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Skoleledernes forståelse av ulike konflikttyper og erfaringer med dem

5. Konfliktforståelse

5.2 Skoleledernes forståelse av ulike konflikttyper og erfaringer med dem

Infelizmente, meus caros, por mais que vocês façam sempre me darão uma realidade a seu modo, mesmo crendo de boa-fé que seja a meu modo. E talvez seja, não digo que não, quem sabe; mas a um “meu modo” que eu desconheço e que jamais poderia conhecer, o qual somente vocês, que me vêem de fora, reconheceriam: portanto, um “meu modo” a seu uso, não um “meu modo” para mim. Luigi Pirandello255

Um presidente militar linha-dura e a sanção pueril de uma menina; um aspirante a presidente orientado pelo sagrado; um presidente por acaso e a política como profissão; um astro midiático e uma presidência trágica; uma presidência de surpresa; um intelectual na presidência brasileira; um líder sindical e a vedetização da presidência; a presidente aquém da mudança de gênero; eis o que podem ser as chamadas para os corpos coletados nesta investigação no momento em que tem lugar o espetáculo político. Da composição fotográfica, que revela um corpo de papel, ao olhar implicado do espectador que dá corpo ao corpo à medida que o sente. A dramatização como política que se organiza no “flagrante” e na “estesia” do corpo encarnado do político, ou seja, a política na carne do corpo político.

Tendo como fio condutor as proposições de Landowski sobre as fronteiras do corpo, à princípio, tem-se o corpo predominantemente dessemantizado, que se dá a ver objetivado ao olhar exterior, portanto, objetivante, como o corpo do paciente ou do cadáver dissecado, que, tendo o seu sentido reduzido à função meramente intelectual, dá lugar a uma outra possibilidade de corpo. Do corpo desligado de sentido, próprio das ciências da natureza, ao sentido desligado de corpo, que são os conformados nas ciências das humanidades, caso no qual o que se observa é um “corpo-signo”, ou seja, “um corpo presente em carne e em osso

mas uma simples superfície de inscrição explorável, ora para emitir informações, em particular relativamente a si próprio, ora para lê-las nas “expressões” corporais de outrem”.256 A outra possibilidade que se avizinha, e que norteia esta investigação no que tange às “fronteiras do corpo político”, dá conta de um corpo apreendido fora da relação de interação unilateral. Não se trata mais de um corpo do “fazer-signo”, que se via como o corpo do outro na perspectiva do olhar médico por exemplo, mas de um vivido corporal e sentido.

255. Luigi PIRANDELLO, Um, nenhum e cem mil, p. 57-58.

Daí, a configuração inteligível de um corpo político apreendido na ação e na interação entre os sujeitos que, na relação de intersomaticidade desvela-se na presença de um corpo contagioso.

Essa presença sensível dos corpos políticos é também examinada a partir de um

corpus de imagens coletadas das mídias e, sobre esse espaço midiático, é Oliveira é quem ensina que:

As mídias têm assumido nas suas mediações a (re)proposição de ser ou ter a aparência de ser um dos alcances possíveis do mundo fenomenológico, para nele e por ele o ser tornar-se um tipo de sujeito que, ao deixar o mundo da objetalidade, do ser consumido transforma-se no sujeito condenado à espetacularidade vazia e à beira da insignificância que ele encontra ainda força de combate. Assim é que estão organizadas para entrar em circulação no fluxo das programações diárias quer nas rádios, nos blogs, nos sites, na mídia impressa e áudio visual, ofertas de vida a ser vivida, só e somente se, o contato inter-acional for estabelecido. Decorrem dessas condições propositivas, a extrema importância do estar conectado em nossa sociedade tecnológica, uma vez que significa o ato da conectividade, o ato de estar em permanente condição de fazer sentido para si e para o outro. Como o sentido se constrói como uma prática significante ao alcance de todos, é a sua construção que fica em aberto ser empreendida pelos sujeitos destinatários em cada re-ligação do sujeito à mídia. 257

Considerando que a publicidade comercial e a comunicação política comungam de uma semelhança discursiva, como propõe Landowski, nessa interação que se dá através das mídias se organiza uma forma de ver, sobre qual, é esse semioticista quem explica que:

