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Interaction Prior to the MRR 2 situation (Phase one: June-August

5.2 R ELATIONSHIP E PISODE T WO

5.2.2 Interaction Prior to the MRR 2 situation (Phase one: June-August

Algo bastante evidente na literatura acerca da alienação parental é sua limitação acerca dos critérios diagnósticos. Contudo, nos últimos anos, já se tornou possível encontrar estudos empíricos que buscam a identificação da mesma por meio de instrumentos psicológicos (ver Baker et al., 2012; Denollet, Smolderen, Broek, & Pedersen, 2007; Hands & Warshak, 2011; Lopez, Iglesias, & García, 2014; Moné & Biringen, 2012)

Um instrumento bastante relevante na literatura vigente é Baker Alienation Questionnaire (Questionário de Alienação Baker; Baker et al., 2012). Este é um instrumento autoaplicável, utilizado na identificação da prevalência e incidência da alienação parental (e.g. “Os sentimentos que você tem em relação a sua mãe são...”; “O que seria uma boa memória que você tem da sua mãe...”) desenvolvidos para verificar a rejeição extrema de uma criança a um pai, assim como a idealização do outro genitor. A medida foi desenvolvida em versão infantil, com base nos estudos acerca da alienação

parental, e experiência clínica dos autores do instrumento. Assim, o foco desta medida é capturar rejeição a um dos pais e idealização ao outro. O instrumento identifica 14 variáveis, que enfocam duas categorias (1 = alienação parental consistente e 0 = alienação parental não consistente). Essa medida possui duas versões, uma para o pai e outra para a mãe (e.g., “12 - Você acha que tem feito algo para machucar sua mãe?”; “15 - Como você se sente sobre a família da sua mãe, seus avós, tias, tios e primos do lado da família de sua mãe?”), e a forma de respondê-los varia de acordo com o mesmo, por exemplo, o item 12, anteriormente citado, seu crivo de resposta varia de nunca, muito pouco, pouco, muito, muito mesmo (este item discorre acerca da falta de culpa), e o item 15, também citado anteriormente, possui o seguinte crivo de resposta: nunca gostava deles, agora não gosto deles, nem gosto deles nem deixo de gostar, ainda gosto, gosto deles; este item se refere à propagação de animosidade. A partir deste instrumento, Baker e colaboradores identificaram que muitas crianças apresentam comportamentos de oposição e rudes dirigidos ao pai rejeitado. Tais resultados apoiam a teoria de Gardner de que existe um grupo de filhos de casais divorciados que expressam raiva e um sentimento de rejeição em direção a um pai, aparentemente de forma injustificada (Gardner, 1985).

Lopez et al. (2014) propuseram uma escala que avalia a presença ou não de estratégias de alienação acerca da relação com cada um dos pais (Estratégias de Alienação Parental). Este instrumento possui 27 itens, como por exemplo: “Assusta as crianças, dizendo-lhes que o progenitor responsável irá causar-lhes algum tipo de dano”, “Culpa o progenitor responsável por comportamentos errados dos filhos”, “Oferece atividades alternativas nos dias de visita; Tentativa de mudar o sobrenome da criança”, “Chamar a polícia durante as visitas do progenitor não guardião)”. Estes itens são direcionados a filhos de pais separados. A partir deste instrumento, Lopez et al. (2014)

identificaram as seguintes estratégias de alienação: (1) interrupção do contato da criança com o pai rejeitado, (2) substituição da figura parental com alguém novo, (3) apoio a seus interesses e planos de fontes externas (cúmplices e relatórios médicos, psicológicos ou escolares), (4) manter a criança longe da família do outro progenitor, (5) bloquear a participação do outro genitor na tomada de decisões na vida da criança. Assim como (1) o incentivo à rebeldia e à desobediência dos filhos, atribuindo a culpa do mau comportamento da criança ao outro progenitor, (2) desprezo pela imagem do outro progenitor, (3) partilha excessiva das informações com a criança.

Outra medida apontada na literatura é o Remembered Relationships with Parents (Lembranças da Relação com os Pais; RRP10), este instrumento possui 10 itens que mede a relação dos filhos com os pais por meio das lembranças dos filhos acerca desta relação (Denollet et al., 2007). O RRP10 foi desenvolvido especialmente para avaliar a percepção de cuidado parental, com enfoque na deficiência das relações de empatia entre pais e filhos, devendo ser direcionado a uma amostra não-psiquiátrica. Este instrumento possui duas dimensões, a alienação dos pais e o controle por parte dos pais. A dimensão alienação se refere à percepção do entrevistado em relação aos seus pais, relacionado a uma comunicação ineficaz além da falta de reciprocidade e intimidade (Denollet et al., 2007). Por outro lado, o componente controle está relacionado à percepção do entrevistado de um estilo parental de superproteção. Esta medida possui uma versão direcionada à relação com o pai e outra para a relação com a mãe. A dimensão alienação possui itens como: "Eu estava muito fechado para o meu/minha pai/mãe", "Eu mantive meus problemas para mim mesmo", "Meu/Minha pai/mãe sempre me fez sentir inseguro”, e a dimensão controle: "Eu queria que meu/minha pai/mãe se preocupasse menos comigo", "Meu/Minha pai/mãe se preocupa com a

possibilidade de eu não conseguir cuidar de mim”, e “Meu/Minha pai/mãe era superprotetor(a)".

