Trinn 4. Syntese ‒ fra kondensering til beskrivelser, begreper og resultater
5. RESULTATSAMMENDRAG
fotógrafo enquanto criador para dar ênfase a uma determinada mensagem?
Tem a ver com a perceção de cada um tem do real. É um espelho porque fica o registo de determinado momento factual, que daqui a cinquenta anos alguém vai ver e saber como se vivia ou que existia. Nesse aspeto, acho que sim, que há um registo do real, uma espécie de espelho. Mas depois deve haver uma interpretação e é bom que a haja, pois significa que o fotógrafo se implicou e que foi buscar aquilo que sentia. 10 - Em que situações o compromisso com a verdade do jornalismo pode ser ameaçada pela fotografia?
No fotojornalismo há coisas que não são permitidos: a manipulação da imagem, que não o tratamento. Pôr ou tirar elementos é crítico.
11 - Enquanto fotógrafo, como é que se relaciona com a constante “concorrência”, imediaticidade e fugacidade das imagens televisivas? E como encara o desafio de
prender a atenção do observador/público num fotograma estático, em contraponto à imagem em movimento da televisão?
Não vejo como concorrentes. Podem ter um contributo importante, mas nunca a fotografia será o vídeo, nem o vídeo a fotografia. São dois registos com linguagens diferentes. É claro que se consome mais televisão e os jornais apostam menos na fotografia. Há aí um círculo vicioso complicado, mas são dois registos diferentes. Não podemos colocar uma televisão na parede para ter uma atitude contemplativa e ver aquele momento inúmeras vezes e numa imagem podemos.
12 - Até onde está disposto a ir quando se trata de obter uma fotografia exclusiva? Gosto de estar à vontade quando estou a fotografar. Há coisas que fiz durante muitos anos e que não têm nada de mal, mas eram, por exemplo, Carlos Cruz a sair ou a entrar no TIC. São trabalhos que odeio. Se puder não fazer, não faço. Só se por questões de dinheiro tiver de fazer esse tipo de trabalho, farei. Eticamente, não é incorreto. Se tiver de investir num trabalho mais pessoal, será diferente. Não estou disposto a ir a lado nenhum para roubar imagens até porque elas nunca ficarão bem. Agora para obter uma imagem única, sou capaz de ler muito antes sobre o tema que vou fotografar. Aquilo que está cá dentro é muito importante para o sentimento que se transmite na imagem – que é aquilo que não sei explicar por palavras. Depois, isso também tem a ver com os dias, com a sorte e com a situação. Se aquilo que pensámos fazer se proporciona ou não. Não ando a pensar se consigo a melhor imagem; aquilo tem é que bater certo.
13 - A fotografia tem sido valorizada nos jornais e na revista onde tem exercido funções desde que começou a trabalhar como fotógrafo? Se tivesse de afirmar, de zero a cem, que espaço tem sido dado ao artigo escrito e que espaço tem sido concedido à fotografia, que percentagem atribuiria para cada um dos componentes da notícia?
Acho que valorizavam, mas outra coisa é o espaço que existe para a fotografia, ou seja, conciliar o espaço que existe para o texto e o que é reservado à fotografia. Embora já não tenha sido nos melhores tempos, pois apanhei o princípio da queda, quando entrei no Público, foi um excelente momento, pois tínhamos obrigação de trazer imagens fortes. Na Visão, apesar de ser um estilo de fotografar menos aberto, eles obviamente que valorizam muito a imagem. Não é só para encher buracos.
É muito difícil quantificar, mas acho que desceu brutalmente. Se antes era cem, as revistas praticamente todas tinham portfólio, agora deixaram de ter. O espaço que os fotojornalistas perderam na imprensa é brutal. Hoje em dia, esse espaço só existe em algumas revistas dominicais. Não há investimento. Ninguém diz: “Vais estar dois dias a fazer um trabalho”. A fotografia ainda é pouco valorizada. Mesmo as pessoas que trabalham com os fotógrafos há décadas acham que aquilo é só carregar no botão, e não é. Depois, desvalorizam a própria imagem. Porque acham que se há uma imagem, posso pô-la num sítio. E não é assim. Mas continua-se a valorizar a boa imagem na Visão.
