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Abstracts from talks delivered at the meeting

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A rotina diária em contexto de EI está repleta de momentos que se sucedem uns a seguir aos outros. As equipas necessitam estabelecer uma programação diária que seja organizada e previsível, de modo a que as crianças saibam o que irá acontecer a seguir. Esta necessita de ser consistente e flexível e de ir ao encontro das diversas necessidades das crianças, no que diz respeito à higiene, alimentação e o sono.

Para Hohmann e Weikart (2003), a rotina diária pode ser considerada como “uma sequência regular de acontecimentos que define, de forma flexível, o uso do espaço e a forma como adultos e crianças interagem durante o tempo em que estão juntas”, (p. 226). Para estes autores a rotina facilita a transição das crianças de casa para a instituição educativa criando, deste modo, o sentido de pertença.

Segundo Post e Hohmann (2011), o dia-a-dia das crianças contém “determinados

acontecimentos diários constantes”, (p. 197), nomeadamente, a hora do acolhimento, as atividades livres e orientadas e entre estas acontece também, os momentos de higiene, etc. É imperativo que a equipa de adultos siga de um modo consistente o horário diário, de modo a que as crianças saibam o que esperar na transição dos diferentes momentos.

É papel do educador valorizar a necessidade que as crianças têm, ao longo dos momentos da rotina, para a exploração sensório-motora, uma vez que estas manipulam os diversos materiais disponíveis.

Post e Hohmann (2011) referem que o educador deve partilhar com as crianças o controlo dos acontecimentos, proporcionando às mesmas oportunidades de escolha, uma vez que as crianças em idade de creche, praticamente não escolhem sobre os cuidados que lhes são aplicados. Contudo, em certas partes da rotina é possível e aparecem oportunidades em que estas podem escolher e tomar decisões acerca do que vão fazer, respetivamente, no que podem explorar nos momentos de atividade livre.

Com crianças desta idade é necessário estar alerta para as conversas e comunicações que estas fazem em qualquer momento da rotina, pois algumas comunicam pouco e outras têm muito para dizer e em qualquer altura deve aproveitar-se para promover o diálogo e a comunicação entre a criança e o adulto.

Momentos como a chegada à instituição e a partida da mesma devem ser efetuados calmamente de maneira a tranquilizar tanto as crianças como os pais, pois,

como referem Post e Hohmann (2011), “A separação e o reencontro podem ser difíceis

tanto para as crianças como para os pais”, (p. 213).

Após o acolhimento, o lanche da manhã e a higiene, as crianças desta sala cantavam a canção dos bons dias, sendo que em cada dia havia uma criança que fazia a chamada, ou seja, escolhia um dos cartões e ia chamando cada um à vez. Estes iam colocar sozinhos a sua presença no respetivo mapa.

Como já foi referido anteriormente e pelo que pude observar das crianças da Sala das Lagartinhas, já algumas conseguiam executar estas tarefas, sem nenhum auxílio do adulto, uma vez que havia uma mínima diferença de idades, mas que fazia toda a diferença na realização das mesmas.

As rotinas de cuidados corporais (ida ao bacio, muda de fralda e lavar-se) ocorrem com muita frequência no decorrer do dia. Estas promovem, basicamente, o conforto físico e contribuem também para o bem-estar emocional, pois por exemplo, uma criança com a fralda suja não se sente confortável. Através das interações pessoais carinhosas inerentes a estes momentos, as crianças constroem relações de confiança com os adultos.

A hora da sesta é também uma parte integrante regular no dia no infantário, pois esta proporciona o descanso necessário para o desenvolvimento e crescimento das crianças, permitindo assim, amenizar a irritação e mau estar. Por esse facto, o sono ajuda as crianças a reporem energias e ganham boa disposição para o resto do dia, (Post e Hohmann, 2011).

Em diversas partes da rotina, na sala onde estagiei, as canções e sua consequente dramatização fizeram parte integrante da mesma, quer seja a caminho do refeitório quer seja em alturas de mudança dos vários momentos (por exemplo, à espera da muda de fralda antes da sesta, à espera que as refeições estejam prontas, no momento do acolhimento, etc.).

Segundo as OCEPE (1997), a utilização de músicas e sua exploração é uma

atividade constante em EI, sendo que “Trabalhar as letras das canções relaciona o

domínio da expressão musical com o da linguagem, que passa por compreender o sentido do que se diz, por tirar partido das rimas para discriminar os sons, por explorar o carácter lúdico das palavras”, (p. 64). É também através dos movimentos e dramatizações que acompanham a letra que fazem com que as crianças fiquem atentas e participem mais nas mesmas, dançando e explorando a parte motora, apelando também para a imaginação e criatividade destas.

Volto a referir que estes momentos são extremamente importantes para a aprendizagem e aquisição da autonomia, pois aqui irão experienciar e desenvolver o sentido de segurança e aumento da auto-estima, tendo um maior sentimento de domínio sobre o seu próprio corpo, (Portugal, 2009).

Os adultos presentes na sala têm de ser capazes de promover a autonomia de forma a que todas as crianças possam desenvolver-se de modo sustentado e eficaz, uma

vez que, segundo Portugal (2009), é na infância que se lançam as bases que irão

desenvolver os aspetos “físicos, motores, sociais, emocionais, cognitivos, linguísticos,

comunicacionais, etc., sendo a autonomia o sinal de desenvolvimento que se vai construindo em todos os instantes, num todo que é ‘a pessoa’ e que junta diferentes

dimensões desenvolvimentais”, (p. 33).

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