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4 TEORETISKE PERSPEKTIVER OG HYPOTESER

4.7 O PPSUMMERING OG HYPOTESER

Como se pôde observar pelos dados analisados e discutidos nos dois tópicos anteriores, a linguagem hipermídia é uma constante entre os ingressantes, assim como outros recursos midiáticos também. O gráfico 7 abre esta parte dos resultados como uma mera representação dessa relação de fruição dos recursos midiáticos em geral na vida estudantil. Observe-se que a “novidade” internet é utilizada mais ou menos nas mesmas proporções que o “velho e bom” livro, que ganha o reforço do jornal e da revista como meios impressos. Outros meios eletrônicos também ocupam lugar de destaque na vida estudantil, principalmente os vídeos. No quesito outros, os estudantes refiram dois recursos apenas: smartphone e impressos. Isso posto, retomemos nosso foco sobre a linguagem hipermídia.

A hipermídia vai se alastrando e se fortalecendo como linguagem na sociedade por processos aleatórios, mas também por processos direcionados. Compreender como os ingressantes têm utilizado a hipermídia ajuda a identificar essa direção. Nossa investigação conduziu a dois níveis de resposta, uma relativa ao contexto da aprendizagem, outra relativa aos recursos midiáticos. Observemos essa dupla dimensão nos gráficos 8a e 8b:

29% 8% 23% 2% 10% 9% 17% 2% Internet Jornais Livros Rádio Revistas Televisão Vídeos Outros

Nas situações de estudo, a hipermídia é usada destacadamente em atividades de complementação da aprendizagem, visando aprofundar um conhecimento ou se preparar para algum tipo de aferição de aprendizagem, seja através de trabalhos, provas ou seminários. Em todos os casos, a diversidade de recursos é a tônica, com predomínio da internet. Dois dados chamam atenção na representação expressa no segundo gráfico, a referência a acervos digitais e a menção, rara na pesquisa, a redes sociais. Os acervos digitais porque nos remetem ao primórdio das concepções digitais, especialmente a Vannevar Bush. E as redes sociais porque, embora muito utilizada entre os estudantes, as redes sociais ainda não foram francamente apropriadas pelas políticas escolares, mesmo nas universidades. São apropriações que reforçam o caráter de abertura que os ingressantes demonstram diante da necessidade e possibilidade de usar a linguagem hipermídia.

Se na vida cotidiana é possível usufruir de uma série de benefícios advindos da linguagem hipermídia, pode-se inferir que na especificidade da vida de aprendiz esses benefícios também existem. A premissa se confirma e pode ser averiguada em pormenores no gráfico 9:

Alguns benefícios do uso da linguagem hipermídia observados na vida cotidiana reaparecem aqui: aprendizagem; conhecimento; facilidade e rapidez. Alguns não coincidem nos termos, mas denotam afinidade: como a noção de conteúdo aqui e a de informação no outro grupo de resposta. E se na vida cotidiana, o maior benefício é o conhecimento, na vida dos estudos os benefícios são mais distribuídos e equilibrados. No caso em análise, destacam- se: compartilhamento; facilidade e rapidez; linguagem; conteúdo. Interessante notar que nesse nível do questionamento, os ingressantes introduzem a discussão sobre linguagem, tratando de aspectos relativos à evolução das mídias.

A idéia de compartilhamento surge com força nesse quesito, demonstrando ser uma geração de aprendizes tendendo à ética cooperativa na vida estudantil. Uma cooperação ágil, que demanda facilidade e rapidez, de modo que os conteúdos possam se manter em permanente processo de atualização. Pelo gráfico ainda é possível compreender outros modos

de usar a linguagem hipermídia em favor da aprendizagem, como o cuidado em recorrer a fontes confiáveis. Dentre os dados medianos no gráfico há um que merece grande atenção: a pesquisa. Se colocado em perspectiva, esse é o conceito mais frequente em todos os níveis de resposta. Apareceu no gráfico 6, no 8a, no 9 e aparece no gráfico 10, logo abaixo. Isso deve significar alguma coisa.

Como usar a linguagem hipermídia em situações de estudo é uma questão que pede ainda muita pesquisa e aqui não se esgota. Mas alguma colaboração pode ser extraída a partir dos dados obtidos. Por exemplo, quanto a ensino-aprendizagem, elemento bastante referido entre os ingressantes, como se pode constatar na seguinte seleção de respostas:

- Em situações de estudo ela pode ser usada para pesquisas, busca de informações, para apresentações de trabalho e projetos com vídeos, por exemplo.

- Integrando formas de conhecimento com entretenimento.

- Ela pode ajudar a melhor explicar um trabalho em sala, e para estudar também. - Com aulas online e compartilhamento de arquivos.

- Para repassar informações, dados e ensinar.

- Com a hipermídia fica mais fácil de encontrar exemplos de aplicação sobre o conteúdo que você estuda, facilitando, assim, a compreensão.

Mas até onde as referências foram poucas, há colocações bastante significativas, por exemplo esta sobre conteúdo:

Hoje com a internet, podemos ter acesso a uma enorme variedade de conteúdo, de sites nacionais a blog de outros países. Claro que nem tudo na internet é cem por cento seguro, então é de grande importância outros meios de pesquisa. Mas sem dúvidas a internet é de suma importância.