Um grau de sofisticação a mais é por conseguinte requerido para que nós entremos, pelo menos fantasiosamente, no jogo: é preciso que o objeto que se supõe emocionar o modelo apareça verdadeiramente como a metonímia, a parte de um todo que, em última instância, só pode ser nós, destinatários inumeráveis e, no momento, visados um a um, cada um pessoalmente, como poderia sê-lo um interlocutor escolhido entre mil.258

De maneira que, da poltrona da sala de espetáculos o observador é platéia e, a medida que assiste ao drama, constrói a relação em presença corpo à corpo, o que consuma a interação sensível para construir o corpo sensível do político. Os entreatos das presenças no poder são cenas fora do “paço” oficial, elas acontecem fora do centro do poder e dão a ver o político na supressão da distância entre o palco e a platéia.

257. Ana Claudia de OLIVEIRA. Interação nas mídias. In: Comunicação e interações, p. 34-35. 258. Eric Landowski. O triângulo emocional do discurso publicitário. In: Comunicação midiática, p. 28.

4.1 – Figueiredo: presidente militar linha-dura e a sanção pueril de uma menina

a b

Fig. 22 – No corpo político de João Figueiredo está plasmado o “Braço forte, mão amiga”, que é o lema do exército brasileiro, e nesse flagrante da menina que se recusa em dar mão ao presidente, está o gesto inocente que faz remissão aos opositores do regime militar. Em resposta, é a ironia, que é sentida no corpo político que se dá a ver ressentido da culpa diante da sanção pueril e que se desvela como a política do corpo político diante desse ato delituoso.259

Uma pequena seqüência narrativa em dois atos, primeiro, o presidente João Figueiredo estende a mão para uma menina que, de maneira determinada, cruza os braços recusando-se a cumprimentá-lo (Fig. 22 –a); depois, a menina com as mãos na cintura, de modo intrépido, interpela o presidente que, por sua vez, dá mostras de indignação diante da acusação (Fig. 22-b). Uma atitude inesperada que, em plena ditadura, poucos ousariam deliberar, e, nesse caso, só pode ser explicada por uma manifestação pueril. Contudo, menos importante do que averiguar os fatos que culminaram na atitude da menina, a fim de justificar os atos retratados, é pensar como eles se organizam e tornam-se significativos nesse contexto.

259. Foto: Guinaldo Nicolaevsky, 1979 Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-que-a-menina- disse-ao-general,732450,0.htm. Acesso em 15 de junho de 2011.

Em meio a um grupo de pessoas ao redor do presidente Figueiredo, que é o corpo do poder, vê-se o braço do general estendido no sentido oblíquo na centralidade do retrato, dividindo-o em duas partes. No canto superior esquerdo, em vestes oficiais, no prolongamento do corpo de Figueiredo, portanto, como parte do poder, está um oficial com a cabeça inclinada para o alto, como quem pede proteção divina, ainda que com certa jocosidade, para a represália que a atitude irreverente da menina pode deflagrar. Na metade direita do retrato, à esquerda do corpo do poder, ao passo que nota dois olhares de espreita, o observador, que acredita estar flagrando o ato, é surpreendido pelo olhar do homem de bigode.

A dicotômica direita e esquerda vai ser reiterada na imagem seguinte, quando a menina, de costas e com as mãos na cintura, parece bater o pé ao pedir explicações, numa relação face à face com Figueiredo. O prisma de visão é de um observador colocado ao lado do corpo do sujeito na parte lateral, à esquerda do retrato, do qual só se vê o braço. Dessa forma, sabe-se que o testemunho se dá entre os que se colocam à direita e à esquerda do presidente, ou seja, entre a situação e a oposição ao regime. Então, quando aquele que olha instala-se na cena, ele como o próprio inquisidor, tem lugar o corpo à corpo e o que se depreende dessa relação não é uma resposta inteligível, mas uma justificativa sensível por parte daquele que está no poder. Num modo de abismar-se que é pouco peculiar, visto que o regime militar pressupõe a disciplina, do contrário, a correção dos sujeitos, o gesto de Figueiredo desvela que o político foi tomado de surpresa pela crítica da menina. Nessa situação tudo não passou de brincadeira? É por isso que o senhor de bigodes já se virou e pode sorrir tranquilamente?