14 - Considera que o trabalho do redator condiciona o seu trabalho fotográfico ou, pelo contrário, por norma, funciona como um todo, um bom trabalho de equipa? Esse é um eterno dos fotojornalistas portugueses. Apercebi-me disso pela primeira vez quando fui a Perpignan, ao Festival Internacional de Fotojornalismo, em França. Muitos dos profissionais que estão ali são fotojornalistas: eles elegem os temas, vão aos sítios, independentemente de escrever ou não – e muitos até escrevem. Nós, aqui, habituamo-nos à história de que o redator é responsável por tudo o que tem a ver com a parte logística e nós só temos de ir lá disparar. Depois, quando as coisas não correm bem “dizem que foi porque o colega não combinou aquilo como devia de ser”. Acho que temos um pouco a culpa pela própria maneira como a coisa funciona. Não nos é dado, nem somos incentivados a que as coisas corram em equipa. Depois, cada caso é um caso. Há redatores com quem trabalhamos muito bem em equipa. Há redatores que querem saber o nosso ponto de vista, o que é que achámos da conversa com esta pessoa e há outros que acham que são “os senhores” e têm tendência a condicionar o nosso trabalho e a tentar dizer aquilo que devemos fazer. Também tive a sorte de estar em sítios onde os fotojornalistas sempre tiveram uma margem de manobra grande, cada um faz o seu trabalho e se houver uma margem de informação maior, melhor.
15 - Na sua opinião, a fotografia é mais valorizada na imprensa internacional ou o tratamento dado pelas escolhas editoriais é o mesmo que nos media portugueses? Vê-se um bocadinho por todo o lado. Nem sempre existe respeito com os enquadramentos. Corta-se como dá jeito. Embora nas principais publicações de referência, a imagem continua a ter um papel extremamente importante. O nosso
futuro como fotojornalistas e documentalistas, que é um bocado por onde estou a enveredar, não se pode sustentar na imprensa.
16 - Geralmente, a escolha da legendagem das suas fotografias é da sua autoria do editor de secção. Alguma vez aconteceu a legenda publicada alterar o sentido conotativo e denotativo da imagem?
Isso aconteceu de uma forma assumida quando estive n’O Independente. Houve uma altura em que Miguel Esteves Cardoso esteve como diretor do jornal e entraram numa maluqueira completa, em que se achava que as imagens não deviam ter nada a ver com as notícias. Iam buscar quaisquer imagens porque aquilo era um fait divers, etc. A determinada altura, recusei que as minhas imagens fossem utilizadas dessa maneira. Aquilo não tinha nada a ver com jornalismo e era uma vergonha. Lembro-me de uma coisa que fiz para a Visão Viagens. Há uns tempos, publicaram imagens de uma praia, que eu falava no texto do file info, e eles colocaram a legenda de uma foto que pertencia a outra praia. É irritante porque sou muito rigoroso. Mais vale não pôr informação, do que colocar coisas erradas.
17 - Que alterações verificou desde o aparecimento da fotografia digital comparativamente com quando trabalhava no analógico?
Várias. Do ponto de vista técnico, há uma coisa muito importante: a partir do momento em que apareceu o digital, a fotografia deixou de estar associada a dinheiro. Este trabalho sobre a Guerra Civil, que estou a fazer por minha conta, se tivesse de pagar negativos, perder tempo a revelar e a digitalizar não seria possível, pelo menos, com a quantidade de coisas que fiz. Há esse ponto que altera completamente as coisas. Depois, tem a grande vantagem da imediatez; consegue-se controlar muito melhor o que se está a fazer. Eu trabalho muito com retrato, com flashes externos e consigo controlar muito bem a luz que quero. No entanto, também se criou um pouco a ideia, que acho falsa, de que isto é digital e qualquer um é fotógrafo. Dou o exemplo do padeiro e do serralheiro. Podem-me dar uma farinha fantástica e, provavelmente, o pão que sai será uma porcaria. Agora, damos uma farinha que não presta a um padeiro e um forno mau e ele consegue fazer um pão bastante razoável. Portanto, não são as máquinas que fazem as fotografias; são as pessoas. Obviamente que se eu tiver uma máquina digital, tenho mais probabilidades de ver a imagem e ver automaticamente o erro que cometi e, tendo algumas noções técnicas de como é que se vai chegar à
fotografia, tentar corrigir. É mais prático. Quando apareceram as películas nos anos 30 também se achava que qualquer um era fotógrafo e não era verdade; nunca foi e nunca será. A fotografia tem especificidades e as pessoas têm de saber como é que as coisas funcionam.
