4. Informantenes oppfatning av lederrollen
4.3 Rolleforståelse som integratorer
(... )Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra , Sempre o impossível tão estúpido como o real, Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície (...) Álvaro de Campos [heterônimo Fernando Pessoa]120
As investigações sobre o corpo político no âmbito das ciências humanas constituem matéria há muito examinada. Observa-se que na maioria das vezes não se trata de um corpo para ser sentido e sim um sentido no corpo homologado pela grade de significação. Para dar conta dessa diferença de enfoque, por exemplo, do edifício político e do poder ambicionado por Hitler, bastaria reconhecer no Heil Hitler, usado na saudação nazista, uma reiteração da expressão do imperialismo romano, o Ave César. Ou então, seria suficiente perceber que a figura da águia romana está reiterada no discurso do imperialismo ianque para se falar delas como o símbolo das legiões romanas e dos Estados Unidos da América. Mas, importa também depreender que a figura de uma ave grande, carnívora e de acuidade no olhar, ao passo que presentifica a força e o poder deixa ver que tipo de dominação esses governantes exercem. De forma que, quando o presidente Barack Obama numa referência ao presidente Lula, diz “esse é o cara”121, o sentido que circula nessa frase não se reduz a uma descontração no protocolo, porque o “cara” é a “presa”. Ora, é muito mais plausível a devoração do que a adoração na mira de uma ave carnívora que, de sua espacialidade, objetiva o cone da América do Sul e vê uma economia emergente e um chefe de Estado de popularidade global. Afinal, sabe-se que nenhum império dura para sempre, então, é questão de sobrevivência.
Por conseguinte, é possível observar que o ato de levantar o braço direito num ângulo de quarenta e cinco graus com a mão levemente inclinada é uma marca do discurso nazista e também do império romano que, segundo os historiadores, tem origem no gesto dos cavaleiros medievais. Sobre isso esclarece Chevalier:
120. Fernando PESSOA. Obra poética, p. 362.
121. A frase do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dita durante uma conversa informal entre os líderes do G-20 reunidos em Londres em março de 2009, foi captada e veio à público pela rede de TV britânica BBC, conforme noticiou o jornal Estado de S. Paulo no dia 3 de abril de 2009. Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje. Acesso em 04 de junho de 2011.
Poder-se-ia dizer que o ideal da cavalaria se resume em um acordo de lealdade absoluta para com as crenças e compromissos aos quais toda vida está submetida. (...) Melhor conviria, pois, caracterizar o cavaleiro como sendo o senhor de sua montaria, esta última podendo ser, evidentemente, quer seu cavalo, quer seu próprio eu, ou o serviço do rei, ou o devotamento à dama eleita, ou ainda o exercício de uma função, ou a liderança de uma guerra etc. 122
Posto isso, não há estranhamento em relacionar esse gesto de lealdade e comprometimento do cavaleiro medievo com o ato enunciativo de uma criança que, liderando o jogo, levanta o braço e com a mão espalmada conclama: “quem quer brincar coloca o dedo aqui!”. A despeito dos atores, quer seja o imperador, o ditador, o cavaleiro ou a criança, persiste o gesto que aglutina os sujeitos e dá a ver o objetivo comum desses corpos que, inegavelmente, estão cingidos pelo poder.
2.1 – Brasília, centro do planalto e planalto do poder
Se é fato que a presença constitui um sentido que se faz presente, ou seja, “(...) de
repente, o ‘presente’ se torna efetivamente presente, porque uma diferença começa a fazê-lo significar”123 e, se o que é factível em relação ao “tempo” é plausível no que concerne ao “espaço”, objetiva-se o lugar onde esses corpos políticos se presentificam. É em Brasília, a capital federal da República e o centro do poder, que se inicia a trajetória visando a depreensão da política do corpo.