O contraste está exatamente nesse gesto, na forma de se comportar de Figueiredo, que se sabe que não é o modo de pensar do governo, em síntese, é a ironia como política do corpo político. O que se flagra no retrato à direta, que é o efeito de sentido de liberdade ansiada pelo cidadão brasileiro presentificado no corpo da menina, está desarticulado no retrato à esquerda, quando, o gesto de Figueiredo dá a ver que somente a inocência de uma criança permitiria tal indisciplina. Nesse ato enunciativo, corpo à corpo com o poder, é da ordem do inteligível a convocação para testemunhar a transgressão e da dimensão da experiência sensível a possibilidade de transgredir junto.

4.2 – Tancredo: aspirante a presidente na orientação do sagrado

Fig. 23 – A presença do corpo de Tancredo Neves articula-se com a presentificação do corpo do Cristo crucificado, de modo que o corpo político, sob o efeito de sentido desse alo de luz, é dado a ver na passagem para o alto, ou seja, a política na esfera do sagrado.260

Há também uma dicotomia nesse caso, mas o que se apreende dessa vez está em outra dimensão, trata-se de uma articulação entre o profano e o sagrado. Tancredo Neves, o corpo político que ocupa a metade inferior do retrato (Fig. 23), está sentado, mantém um semblante compenetrado, a cabeça voltada para a direita do seu interlocutor, olha e faz olhar para o alto. O interlocutor de Tancredo é levado por seus olhos até o ponto onde está a cabeça de Cristo, pendida para o lado esquerdo, e lá, pregado na cruz sobre a parede clara, está o corpo crucificado do salvador, cujo sofrimento do corpo remete ao sacrifício do homem. No baixo, sobre o couro da cadeira em que está o político, diante da materialidade da madeira escura, a luz reverbera ao redor da cabeça de Tancredo e produz o efeito de sentido de santificação desse corpo. Traços distintivos que permitem observar que Tancredo Neves está nessa passagem para o alto, marcas de uma presença sagrada depreendida na grade de

significação cultural, porém, o elemento estético que distingue o corpo santo é a luz. Longe de ser apreendido apenas na sua dimensão hermenêutica, é a estesia do sujeito diante da organização estética do retrato que produz o efeito de sentido do milagre que se presentifica no corpo santo de Tancredo.

Em “Da imperfeição”, Greimas ensina que “(...) a linguagem poética, se não dá

ainda acesso direto ao sagrado, é certamente uma linguagem não-profana. Para passar do figurado ao próprio, nossas nostalgias, observadas mais de perto, não são senão recordações de esperas abortadas”261. É dessa ordem o simulacro que essa presença de Tancredo Neves tenta construir, apenas observando que aqui não se trata do passado, da nostalgia, mas da promessa, portanto, de um sagrado que está no devir.

4.3 – Sarney: presidente por acaso e a política por profissão

Fig. 24 – O retrato oficial do presidente Ernesto Geisel ao passo que presentifica o poder do governo, forma uma triangulação e, quer seja na perspetiva do sujeito da enunciação ou na de João Figueiredo, sujeito do enunciado que está simetricamente oposto ao enunciatário, desvela a política do corpo de Sarney como um prolongamento do corpo político do governo.262

261. A. J. GREIMAS, Da imperfeição, p. 86.

262. Foto: Luiz Saez Parra / Folhapress, 1979. Fonte: http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/2045-jose- sarney#foto-39242. Acesso em 07 de julho de 2011.

Dessa vez é de outro ângulo que o observador se depara com o corpo político, nesse caso, o de José Sarney (Fig. 24), também no contexto da ditadura militar. Em pé, ladeado por correligionários, que parecem muito menos entusiasmados que o orador, Sarney profere um discurso apaixonado. O presidente Ernesto Geisel tem sua presença cosmética marcada no retrato oficial na parede, ao lado dele está Figueiredo, num semblante deveras amistoso para um general, o que é compreensível por tratar-se do retrato, também cosmético, da campanha sucessória de Geisel. Parece não haver dúvidas de que lado Sarney está, mas, ao mesmo tempo, é curioso notar como essa articulação está construída.

