5. Analyse
5.2 Identifisering – distansering
5.2.2 Rollefortelling
Moore e Kearsley (2007), ao analisarem várias pesquisas desenvolvidas sobre Educação a Distância nas principais revistas internacionais sobre EaD, apontam que a maior parte das pesquisas nessa área de estudo têm como foco a eficácia da própria EaD (mídia de comunicação). Citam listas de questões de pesquisas, tomando por base os títulos seguintes sugeridos por Dirr (2003), que os próprios recomendam atentar para estudos de dissertações e teses:
Questões de qualidade
Questões de equidade e acesso
Questões de elaboração e comercialização Questões de globalização
Titularidade e direito de propriedade intelectual O papel das tecnologias
Questões relacionadas ao corpo docente Questões relacionadas aos alunos Questões de pesquisa e avaliação
Constatam também, ao citar Berge e Mrozowsky (2001), que a maioria dos estudos compilados em quatro revistas internacionais5 sobre EaD tratam-se de relatórios de estudo de casos descritivos ou estudos de caso de sucesso comparativo (85%), que repetem, em sua maioria, determinadas perguntas, já equalizadas pela teoria. E, por fim, sugerem uma lista de variáveis sobre eficácia dos cursos de EaD que requerem aprofundamento de pesquisas (Moore e Kearsly, 2007, p. 267):
Quantidade e distribuição dos alunos (indivíduos, grupos pequenos, grupos grandes).
Se em grupos reais por teleconferência ou grupos virtuais on-line. Duração do curso (horas, dias, semanas, meses).
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Tratam-se de The American Journal of Distance Education, Distance Education, Journal of Distance Education e Open Learning, todas gabaritadas no assunto do qual trata o presente trabalho.
Razões para os alunos fazerem os cursos (obrigatoriedade, desenvolvimento pessoal, certificação).
Formação educacional do aluno (especialmente a experiência com educação a distância).
Natureza das estratégias de instrução empregada (preleção, apresentação por áudio/vídeo, discussão/debate, resolução de problemas).
Tipo de objetivo de aprendizado (conceitos, aptidões, atitudes).
Tipo de ritmo seguido (determinado pelo aluno, definido pelo professor, datas de término fixas ou flexíveis).
Quantidade e tipo de interação e feedback oferecido. Papel dos orientadores ou facilitadores dos locais.
Preparação e experiência dos instrutores e administradores. Extensão do apoio oferecido ao aluno.
Romiszowski (2009) justifica essa tendência das pesquisas em EaD estarem atreladas às mídias e tecnologias por conta da evolução do próprio avanço tecnológico, culminando na década de 1980 com resultados conclusivos de que não havia diferenças estatísticas significativas quanto aos usos alternativos das diversas mídias. Já na década seguinte e a medida que se difundiam os usos das Tecnologias da Informação e Comunicação, o enfoque das pesquisas em EaD ampliam-se para os aspectos macro da eficácia, percebidos pelos gestores e administradores da Educação a Distância. Citando o Handbook of Research on Educational Communications and Technology de 2004 apresentam-se as seguintes tendências internacionais de pesquisa em EaD (ROMISZOWSKI, 2009, p. 424);
1. Pesquisas sobre teorias, mídias, tecnologia e metodologias de EaD;
2. Pesquisas sobre as diversas formas de comunicação mediada por computador (CMC) usadas em educação e treinamento, abordando aspectos pedagógicos;
3. Pesquisas recentes sobre o processo de aprendizagem por meio da Internet: aspectos teóricos, design de ambientes de aprendizagem na Internet, oportunidades e desafios de ensino e aprendizagem via Internet, do ponto de vista do professor e do aluno, e aprendizagem por meio de comunidades virtuais na Internet. No Brasil, uma compilação de Litto, Filatro e Andre (2005), junto com dados do 22nd World Conference on Open Learning and Distance Education – ICDE22 ocorrido no Rio de Janeiro em 2006, do qual Romiszowski separou a produção científica em EaD de brasileiros e de estrangeiros para uma análise em separado.