A construção de uma cidade planejada para abrigar a nova capital do país foi iniciativa do presidente Juscelino Kubitschek, o projeto urbanístico, denominado Plano Piloto, foi elaborado pelo urbanista e arquiteto Lúcio Costa e o espaço que pertencia ao Estado de Goiás deu lugar, em 1960, ao Distrito Federal. Vista do alto a cidade de Brasília tem a forma de uma grande ave de asas abertas124 pousada no centro geográfico do Brasil. No dorso do
pássaro está o Eixo Monumental, que abriga os pontos turísticos, edifícios e espaços públicos
122 Jean CHEVALIER. Dicionário de símbolos, p. 201. 123. Eric LANDOWSKI. Presenças do outro, p. 10.
124. Sobre isso importa recuperar que “Numa entrevista de 1986, Lucio Costa aborreceu-se quando a imagem do P.P.B. [Plano Piloto de Brasília] foi comparada a um avião. Ele respondeu que seria ridículo fazer uma cidade com forma de avião. Para ele, o desenho se parece mais com uma borboleta. Mas e se, mesmo assim, muita gente continuar vendo um avião na planta baixa do P.P.B.? Será que a expressão “plano piloto” tem alguma coisa a ver com isso? (...) O desenho de Lucio Costa para o P.P.B. lembra uma cruz pode sugerir o encontro do céu com a Terra, do divino com o homem...” BUORO, Anamelia Buoro; KOK, Beth; ATIHÉ, Braga Aloia. Abre as asas sobre nós, p. 21-22.
e, ao dividir um eixo transversal em duas partes, forma numa curva suave a Asa Norte e a Asa Sul. Nas asas estão distribuídos os setores bancário, hoteleiro, comercial, residencial e universitário. No eixo central está uma grande praça gramada em meio aos edifícios culturais, catedral, palácios e edifícios que compõem a administração, os ministérios e os três poderes da República: o Congresso Nacional, sede do Legislativo; o Supremo Tribunal Federal, sede do Judiciário e o Palácio do Planalto, sede do poder Executivo.
Fig. 1 – Do alto, uma grande ave de asas abertas, pousada em pleno sertão brasileiro, harmoniza-se com a geometria curvilínea que Niemeyer escolheu para dar forma ao concreto dos palácios.125
Posicionar-se defronte aos espectros mais importantes de Brasília significa estar diante da escritura arquitetônica de Oscar Niemeyer que, além dos edifícios dos três poderes, projetou: a residência provisória do presidente da República, o Catetinho, uma casa de madeira que serviu de apoio a Juscelino durante a construção da cidade; a Catedral de Brasília; o Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência, o Teatro Nacional de Brasília e o Palácio do Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores. O que Niemeyer enuncia em linhas curvas, imprime leveza e movimento ao concreto armado desses edifícios,
125. Vista aérea de Brasília. Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EMI133812-15223,00.html. Acesso em 08 de outubro de 2011.
que distribuídos em espaços muito amplos se estendem e se harmonizam à horizontalidade do cerrado. E, isso quem explica, em tom de depoimento, é esse arquiteto:
Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein.126
Fig. 2 – Uma caixa retangular revestida de janelas de vidro divide-se em três pavimentos de lâminas de concreto sustentadas por colunas que, nesse prisma de visão, deixam ver de forma modesta parte da lateral de suas colunas, no mais, a rampa e o parlatório. Observado nessa perspectiva, o Palácio do Planalto assume sua função de uso como sede da soberania nacional.127
Há uma série de reiterações que dão conta dessa posição central da cidade, que construída em forma de cruz tem no entorno a compleição de um resplendor formado pelas cidades satélites. Observa-se que a ave, vista do alto, pousada no planalto central remete à figura do Divino, que é visto no alto e no seu resplendor. As asas estão reiteradas nas marcas
126. Oscar NIEMEYER, Minha arquitetura, p. 17.
127. Fonte: http://www.senado.gov.br/noticias/agencia/internacional/fotos/palacio_planalto.jpg. Acesso em 10 de outubro de 2010.
arquitetônicas dos espectros, cuja estética divinal ocupa a centralidade do planalto. Assim como Deus ocupou o centro do universo, legitimando também um poder político, ainda que no invólucro da fé religiosa, no centro do planalto central está o edifício do poder executivo republicano. Ele divide harmoniosamente com os edifícios do Congresso e do Supremo o espaço da Praça dos Três Poderes. A praça forma a moldura do resplendor que acolhe no seu centro a “santíssima trindade”. Eis um simulacro do corpo sagrado na construção e na disposição desse exemplário arquitetônico.
