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II. B Methods

IV.6 The right edge

O feedback é um elemento fundamental da prática avaliativa formativa, pois permite ao/a estudante identificar as suas dificuldades, e tentar superá-las ainda ao longo do processo. Permite tornar o/a discente responsável pela sua própria aprendizagem, além de gerar um processo inclusivo, em que o/a docente atua instigando a formação de um/uma educando/a

autônomo/a., “[...] o feedback é determinante para ativar os processos cognitivos e metacognitivos dos alunos, que, por sua vez, regulam e controlam os processos de aprendizagem, assim como para melhorar a sua motivação e autoestima” (FERNANDES, 2009, p. 60, grifo do autor).

Quanto ao feedback Hortência diz não apresentá-lo aos/as discentes, Tulipa anunciou que esse ano não se recorda de dar nenhum propositalmente. A professora Azaleia aponta que conversa com os/as estudantes sobre o caderno, provas, trabalhos, e descreve que corrige com os/as educandos/as os testes.

Por exemplo, o caderno eu tenho falado com eles, prova, quando é trabalho. Quando eu dou a prova para meu aluno, eu corrijo com eles, é como se eu tivesse dando uma aula para eles, eu nunca entrego uma prova e pronto, não dou conta disso (P. AZALEIA).

Violeta salienta que o feedback que dá aos/as seus/suas estudantes ocorre de maneira verbal.

[...] eu dou o feedback para eles verbalmente. “Olha a turma saiu bem, gostei do trabalho que vocês fizeram hoje. Lá por exemplo as equipes, gostei muito da forma como vocês trabalharam” Eu vou elogiando, também, no desenvolver das aulas. “Isso mesmo, muito bom mesmo, excelente isso que você fez, olha a turma hoje trabalhou bem, estou satisfeita, você conseguiram desempenhar da forma que eu gostariam, ou, não estou satisfeita, não foi legal o jeito que se desenvolveu, próxima aula nós vamos começar de novo.” Eu vou dando feedback dessa forma (P. VIOLETA).

Verificamos que ainda falta por parte das professoras a realização de feedback e/ou uma execução mais sistematizada. Segundo Fernandes (2009)

Os alunos precisam de orientações sistemáticas e de avaliações do seu trabalho e dos seus desempenhos que os ajudem a melhorar as suas aprendizagens, que os estimulem e que os motivem a ir tão longe quanto possível, quer reconhecendo os seus progressos e sucessos, quer ajudando a ultrapassar os seus pontos fracos (FERNANDES, 2009, p. 97).

Por meio das observações, percebemos que, muitas vezes, o feedback relaciona-se mais aos aspectos comportamentais dos/das estudantes. Compreendemos a importância dessa dimensão para o processo ensino-aprendizagem, contudo ressaltamos que o feedback deve estar presente, também, na esfera dos conteúdos. Nessa perspectiva, Fernandes (2009, p.97, grifo do autor) aponta que “[...] os alunos precisam de feedback sobre os processos e produtos de seu trabalho e acerca de seus comportamentos sociais.”

Ressaltamos que em uma prática avaliativa intencional o feedback precisa ser mais sistematizado, planejado e representar de forma mais pontual aquilo que o/a discente sabe ou

precisa melhorar, de forma que este esteja consciente disso, é uma tomada de consciência. Portanto nesta pesquisa temos, talvez, algumas aproximações de feedback, que ocorrem de forma espontânea, no próprio cotidiano e diálogo com os/as estudantes. Ainda que as docentes tenham a intenção de realizá-lo, na maioria das vezes, parece não ocorrer como um acompanhamento individualizado das aprendizagens e, sim, mais geral em relação a toda turma, sendo a esfera comportamental a que mais aparece nas observações, como podemos identificar nas notas de campo.

A professora chama um estudante que não faz as tarefas, não registra e já ficou duas vezes fora da aula na quadra porque não fez as anotações. A professora fala para ele que já mandou bilhete para a mãe dele, ela já assinou e ele não melhorou, então agora ele vai levar uma ocorrência. Ela manda levar o caderno para o supervisor (NOTA DE CAMPO, PROFESSORA HORTÊNCIA, 10/05/2017).

