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ROK i RM - Motivator eller religiøs budskapsbringer?

3. Staten og ROK i RM

3.2 ROK i RM - Motivator eller religiøs budskapsbringer?

Segundo Charaudeau (2007, p.271) “todo ato de um indivíduo traz consequências e, assim fazendo, inscreve-se numa cadeia de causalidade que implica outros indivíduos e outros atos”. Assim, o indivíduo reponsável deve levar em consideração os efeitos produzidos ou que podem ser produzidos por suas escolhas de ações e de palavras. No caso das mídias, Charaudeau (2007, p.271) considera que sua responsabilidade inicial é “selecionar os acontecimentos”, assimilá-lo à desordem social e construir uma “agenda do mundo midiático” que se imporá ao cidadão como sendo a “agenda do mundo social”, fora da qual não haveria acontecimento. Com isso surge um jogo de oferta, em que a oferta dita a demanda, o que leva muitas vezes a mídia a preferir anunciar uma notícia incerta a nada dizer, por considerar que o cidadão só pode consumir a informação que lhe é servida. Outra responsabilidade da mídia seria “a identificação das fontes e a prática da citação”, pois a objetividade da informação dependerá da maneira como se identifica a origem de uma declaração. Muitas vezes as declarações de origem são transformadas, especialmente nos títulos, com o objetivo de dramatizar a notícia. “Os modos de tratamento do acontecimento relatado” também são responsabilidades da mídia, a qual corre o risco de tirar a dramaticidade da informação pelo uso de redundância, como ocorre em reportagens ao vivo; ou de montagem que leva à enganação, como nos reality shows.

Em nome da credibilidade o relato midiático deve mostrar a realidade numa relação de transparência e em nome da captação deve manter o drama humano. O relato midiático vai construindo seu próprio real à medida que negocia com os imaginários do público, o qual deixa de ser tratado como cidadão, e passa a ser um espectador de um mundo fabricado e refém da mídia, cujo papel é produzir uma catarse social e criar uma “ilusão de factual, autêntico e real”, por meio de investigação do privado, do íntimo, do testemunho, persuadindo o público de que aconteceu exatamente da forma descrita. Dessa forma, a mídia cria um universo no qual o telespectador pode projetar-se e identificar-se com os heróis que ali se encontram representados. É o que Charaudeau (2007, p.273) chama de “verdadeiro verossímil”, que une “dados de ficção com a ilusão do autêntico”, que “dá um suporte de

realidade tangível às figuras de identificação da ficção”. Assim, a responsabilidade das mídias reside em escolhas e elas podem escolher inserir-se em uma “lógica comercial”, na qual se justifica o uso de relatos com efeitos dramatizantes, mas sem pretensão de informar ou em uma “lógica da democracia cidadã”, que evitará os efeitos dramatizantes, arriscando-se a perder o jogo para concorrentes.

Para Charaudeau (2007, p.256), as mídias são manipuladas por uma pressão externa e uma interna. Fazem parte da pressão externa: a atualidade, o poder político e a concorrência. A atualidade é marcada pelo princípio de saliência, que impõe uma informação sem seguimento, estando as mídias presas a uma concorrência comercial, que as obriga a ser como os outros e ser diferente ao mesmo tempo, buscando manter visibilidade de sua grade de informação. O poder político entra no jogo de manipulação com o objetivo de influenciar a opinião pública, por meio de palavras táticas, as quais as mídias se veem obrigadas a divulgar por mais que não haja uma confirmação de sua veracidade. A concorrência, por sua vez, refere-se à “automanipulação das mídias sob a pressão de suas próprias representações”, que por um lado buscam afetar o alvo da informação e por outro buscam seu próprio engajamento e autolegitimação. A pressão interna, por sua vez, surge por conta das exigências de visibilidade e de espetacularização das mídias, de modo que elas tendem a construir uma visão dramatizante do espaço público, que dificulta nossa percepção quanto a se estamos diante de um mundo real ou de ficção. Por exemplo, na imprensa, o jogo dos títulos produz um efeito de ofuscamento racional. Por isso, Charaudeau (2007, p.260) considera que os princípios de credibilidade e de captação não se equilibram nas mídias, o último ocupa um lugar mais alto, pois em vez de a mídia efetuar a troca entre ela e o cidadão, a troca que ocorrre é entre ela e a máquina econômica, a fim de sustentar sua própria promoção.

