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Research initiatives on biological invasions

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A investigação-ação (IA) tem, ao longo dos tempos, adquirido grande relevância e peso na área da educação, contribuindo para uma revisão e atualização da realidade educativa. Esta define-se como uma metodologia de pesquisa que enquadra duas

vertentes,a investigação (compreender a parte investigada) e a ação (obter a mudança).

Esta surge no âmbito da melhoria da prática dos campos de ação a serem estudados. Existem diversos autores que definem a IA de formas distintas e controversas, no entanto, todas convergem para a simbiose entre a teoria e a prática, a fim de realizar uma prática reflexiva com base teórica, crítica e construtiva, de maneira a que se possa melhorar a qualidade na educação.

Para Mckernan, este tipo de investigação baseia-se num processo de cariz reflexivo, onde a investigação se centra numa área problemática que se quer aperfeiçoar (citado por Lopes e Silva, 2009). No seguimento, Sousa e Baptista (2011) destacam que

a IA, sendo uma metodologia dinâmica funciona como “uma espiral de planeamento,

acção e procura de factos sobre os resultados das acções tomadas, um ciclo de análise e reconceptualização do problema, planeando a intervenção, implementando o plano e avaliando a eficácia da intervenção” (p. 66).

Neste seguimento, Oliveira, Pereira e Santiago (2004) referem que esta metodologia está orientada para a vertente desenvolvimental de ações provenientes dos sistemas sociais, com o intuito de promover mudanças, tentando encontrar respostas para as problemáticas levantadas dos grupos e da comunidade. Estes autores salientam

ainda que esta, em relação às outras estratégias de investigação, “prende-se com a sua

natureza eminentemente colaborativa ou cooperativa: as intervenções não são assumidas unilateralmente pelo investigador, a partir do exterior, mas pelo conjunto de actores

envolvidos no processo investigativo, no qual adquirem o estatuto de parceiros”, (p. 29).

A partir das afirmações acima referenciadas, Baldissera (2001) aponta que só pode ser considerada uma IA quando há realmente uma ação por parte dos atores

implicados no processo investigativo. Esta autora menciona que a IA é discutida “em

áreas de actuação técnico-organizativa com outros compromissos sociais e ideológicos”

(p. 6), dando lugar, na sua metodologia, a uma panóplia de propostas de investigação nos variados campos em que há atuação social.

Sendo assim, a IA é trabalhada no campo das ciências sociais, pois, de acordo com Thiollent:

A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação da realidade a ser investigada estão envolvidos de modo cooperativo e participativo (citado por Baldissera, 2001, p. 5).

Seguindo esta linha de pensamento, Bogdan e Biklen (1994), referem que a IA

baseia-se na “recolha de informações sistemáticas”, (p. 292), tendo como principal

objetivo a promoção de mudanças sociais. Este tipo de investigação procura resultados que possam transformar-se em decisões práticas em determinados aspetos da vida das pessoas. Os mesmos descrevem a investigação como uma atitude, ou seja, uma conceção de que certas pessoas assumem perante acontecimentos ou atividades. Mencionam ainda que os atuantes neste tipo de investigação deverão ser o mais objetivos possíveis, devem ser honestos e recolherem os dados, não só da fonte que está a ser investigada, como também de todas as outras partes envolvidas.

Para Sousa (2005), o trabalho de investigação, de algum modo, contribui para que os docentes se sintam mais interessados e motivados para exercer a sua profissão.

Para este autor, a investigação em educação tem como objetivo “promover a educação

ajudando-a na realização do seu fim, que é o desenvolvimento holístico da pessoa”, (p.

29).

Este tipo de investigação pode utilizar tanto uma abordagem qualitativa como quantitativa, sendo que o método qualitativo é o mais utilizado na investigação em educação. Segundo Guerra (2006), a opção de utilizar métodos qualitativos nas ciências sociais tem imensas teorias nas quais o investigador se pode debruçar bem como,

técnicas e métodos. Neste seguimento, Bogdan e Biklen (1994) destacam que “os

métodos qualitativos baseiam-se na observação, na entrevista aberta e no recurso a documentos”, (p. 293). Para estes autores, este tipo de metodologia “baseia-se nas próprias palavras das pessoas, quer para compreender um problema social, quer para convencer outras pessoas a contribuírem para a sua remediação” (p. 300). Referem ainda que a pesquisa qualitativa tem como principais objetivos a ação, o treino e a tomada de decisão.