17a) - Passou a haver mais pessoas a fotografar…
Sim. Quando comecei a trabalhar, em 1996, não existia mercado freelancer, em Portugal. Hoje em dia, o mercado freelancer é uma parte significativa do fotojornalismo que se faz no País. Aliás, basta ver o Prémio Estação-Imagem. Uma boa parte dos prémios é de pessoas que são freelancers. E há realmente trabalho de pessoas que estão a trabalhar neste regime que tem bastante qualidade.
18 - Ao editar as imagens para as preparar para publicação, que alterações costuma fazer nas fotografias?
Revelei muito em laboratório e, portanto, antigamente, tínhamos o negativo e se fizéssemos as coisas corretamente, expúnhamos a nossa imagem, pensando no tratamento que íamos fazer em laboratório. Se fizéssemos uma impressão, tipo é o tempo correto e já está, aquela imagem não seria, com certeza, tão interessante do que se a interpretássemos, no sentido em que, se calhar, revelar detalhes e pormenores. Sempre se fez. Todas as fotografias do World Press Photo são muito tratadas, o que não quer dizer que sejam manipuladas. Portanto, isso é uma discussão que tenho com Luís Vasconcelos, porque ele é mais purista. Considero irreal entrar nesse puritanismo porque acho que não foi assim. Não tem sentido porque é digital “só tem de dar contraste e sharp e já está”. Até porque neste momento estamos a fotografar em Raw porque é um ficheiro que não está processado e que é muito mais neutro. Ver um ficheiro Raw no original, e por muito que a imagem esteja bonita e bem conseguida, aquilo é desinteressante. A vantagem do Raw é depois ter latitude para ir buscar o que queremos. Não convém entrar em radicalismos, caso contrário, não tem sentido. Sempre se fez.
Estou há vários a desenvolver um longo projecto sobre o qual praticamente não saiu nada sobre a Guerra Civil Espanhola e, em especial, o franquismo. Em 2009/10, parei um bocado, mas agora fiz uma coisa onde se exumaram cinquenta cadáveres, num cemitério. Entretanto, tinham aquilo em caixas, à espera dos ADN e tinham sido encontrados vários objetos. Decidi fotografar vários objetos e os crânios das pessoas a
quem esses objectos pertenciam. A ideia é personalizar. Estas pessoas sofreram determinadas consequências. Estava numa sala que tinha duas janelas; pus um pano preto sobre a janela que estava a fotografar. Portanto, a luz que tinha era de uma janela que estava ao fundo, ou seja, tinha uma luz com muito pouco contraste. Depois, utilizava uma lanterna para pintar os crânios, com exposições longas de quinze e trinta segundos, etc. Tinha aquilo ligado ao computador e ao Lightroom, no qual se tem hipótese de ver de imediato a imagem, fazer um tratamento e atribuir esse tratamento à imagem que estou a fotografar. Tinha uma luz muito pouco contrastada, o que não teria muito interesse. Então o que fiz? Meti-lhe muito preto e pouco mais. Se apresentasse aquela imagem tal qual fotografei, não tem muito interesse.
19 - Até onde a edição da imagem deve ser permitida?
Como já respondi antes: para tratar a imagem, mas não para manipular, tirando ou acrescentando coisas.
20 - Considera que a edição de imagem está a abalar a crença que o público deposita na fotografia?
É conhecido que os jornais desportivos têm sempre umas bolas para pôr aqui e ali; isso é obviamente manipulação. Pode não ser grave, mas é aí que começa a história. Onde é que começa o grave e onde é que termina. O problema é esse: onde está a fronteira? E não está, não pode estar. Vai haver uma mudança radical nos jornalistas. O Photoshop é um programa que se presta à manipulação e nós não precisamos disso. Enquanto, o Lightroom faz tratamento. Pessoalmente, tenho vindo a dar um tratamento mais específico e a apurar o próprio tratamento dado às imagens.
