II. B Methods
IV.4 Finding the left edge scaling functions
O registro acerca da avaliação é uma prática imprescindível quando tratamos da avaliação formativa, pois como Tavares et al. (2015, p. 31170) afirma, registrar auxilia “[...] o professor a lembrar das participações, facilidades e dificuldades dos alunos. É por meio do registro que o professor pode refletir sobre as práticas e ajudar no redirecionamento de práticas cotidianas e nos processos de avaliação do processo de ensino e aprendizagem.” Portanto, esse elemento cumpre papel essencial no acompanhamento, na regulação e na melhoria das aprendizagens.
Se [...] quero refletir sobre o quanto os alunos avançaram em um determinado conhecimento, é importante ir anotando o que foi sendo observado assim como as intervenções que foram feitas. Essas anotações são fundamentais para o escrito do registro. Vale sempre lembrar que confiar apenas na memória não é o melhor dos caminhos. (BRASIL, 2006, p. 46).
Durante o período de observação em que acompanhamos as aulas, não percebemos as professoras investigadas realizando registros simultaneamente aos momentos de avaliação, que descrevemos anteriormente no item “Propostas de trabalho avaliativo: as práticas das professoras”. Dessa forma, buscamos investigar tal elemento de modo mais específico, perguntando às docentes durante a entrevista sobre tal aspecto.
Sendo assim, sobre os registros a respeito da avaliação, a professora Hortência, afirma registrar somente caso seja algo “gritante”. Já Tulipa, relata anotar o que acredita ser necessário retomar, repetir, o que os/as estudantes estão tendo mais dificuldades, mas diz não realizar um registro educando/a por educando/a. Azaleia, declara que não faz nenhum registro.
Então a minha avaliação mesmo é só para saber o que eles estão sabendo, como é que está andando o processo ensino-aprendizagem, eu não faço um registro aluno por aluno, mas eu tenho ideia de quem é que está se apropriando, a partir de quem está participando mais nas aulas (P. TULIPA). Às vezes eu anoto que eu preciso repetir alguma atividade com eles, como é que eles foram naquela atividade, às vezes eu, também, faço uma outra atividade para abordar mais ou menos a mesma coisa para que eles tenham condições de retomar (P. TULIPA).
Violeta enuncia que sente falta de ter um registro mais sistematizado do desenvolvimento do/da estudante, apontando não ter instrumentais específicos para tal, mas informa que realizar na própria chamada marcações com os sinais + (mais), - (menos), +/- (mais ou menos) em relação a atividades feitas nas aulas:
Eu vou registrando, vamos supor, eu fiz a minha chamada e aquela aula de hoje era uma roda de conversa, e os alunos iam ler as suas observações, eu vou marcando ali, por exemplo, eu marco um + (mais) se ele leu, participou. Esqueceu o caderno – (menos). Porque ele sabia que naquela aula ele tinha que ler. Se às vezes ele não observou da forma como eu pedi, os elementos que ele iria observar, eu ponho +/- (mais ou menos). E eu vou fazendo dessa forma (P. VIOLETA).
Além disso, ela diz que anota as dificuldades encontradas no processo ensino- aprendizagem em um caderno e/ou espaço que há na própria Estratégia de Ensino destinado a este tipo de registro.
