8. BARN I INNVANDRERFAMILIER
8.1 HVA BETYR DET FOR BARNA AT FORELDRENE ER I ARBEIDSRETTA
TABELA 2.2 - Alforrias em Alegrete conforme o sexo e dividido por décadas, 1832-1871
Homens % Mulheres % Total %
1832-1849 37 38,1 60 61,9 97 39
1850-1859 25 33,3 50 66,7 75 30,1
1860-1871 35 45,5 42 55,5 77 30,9
Livros Notariais de Transmissão e Notas, Alegrete, 1832-1871, APERS. Livros Notariais de Registros Diversos, Alegrete, 1832, 1871, APERS.
Livro de Batismos da Capela Curada Nossa Senhora Aparecida de Alegrete, 1816-1840, Diocese de Uruguaiana.
Impressiona como a porcentagem de alforrias era uma constante. Se no primeiro recorte há 39%, é por que nele foram agregadas as 20 manumissões da década de 1830, mais seis concedidas na pia batismal107. Sem elas, os números seriam extremamente parecidos com os dos outros decênios. Outro elemento é de que as mulheres sempre foram a maioria, chegando a representar 66,7% dos libertos entre os anos 1850-59. Os homens são mais representativos apenas no último período, onde alcançam 45,5% das alforrias.
Entre 1834 e 1850, Araújo108 localizou 55,8% das alforrias para mulheres, sendo esta a maior diferença entre elas e os homens, os quais entre 1860 e 1869 chegam a 50% no município estudado pelo autor, ou seja, tanto em Alegrete quanto em Cruz Alta há um aumento significativo de homens forros na década de 1860. Isto é tanto mais impressionante quando pensamos que, nesta época, a população escrava tendia apresentar uma razão mais equilibrada entre os sexos (52% de cativos e 48% de cativas de acordo com os inventários109).
Dessa forma, até 1859, quando havia mais homens, se alforriava mais mulheres. Depois, quando os números estavam equilibrados e já era difícil conseguir escravos homens no mercado, as alforrias tendem ao equilíbrio. Não deixando de levar em conta a influência dos interesses dos senhores nas transformações dos padrões das manumissões, qual a razão das mudanças nas estratégias dos escravos? Por que antes de 1860 as mulheres, minoria na população cativa, eram mais alforriadas? E por que na década 1860, ou seja, período onde o filho de uma escrava ainda nascia nesta mesma condição, há uma elevação no número de homens libertos, apesar dele ainda não ultrapassar o de libertas?
Já a quantidade menor de alforrias (172 até 1859) em relação aos libertos do censo de 1859 (209), pode ter mais de uma razão. Primeiro, como eram contados os libertos: todos os
107 Os registros de batismo foram analisados apenas até o ano de 1840, ou seja, possíveis libertos desta mesma
forma, após esta data, não estão computados aqui.
108 ARAÚJO, Thiago Leitão de. Escravidão, fronteira e liberdade: políticas de domínio, trabalho e luta em um
contexto produtivo agropecuário (vila de Cruz Alta, província do Rio Grande do Sul, 1834-1884). Porto
Alegre: PPGH/UFRGS, 2008, p. 151. (Dissertação de Mestrado)
que a isso alcançavam em comum acordo com o senhor (tendo já a concessão)? Também aqueles em pia batismal e em testamento? Ou apenas os que tivessem a carta de alforria registrada? Por outro lado, a diferença podia decorrer de uma pouco provável mobilidade escrava, onde o cativo alforriado em outra localidade, migrava para Alegrete; ou mesmo um erro do censo realizado, dado a precariedade de instrumentos da época110.
As crianças libertas na pia batismal foram cinco meninas e um menino. É interessante notar que no texto dos seis batismos o senhor diz claramente que está libertando o escravo por livre e espontânea vontade, talvez para prevenir uma futura reclamação, após sua morte, por parte dos seus herdeiros. Para emprestar maior credibilidade, ele assinava – ou pedia para alguém fazê-lo caso não soubesse escrever, junto com o pároco, como no caso da forra Candida:
“[...] forra na Pia por sua Senhora Ricarda Maria do Nascimento que compareceu e disse que forrava muito de sua livre vontade, e pediu ao Senhor Bastos que por ela assinou por não saber escrever”111.
