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S KOLEFAGLIG ANSVARLIG : KOMPETANSE I FORHOLD TIL STATLIGE FORVENTNINGER

5. SKOLEFAGLIG ANSVARLIGE SIN VURDERING AV PP-TJENESTEN

5.2 S KOLEFAGLIG ANSVARLIG : KOMPETANSE I FORHOLD TIL STATLIGE FORVENTNINGER

A programação é o principal componente da televisão constituindo-se como uma atividade essencial a qual se divide em três partes:

Como estrutura mecânica do tempo do veículo, como separadora da informação objetiva do resto dos programas – a informação mobiliza o indivíduo como cidadão, enquanto o resto dos programas – ficção, esportes etc. - o solicita como espectador – e como organizadora de uma grade que estabeleça um fluxo de imagens capaz de modificar os códigos de quem esteja diante do receptor (HOINEFF, 2001, p. 57).

Entretanto, antes de chegarmos às análises dos dados encontrados, os conceitos de programação de televisão regional e local constituem ponto central da investigação ora proposta. Duas direções foram confrontadas:

a) um conceito de televisão regional que leva em conta sua materialidade como localização, alcance e estrutura.

b) uma definição que leva em conta sua formalidade, o tipo de programação e de conteúdos bem como sua relação com os interesses locais. Tomaremos como base para a definição das categorias analíticas a obra de José C. Aronchi de Souza, “Gêneros e formatos na televisão brasileira” (2004) ao tempo em que dialogaremos com os estudos culturais críticos da TV, sobretudo a linha de análise de conteúdos na televisão proposta por Fiske (1987).

4.2.1 Programação e Grade Horária

Consideramos como grade de programação ou grade horária semanal a distribuição dos programas em horários e dias da semana, no intervalo de uma semana. As grades de programação são construídas historicamente a partir dos estudos dos gêneros e das preferências das audiências e visa criar hábitos e rituais

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de consumo da TV33. Nesse sentido, a proposta de programação tomada nesta tese está ligada a processos de fidelização, habitualização da audiência tendo em vista que uma programação reflete a caracterização identitária da própria televisão, da sua relação com seus públicos.

As grades não são estáticas e cada emissora, de tempos em tempos, experimentam de alguma forma mudanças nos horários, geralmente tendo como motivação à concorrência pela audiência. Entretanto, a disposição de determinados gêneros em determinados horários adotada no Brasil pouco mudou desde o surgimento da televisão (ARONCHI, 2004, p. 63).

A horizontalidade da grade de televisão aberta mostra a segmentação da programação e impõe mais rigidez na sua relação com as audiências. A TV por assinatura adota grades verticais e diagonais, em que programas são exibidos em diferentes horários e reprisados. Contudo, esse leque pode ser considerado móvel, no sentido que definem, em maior ou menor grau de automatização, como diz Orozco Gómez (2001, p. 30), um mínimo de escolhas, de eleição por parte das audiências.

Tratamos o termo programação diferenciado de grade de programação ao nos referirmos à totalidade dos programas exibidos por uma emissora de televisão ou a perfil de conteúdos da emissora. Inserida no mercado, a televisão busca funcionalidade e economia na distribuição dos programas, fator este que incide diretamente na qualidade dos conteúdos exibidos, sobretudo quando se acrescentam os custos de produção dos mesmos. Contudo, analisamos os programas pela forma como eles são apresentados às suas audiências, ainda que não desprezemos a discussão político-econômica que incide inevitavelmente qualquer análise dos meios de comunicação.