Em contrapartida, importa retomar que é Niemeyer quem, numa referência ao Palácio do Planalto, explica:
Primeiro separei as colunas do edifício e imaginei-me a caminhar entre elas. E senti que as devia fazer diferente, criando novos pontos de vista. As regras limitadoras de pureza estrutural não me preocupavam. A liberdade plástica me possuía e as fiz com as pontas finas e os palácios como apenas tocando o chão.128
O arquiteto, destituído de qualquer doutrina maniqueísta ou religiosa, experimenta outra possibilidade. Sente-se atraído pela curva livre e sensual das montanhas, dos rios, das ondas do mar, dando prova de “que a única presença concebível da significação no mundo é
sua manifestação no interior da “substância” que engloba o homem, isto é, no mundo sensível, que é uma virtualidade de sentido por pouco que esteja submetido a uma forma.”129
e termina possuído pela “liberdade plástica”. A voz do arquiteto a respeito do processo de criação desvela a inteligibilidade do cálculo preciso e a presença sensível e “contagiosa” que é “o corpo da mulher preferida”, plasmado nas colunas, cujas “pontas finas” dão a ver esse corpo “apenas tocando o chão”. E o que poderia ser tratado como a profanação do corpo no edifício do sagrado, dá lugar ao “objeto estético que se transforma em ator sintático que,
manifestando de tal modo sua “pregnância” avança sobre o sujeito observador.”130
128. Fonte: http://www.niemeyer.org.br/. Acesso em 10 de outubro de 2011.
129. Maria Cecília de Moraes LEONEL; Edna M. F. Santos Nascimento, O sertão de Guimarães Rosa, in: Sociedade e Literatura no Brasil, p. 92.
Fig. 3 – O valor estético do Palácio do Planalto é resultado do traço de Niemeyer, que numa explícita demonstração da experiência sensível, recupera as formas do mundo natural para emoldurar a arquitetura dita funcionalista. A produção de sentido de fluidez está no movimento curvilíneo dado pela luz que reverbera no espelho d’água e que as colunas dispostas em seqüência reiteram. O que poderia ser apenas da ordem da funcionalidade, prolonga o olhar, amplia o horizonte e faz sentir na dureza do concreto a leveza da forma e, num fazer que desafia a gravidade, faz ver a robustez do edifício sustentar-se nas “pontas finas” das colunas. Como o corpo que dança na ponta dos pés: inteligível e sensível.131
O extraordinário da estética que pode ser experimentada diante do Palácio do Planalto que, como visto suplanta a dicotomia do sagrado e do profano, não permite, contudo, prescindir da significação desse espaço como domínio de território e sob domínio do soberano. O observador pode escolher postar-se ao lado de “Os candangos”, a obra de Bruno Giorgi, na qual figuram dois corpos em pé, situados no centro da Praça dos Três Poderes e em relação de equidistância com cada edifício. Na corporeidade chapada e assexuada desses dois sujeitos presentificam-se os migrantes da construção civil, movidos pela esperança e unidos
ipsis litteres pelo discurso da promessa do “Brasil do futuro”. Sobre isso, importa recuperar a reflexão de Holston, que analise que:
131. Foto: Sérgio Lima / Folhapress, 2009. Fonte: http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/774-reabertura-do- palacio-do-planalto. Acesso em 10 de outubro de 2010.