Tabela 14. Comparação da produção científica da EaD no Brasil no período 1999/2003 e no ICDE22 (2006)
Percentuais Aplicações múltiplas Educação superior Formação de professores Educação básica Educação continuada Educação corporativa Outras áreas de aplicação
(%) A B C A B C A B C A B C A B C A B C A B C A B C
Número de títulos (N) 847 182 130 340 47 37 174 52 63 111 24 11 72 19 5 47 12 8 46 22 5 57 6 1 Pedagogia e tecnologias 35,2 33,0 30,7 33,2 34,0 37,8 38,5 28,8 23,9 39,7 29,2 27,3 38,9 52,6 40,0 25,6 33,3 50,0 19,6 27,3 20,0 43,8 33,3 100,0 Filosofia, política e estratégia 17,2 37,9 24,6 17,5 31,9 24,4 9,8 36,5 20,7 32,4 62,5 45,4 9,7 26,3 20,0 17,0 58,4 37,5 13,0 27,3 20,0 21,1 33,3 0,0 Suporte e serviços 15,6 6,6 5,4 22,4 10,6 0,0 12,6 3,8 9,5 6,3 0,0 0,0 8,3 5,3 20,0 19,1 0,0 0,0 17,4 13,6 0,0 7,0 16,7 0,0 Gerenciamento e logística 13,9 6,6 4,6 6,5 10,6 2,7 25,8 9,6 6,3 11,7 0,0 0,0 11,1 5,3 0,0 23,4 0,0 0,0 32,6 4,5 20,0 7,0 0,0 0,0 Conteúdos e habilidades 8,3 5,5 2,3 6,2 2,2 2,7 5,2 5,8 1,6 3,6 0,0 0,0 27,8 10,5 20,0 12,8 8,3 0,0 2,2 9,1 0,0 15,8 16,7 0,0 Pesquisa e avaliação 8,1 8,2 16,2 12,4 6,4 13,5 7,5 15,5 19,0 2,7 8,3 18,2 4,2 0,0 0,0 2,1 0,0 12,5 8,7 9,1 20,0 5,3 0,0 0,0 Qualidade e certificação 1,7 2,2 16,2 1,8 4,3 18,9 0,6 0,0 19,0 3,6 0,0 9,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 6,5 9,1 20,0 0,0 0,0 0,0
Nota: A) Trabalhos científicos brasileiros (1999/2003), B) Trabalhos brasileiro apresentados no ICDE 2006, C) Trabalhos estrangeiros apresentados no ICDE 2006 Fonte: adaptado de Romiszowski (2009, p. 425-427) e Litto, Filatro e André (2005, p. 4-5)
Da Tabela podem-se tirar algumas conclusões:
1. Em relação ao número de trabalhos compilados, existe uma certa semelhança percentual entre o número de trabalhos que tratam de Pedagogia e tecnologias, mas em Filosofia, política e estratégia, tanto os pesquisadores brasileiros quanto os estrangeiros presentes no ICDE22 superaram o perfil de publicação em EaD brasileiro. Em Suporte e serviços, Gerenciamento e logística e Conteúdos e habilidades, o perfil das pesquisas brasileiras supera os artigos apresentados no ICDE22, entretanto existe um destaque em relação à Pesquisa e avaliação e Qualidade e certificação, onde os pesquisadores estrangeiros que apresentaram artigos ao ICDE22 superam os estudos brasileiros nessa categoria.
2. As categorias em relação ao foco ou contexto da EaD apresentam os maiores valores percentuais para Pedagogia e tecnologias e Filosofia, política e estratégia, seguidos por Gerenciamento e logística e Conteúdos e habilidades.
3. Os estudos científicos de EaD no CIED22 superam os demais na categoria de Filosofia, política e estratégia.
4. Conteúdos e habilidades são mais significativos no Ensino básico e Outras áreas de aplicação.
5. Qualidade e certificação sobressaem para os artigos estrangeiros do ICDE22 em Aplicações múltiplas, Educação superior e Educação corporativa.
6. Em Pesquisa e avaliação, os estrangeiros se destacam em Educação superior, Formação de professores e Educação corporativa.
7. As pesquisas brasileiras se destacam em Gerenciamento e logística, na Educação superior, Educação continuada e Educação corporativa.
