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RQ1. Do highly educated adults with a refugee background find jobs relevant to their

5. Findings

5.2 RQ1. Do highly educated adults with a refugee background find jobs relevant to their

A efetivação de um processo de pesquisa qualitativa norteou o processo de pesquisa desenvolvido para a concretização desta tese. Alguns conceitos foram definidos a partir, primeiramente, de um questionário exploratório que foi aplicado para levantamento de impressões manifestadas pelos docentes das duas instituições e que serviram como indicadores do estudo.

Ao iniciar a descrição da metodologia que caracteriza a investigação, é importante esclarecer que o estudo situou-se no paradigma qualitativo. Lüdke e André (1986, p.12), com base em Bogdan e Biklen, dizem que, neste paradigma, o pesquisador trabalha em contato direto com o ambiente de campo e com os participantes, enfatizando “ mais o processo

do que o produto”, buscando descrever a situação na “ perspectiva dos participantes”. Esta abordagem exige do investigador clareza e

competência para realizá-la.

Trata-se, pois, de uma pesquisa descritiva, embasada no Paradigma Naturalístico ou Construtivista, cuja abordagem é de estudo de caso. Este tomou cada unidade institucional como foco de interesse, partindo do conhecimento existente sobre a organização, assim os documentos institucionais – projetos pedagógicos, planos, caracterização do corpo

docente de cada curso - os quais foram tomados como ponto de partida e de conhecimento essencial para a condução do trabalho.

No processo de pesquisa desenvolvido foi feito o levantamento das categorias de análise após a coleta de dados, que foi centrada nos docentes, através de entrevistas, questionários e observações. Estas ocorreram no meio que envolve os sujeitos e nas relações institucionais decorrentes das interações, onde se buscou obter a máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do foco de estudo.

Para Borges, “a metodologia da pesquisa que adotamos revela algo sobre nós mesmos. Revela, no mínimo, qual é nosso paradigma em pesquisa educacional” (1994, p.45). E, ao elaborar-se um problema, fica expressa a direção da investigação, da metodologia e do paradigma adotado.

O paradigma positivista, que comandava todas as investigações, caracterizava-se por ter uma realidade única em que havia predição e controle. O pesquisador agia, separado do seu objeto de estudo, o qual generalizava-se no tempo e no espaço e a objetividade era a marca registrada.

O paradigma alternativo, qualitativo ou construtivista levou a uma mudança de perspectiva diante da realidade. Este paradigma, também conhecido como naturalístico, aponta a existência de múltiplas realidades, de acordo com as diferentes realidades sociais. A interação entre conhecimento e conhecedor é inseparável.

Engers (1994, p.66) contribui para a compreensão desse paradigma de pesquisa indicando:

A perspectiva desse paradigma é penetrar no mundo pessoal dos sujeitos, buscando a compreensão, o significado particular da ação das pessoas e utiliza como critério a evidência do acordo intersubjetivo no contexto educacional.

Uma das dificuldades na natureza do paradigma qualitativo é a variedade de tradições filosóficas, epistemológicas e metodológicas que abriga. Isso dificulta a caracterização da abordagem de pesquisa. O paradigma tem vertentes e denominações como: naturalista, pós-positivista, antropológica, etnográfica, estudo de caso, fenomenológica, ecológica, construtivista entre outros. Estas denominações diferentes refletem origens e ênfases diversas, embora tenham consenso em pontos fundamentais.

Conforme Engers (1994), citando Patton (1986), existem três características essenciais nos estudos qualitativos: visão holística, abordagem indutiva e investigação naturalística.

Esta investigação se define como um Estudo de Caso, pois está dirigida a um grupo específico, como esclarecem Lüdke e André: “o estudo de caso é o estudo de um caso, seja ele simples e específico ou complexo e abstrato” (1986, p.17). Eis que o mesmo permite estudar algo singular, mas com valor em si mesmo.

Os autores acrescentam, também, que para lidar com fatos/fenômenos normalmente isolados, o estudo de caso exige do pesquisador grande equilíbrio intelectual e a capacidade de observação.

Para Lüdke e André (1986), o estudo de caso constitui uma unidade que pode ser um sistema, uma escola, uma sala de aula. O estudo se desenvolve numa situação natural em que os dados são descritivos, tentando focalizar a realidade de forma contextualizada.