(...) A campanha de recrutamento para Brasília identificava o novo construtor da nacionalidade como o “homem comum”. Colocou no palco principal, na ribalta das atenções e da fé nacionais, aqueles que antes haviam sido excluídos dos papéis principais no desenvolvimento brasileiro: os trabalhadores etinerantes, sem qualificação e sem instrução do interior; os déclassés e os empobrecidos; as massas de nordestinos, mineiros e goianos; os cultural e racialmente não- europeus; os trabalhadores avulsos de origem tanto rural quanto urbana que migram sazonalmente por todas as regiões do Brasil, conhecidos por termos como “cabeça-chata”, “pau-de-arara” e “baiano”. A campanha designou todos estes candangos como sendo participantes-chave de um novo pacto de desenvolvimento nacional. Alegando que Brasília iria “marcar a alvorada de um povo”, como a fábrica de pneus Pirelli colocou em um anúncio comemorativo, promoveu os candangos a heróis nacionais.132
O Planalto é na sua nomeação um palácio, que tem sob a sua concepção o plano de uma cidade com vistas ao povoamento do centro oeste brasileiro e à proteção dessa fronteira e, apesar de não ter a aspectualidade de uma fortificação de alto grau, guarda certas similaridades com um castelo. Concernente a esse tipo de edificação, lê-se em Baschet que
“O castelo é o coração a um só tempo prático e simbólico do poder da aristocracia, de sua dominação sobre as terras e os homens. (...) domina, assim, o território, como o senhor domina seus habitantes”.133 De modo que, embora não exista uma muralha, as colunas do Palácio do Planalto formam uma proteção no corpo principal do edifício. E, ainda que a rampa não seja movediça, ela faz a conexão da praça com a porta principal e se estende sobre um espelho d’água que, a exemplo de um fosso, limita a aproximação. Observa-se também que o parlatório, na sua construção cilíndrica e verticalizada, guarda similaridade com uma torre.
O palácio na sua descrição simbólica é “a morada do soberano, o refúgio das
riquezas, o lugar dos segredos. Poder, fortuna, ciência, ele simboliza tudo o que escapa ao comum dos mortais. (...) ele é o centro do universo, para o país em que é construído, para o rei que o habita, para o povo que o vê. O edifício possui sempre uma parte em que a vertical é dominante: o centro é igualmente eixo.”134, daí a pertinência de o Planalto ser um palácio. Em contrapartida, observa-se que enveredar na discussão sobre a sua nomeação em relação as suas marcas arquitetônicas e ao seu uso, não recrudesce sem a presença de um soberano. No que tange a isso, há uma passagem de Godard que serve de ilustração:
132. James HOLSTON. Cidade modernista: uma crítica de Brasília e sua utopia, p. 210.
133. Jérôme BASCHET. “Ordem senhorial e crescimento feudal”, in: A civilização feudal, p. 112-113. 134. Jean CHEVALIER. Dicionário de símbolos, p. 679.
Em 1938, Heisenberg e Bohr passeiam pelo interior da Dinamarca. Eles passam diante do castelo de Elsinore. O sábio alemão diz: ‘Esse castelo não tem nada de extraordinário.’ O físico dinamarquês responde: ‘Sim, mas... basta dizer ‘o castelo de Hamlet’ e ele se torna extraordinário.’ Elsinore o real. Hamlet o imaginário. Campo e contracampo. Imaginário: certeza. Realidade: incerteza. O princípio do cinema: ir até a luz e apontá-la para a nossa noite. Nossa música.135 Da mesma forma que o Castelo de Elsinore pode parecer ordinário sem um Hamlet, o Palácio do Planalto enquanto centro do poder executivo brasileiro, requer a presença de um soberano e de um povo, que a exemplo dos candangos, façam-no significar. A semiótica não se interessa pelo “real” ou pelo “imaginário”, o seu objeto é a depreensão do sentido a partir das diferenças, que pode ser, por exemplo, a relação de oposição entre “o campo” e “o contracampo” citados por Godard. Então, se a metáfora do cinema é “ir até a luz
e apontá-la para a nossa noite. Nossa música.”, a metáfora de Goethe, recuperada por Greimas, é “Mehr Licht!”136, o que neste estudo significa “mais luz” sobre o corpo em ato. E, no lugar da música, a dança.
