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4 TEORETISKE PERSPEKTIVER OG HYPOTESER

4.5 P RIVATEIDE SKOLER – BARE FOR NOEN ?

Ao tratar do tema da Educação Superior, privilegiamos focar na noção de Universidade, tarefa como se viu árdua, mas impossível de ser evitada nesta pesquisa, já que nossa investigação percorrerá esse universo. Então ficaram de fora dessa especulação reflexiva tópicos sumamente importantes no trato geral da educação superior e universitária, mas que não iriam desviar a condução teórico-metodológica da pesquisa, tais como docência, gestão, avaliação, dentre outros. Diante de tudo isso e retornando ao postulado tomado de empréstimo a Zabalza, da quase impossibilidade de tratar do tema Universidade tão vasto é seu alcance, podemos citar ainda a interessante constatação de Webster (2012): “uma instituição que profere simultaneamente uma infinidade e uma escassez de ideias de universidade”6.

E mesmo entre os aspectos aqui tratados, é possível aprofundar e alargar a discussão. Por certo que ainda há muito o que se ouvir, o que se dizer, o que se refletir, o que expressar sobre autonomia, extensão, indissociabilidade no nível da educação superior. Os fóruns e instâncias representativos estão instaurados, há projetos em debate e políticas em curso. O mais significativo para os propósitos dessa dissertação é que os três tópicos levantados possam ter sido vislumbrados cada qual em sua especificidade e os três, como conjunto e em relação, como uma outra especificidade, essa que caracteriza a universidade brasileira nos dias correntes.

E assim como, para os propósitos desta dissertação, não se fez necessária uma incursão exaustiva no debate acerca da universidade, também no que tange ao debate sobre teoria, pesquisa científica e método em Comunicação não ousamos uma abordagem em profundidade, o que autores como Marques de Melo e outros, inclusive por ele citados em suas inúmeras obras, cumprem exemplarmente. O que se pretendeu aqui, a partir de um dado

6 Livre tradução do o igi al: […] an institution that proffers simultaneously a plethora and a dearth of ideas of

problema de pesquisa (a ser tratado no capítulo seguinte), foi afirmar, enquanto se discute, a compreensão de que há, sim, um campo próprio de conhecimento científico da Comunicação no Brasil, um campo que, embora imaturo, às vezes mesmo confuso, engloba uma série de saberes necessários e desejados por parcelas cada vez mais vastas da população, uma população de gente comunicativa, uma sociedade comunicante. E nessa compreensão não estamos sós, como se pode ver pelas palavras de Emile McAnany (2010, p. 307):

Existem duas evoluções: a própria evolução dos meios de Comunicação, que cresceram a partir dos satélites para a Internet e agora atingem a maioria das pessoas, mesmo nas áreas rurais. A segunda é a evolução do campo de estudos da Comunicação nas Universidades. Ambos evoluíram de maneira impressionante e mostram que o Brasil está na linha de frente. As organizações internacionais de Comunicação têm sido fundamentais para o avanço dos estudos de Comunicação em toda a América Latina e no resto do mundo. O Brasil é uma das nações que tem sido especialmente ansiosa no sentido de criar uma carreira profissional internacional em ambos, nos meios de Comunicação e nos estudos da mídia.

A evolução desse conhecimento em relação ao universo discente é ainda pouco sistematizada na pesquisa nacional em Comunicação, embora com importantes avanços. Marques de Melo demonstra como as transformações ocorridas na primeira década deste século foram se refletir, por exemplo, na reestruturação da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – a Intercom, segundo ele “a organização não- governamental que reúne a maior comunidade acadêmica do campo comunicacional, na América Latina” (2011, p. 264). Ele apresenta os objetivos de reformulação, dentre os quais chamamos especial atenção para o último:

a) Estimular o desenvolvimento e o aprimoramento da pesquisa experimental nos cursos de graduação;

b) Promover o intercâmbio entre as escolas de Comunicação, professores e estudantes;

c) Apresentar à comunidade acadêmica nacional a produção dos cursos de Comunicação social no que se refere à área laboratorial das respectivas habilitações; d) Apresentar ao mercado os novos talentos das diversas habilitações de Comunicação: jovens, de norte a sul, de leste a oeste, com idéias criativas, ousadas e viáveis, verdadeiros protagonistas de uma sociedade que começa a entrar em sua maturidade. (ibidem, p. 266)

Enfim, seja no sentido de investigar a universidade em suas funções mais gerais, seja no de esmiuçar algum de seus pormenores, o fato é que esse tema tão rico oferece diferentes caminhos de enredamento teórico-metodológico, cabendo ao pesquisador a difícil decisão de selecionar os elementos que melhor sustentem sua investigação. Portanto, tudo o que não está aqui referido não o terá sido por ser considerado item de menor importância, mas porque

implicasse menor impacto sobre o objeto de pesquisa, mais relacionado com o que está por vir do que com o que já está firmemente consolidado, integrando assim uma tendência que se verifica atualmente no campo da Comunicação, em busca de inovações:

Essa tendência merece uma reflexão profunda por parte dos dirigentes das grandes escolas, que não raro fortalecem rotinas burocráticas embutidas nos projetos pedagógicos dos cursos, inibindo a liberdade de criação dos docentes e engessando a inovatividade dos discentes. Suas produções laboratoriais podem parecer modernas ou avançadas, mas no fundo constituem reproduções de produtos midiáticos sem alma, dialogando com o passado e o presente, sem captar os sinais do futuro. (Marques de Melo, idem, p. 269)

4. QUEM VEM LÁ: UMA ABORDAGEM SEMIÓTICA SOBRE A RELAÇÃO