Por fim, é importante mencionar que em todas as manumissões na pia batismal a mãe permaneceu escrava e em nenhum dos casos houve o registro posterior em cartório.
Cor e nacionalidade
A cor dos alforriados aparece em pouco menos de metade dos registros, mais precisamente em 107, percentual (43%) maior que o encontrado por Araújo112 para Cruz Alta (33,7%). Entretanto, este elemento terá maior importância para o próximo item analisado. Deste modo, nos documentos em que consta esta característica, os números são estes:
110 Mais intrigante ainda, se levarmos em conta que segundo o Quadro da População elaborado em 1848 a partir
das listas eclesiásticas, em que haviam falecido 43 pessoas entre “livres e libertos” (18 do sexo masculino e 25 do feminino). Com certeza, alguns destes eram forros. Informação em: FEDERAÇÃO DE ECONOMIA E ESTATÍSTICA. De Província de São Pedro a Estado do Rio Grande do Sul - censos do RS 1803-1950. Porto Alegre: FEE, 1981, p. 62.
111 Livro de Batismo da Capela Curada Nossa Senhora Aparecida de Alegrete. Livro 2, folha 13. Arquivo da
Diocese de Uruguaiana, 1816-1840.
TABELA 2.3 - Alforrias em Alegrete quanto a cor, 1832-1871
Cor Pardos Mulatos Pretos Pardo/mulato
Preto/pardo Negro Cabra s/r Total
Números
absolutos 64 13 20 6 2 2 142 249
% 25,7 5,3 8 2,4 0,8 0,8 57 100
Livros Notariais de Transmissão e Notas, Alegrete, 1832-1871, APERS. Livros Notariais de Registros Diversos, Alegrete, 1832, 1871, APERS.
Livro de Batismos da Capela Curada Nossa Senhora Aparecida de Alegrete, 1816-1840, Diocese de Uruguaiana.
É interessante notar que em relação à referência direta se o alforriado era africano ou crioulo113, a quantidade de registros em que não aparece este último aspecto (109) é menor do que o número de documentos onde não há referência à cor do cativo. Para o que isto aponta? Que a origem era mais importante que a cor do indivíduo? As informações referentes à origem são estas:
TABELA 2.4 – Africanos e crioulos nas alforrias de Alegrete, 1832-1871
Números absolutos %
Africano 63 25,3
Crioulo114 77 30,9
s/r 109 43,8
Total 249 100
Livros Notariais de Transmissão e Notas, Alegrete, 1832-1871, APERS. Livros Notariais de Registros Diversos, Alegrete, 1832, 1871, APERS.
Livro de Batismos da Capela Curada Nossa Senhora Aparecida de Alegrete, 1816-1840, Diocese de Uruguaiana.
Como vemos, no que diz respeito à referências diretas, há um equilíbrio entre africanos e crioulos. Contudo, quando agregamos os forros em que consta a cor (como pardo, mulato e cabra – designação utilizada apenas para crioulos) e a naturalidade (alguma província brasileira) aos crioulos, o número destes últimos aumenta consideravelmente, praticamente dobrando (de 77 passa para 148). Retirados os 38 registros onde não há referência alguma, os números ficam assim (separados por sexo e conforme o recorte temporal aqui utilizado):
113 Segundo Mariza Soares foi ao longo do século XIX que se generalizou o uso da palavra crioulo para todos os
afro-descendentes, libertos ou nascidos livres. Informação em: SOARES, Mariza. História cruzadas: os mahi
setecentistas no Brasil e no Daomé. In: FLORENTINO, Manolo. Tráfico, cativeiro e liberdade: Rio de Janeiro,