A triangulação desses corpos coloca o sujeito observador face à face com o corpo político de Geisel, numa relação simetricamente oposta com o corpo de Figueiredo. De forma que ambos, o sujeito da enunciação e o sujeito do enunciado, estão voltados para o corpo da política vigente, e, concomitantemente, vêem o perfil do corpo de José Sarney. Mas o corpo de Sarney está em movimento, e a figura da sua mão tremida é que opera esse deslocamento, de forma que o seu braço pode ser depreendido como uma extensão do corpo de Geisel e, nessa compleição, ele mesmo se constitui o corpo do poder na galeria dos retratos.

Há um aspecto bastante relevante, percebido a partir da descrição desses corpos, no que concerne à política das mãos do corpo político. Se no corpo de João Figueiredo a

“mão amiga” é uma ironia, no de Sarney há uma estesia da mão que remete à política de um corpo hábil em trocar de papéis, portanto, é estratégico e não aleatório ele ter se tornado presidente. Em contrapartida, se as mãos de Tancredo são sempre tão discretas, a ponto de sequer aparecerem, é porque, de fato, o sentido produzido é o de um corpo guiado pelas mãos de Deus.

4.4 – Collor: astro midiático de uma presidência trágica

A abordagem com relação às mãos no corpo do político, que, como visto, incorrem inevitavelmente na política do corpo, não é uma questão extraordinária. Landowski, em “O triângulo emocional do discurso publicitário”, em forma de nota, faz a seguinte elucubração:

Como você segura “a coisa”? E, de modo mais geral, as coisas, ou mesmo o outro? Um dos capítulos essenciais de uma semiótica do sensível ainda por ser escrita seria uma semiótica da preensão. Mão que imobiliza ou, ao contrário, que dá impulso, que acompanha, simplesmente suscita, ou tenta

forçar o movimento, mão frouxa ou que dá sustentação: tantas modalidades diferentes do tomar, do agarrar, do segurar, do sustentar – em uma palavra, da foria – por meio das quais um sujeito se ajusta, ou não, a um outro, favorecendo, ou não, o desabrochar de relações mutuamente gratificantes na interação (Landowski, 2004: 124-137), “Coordinations”, e 2005: 39-47, “le regime de l’ajustement”). E nós mesmos, como nós “nos sustentamos”? O regime de sentido de nosso estar-no-mundo está por inteiro em jogo nessa questão banal.263

Esta pesquisa não tem a ambição de enveredar numa discussão sobre a “semiótica da preensão”, cujo aporte teórico já pertence ao estado da arte264, mas, cabe registrá-lo tendo em conta que é indiscutível a presentificação das mãos na compleição do corpo sensível do político. Por exemplo, as mãos do corpo político de Fernando Collor de Mello, que ao impulsionarem o seu corpo, permitem que ele se de a ver como um astro num filme de aventuras.

a b c

Fig. 25 – A opção de Fernando Collor de Mello foi dar visibilidade a um corpo político viril, na água, na terra e no ar. Daí, a política do corpo político de encenar os mais diversificados modos de presença, a fim de legitimar sua popularidade.265

263. Eric Landowski. O triângulo emocional do discurso publicitário. In: Comunicação midiática, p. 25.

264. Pentencem às mais recentes contribuições de Eric Landowski ao arcabouço da semiótica discursiva, os estudos sobre a preensão, que dão conta das práticas vividas. O trabalho desse pesquisador, entitulado “Avoir prise, donner prise”, encontra-se publicado em Nouveaux Actes Semiotique, nº 112, Limoges: Pulim, publicado em 12 de fevereiro de 2009 e pode ser consultado em: http://revues.unilim.fr/nas/document.php?id=2812. Acesso em 11 de março de 2012.