Já para Stake (2009), os investigadores qualitativos privilegiam o entendimento

das competências sociais e das interrelações de todas as coisas, pois “para o

cronologias mais do que de causas e efeitos” (p. 54). Estes investigadores tratam “a singularidade dos casos e contextos individuais como importantes para a compreensão. A particularização é um objectivo importante, uma vez conhecida a particularidade do caso” (p. 55). O investigador faz uma interpretação pessoal daquilo que observa e não se centra tanto na explicação da causa e efeito. Stake (2009) destaca que a investigação

qualitativa é subjetiva, ou seja, “Encontram-se frequentemente mais dúvidas do que

soluções para as dúvidas anteriores”, (p. 60), fazendo com que esta subjetividade seja entendida mais como um elemento essencial da compreensão e não tanto como uma imperfeição.

A investigação qualitativa rege-se por vários parâmetros, a saber: a investigação educacional (desenvolve novos paradigmas acerca do ensino, da aprendizagem e da administração educacional); A investigação qualitativa utiliza métodos e técnicas para se fazer o estudo, (centra-se num modelo fenomenológico onde a realidade tem a ver com as perceções dos sujeitos estudados, tendo como principal objetivo compreender e encontrar significados através de diálogos e observações ocorrendo em situações naturais); O investigador tem uma participação ativa no processo sendo este tipo de investigação interpretativa e descritiva, (o investigador interpreta e analisa os dados e posteriormente retira inferências e conclusões); Esta investigação é indutiva e significativa (o investigador interpreta e faz um entendimento geral dos fenómenos), (Bogdan & Biklen, 1994, pp. 47-51). Assim sendo, neste tipo de investigação privilegia- se mais o processo do que os resultados.

A IA pode ser organizada de acordo com os pressupostos e intenções de cada investigador, existindo uma grande variedade de métodos nas investigações realizadas pelos professores investigadores, quer seja nos procedimentos de cada roteiro quer seja nos tópicos, na maneira como recolhe e trata os dados e como comunica (Máximo- Esteves, 2008).

No seguimento, Bell (2004) destaca que, independentemente da abordagem que faça à sua investigação (quantitativa ou qualitativa), o investigador pode utilizar os

métodos que achar mais adequados ao contexto da mesma. Contudo, “A abordagem

adoptada e os métodos de recolha de informação seleccionados dependerão da natureza do estudo e do tipo de informação que se pretenda obter”, (p.20).

Para que um projeto de IA seja bem delineado, este passa por procedimentos compostos por estratégias de ação ao longo do seu processo. Para a investigação ser

bem estruturada e planeada, é necessário organizar essas mesmas fases de modo a que se possa perceber bem o percurso estratégico.

De acordo com Mckernan, a investigação divide-se em três fases. A primeira é onde se define o problema para poder elaborar um plano de ação; a segunda é onde a avaliação é efetuada de modo a que se possa aferir a eficácia da ação realizada e a terceira, é onde os intervenientes refletem e esclarecem novos acontecimentos (citado por Máximo-Esteves, 2008). Estes mesmos procedimentos têm de ir ao encontro dos

objetivos propostos inicialmente, ou seja, “Encontrar um ponto de partida, coligir a

informação de acordo com os padrões éticos, interpretar os dados e validar o processo de investigação” (Máximo-Esteves, 2008, p. 79). Segundo esta autora, as fases podem delinear-se da seguinte maneira:

- Fase de diagnóstico e condução do problema (ponto de partida da investigação, formulação das questões, definição dos propósitos e tópicos a abordar);

- Fase de planificação e intervenção (onde se aplicam as estratégias para tentar dar resposta à problemática levantada e recolha de dados);

- Fase de análise e confirmação de resultados (reflexão e análise dos dados recolhidos e consequente validação da investigação), (pp. 78-82).

Finalizando, de acordo com Stake (2009), a intencionalidade que se encontra por detrás de qualquer investigação em educação é a de promover a qualidade no ensino. Já

para Coutinho et al. (2009), a investigação-ação supõe “uma mudança de atitude da

postura académica do investigador em ciências humanas” (p. 362).

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