Assim, o contrato de comunicação midiático encontra-se diante de uma tensão entre os pólos de credibilidade (fazer saber - informar) e de captação (fazer sentir), e “quanto mais as mídias tendem para o primeiro, cujas exigências são as da austeridade racionalizante, menos tocam o grande público; quanto mais tendem para a captação, cujas exigências são as da imaginação dramatizante, menos credíveis serão.” (CHARAUDEAU, 2007, p.93)

Charaudeau (2007, p.87) considera que o “fazer-saber” envolve dois tipos de atividades linguageiras: a “descrição-narração”, para reportar os fatos do mundo e a “explicação”, para esclarecer as causas e consequências do surgimento dos fatos, estabelecendo, assim, uma relação com a verdade, que abrange “dizer o exato”, “dizer o que aconteceu”, “dizer a intenção” e “fornecer prova”. “Dizer o exato” significa que há coincidência entre o que é dito e os fatos do mundo exterior, de modo que a mídia terá o papel

de autenticar os fatos, ou seja, descrevê-los de maneira verossímil, de modo a fazer crer em tal coincidência. O procedimento que permite atingir tal ideal de verdade é a designação, que na mídia, refere-se especialmente à imagem (seja impressa ou televisiva), a qual faz com que se tome o que representa o objeto pelo próprio objeto. (Charaudeau, 2007, p.88) “Dizer o que aconteceu” significa que não há coincidência temporal entre o dito e o fato; o relato é uma reconstituição que buscará ser o mais fiel possível ao fato. O procedimento que permite atingir tal ideal de verdade é a analogia (“descrever o mundo segundo roteiros de verossimilhança”), que na mídia, é empregada por meio de imagens e de testemunhos. “Dizer a intenção” significa que há transparência entre o que é enunciado e o pensamento do sujeito falante, e caso haja uma ocultação (mentira ou segredo) surge a necessidade de desvendar a intenção oculta, ou seja, fazer crer que o que foi dito antes mascara o que é pensado. Quando a intenção oculta é revelada pelo próprio sujeito chama-se de confissão; quando por outro sujeito, consiste numa denúncia, tendo que apresentar provas. Os procedimentos que permitem provocar revelações são as entrevistas, os bate-papos e os debates, juntamente com investigações e pesquisas. (CHARAUDEAU, 2007, p.89) “Fornecer prova” significa “extrair dos fatos sua razão de ser”, o que envolve desencadear um raciocínio causal e assegurar sua validade por meio de provas incontestáveis. O procedimento que permite atingir essa forma de verdade nas mídias é a demonstração por meio de análise (científica ou técnica de especialistas ou peritos), investigação, e imagem. (CHARAUDEAU, 2007, p.90).

Assim, as mídias baseiam sua legitimidade no “fazer crer que o que é dito é verdadeiro”, engajadas num jogo da verdade, a fim de corresponder aos “imaginários sociais” que as questionam, e produzir efeito de credibilidade.

O “fazer sentir”, por sua vez, está voltado ao interlocutor não passivo, que não tem interesse natural pela mensagem oferecida, e por isso, precisa ser persuadido e seduzido. Assim, a mídia precisa mostrar-se credível para o público por dois motivos: porque está em concorrência com outras fontes de informação e porque ocupa uma posição institucional cujo dever é informar ao maior número de cidadãos consumidores, o mais corretamente possível. No entanto, conforme já foi dito, quanto maior for o número de cidadãos a serem atingidos, especialmente os não passivos, menos racionalizantes são os meios utilizados, tornando-se necessário mobilizar suas emoções, a fim de “desencadear o interesse e a paixão pela informação” transmitida. Para tanto, é necessário que a mídia baseie-se no “universo de crenças” e nos “apelos emocionais” que prevalecem naquela comunidade sociocultural. (CHARAUDEAU, 2007, p.91)

Enfim, pode-se concluir que a fim de conservar certa credibilidade e consequentemente legitimidade, a mídia deve atender as seguintes condições: (1) de “modéstia”, por não pretender ocupar o lugar da própria democracia ou do próprio espaço público, mas de aceitar não ser possível total transparência ou refletir fielmente a realidade, pois o acontecimento é resultado de uma construção e o que se considera uma realidade do mundo social é apenas uma “representação imaginada”; (2) de “coragem”, por um lado, por reconhecer que o alvo ao qual se dirige é uma incógnita, do qual não se pode prever as reações, por outro lado, por não ceder ao receio de perder audiência por não tratar dos mesmos acontecimentos que os concorrentes, quando é o inverso que poderia garantir a credibilidade; (3) de “inventividade”, por buscar formas de tratamento da informação que “não satisfaçam nem à ilusão de autenticidade dos fatos, nem à pretensão de querer revelar tudo, nem à corrida à emoção”, correndo o risco de perder para a concorrência que aposta tudo na dramatização. (CHARAUDEAU, 2007, p.276)