O pesquisador Zawacki-Richter (2009) realizou um estudo Delphi junto a 25 experts de 11 países para determinar as áreas de pesquisa em EaD, complementado por outro estudo com mais dois pesquisadores: Zawacki-Richter, Backer e Vogt (2009). Dos seus estudos resultou uma classificação aceita internacionalmente e hoje adotada pela Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) para classificar os artigos submetidos ao Congresso Internacional Abed de Educação a Distância realizados anualmente. A classificação proposta por Zawacki-Richter, Backer e Vogt (2009) é composta pelos seguinte níveis (Quadro 9):
Nível macro (os sistemas de educação a distância e as suas teorias) A Acesso, equidade e ética
B Globalização da educação e aspecto transcultural C Sistemas de ensino a distância e as instituições D Teorias e modelos
E Métodos de pesquisa em EaD e transferência de conhecimento Nível meso (a gestão, a organização e as tecnologias disponíveis)
A Gestão e organização B Custos e benefícios C Tecnologia educacional D Inovação e mudança
E Desenvolvimento profissional e de apoio das IES F Serviços de apoio ao aprendiz
G Garantia de qualidade
Nível micro (o ensino e a aprendizagem na educação a distância) A Design instrucional
B Interação e comunicação em comunidades de aprendizagem C Características do aluno
Fonte: Zawacki-Richter, Backer e Vogt (2009) Quadro 9 - Níveis da metapesquisa em EaD
Uma outra curiosidade envolve os aspectos bibliométricos em EaD realizados por André (2009), que apontam o livro de Moore e Kearsley (2007) e um artigo de Moore (1989) como o livro e artigo mais lidos no período de 1997 a 2002, citados no American Journal of Distance Education.
Ainda sobre bibliometria, apresenta-se na Tabela 15 a primeira coluna com as Áreas de Pesquisa em EaD composta por metaníveis de pesquisa propostos por Zawacki- Richter, Backer e Vogt (2009), levantados nos cinco periódicos mais importantes que publicam sobre EaD6. Na segunda coluna consta o percentual de artigos de pesquisa por área compilados pelos autores em 695 artigos publicados entre 2000 e 2008. Como pode-se observar existem áreas em destaque como as de Interação e comunicação em comunidades de aprendizagem, Design instrucional e Características do aluno. Outras ainda são bem pouco exploradas, como as relacionadas aos Métodos de pesquisa em EaD e transferência de conhecimento, Globalização da educação e aspectos transculturais, Inovação e mudança, e Custos e benefícios. Na terceira e quarta colunas destacam-se uma busca no Google Acadêmico (2009) e no Portal de Periódicos da Capes, realizada por Silva e Bertoncello (2012), para as mesmas Áreas de Pesquisa. Para o Google Acadêmico foram escolhidos 83
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Open Learning, Distance Education, American Journal of Distance Education, Journal of Distance Education International Review of Research in Open and Distance Education.
artigos e no Banco de Teses do Portal Periódico Capes, foram encontrados 130 trabalhos. No Google Acadêmico destacam-se as áreas de Design instrucional, Gestão e organização, Teorias e modelos, e Métodos de pesquisa em EaD e transferência de conhecimento, enquanto no Portal Capes o destaque fica por conta das áreas de Gestão e organização, Design instrucional, Interação e comunicação em comunidades de aprendizagem, Tecnologia educacional, e Desenvolvimento profissional e de apoio das IES. Pode-se enfim concluir que esse, em sobremaneira, é o contexto das áreas de pesquisa onde estão sendo desenvolvidos e publicados os principais trabalhos em Educação a Distância.
Tabela 15. Percentual de participação das áreas de pesquisa e publicação em EaD
ÁREA DE PESQUISA Número artigos Google Acadêmico Portal Capes
Interação e comunicação em comunidades de aprendizagem 17,6 9,6 12,2
Design instrucional 17,4 21,7 15,4
Características do aluno 16,3 2,4 8,9
Sistemas de ensino a distância e as instituições 8,9 3,6 2,5
Tecnologia educacional 6,9 9,6 10,6
Garantia de qualidade 5,9 2,4 5,7
Desenvolvimento profissional e de apoio das IES 5,9 3,6 10,6
Acesso, equidade e ética 4,5 3,6 1,6
Teorias e modelos 3,5 12,0 6,5
Serviços de apoio ao aprendiz 3,3 0,0 0,8
Gestão e organização 2,6 14,5 17,1
Métodos de pesquisa em EaD e transferência de conhecimento 1,9 12,0 5,7
Globalização da educação e aspecto transcultural 1,9 2,4 0,0
Inovação e mudança 1,9 1,3 0,8
Custos e benefícios 1,7 1,3 1,6
Fonte: adaptado de Zawacki-Richter, Backer e Vogt (2009, p. 21-50), e Silva e Bertoncello (2012, p. 417-418).