Moné e Biringen (2012) desenvolveram uma medida capaz de avaliar a percepção de experimentar alienação parental durante a infância, com o público amostral de adultos jovens, o Relationship Distancing Questionnaire (Questionário de Distanciamento Relacional; RDQ). O RDQ pode ser considerado o primeiro instrumento totalmente direcionado para avaliação empírica da percepção da alienação parental durante a infância. Essa medida retrospectiva busca medir o grau em que um indivíduo se sentia alienado por um ou ambos os pais durante a infância, devido ao processo de alienação parental. O RDQ é composto de 30 itens, que devem ser respondidos em uma escala do tipo Likert de seis pontos, que variam de 1 (pouco frequentemente) a 6 (muito frequentemente) e possui itens como: “Me senti mal devido a pensamentos ou dizendo coisas ruins para minha mãe”, “Evito falar sobre a minha mãe com os outros”, “Meu pai me disse coisas ruins para que eu ficasse chateado com minha mãe”. Este instrumento possui como componentes: prevenção e negatividade sem culpa, rejeição, influência de outros, falando mal do pai ou da mãe, alienação geral em relação ao Pai/Mãe, pensador independente. Tal medida possui padrões psicométricos apropriados, apresentando índices de consistência interna alpha de Cronbach aceitáveis, todos acima de 0,80, a exceção de um, no entanto o alpha de Cronbach foi aceitável (α = 0,76) para a versão da mãe, a versão direcionada ao pai obtiveram-se geralmente alpha de Cronbach acima de 0,79, com um fator pontuando α = 0,92, e alpha de Cronbach geral de aproximadamente 0,80. Para mais informações, ver Moné e Biringen (2012).

No cenário brasileiro, deve-se destacar a tentativa de Jorge Trindade (2014) em desenvolver a Escala de Alienação Parental, que, na verdade, é um questionário digital

sem propriedade psicométrica que se propõe a mensurar de forma objetiva a presença da alienação parental. Esta medida é composta por três diferentes questionários, a saber: Escala para a criança/adolescente em relação à mãe, Escala para a criança/adolescente em relação ao pai, e Escala para os genitores em relação ao filho – com 21 itens cada. Os itens que compõem estas subescalas correspondem às sete formas exemplificativas de Alienação Parental descritas na Lei nº 12.318 (2010). Contudo, muito embora se reconheça o esforço em desenvolver uma medida para avaliar alienação parental, não se tem notícia na literatura sobre suas propriedades psicométricas.

Ainda no contexto brasileiro, destaca-se um estudo desenvolvido por Gouveia et al. (2013), que adaptaram para o Brasil a Escala de Lembranças do Relacionamento com os Pais RRP10, anteriormente citada. Este estudo identificou evidências dos parâmetros psicométricos desta a partir de uma amostra de universitários de uma instituição privada de João Pessoa (PB). Os resultados confirmaram a estrutura bifatorial do estudo original de Denollet, Smolderen, Broek e Pedersen (2007), cujos fatores (alienação e controle) apresentaram evidências de precisão (confiabilidade composta e consistência interna) e validade convergente-discriminante. Por fim, fica evidente que a versão brasileira desta escala alcançou seu objetivo, o que possivelmente favorecerá pesquisas futuras na busca por compreender as relações parentais de maneira mais apropriada.

Destarte, a partir das pesquisas empíricas revisadas na presente dissertação, fica claro que a preocupação com a falta de pesquisas quantitativas acerca da alienação parental (Bernet & Baker, 2013) vem sendo suprida com o passar dos anos. Contudo, também fica claro que as medidas acerca da alienação parental têm enfocado amostras de adultos, na busca por identificar lembranças associadas à alienação, ou seja estudos retrospectivos, o que evidencia uma lacuna nos trabalhos com quem pratica a alienação.

Outra lacuna evidente é a falta de estudos que tenham por base construtos que possam explicar práticas de alienação como, por exemplo, os traços de personalidade e os valores humanos. Neste sentido, a presente dissertação pretende auxiliar a preencher esta lacuna.

Assim, dar-se-á continuidade a esta discussão explanando os traços de personalidade, que é um construto mais sólido em relação a questões temporais do que, por exemplo, os valores, os quais são características diferenciadas capazes de reger comportamentos (Gouveia, 2013; Schultz & Schultz, 2011). Desta forma, tendo em vista que a personalidade pode influenciar na forma como os indivíduos se comportam, desde atividades mais corriqueiras a questões como ser um bom cônjuge, ou um bom pai ou mãe (Schultz & Schultz, 2011), consolida-se a necessidade de se tentar explicar a alienação parental por meio dos traços de personalidade.