2.2 – O centro do centro do poder
O deslocamento entre o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto acontece em aproximados seis minutos numa velocidade não superior a 40 quilômetros por hora e é o primeiro encontro do presidente empossado com o povo. Ao deixar o Congresso, por direito presidente da República, esse corpo que passa em carro aberto e em público inicia a escritura da cerimônia de transição do poder, o que constitui o início de um novo governo. Ao fazê-lo, começa a desvelar a política desse corpo político passante. Numa reiteração da forma e da repetição, que são marcas distintivas do discurso dito ritualístico, observa-se que a trajetória do corpo do político na cerimônia de posse reescreve o planejamento da cidade e a sua arquitetura. A movimentação do político ao longo do eixo central que ocupa o centro do país, com os principais espectros governamentais inseridos nessa mesma centralidade, dá visibilidade à política do controle e da ordem, da coesão social, da promessa de continuidade e da convencionalidade.
135. Nossa Música. Dir. Jean-Luc Godard. França. São Paulo, 2004.
Fig. 4 – O percurso para a posse parte da Granja do Torto, que é a residência oficial de campo da presidência da República, o presidente eleito acompanhado do vice-presidente e comitiva seguem com destino à Catedral de Brasília, de onde, após participarem de uma missa, se dirigem para o Congresso Nacional. Ali são recebidos pelo presidente do Congresso, assinam o termo de posse e o presidente profere o seu primeiro discurso. Em seguida, num cortejo que dura cerca de seis minutos, o presidente e o vice-presidente empossados desfilam em carro aberto até a rampa do Palácio do Planalto, onde são recebidos pelo presidente em fim de mandato para a transmissão do cargo. Os momentos de maior visibilidade pública são a subida da rampa e a passagem da faixa presidencial.137
O Rolls-Royce, modelo Silver Wraith, serve às cerimônias oficiais da presidência da República há quase 60 anos. O veículo de fabricação inglesa, indústria à qual se atribui a produção dos carros mais luxuosos do mundo usados por monarcas e chefes de Estado, é um conversível preto, com capota de lona clara e detalhes cromados, tem o interior revestido em madeira envernizada e o estofamento em couro, ambos claros. A despeito de uma série de especulações em torno da aquisição do automóvel, o fato é que ele já conduziu governantes ilustres, como o rei Balduíno da Bélgica, o presidente Charles Gaulle da França e a rainha Elizabeth II da Inglaterra.
O carro foi utilizado pela primeira vez numa cerimônia pública pelo presidente Getúlio Vargas, por ocasião das comemorações do Dia do Trabalho, em 1º de maio de 1953, na cidade de Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Luiz Inácio Lula da Silva foi o último presidente a subir no veículo nas festividades do Dia da Independência, em 7 de setembro de 2010, em Brasília, no DF. Lula, o ex-operário e sindicalista, que governou o Brasil por dois
137. Fonte: http://g1.globo.com/politica/posse-de-dilma/noticia/2011/01/posse-neste-sabado-no-congresso-faz- de-dilma-primeira-mulher-presidente.html. Acesso em 10 de outubro de 2010.
mandatos consecutivos, além de eleger a sua sucessora, garantiu a uma mulher sentar-se pela primeira vez, na condição de governante, no automóvel presidencial. Talvez essa pareça uma perspectiva política um tanto romântica, senão mediana. No entanto, é esse o prisma de visão que reúne a grande maioria dos espectadores da cerimônia. Se a estratégia política do governo Vargas tinha como foco conquistar o apoio das massas populares e o controle do setor operário, daí, suas ações de cunho trabalhista a favor do operariado lhe renderem a fama de governo paternalista, é na esteira da política paternal que está a estratégia do ex-líder sindical: Lula, oriundo da massa operária, é aclamado pela massa popular em decorrência de sua política assistencialista. De forma que, o sentido não está no valor de tradição e de luxuosidade do automóvel, mas na narrativa que esses sujeitos realizam nesses espaços que, cada um a seu tempo, deixa ver num encadeamento lógico.
À guisa da imagem sacra que segue no andor da procissão, da urna que acomoda e