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O PPSUMMERING

3. PP-LEDERNES VURDERINGER AV I PP-TJENESTEN

3.8 O PPSUMMERING

Os meios de comunicação, historicamente, nascem locais. A partir de 1960, com o advento do videoteipe, começa o processo de nacionalização das transmissões baseado em um sistema centralizado em redes com produção de mensagens nos grandes centros urbanos do país, e que foi consolidado com o sistema de transmissão via satélite e da rede de microondas da Embratel, em 1968, cujo marco foi à transmissão do Jornal Nacional, em 1º de setembro de 1969.

Assim, tal processo de generalização começou pela ideia de “integração nacional” pelos governos militares e seguiu-se primeiro com o crescimento e expansão das empresas de comunicação, depois com o sistema de afiliadas (barateamento das transmissões de microondas para satélites) as quais não investiam em produção local abrindo caminho para uma “colonização cultural” por meio da produção audiovisual concentrada nos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Os valores e as realidades regionais são comumente interpretados sob a forma de estereótipos verificados, sobretudo na dramaturgia produzida na região Sudeste. Nesse modelo, também demarcamos o peso que tinham os organizadores

potencial da TV digital”, mas que na prática não deverá ser implementada por todas as emissoras abertas (c.f.: TELA VIVA, ano 18, n. 191, mar/2009, pp. 16-18).

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da produção jornalística nos acontecimentos políticos dos únicos, por determinado tempo, pólos de produção do país.

As notícias de outras praças só interessavam, portanto, se entre seus elementos tivesse a tragédia ou o pitoresco e exótico como valores-notícia, reafirmando a homogeneização dos cenários brasileiros na tela da televisão. A estética do exótico, portanto, torna-se a “estética do Diverso”, mas não da diversidade. E o estético é acima de tudo um “modo de conhecimento do real” (LINS, 1997, p. 110), conforme já discutido no capítulo 1.

É evidente que as culturas locais ganham novas complexificações, à medida que são ressignificadas em função das novas realidades trazidas pela mundialização da Cultura e globalização da economia. Algumas razões históricas e culturais dessa revalorização seriam, em princípio, a existência de comunidades autônomas, com dialetos e culturas específicas, bem como a necessidade de visibilidade de demandas (políticas, sociais, econômicas) locais16.

Carlos Camponez (2002, p. 20), no livro “Jornalismo de proximidade”, pergunta: “a alternativa ao espaço público é a paróquia?”. A resposta passa pela constatação de que uma das consequências da explosão do mercado global foi a revalorização dos contextos comunitários e, nesse ínterim, do desenvolvimento de formas locais de comunicação, como resposta ao esfacelamento das questões regionais no espaço público. Os jornalismos regionais e locais são perspectivas concretas integradas aos temas globais, pois que cada vez mais se caracterizam como a porta de entrada para as questões que ganharão importância no espaço público, que transitam da “aldeia” para o mundo global, onde os olhos alcançam.

Contudo, as discussões em torno da regionalização no Brasil perpassam os ideais da comunicação popular e alternativa no país e na América Latina, implementados pelos movimentos sociais com vistas à construção de identidades

16 Os estudos de Cecília Peruzzo (2005) e Maria da Glória Gohn (1997) mostram que o interesse pela comunicação regional e local no Brasil pela academia fortalece-se no final da década de 1990, mas é precedido pelas discussões sobre a comunicação alternativa, popular ou comunitária mais presente na América Latina na década de 1980. Nesse sentido, os Novos Movimentos Sociais estão inseridos na criação de novas interpretações sobre a ação coletiva enfatizando a cultura, a ideologia, as lutas sociais cotidianas, a solidariedade entre as pessoas de um movimento e sua territorialidade e o processo de identidade criado. Assim, surge uma nova visão dos atores sociais, agora analisados por suas ações coletivas e pelas identidades que movem essas ações. Nesse sentido, esta identidade é parte constitutiva da formação dos movimentos que crescem em função da defesa dessa mesma identidade.

locais e à emancipação popular. As questões teóricas a respeito da categoria local trabalham com os conceitos tanto de comunidade (conservadoras e antropológicas ou modernas) quanto das relações sociais presentes nestas comunidades, ainda que elas não se identifiquem com os processos emancipatórios evidenciados na comunicação comunitária, popular ou alternativa17.

A valorização do regional não é, entretanto, tema recente. Nota-se que a partir do investimento nas peculiaridades locais, muitos processos comunicacionais se “universalizaram”, citemos, por exemplo, o sucesso internacional das primeiras telenovelas exportadas (O Bem Amado, Escrava Isaura) as quais descreviam temáticas regionalizadas, exóticas para os estrangeiros; ou mesmo o cinema novo que também universalizou o cinema e a regionalidade brasileiros.

Conforme já discutimos, evidencia-se neste momento o risco que esta proximidade da televisão regional pode acarretar: a construção de estereótipos, o exagero nos afetos e aspectos dramáticos da narração, a redução do cultural ao exótico. Em outras palavras, quanto mais evidentes as pluralidades, mas antagonismos se evidenciam nas arenas sociais. Assim, “quanto mais prática se torna a cultura, menos é capaz de cumprir um papel conciliatório, e quanto mais conciliatório ela é, mais ineficaz se torna” (EAGLETON, 2005, p. 64).

Pelo exposto, a valorização dos conteúdos locais constitui-se essencial, pois que nos circuitos de poder heterogêneos os sujeitos híbridos devem ser continuamente re-apresentados, dinamizando a apreensão da própria realidade. Pode-se analisar, portanto, em que termos a cultura regional da televisão tem um papel mais identificador ou segregador das identidades, como ação que busca determinar aspectos diferenciadores da sociedade em oposição a um silêncio que legitima a condição colonizada de certas culturas.

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Maria da Glória Gohn (1997) chama a atenção para as especificidades dos movimentos sociais na América Latina em geral, os quais são caracterizados por serem mais populares. Entretanto, nos anos 1960 a 1970 há mobilização intensa desses movimentos os quais também produziram muitos documentos, contexto que não foi acompanhado pela teorização pela Academia. Ao expor as teorias que permearam os estudos sobre os movimentos sociais até os anos 1970, Gohn atenta para o uso dos referenciais teóricos produzidos na Europa e nos Estados unidos para estudar os movimentos na América Latina. Sobre a produção dos movimentos populares no Brasil ver: DOIMO, Ana Maria. A

Vez e a Voz do Popular: Movimentos Sociais e Participação política no Brasil Pós-70. Rio de

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