A metodologia do estudo de caso apresenta como características fundamentais: a descoberta, pois, durante o estudo podem emergir novos elementos e o pesquisador deve estar atento, sempre, buscando novas indagações e respostas; enfatiza a “interpretação em contexto”, eis que, para compreender melhor as manifestações do problema, há necessidade de relacionar todas as variáveis a ele ligadas; elas buscam retratar a realidade de forma completa e profunda, usando, para isso, uma variedade de fontes de informação, representando, assim, os diferentes pontos de vista que são, às vezes, conflitantes e que expressam pontos de vista ou perspectivas diversas sem que nenhuma seja desconsiderada.

Para Yin (2001, p.21), os estudos de caso estão sendo utilizados como ferramenta de pesquisa, pois “como esforço de pesquisa, o estudo de caso contribui, de forma inigualável, para a compreensão que temos dos fenômenos individuais, organizacionais, sociais e políticos”. Para ele o estudo de caso permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos eventos da vida real “tais como ciclos de vida individuais, processos organizacionais e administrativos, mudanças ocorridas em regiões urbanas, relações internacionais (grifo meu) e a maturação de alguns setores”. Acrescenta que a visão do estudo de caso é pluralística, pois os propósitos podem ser exploratório, descritivo ou explanatório.

O autor explica que um estudo de caso descritivo é o que traça a seqüência de eventos interpessoais ao longo do tempo, descreve uma subcultura que raramente foi tópico de estudos anteriores e descobre seus fenômenos-chave. O estudo de caso explanatório, mesmo sendo um estudo único, pode ser freqüentemente utilizado para perseguir um propósito explanatório e não apenas exploratório ou descritivo. O objetivo deve ser propor explanações concorrentes para o mesmo conjunto de eventos e indicar como essas explanações podem ser aplicadas a outras situações.

Para Yin, mesmo um estudo de caso único pode ser utilizado para perseguir um propósito explanatório e não apenas exploratório (ou descritivo). O objetivo do analista deveria ser propor explanações concorrentes para o mesmo conjunto de eventos e indicar como essas explanações podem ser aplicadas a outras situações.

Quanto às características tecnicamente importantes no estudo de caso, Yin considera que é uma investigação empírica que “investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos” (p.32).

Acrescenta, ainda, que a investigação de estudo de caso

enfrenta uma situação tecnicamente única em que haverá muito mais variáveis de interesse do que pontos de dados, e, como resultado, baseia-se em várias fontes de evidências, com os dados precisando convergir em um formato de triângulo e, como outro resultado beneficia-se do desenvolvimento prévio de proposições teóricas para conduzir a coleta e análise de dados (p.33).

Portanto, para Yin (2001), o estudo de caso como estratégia de pesquisa compreende o método que abrange tudo, com a lógica de planejamento incorporando abordagens específicas à coleta de dados e à análise de dados.

Segundo Lüdke e André (1986), apoiados em Nisbert e Watt (1978), o desenvolvimento do estudo de caso se dá em três fases: exploratória, de coleta de dados, análise e interpretação sistemática dos dados com elaboração do relatório.

Na fase exploratória do estudo de caso, podem existir, inicialmente, algumas questões ou pontos críticos que vão ser explicitados, reformulados ou abandonados, na medida em que se mostrem mais ou menos relevantes na situação que será estudada. Eles vão se delineando, à medida que o estudo se desenvolve. Esta fase é fundamental para uma definição mais precisa do objeto de estudo, exigindo do investigador uma visão de abertura para a realidade, devendo captá-la como ela é, possibilitando que o estudo faça um retrato da unidade em ação.

Após a fase exploratória são identificados os elementos-chave e os contornos do problema para, após, iniciar a coleta sistemática de informações, mediante instrumentos estruturados e semi-estruturados. Neste estudo a fase exploratória foi a aplicação do questionário já mencionado.

Nesta fase foram entrevistados professores das duas realidades já explicitadas e os dirigentes de cada instituição.

Também foram entrevistados alunos das licenciaturas para saber como percebem as diferenças e semelhanças nos processos de formação, assim como os seus saberes e fazeres.

Foram observadas aulas das licenciaturas em Educação dos dois países para perceber as práticas pedagógicas que se delineiam em cada instituição.

As questões norteadoras da investigação que auxiliam a pesquisadora na coleta e analise dos dados foram:

• Quais as semelhanças e diferenças no processo de construção da identidade do “ser professor” nas duas realidades?

• A influência de uma cultura bilíngüe pode ser um diferencial qualitativo na formação do futuro profissional do ensino? • Os caminhos percorridos na formação docente desde sua

origem histórica e social aprofundam as diferenças ou aproximam as duas realidades?

• Quais os pontos de estrangulamento na aproximação de propostas de formação docente?

• O processo de aprendizagem dos alunos das licenciaturas em Educação das duas realidades apresentam diferenças qualitativas?