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RETTIGHETER OG ANSVARLIGHET

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9. BEGRENSNINGER OG MULIGHETER

10.4 RETTIGHETER OG ANSVARLIGHET

Retomando nossa enumeração dos fatos, passamos agora a trabalhar com o argumento de que a cidade passou por momentos difíceis durante a epidemia de peste bubônica. Após a constatação de que a “estranha moléstia” tratava-se da peste transmitida por ratos, iniciou-se o combate a epidemia que consistia em tratar dos contaminados, o que foi feito através do hospital de caridade, do lazareto, dos atendimentos nas casas dos doentes. As medidas profiláticas dividiram-se em: isolar possíveis doentes no lazareto, também em uma ala do hospital de caridade e os que preferissem ficar em suas residências seriam vigiados por uma força policial:

O serviço está dividido em patrulhas. Toda e qualquer pessoa sobre a qual possam recair suspeitas de enfermidade de tal caracter, será logo isolada e ficará em

observação medica durante o praso da incubação do micróbio.15

[...]

O isolamento é completo, collocadas as sentinellas na frente, findos e lados das casa, quando estas precisem , de fôrma que as mesmas não venham a ter communicação com a rua. As praças devem manter-se a distancia, dando suas ordens ás pessoas que se approximarem ou tentarem sair, e, no caso de serem desobedecidas, ficam autorizadas ao emprego de violência para control-as e o commandante da guarda as mandará apresentar logo ao director do serviço, para que sejam de prompto isoladas”.16

Com isso, podemos notar a tamanha importância que os órgãos públicos deram a esta moléstia, pois praticamente todos os setores importantes da sociedade foram chamados a ajudar. No caso de Santa Maria contou-se com a ajuda do exército, Viação Férrea, profissionais da medicina e policias locais. Em poucos dias, segundo nossas fontes, o “mal” havia sido debelado. Mas não sem antes mergulhar a cidade no caos provocado por um

15 O DIÁRIO DO INTERIOR, 6 de agosto de 1912, p.3. Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria (AHMSM)

16 O DIÁRIO DO INTERIOR, 6 de agosto de 1912, p. 4. Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria (AHMSM)

acontecimento inesperado. A aparição de uma doença que trazia em sua bagagem um poder destrutivo tão aterrorizante como a peste negra o foi durante o século XIV.

Além do medo de que a peste se alastrasse, não podemos esquecer que: “as noções de contágio evocavam espectros de poluição e impureza.” (PORTER, 2001, p.104).

Por isso não poderemos deixar de explicitar as ações dos responsáveis pelas medidas profiláticas, com relação aos locais em que se deram os focos pestosos. Estes locais foram queimados, os pertences de seus habitantes foram desinfectados, as pessoas que mantinham contato com estas ações, ficavam separadas do resto da população. Em nossa descrição dos fatos trabalhamos com a aparição da peste, os primeiros doentes, algumas medidas tomadas pela administração do município, além da explicitar os principais focos da doença e os primeiros doentes. No intuito de reforçar nossa argumentação do “medo” que a peste trouxe para Santa Maria não poderíamos deixar de lado também o comportamento da população, ou seja, quais as suas reações aos devidos acontecimentos.

Tal qual no pânico medieval, a peste do mês de agosto, em pleno inverno gaúcho, provocou uma série de medidas, as quais estão demonstradas no documento subscrito abaixo:

“3 de Agosto Medidas Profiláticas

O Serviço de combate a moléstia começou no dia 4 quando já haviam morrido 12 pessoas e 5 estavam com o gérmen do mal em incubação.

Entre as medidas tomadas estão:

1° Isolar os prédios onde se deram os casos de peste;

2° Reduzir ao menor número possível as pessoas em contato com os doentes;

3° Instruir essas pessoas a respeito dos meios tendentes a evitar, quanto possível, que o mal lhes fossem transmitido.

Os meios aconselhados foram:

a) Uso de uma pasta de algodão colocado sobre o nariz e a boca e fixada por uma tira de gaze.

b) Lavagem meticulosa e desinfecção das mãos depois dos contatos suspeitos. c) Roupas especiais para entrar no quarto dos doentes.

d) Cuidados particulares para evitar a contaminação dos alimentos que lhes eram destinados.

e) Evitar o levantamento de poeira, que pudesse conter o gérmen do mal e reduzir ao mínimo possível as relações dos enfermeiros com as demais pessoas existentes nos prédios isolados.

4° Hospitalização dos casos novos, quando possível;

5° Desinfecção dos prédios contaminados e de tudo quanto dentro dele se achasse e larga distribuição de pó de piretro;

6° Injeção preventiva de soro anti-pestoso naqueles que se houvessem arriscado ao contágio e quisessem sujeitar-se a essa medida pereventiva.

O Bispo Diocesano, encarregou um único padre de prestar os socorros espirituais aos enfermos.

Quanto aos doentes que não quiseram ser hospitalizados, ficavam em suas casas. A família Correa, se retirou para uma chácara na Caturrita e com a do Snr. Coronel Regulo de Moraes.

Outros que não tinham onde se hospedar, ficaram em setor isolado do Hospital. Êxito letal da moléstia, nenhum sistema de tratamento ou escola médica foi imposta aos doentes. Deram-se ao todo 20 casos e vinte mortos sendo que os doentes foram tratados por vários médicos e pelos mais diversos meios”.17

Mas ao que nos parece parte da população não acreditou em tais medidas. Visto que encontramos nas páginas do O Diário do Interior a seguinte chamada: “êxodo das famílias”, o que nos serve como comparação ao comportamento dos habitantes da Europa medieval:

Como medida de prevenção contra possíveis infecções da peste reinante, numerosas famílias aqui residentes têm abandonado a cidade, partindo para a campanha do município, fornyeira e interior do Estado. Os trens têm partido repletos de passageiros, chegando a ser insufficientes os carros para atender ao grande numero de pessoas que desejam embarcar.18

[...]

Todos os collegios desta cidade, em virtude da peste reinante, suspenderam suas aulas. Estas só serão reabertas após o desapparecimento completo da peste. Foi uma medida de grande alcance, utilíssima e que só applausos póde merecer19.

17 Expurgo do Relatório apresentado ao Illm_o Doutor Ricardo Machado, Director de Hygiene do Estado, pelo Doutor Astrogildo de Azevedo, Superintendento do Serviço de Prophylaxia da Peste Pulmonar em Santa Maria, 1918, p.9

Fonte: Acervo Museológico da “Casa de Memória Edmundo Cardoso” (CMEC) Organização: Flavia Prestes

18 O DIÁRIO DO INTERIOR, 7 de agosto de 1912, p. 2. Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria (AHMSM)

19 O DIÁRIO DO INTERIOR, 7 de agosto de 1912, p.3. Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria (AHMSM)

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