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6. Discussion

6.4. NAV’s view on the issue

Para filmar o comportamento, os ninhos foram transferidos para caixas de observação e colocados dentro de caixas incubadoras que mantinham a temperatura a 27±3 oC. As operárias tinham livre acesso ao exterior via um

tubo plástico. Também foram alimentadas diariamente com uma mistura de pólen e mel de Apis, oferecida em pequena quantidade.

Três meses antes de começar as observações, introduziram-se numa colônia duas rainhas (B e C) marcadas, tornando-a poligínica. A rainha original (A) manteve-se sem marca. Um estudo prévio demonstrou que as operárias não se comportam de modo diverso com relação a rainhas aparentadas e não aparentadas (Alonso et al., 1998). Durante os três meses prévios, as rainhas introduzidas B e C realizaram suas posturas, e assim, quando começaram as gravações, havia operárias descendentes de todas as rainhas.

Ao começar a observação, a idade das rainhas eram de 176 dias para A, 165 dias para B e 222 dias para rainha C. As diferenças de idades somente variaram entre 11-55 dias. As colônias selecionadas tinham

características demográficas semelhantes: 581 operárias para a colônia monogínica e 534 para a poligínica.

As observações do processo de aprovisionamento e postura (POP, do inglês Provisioning and Oviposition Process) foram feitas de 14 de outubro até 3 de novembro de 2000 para a colônia poligínica, e de 21 de abril até 11 de maio de 2002 para a monogínica. Para registrar a atividade de oviposição, filmaram-se continuamente todos os POP ocorridos no favo. As filmagens eram feitas dentro de uma câmara escura, iluminada apenas com lâmpada vermelha fria que aparentemente não perturba a atividade das abelhas.

Na colônia poligínica, a rainha C desapareceu do favo 260 horas depois de iniciadas as filmagens. Foi encontrada viva, entretanto, ao final das observações. Devido ao exílio desta rainha das atividades do favo, os dados foram divididos e analisados em duas partes, dependendo no número de rainhas poedeiras, sendo primeiro três e o segundo, dois.

As fases em que dividimos o POP são: aprovisionamento, delimitado pela primeira e a última regurgitação de alimento larval, e a fase de pós- aprovisionamento, que estaria limitada pela última regurgitação até o momento em que a rainha oviposita. É durante esta última fase que as operárias colocam os ovos tróficos. A fase de pré-aprovisionamento não foi considerada devido à dificuldade que existe para objetivamente marcar seu começo. Analisamos a duração destas duas fases do POP, o número de ovos tróficos que as rainhas recebiam, a produção de ovos, e finalmente, o tempo que demoravam em ovipositar.

Para conhecer a identidade das operárias, colocou-se um favo amadurecido em uma caixa conectada ao ninho principal que permite às operárias auxiliar nos nascimentos. Três vezes por dia recoletávamos as abelhas recém-nascidas. Estas eram marcadas com uma etiqueta colada ao tórax de cada uma, permitindo assim a identificação individual. Analisamos o número total de operárias que eram atraídas ao POP, e principalmente aquelas que descarregavam alimento ou fechavam as células de cria. Também anotamos o tempo que as operárias demoravam em botar ovos tróficos e em fechar cada célula. Na colônia poligínica se fez uma marcação

intensiva, mas na monogínica permitimos que 1/3 das operárias ficassem sem marcar. A razão para esta diferença na metodologia, foi o fato de que as abelhas marcadas seriam sacrificadas ao final da filmagem, e não queríamos deixar a colônia muito debilitada. Para a análise do número de operárias atraídas, para a colônia monogínica utilizamos somente os POPs (n=149)

onde mas de 90% das operárias participantes estivessem marcadas.

A análise estatística incluiu o teste do Kruskall Wallis, o teste U de médias do Mann Whitney, o chi quadrado (χ2

) e a correlação do Spearman. Quando o teste do Kruskall Wallis dava diferença significativa, utilizava-se o teste U como Pós Hoc, mudando o nível de significância de acordo com o número de variáveis examinadas. (Sokal & Rohlf, 1997; Green, et al., 2000).

RESULTADOS

Considerações gerais

Para a colônia monogínica, filmamos 495 horas consecutivas (20 dias 15 horas) com 393 processos de aprovisionamento e postura (POP). Para a colônia poligínica, filmamos um total de 496 horas consecutivas (20 dias 16 horas) observando 508 POP. Os dados adquiridos para esta colônia foram divididos em dois períodos: o primeiro com 241 POP e três rainhas poedeiras, e um segundo período com 267 POP e duas rainhas poedeiras.

A filmagem era feita em períodos consecutivos de 24 horas. Entre as 0:00h e as 8:00h a câmara permanecia no automático, de modo que quando o favo cresceu muito, a distância necessária para a filmagem causou a perda de nitidez na identificação da abelha. Às vezes foi impossível identificar mais de cinco indivíduos, causando a eliminação desse POP da análise. Quando analisamos a participação das operárias no POP, eliminamos o POP se apareciam mais de cinco abelhas sem etiqueta participando ativamente em descarregar alimento ou em opercular as células de cria. Por estas razões, o número da amostra varia nas diversas análises. Um resumo dos resultados se encontra na Tabela I.

Produção de ovos

Analisamos somente ciclos de 24 horas consecutivas. Comparamos a produção de ovos quando a colônia poligínica tinha três rainhas poedeiras

(26±2,8 em 10 dias), e duas rainhas poedeiras (22,6±6,2 em 10 dias). Como o teste U não detectou diferenças entre estes dois eventos (p=0,09) unificamos estes dados.

Comparamos então a produção diária de ovos entre a colônia monogínica (20 dias, n=369 POP, ovos/dia: 18,5±2,1), e a produção diária da colônia poligínica (20 dias, n=486 POP, ovos/dia: 24,3±5). O teste U encontrou diferença significativa (p<0,005) e verificamos que, em média, a colônia poligínica produziu 13% mais ovos que a colônia monogínica em igual período. (Fig. 01).

FIGURA 01: PROPORÇÃO DE

OVIPOSIÇÕES EM COLÔNIAS