O debate sobre linguagem se prolonga nesse tópico de maneira mais veemente:

A linguagem hipermídia pode contribuir para situações de estudo proporcionando interatividade de conhecimentos, facilidade de acesso e agilidade de resultados, além de proporcionar um material inovador e interessante ao estudante, o que, por consequência, irá trazer mais interesse e torná-lo um profissional atualizado e inserido no mercado do século (mercado das mídias).

Voltam também outros tópicos revelados em profundidade, pois que apareceram em mais de um nível de questão: praticidade e rapidez; fontes confiáveis; pesquisa. Como citado ali atrás, o dado sobre pesquisa é particularmente importante, porque denota um estudante muito envolvido por essa noção. Uma nova aferição que viesse a focar nesse signo, a pesquisa, talvez mostrasse que em poucas partes do texto o significado da palavra Pesquisa estaria relacionada com a pesquisa científica. Pesquisa é um modo de apreensão de informações e dados mais ou menos estruturado, que objetiva a elaborar uma plano de ideias acerca de alguma coisa. A pesquisa científica, em especial a pesquisa científica em Comunicação, como tratado anteriormente, exige uma série de cuidados e expertises que a diferenciam das demais. Talvez, grande parte dos ingressantes desconheçam o que é uma universidade, o ensino superior, as teorias e as metodologias, e por conseguinte desconheça o que é a pesquisa científica. Mas o alto índice de referências a essa forma de saber deixa a compreensão de que, no mínimo, é uma geração predisposta à pesquisa.

Finalmente, um dado interessante brota nessa derradeira questão, selando de maneira muito curiosa a análise dos dados colhidos na pesquisa, a importância da hipermídia para o comunicador em formação:

- Para nós, alunos de comunicação social, é imprescindível a adaptação e uso da hipermídia, pois é um recurso fundamental para nossas profissões, como jornalismo, publicidade e cinema, por exemplo.

- Se você não usa a hipermídia, você fica para trás; e para um comunicador isso não deve acontecer.

O conjunto dessas considerações nos leva a compreensão de outros traços de identidade do ingressante em Comunicação. Trata-se de um grupo crítico, uma vez que apontam uma série de cuidados que se deve tomar na apropriação da linguagem hipermídia em situações educacionais. Sua extensa reflexão sobre como a aprendizagem pode se beneficiar da linguagem denota uma atenção, uma preocupação imanente com as questões ligadas aos estudos, demonstrando que são um grupo com capacidade de idealizar novas

incorporações, já que a abertura para o novo é uma frequente também revelada na investigação, abertura que preenchem com movimentos frequentes de pesquisa.

Diante disso torna-se possível sistematizar a representação dos traços identitários do ingressante de Comunicação da UCB em primeiridade, secundidade e terceiridade a partir da dupla fundamentação metodológica considerada, como se mostra no quadro 7:

Quadro 7 – Traços identitários do ingressante em Comunicação no uso da hipermídia de acordo com a categorização do signo na semiótica triádica

Categoria Primeiridade Secundidade Terceiridade

Linguagem Adjetivo Substantivo Conectivo

Nível de identidade Indiferença Diferença Afinidade

Traços identitários do ingressante de Comunicação da UCB no uso da hipermídia

Primeiridade Rotineiro Multimídia Em conversação

Secundidade Interessado Produtor Pelo conhecimento

Terceiridade Abertura crítica Idealizador Com pesquisa

4.9 OUTRAS CONSIDERAÇÕES

Entre o sim e o não existe um vão Itamar Assumpção

O caráter interdisciplinar da Comunicação evidentemente se reflete em seu estatuto metodológico, exigindo do pesquisador ponderar com acurada atenção sobre qual caminho percorrer de modo a não se perder ou se diluir durante a jornada, que é sempre cheia de artimanhas. O enfrentamento de um problema em que esse caráter esteja ressaltado pede uma metodologia que contenha o pesquisador, mas que não o aprisione, que o oriente, mas não o desestimule e não o esvazie.

A semiótica triádica concebida por Peirce se revela uma alternativa poderosa nesse sentido, porque concede ao pesquisador vasta liberte em se movimentar no universo de sua amostragem, sem se desvencilhar de seus fundamentos. Como dizem Codato e Lopes (p.208), “trata-se de tentar encontrar [...] a intenção de um sujeito falante, trata-se de reconstruir um outro discurso – ou desconstruir para reconstruir –, de descobrir aquilo que não foi dito; que é murmurante e inesgotável, que percorre o conteúdo textual”.

O conhecimento formulado, equacionado em parâmetros científicos não é pior nem melhor que outro qualquer, mas exige um certo tipo de competência, de maestria, para ser fluentemente expressado, resolvido e interpretado. Por isso, a metodologia que vimos aqui vem a ser primeiramente um exercício de tal consciência científica em estado de aprendizagem no nível de uma formação em Mestrado. Não é uma fórmula, nem mesmo um modelo, mas um aporte determinante para abrir caminho para as respostas às questões que nos motivaram na consecução de nosso projeto de pesquisa, aquelas relativas ao aluno ingressante de comunicação no uso da linguagem hipermídia e sua visão de uma profissão que tem diante de si inúmeros desafios, mas também possibilidades.