265. Foto: AE, 1999. Fonte: http://www.terra.com.br/noticias/especial/pc/galeria03.htm. Acesso em 15 de março de 2011. Fonte: Veja, 20 de setembro de 1992. Fonte: http://www.senado.gov.br/senadores/senador/FernandoCollor/f_presidencia.asp#, 1992. Acesso em 15 de março de 2011.

Sem dúvida a política depreendida no corpo de Collor (Fig. 25) é digna do reconhecimento da academia cinematográfica. Porte altivo, compleição atlética, semblante de quem está sempre de bem com a vida, é dessa forma que o presidente Collor de Mello surge pilotando o seu jet ski e figurativizando a mudança, ou melhor, a descontinuidade. Ele poderia estar numa fragata, mas o efeito de sentido do objeto náutico que ele escolheu para se dar a ver deslizando sobre a água, reitera de modo muito mais significativo a política adotada pelo seu governo. A velocidade é o termo axiológico que vai permear os modos de presença de Collor, de forma que, no momento seguinte, o dominador dos mares já pode ser visto saltando em terra firme como conquistador do território. Nesse caso é literalmente o corpo camuflado do personagem, afinal, não há guerra e, ainda que houvesse, o presidente não pertence ao corpo militar. No entanto, o que se observa é que Collor continuamente investe na ruptura dos limites e, dessa feita, ele vai viver o piloto de um avião supersônico, ou seja, quebrar a barreira do som.

Fig. 26 – Há um efeito de sentido sensível e ambiguo na “união” dos corpos de Collor e de Roseane, de modo que o observador “impressionado” não pode afirmar que eles acenam em despedida, até que saiba que eles não estão pedindo trégua.266

A presença acelerada de Collor é proporcional à crise econômica e política do país e isso fará com ele interrompa a sua performance de “vedete”. O termo é emprestado de

Landowski e faz remissão a uma forma de popularidade adotada pelos políticos no início da década de 80. Esse semioticista explica que “os políticos ‘responsáveis’, preocupados em ver

sua função de tal modo desacreditada, da esquerda à direita se puseram implicitamente de acordo sobre a necessidade de fazer urgentemente tudo o que era possível para reabilitar aos olhos do público ‘a política’ enquanto tal.”267 Na iminência de ser impedido de governar, Collor renúncia e o gesto derradeiro, é o corpo político do ex-presidente unido ao da mulher (Fig. 26), Roseane Collor, cada qual com um braço erguido na construção de uma única saudação. Gesto de despedida? Certamente, mas também de corpos que se fortalecem um ao outro, uma vez que o que as mãos deixam apreender está muito próximo de um pedido de trégua.

4.5 – Itamar Franco: a presidência de surpresa

a b

Fig. 27 – Itamar Franco, adepto à política orquestrada nos bastidores e avesso aos grandes espetáculos, justamente por insistir na distância entre o público e o palco, acaba se tornando um corpo “vedetizado” pelas mídias e dessa forma visto com frequência de modo delituoso pelos espectadores.268

267. Eric LANDOWSKI. Presenças do outro, p. 203.

268. Foto: Sérgio Marques, 1997. Fonte: http://www.abi.org.br/primeirapagina.asp?id=2954 . Acesso em 07 de julho de 2011.

O presidente Itamar Franco ocupa a frente do palanque do carnaval carioca entre duas mulheres (Fig. 27-a). A sua direita está uma modelo com o braço levantado, como se embalada pela música e vestida só de camiseta. Esse “flagrante delito”, que está em “o X da

questão”, quando estampado na primeira página da revista semanal de maior circulação do país, servirá de projeção para mulher de poucas roupa e expressão midiática, e de escárnio para o presidente. O gesto de Itamar, ao estender o braço e juntar as mãos em forma de receptáculo, como quem conserva um segredo, que talvez seja a veste faltante da moça, desvela um corpo completamente obsedado com a atmosfera da festa. O presidente, observado pela mulher a sua esquerda e através das lentes posicionadas a sua frente, pensa que conduz o jogo enunciativo, mas é ele o jogo na enunciação.

Com uma grande diferença, no que tange à figuratividade, mas extrema