A avaliação tem um papel fulcral no processo de ensino-aprendizagem das crianças, pois através desta conseguimos aferir se as experiências proporcionadas contribuiram para o seu desenvolvimento. Assim sendo, segundo Lopes e Silva (2012), “A avaliação está, na verdade, no coração de toda a aprendizagem”, (p.VII), sendo o sucesso escolar de cada criança determinante na vida futura desta. Destacam ainda que “A avaliação tem a função de regular o processo de ensino-aprendizagem. Ajuda a averiguar se os alunos estão a realizar os progressos pretendidos e a encontrar os caminhos necessários para que consigam atingir as metas estabelecidas para o nível de ensino que frequentam”, (p. 2).
A avaliação das crianças que prevalece nas salas de aula está mais virada para a certificação, classificação e seleção dos mesmos (avaliação sumativa) e não para os ajudar a aprender. Para Fernandes (2011), as avaliações ocorrem após os períodos em que se aprende e se ensina, não havendo deste modo, uma articulação entre a aprendizagem, a avaliação e o ensino. A avaliação das crianças em contexto de sala de aula não pode ser apontada como uma questão técnica, ou seja, “não pode ser considerada como um mero processo de construção de instrumentos que permitem quantificar e avaliar de forma supostamente objetiva o que os alunos sabem e são capazes de fazer”, (p. 140). Menciona ainda que para a avaliação ser parte integrante do processo de ensino-aprendizagem é preciso estudá-la e torná-la numa questão didática e pedagógica, fazendo com que esta não seja confundida como uma mera atribuição de classificações e competências.
A partir das afirmações acima mencionadas, é necessário mudar de modelo e dar mais ênfase à avaliação formativa e não à avaliação sumativa, pois, de acordo com Lopes e Silva (2010), “A avaliação formativa é um dos componentes do processo de
ensino-aprendizagem com maior efeito na melhoria do rendimento escolar dos alunos”,
(p. 1), pois esta é efetuada “antes, durante e após o ensino e os professores e os alunos trabalham em conjunto, de forma ativa e intencional”, (p. VIII), tendo em vista a realização escolar das crianças. Para estes autores, esta avaliação tem como finalidade “melhorar qualitativamente”, (p. 1), a aprendizagem das crianças ao invés de quantificá- la. Referem ainda que esta permite a recolha sistemática de dados, no decorrer das aprendizagens, permitindo um ajuste e modificação das estratégias de modo a que seja exequível “preencher possíveis hiatos entre a compreensão dos alunos e os objetivos desejados para a aprendizagem”, (p. 2).
Devido à avaliação ser muito complexa e visto ter estabelecido uma relação muito breve com a turma, optei por uma avaliação baseada na observação in loco e em fichas de aplicação de conhecimentos dos conteúdos abordados. Durante a minha prática pedagógica e relativamene ao desenvolvimento das atividades para as áreas curriculares de Português, Estudo do Meio e Matemática foi elaborada uma avaliação geral das aprendizagens (Ver Apêndice 11).
Foram utilizados vários documentos curriculares de referência para a realização desta avaliação, nomeadamente, para o Português foram aplicadas as Metas Curriculares (2012) e os objetivos contidos no programa respetivo (2009), para a Matemática foi
usado o Programa (2013) e Metas Curriculares do Ensino Básico (2012) , e para o Estudo do Meio foi utilizado o documento Organização Curricular e Programas (2004).
No corpo do relatório, apenas farei uma referência geral a cada uma das áreas curriculares, uma vez que a avaliação encontra-se em apêndice. Deste modo, tendo em conta as observações e análise dos vários trabalhos efetuados pelas crianças, no que concerne ao Português, notou-se um progresso positivo na escrita e na oralidade. Em relação aos erros ortográficos, estes persistiram, contudo não me foi possível ver os resultados a longo prazo, visto o estágio ter sido curto. Relativamente à Educação Literária, penso que contribuí um pouco para a promoção da literacia, uma vez que, a partir da atividade que já descrevi neste relatório, as crianças puderam experienciar a leitura em forma de poesia, o que promoveu o gosto pela mesma. Na minha opinião, a realização do trabalho cooperativo, nesta área curricular, fez com que as aprendizagens fossem efetuadas de um modo mais eficaz.
No que concerne ao Estudo do Meio, denotei também progresso no que diz respeito aos conteúdos abordados no estágio. Nesta área curricular, foi possível utilizar diferentes estratégias, o que fez com que as aulas fossem mais apelativas, nomeadamente, a realização de uma peça de teatro, vídeos e atividades práticas relativas à temática dos sentidos, o que fez com que as crianças tivessem um papel mais ativo na sua própria aprendizagem.
No que diz respeito à Matemática, a utilização de materiais didáticos para auxiliar na resolução de operações com números naturais propostos foi profícua. Verificou-se nas crianças, uma melhoria das suas competências ao nível do conhecimento do sistema de numeração decimal. Relativamente ao raciocínio lógico- matemático, penso que através da atividade do calendário foi notado alguma dificuldade por parte de algumas crianças. Porém, na minha opinião, não era por não saberem, mas sim por recearem responder incorretamente às questões colocadas.
Como capacidade transversal, em educação para a cidadania foi também tido em conta alguns objetivos, foi possível observá-los e analisá-los, uma vez que fazia parte da minha IA, mais propriamente, o desenvolvimento e melhoria das competências sociais através do trabalho cooperativo. Pude notar que houve melhorias a este nível, pois nas últimas semanas de estágio já tinham alguma consciência do respeito pelas regras da sala, bem como o respeito pelos seus pares. Com a aplicação do trabalho cooperativo, foi possível constatar que esta estratégia é um excelente veículo para a aquisição das competências socias.