responder (Bruck et al., 1997; Ceci e Bruck, 1993, 1999; Peterson, Dowden e Tobin, 1999; Poole e White, 1993). Quando se analisam diferenças de resposta da primeira para a segunda entrevista, no que concerne à entrevista neutra observa-se um decréscimo ligeiro de respostas certas, mas também uma diminuição das respostas erradas traduzidas no aumento da afirmação de que não sabem a resposta. O mesmo padrão de alteração não se verifica na condição sugestiva, em que se dá um decréscimo acentuado de respostas correctas e um aumento significativo de respostas erradas, acompanhado por um valor quase nulo da percentagem de crianças que afirma desconhecer a resposta. Estes factores levam mais uma vez à conclusão de que a repetição da entrevista sugestiva poderá levar ao aumento de erros de memória para o evento original.

Quer para a questão target, quer para as questões não relacionadas com o rumor, o efeito nocivo da sugestão e repetição de entrevistas é explicado pelo enfraquecimento do traço da memória original e consequente aumento de susceptibilidade aos efeitos de falsa informação, que ocorre devido ao aumento do espaço temporal entre o evento original e a declaração da criança (Bruck, Ceci et al., 1995; White et al., 1997).

O conjunto de resultados vai ao encontro das hipóteses 5, 6 e 13. A construção de falsas memórias concordantes com o rumor é superior no segundo momento de entrevista e no grupo de crianças alvo de entrevista sugestiva, donde se infere que a repetição de entrevistas (sugestivas) conduz ao aumento do número de erros de memória no relato das crianças. Contudo não se verifica que as crianças na condição de entrevista sugestiva incorporam um número superior de falsas memórias concordantes com o rumor, como postulava a hipótese 7. A 4ª hipótese, que defendia que a combinação entre entrevista sugestiva e rumor conduz ao aumento da aquiescência à sugestão de falsas memórias só se verifica quando o rumor é sugerido por um adulto.

68

6 - Conclusões

O presente estudo tinha como principal objectivo avaliar o impacto do rumor na construção de falsas memórias em crianças de idade pré-escolar. Constituíram-se, ainda, como objectivos a verificação dos efeitos da entrevista sugestiva, bem como da sua repetição, na sugestionabilidade e posterior relato da criança.

No que diz respeito ao objectivo primordial, e tendo em conta a amostra global, verificou-se que a maioria das crianças relatou fidedignamente a experiência vivida. Contudo, uma percentagem significativa de relatos evidencia a construção de falsas memórias, maioritariamente não concordantes com o rumor. Este resultado, não esperado, poderá dever-se, essencialmente, a características mnésicas e atencionais das crianças pré-escolares ou a dificuldades no controlo da monitorização da fonte das suas recordações. Relativamente à condição experimental, e analisando as diferenças entre o grau de exposição ao rumor, observaram-se diferenças significativas entre os grupos 3 e 4 (testemunha e controlo) e os grupos 1 e 2 (rumor e colegas/rumor). Este resultado evidencia os efeitos negativos da propagação do rumor, mesmo através do grupo de pares, como documentado por Principe e colaboradores (2006). Contudo, a exposição directa ao rumor introduzido por um adulto parece ter um impacto superior na alteração dos traços mnésicos para um evento, donde se poderá inferir a percepção dos seus pares como menos credíveis que o adulto. No que concerne à idade os resultados evidenciaram que a construção de falsas memórias é inversamente proporcional à idade da criança, corroborando a maioria dos estudos no âmbito do Paradigma da Desinformação. Não se encontraram diferenças estatisticamente significativas na construção de falsas memórias no que respeita ao género, estando este resultado de acordo com a literatura vigente.

Considerando os efeitos da entrevista sugestiva, verificou-se que esta teve consequências negativas na correcção das declarações das crianças e que a sua repetição poderá ser nefasta no processamento mnésico infantil, mas não forçosamente no sentido do rumor, como esperado. Para as memórias que incorporaram o rumor, a entrevista sugestiva apenas surtiu efeito quando combinada com o rumor induzido pelo adulto.

Como postulado na revisão literária, a maioria das crianças cedeu à sugestionabilidade interrogativa: perguntas capciosas geram maiores níveis de aceitação de sugestão, questões fechadas obtêm um número superior de erros nas respostas dadas, questões de escolha forçada diminuem a assunção de desconhecimento da resposta.

A distinção entre memórias verídicas e falsas tem implicações tanto na área clínica como, sobretudo, na prática forense. A estruturação de entrevistas isentas de questões fechadas e que promovam o relato livre, a formação especializada do perito e o conhecimento aprofundado acerca do processamento mnésico indexado a cada etapa do desenvolvimento favorecerão a recolha de relatos consubstancialmente mais fidedignos. Contudo, importa, ainda, atender a factores externos à entrevista, que podem influenciar de

69

In document Barn av psykisk syke foreldre (sider 90-96)