21 - Como encara a concorrência dos chamados «jornalistas-cidadãos», que cada vez mais conseguem divulgar as imagens recolhidas de acontecimentos inéditos nos media online?
Não vejo como concorrentes. Podem ter um contributo interessante, mas não vejo que seja possível alguma vez o cidadão tirar o papel ao jornalista. Se a situação descambar para aí será muito mal sinal. O que não quer dizer que o jornalismo não se esteja a deixar condicionar por certos interesses – e sei muito bem como funciona, em termos de redações e em termos de critérios de eleição de temas, etc., etc., que é um argumento que fico completamente histérico quando me dizem “as pessoas não querem ler isso”. Acho isso de uma presunção brutal, por mais diretor que se seja,
para saber o que é que as pessoas querem ou não querem. Portanto, há uma crise de identidade, um recurso abusivo e facilitista à Internet; há claramente um desinvestimento nos meios e a investigação está cada vez mais posta de parte, porque a investigação implica dinheiro, embora se possa dosear os custos e fazer coisas com pouco dinheiro – tenho feito coisas com pouco dinheiro e sei que é possível fazer. Agora, não há milagres.
22 - Por que motivos as editorias recorrem cada vez mais a fotografias de agência e não dos profissionais da redação? Essa opção não poderá revelar uma desvalorização da própria imagem, da importância que esta deve ter no quotidiano das notícias e do próprio trabalho de autor?
Não há dinheiro. Há um desinvestimento, como já referi. Mas há agências que têm excelentes fotógrafos e fotografias. Agora, não é um trabalho personalizado. O fotojornalismo e os fotojornalistas que se estão a destacar são os que não trabalham nas redações. São aqueles que apostam o seu tempo e desenvolvem um trabalho pessoal. Nas redações, os profissionais estão muito desincentivados porque não têm a margem que deveriam ter para investigar e propor os seus trabalhos. Há um afastamento do compromisso do jornalista com a sociedade e é esse o nosso papel. O nosso papel vai muito além do de contar o que acontece. De certa forma, o nosso papel é pedagógico, obviamente, com peso e medida.
23 - Nos próximos anos, a fotografia irá ser valorizada ou a tendência é para haver uma deterioração da profissão e do uso da própria imagem? Justifique.
O fotojornalismo tal qual ele existe nas redações vai-se manter. São precisas imagens para ilustrar os textos. Por muito documentalista que se seja, tem uma função específica; tem de ser bom e funcionar, mas o cunho pessoal é sempre limitado. Essa parte manter-se-á, mas a outro nível. Eu estou a tender mais para a fotografia documentalista, tal como há fotógrafos de agência que nunca farão isso nem nunca terão necessidade de o fazer porque o que eles gostam é de assuntos como a Assembleia, Carlos Cruz, etc. Nisso trabalhei dez anos, mas se puder não voltar a fazer como forma de vida não me importo nada.
24 - O seu trabalho tem sido monetariamente valorizado?
Não. Há dez anos pagava-se melhor do que hoje. Não é proporcionalmente, mas efetivamente.
25 - Os grupos de comunicação têm sabido aproveitar as novas oportunidades tecnológicas?
Pelo que conheço, o iPad pode ser, sem dúvida, um suporte muito bom para divulgar o trabalho de fotojornalistas. Estão a começar porque têm de entrar porque se não tiverem são a menos do que…, mas falta muito caminho para percorrer. Há uma coisa em que não se investe, mas deveria acontecer que é na formação.
25a) – Que trabalho documental se encontra a desenvolver há vários anos, em Espanha?