“Nós fizemos uma brincadeira de estátua para conhecer algumas coisas que podemos estudar na aula de Educação Física, na próxima aula nós vamos continuar trabalhando com estas imagens, vamos falar sobre elas e fazer uma outra atividade. Tiveram pessoas que na hora da atividade eu tive que chamar atenção, eu tive que tirar o D. da atividade, eu fiquei muito chateada, porque na hora que a música parava, o D. invés de fazer estátua ela agarrava o colega, ele ficava conversando, o colega tentando ver a estátua que tinha que fazer ele ficava na frente, isso atrapalha. Eu não quero ter que tirar ninguém mais da atividade.” (NOTA DE CAMPO, PROFESSORA TULIPA, 16/02/2017). A professora chama alguns/algumas estudantes e conversa com eles/elas sobre comportamento mandando bilhete para a família (NOTA DE CAMPO, PROFESSORA TULIPA, 22/06/2017).

Antes de fazer oração e chamada, a professora conversa com os/as estudantes sobre o comportamento, diz sobre uma reunião na sexta anterior. E diz que a turma está tendo problemas de comportamento com todas as aulas. A professora fala que em relação as aulas de Educação Física está tendo muita dificuldade de trabalhar com a turma (NOTA DE CAMPO, PROFESSORA AZALEIA, 22/03/2017).

A professora disse o que observou na aula anterior, que ela havia explicado o movimento e que muitos/muitas deles/delas não fizeram como ela disse. A professora fala que considerou a aula hoje boa em relação a comportamento (NOTA DE CAMPO, PROFESSORA AZALEIA, 26/04/2017).

A professora passa elogiando os/as estudantes. A docente reúne os/as discentes no meio novamente e fala que não pode acontecer o que aconteceu. “Quando terminou teve gente que não respeitou, puxou o colega, estava atrás do outro para puxar, [...], agora se eu falei que não era para fazer isso algum motivo tinha, eu queria a disputa só da dupla. As pessoas precisam melhorar outra coisa, tem gente que está assim, eu estou falando, está falando junto, não tem jeito de ter aula assim não, a criança não entende, faz coisa errada depois.” (NOTA DE CAMPO, PROFESSORA VIOLETA, 22/03/2017).

A professora pergunta quem gostou de ensaiar e fazer os passos, os/as estudantes levantaram o dedo. Ela falou que, também, gostou e que gostou da participação de todos/as, que foi muito bom. E que quem está com dificuldades não deveria se preocupar porque ainda iriam ensaiar (NOTA DE CAMPO, PROFESSORA VIOLETA, 14/06/2017).

No entanto foi possível perceber alguns feedbacks que não se encontraram na esfera comportamental:

A professora retorna à sala e fala aos/as estudantes o que falta ainda para fazerem e como eles/elas estão, dando uma espécie de feedback aos/as discentes de como foi o ensaio e o que está faltando (NOTA DE CAMPO, PROFESSORA AZALEIA, 21/06/2017).

A professora fala que tem estudantes que tem feito o trabalho bem caprichado, mas que falta elementos que mostrem a atividade descrita. “Tem desenho que ficou bem caprichado, bem colorido, mas quem olhar para o desenho e no caso não assistiu a aula, não vai entender que é pique gelo americano. Então você tem que olhar para o desenho e ele tem que representar essa brincadeira, então tem que ter cuidado com isso. Tem alunos aqui que estão fazendo trabalhos bem caprichados só que está faltando elementos que realmente mostrem que é a atividade descrita. Então antes de vocês desenharem nós não conversamos? Não relembramos como é a brincadeira? Só que teve aluno que ainda não conseguiu colocar isso no desenho, que tem que saber.” (NOTA DE CAMPO, PROFESSORA AZALEIA, 29/03/2017).

Segundo Fernandes (2009) o feedback desempenha um papel primordial na aprendizagem, pois a partir dele os/as educandos/as são sistematicamente recordados dos níveis de aprendizagem ou de em que devem chegar e ficam conscientes dos seus progressos. “[...] o feedback é indispensável para que a avaliação integre os processos de ensino e de aprendizagem e, muito particularmente, para que a avaliação assuma sua natureza formativa (p. 99). Dessa maneira, os feedbacks aqui encontrados na prática das professoras investigadas ainda são limitados, incipientes e pouco sistematizados, mas representam tentativas que podem ser aprofundadas, aproximando das práticas de avaliação formativa.

Logo, consideramos essencial para uma avaliação formativa, que professores/as reconheçam a importância do feedback para a construção da aprendizagem e autonomia do/da educando/da e busquem maneiras de ofertá-lo de forma intencional e sistematizada aos/as estudantes a fim de que esses/as percebam e saibam utilizar as informações oferecidas. Pois conforme enuncia Villas Boas (2001) uma das ações que compõe a natureza da avaliação formativa, é o/a estudante reconhecer o espaço entre os objetivos que se quer chegar e sua aprendizagem. Assim, o feedback, atua fornecendo as informações necessárias para que esse/a educando/a faça tal reconhecimento.