As grades de programação, sobretudo quando se analisa a forma divulgada, como nos guias dos jornais impressos, como bem estudou Suzana Kilpp (2003),

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O campo da comunicação, no sentido proposto por Pierre Bourdieu, é engendrado por um complexo de tensões. A programação reflete algumas dessas tensões tendo em vista que a nomeação de programas e sua localização na grade evidentemente não é aleatória. A grade expõe hierarquias que mostram o tipo de audiência para cada horário, revelam um tipo de ritual em ligar/ver televisão, ao passo que ritualiza os próprios acontecimentos que ao serem assistidos podem assim ser interpretados. Nomear mobiliza signos que servem para representar realidade. Nesse sentido, segundo Bourdieu, a grade guarda um sistema de ideologias profissionais e uso da linguagem televisiva que tem como fim último conquistar mais audiências (BOURDIEU, 1997: 26-27).

diferenciam-se da sua observação no fluxo televisivo durante a assistência, pois lançam a atenção do leitor ao programa em si, este ganha notoriedade em detrimento a outras circunstâncias que o compõem, quais sejam: tipo/perfil de programa, conteúdos, horário de exibição etc. O que difere é o chamado efeito

zapping, quando encontrado em uma multiplicidade de canais distintos, em que a

experiência da expectação televisiva é uma “experiência de fluxo”, que constitui uma audiência indiscriminada.

4.2.2 Programa Local

Segundo Arlindo Machado, programa de televisão é “qualquer série sintagmática que possa ser tomada como uma singularidade distintiva, com relação às outras séries sintagmáticas da televisão”. É um conceito que não exclui a possibilidade de observarmos um programa de maneira menos estática34, porém, os programas ainda são concebidos de forma distintiva dentro da televisão regional. E essa distinção é particularmente prática para os objetivos deste trabalho: perceber como os programas regionais de televisão compõem o circuito cultural de um território e remetem uma localização, como eles trabalham a relação com o público local, que estratégias estão presentes nestes programas que identificam seu lugar.

Eis nosso conceito, portanto, de programa regional, o qual está mais amplamente discutido no capítulo 3: aquele produzido no Estado da federação, exibido em uma única emissora de televisão, e produzido por ela ou por produtores locais independentes.

Nesse momento, como apontamos em capítulo específico, queremos descobrir, a partir das análises das experiências das emissoras locais e dos conteúdos e contextos de determinados programas, se a experiência local da televisão aberta pode indicar novos parâmetros no estudo da televisão, com base no seu conteúdo e na sua inserção no mundo da vida.

34 Consideramos a programação como um todo, um fluxo televisual, cuja dinamicidade não permite limites entre um segmento e outro (MACHADO, 28).

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Para tal fim, a tipologia de classificação desses programas será outro ponto de construção da análise. Os gêneros advindos da literatura ou cinema apenas configuram uma das abordagens para a televisão, que tem desenvolvido formas próprias e complexas de produção. Uma observação histórica das programações de TV faz ver que, cada vez mais, os produtos televisivos se diversificam e hibridizam- se. Transitam entre real e ficção, materialidade e virtualidade, factual, opinativo, instantâneo, performático, enfim. Diversos elementos e percursos materializam-se nestes produtos constituindo os gêneros televisivos os quais, mais que uma “receita de fabricação”, é uma indicação de um caminho seguro a seguir (DUARTE, 2006, p. 20).

Torna-se interessante demarcarmos, portanto, esses programas. A primeira implicação nesse percurso é o fato de que cada vez mais os textos televisivos estão híbridos e, de fato, dizer que um programa é informativo ou é de entretenimento não elucida muito de suas características. Da mesma forma, referir-se a seu formato também não diz a que públicos ou objetivos um programa se dirige. Um estudo das características combinadas dessa tipologia, portanto, é um caminho para iniciar uma compreensão dos programas a partir do seu gênero. Categorias de classificação da programação televisiva são, portanto, formas de classificação da televisão mais abrangente, modelo principal de uma programação ou do objetivo principal de um gênero.

Para fins deste estudo, buscamos no trabalho desenvolvido por José Carlos Aronchi (2004) um guia de classificação dos programas de televisão, cujos gêneros, formatos e categorias serão variáveis importantes no sentido de situar o perfil da programação regional de televisão. O enfoque dado por Aronchi será útil no sentido de propiciar uma melhor organização dos dados recolhidos, pois que estabelece uma apresentação e vinculação das formas classificatórias dos programas de televisão35.