Há muito tempo que tinha a intenção de trabalhar por minha conta, mas não sabia qual era o percurso que queria fazer. Quando cheguei a Espanha, em fevereiro de 2006, comecei a realizar algumas reportagens, a escrever. Fiz um trabalho engraçado sobre a célebre foto de Robert Capa. Conheço bem o tema. Comecei a informar-me sobre os movimentos militares daquele dia e nada daquilo bate certo; nem a hora, para além de que Federico Borrell Garcia foi identificado pelo Bretons por causa de umas cartucheiras. Com base em outras investigações, descobri que a 23 de setembro de 1936 são publicadas duas imagens, dois milicianos no chão, para além de que o fotógrafo está mais perto do tiro do que a pessoa que é alvejada. O que também é estranho. No entanto, há um artigo publicado, em 1937, de um indivíduo que esteve Cerro de la Coja, que descreve a morte do Frederico Borrel Garcia, às quatro da tarde ao pé de uma árvore, numa colina que é em frente ao Cerro de la Coja. Ora, a fotografia, pela sombra, a ter sido feita naquele lugar, terá sido captada pelas dez da manhã. Depois, há várias coisas que não batem certo. Os próprios movimentos militares. Esta minha investigação foi publicada na Visão, ainda sem as novas informações. Entretanto, há cerca de dois anos, encontrou-se a mala mexicana e, embora nunca tenha aparecido o negativo original, apareceram vários negativos da mesma sequência e consegue-se identificar a paisagem de fundo, que na imagem que é conhecida não se consegue identificar. Das imagens que se descobriram, há uma em que estão vários milicianos agachados com espingardas e em que se vê claramente tudo e se identifica uma paisagem que se encontra a cinquenta quilómetros do sítio onde supostamente Capa diz que a foto foi tirada. Não se sabe exatamente quando é que o Capa esteve naquele sítio, mas sabe-se que quando ele esteve ali não havia combates. Há uma mentira de base que é ele dizer que foi num sítio que não foi. Ele
esteve lá nesse dia, mas o que fotografou foi a fuga das pessoas porque estavam a começar a bombardear pelos ditos “nacionais ”que atacavam uma posição republicana. Capa encontrava-se ali por que estava do lado dos republicanos e queria publicar uma vitória republicana. Capa fotografa a fuga das pessoas e depois mete junto as fotos dos milicianos que são feitas a cinquenta quilómetros, noutro dia completamente diferente. O Capa tinha muita aldrabice. Muito melhor fotógrafa que ele era a sua namorada. Tecnicamente punha o Capa no penico. Para já, começou com uma mentira e fazia muito marketing à volta dele. Para já, começou com uma mentira: o nome verdadeiro dele não é esse.
Comecei com esta história, depois li mais sobre o tema e interessei-me cada vez mais. A sociedade espanhola continua a ser profundamente marcada pela Guerra Civil, mas concretamente pelo franquismo. As pessoas falam da Guerra Civil, mas o que de facto as marcou foi uma ditadura absolutamente selvagem e criminosa que perdurou por mais de quarenta anos. Ao investigar sobre isso, comecei a encontrar pessoas. Realizei um trabalho muito consistente que está à espera de ser publicado em Córdova. Falei com trinta pessoas e andei a fotografar sítios que ainda subsistem: as prisões, os cemitérios, etc. É uma vergonha porque Espanha continua cheia de valas comuns por todo o lado que coabitam com monumentos de homenagem aos homens que fizeram o golpe de Estado com todas as consequências que isso teve. Depois, também desenvolvi outro trabalho em que entrevistei onze ex-guerrilheiros. Há um movimento de resistência absolutamente idêntico ao movimento existente em França. Só que uns ganharam e outros perderam. E até hoje, este grupo ainda não foi reconhecido. Portanto, comecei a fotografar de forma muito mais pausada, documentando muito mais sobre os temas. Neste momento, estou a assumir um trabalho mais documentalista. O pretexto dos trabalhos é a imagem, mas depois achei que era muito importante que houvesse informação ligada a essas imagens; informação muito resumida para, sobretudo, falar das pessoas e com as pessoas que viveram esses tempos. A sua vida está ligada à história do país e não é reconhecida por uma democracia que acaba por privilegiar mais, do ponto de vista jurídico e legal, uma ditadura sanguinária do que as pessoas que resistiram ao fascismo e foram imensamente prejudicadas por isso, não só em termos de bens, mas de mortes. Em praticamente todas as famílias espanholas, encontra-se estas histórias. Comecei a
fazer um trabalho muito mais refletido sobre o que é que quero passar com essas imagens; como é que vou abordar e depois há uma procura - que é por onde eu comecei, mas que é mais difícil -, de descobrir quem és e como é que consegues marcar o trabalho; que é isso que faz a diferença. Não é fazer imagens muito bonitas, que muita gente faz, agora Bruno Rascão só há um. Ou eu consigo meter o que penso