Por exemplo, às vezes uma atividade que não deu certo, uma coisa que não foi. Então, “como tenho que fazer agora?”. Nem sempre dá para eu anotar tudo, porque eu fico a maior parte do tempo em sala de aula, se eu termino essa aula aqui e vou para outra aula em seguida e lá eu vou anotar, eu tomo tempo daquela outra turma. Então acaba que é assim, se eu tenho módulo eu anoto aquele dia, se eu não tenho deixo para chegar em casa e anotar. Chego em casa e imediatamente eu sento no computador e eu abro meu arquivo e lanço o que trabalhei e às vezes já faço, anoto no caderno o que preciso fazer para sanar uma dificuldade, um problema que aconteceu. Mas assim, sistematizado, organizado, da forma como deve ser, que eu entendo que deve ser, eu ainda não consigo fazer, por causa destes limites (P. VIOLETA). Quando você me perguntou dos registros da avaliação, a gente acaba fazendo de uma forma simplificada, pouco sistematizada, mas é até em função da própria carga horária de trabalho, nem sempre dá tempo para eu fazer tudo quanto é registro que seria ideal que eu fizesse durante o período que eu estou dando aula. Então às vezes eu estou dando aula, eu faço o que dá para eu fazer em termos de registro, mas muita coisa se perde nesse processo, porque às vezes na correria, na forma que você entra dentro de uma sala de aula, nem sempre dá para você fazer tudo, você consegue captar, apreender tudo ali, registrar o que é necessário, informações importantes, elementos importantes, que são elementos que compõe um processo avaliativo (P. VIOLETA). Evidenciamos, na fala da professora Violeta, a questão do tempo e o quantitativo de turmas e de discentes, que são fatores que limitam um registro sistemático e individualizado do/da estudante, e consequentemente se apresentam como categorias que dificultam e comprometem a avaliação na Educação Física Escolar.
Quanto a um registro acerca da avaliação diagnóstica, as professoras Azaleia e Violeta pontuam que, normalmente, não realizam registros sistematizados/formais dessa avaliação.
O que eu obtenho de resposta dos meninos ela direciona aquela sequência de aulas, não é um direcionamento aprofundado, também, justamente porque eu não faço um registro sistematizado dessas respostas para que elas possam ser objeto de análise e depois uma retomada delas (P. VIOLETA).
Eu não faço um registro formal dele, de onde a turma estava e eu entendo que talvez seja até uma lacuna do meu trabalho como professora, que seria
interessante talvez eu registrar. Para mim ela tem ficado esse olhar mais na conversa com os alunos e que eu não registro ali: a turma apresentou tal entendimento (P. VIOLETA).
Já Hortência aponta que, às vezes, anota junto ao planejamento na coluna “observações” e Tulipa afirma anotar em seu caderno de forma sucinta.
Eu anoto no meu caderno, de forma sucinta. Como por exemplo a turma que você observou é uma turma de primeiro ano do fundamental, e é a única turma de Ensino Fundamental que eu tenho, eu não tenho muita dificuldade de lembrar. Mas quando eu tinha muitas turmas, eu tinha que anotar de forma mais minuciosa, porque eram várias turmas do mesmo ano, ou anos diferentes. Mas ela é a única turma de Ensino Fundamental que eu tenho atualmente, então para mim é mais fácil lembrar. Mesmo que eu não anoto muito detalhadamente no caderno (P. TULIPA).
Portanto, percebemos aqui que ainda falta a realização de registros mais sistemáticos e individualizados dos/das estudantes por parte das docentes em relação aos processos avaliativos. Entendemos que o registro é um elemento importante, quando se trata de uma avaliação formativa, pois, assim, é possível acompanhar mais fidedignamente a evolução dos/das discentes, bem como suas dificuldades e potencialidades. Pode ficar comprometido o processo avaliativo quando este não é realizado, à medida que não será possível ter-se um panorama mais específico de como está cada discente no que tange a suas aprendizagens.
É importante lembrarmos, também, que não adianta fazer os registros, se não há intencionalidade acerca das anotações, seja para refletir sobre os avanços dos/das estudantes, (re)direcionar os processos de ensino e aprendizagem, oferecer feedbacks, entre outros, para que esses registros se caracterizem como práticas de avaliação formativa
No entanto, compreendemos que existem fatores que restringem a realização desses processos de registros de maneira mais sistemática, regular e individualizada. Podemos citar aqueles relacionados com a questão do tempo e com o quantitativo de turmas e discentes, conforme foi percebido na fala de Violeta. E outros, relacionados ao pouco conhecimento, compreensão e preparação das professoras sobre a avaliação formativa, bem como as escassas discussões sobre avaliação e em específico avaliação formativa no grupo Lecef e em outros contextos, que, também, se apresentam como limites para a realização de práticas formativas de avalição.