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3. Synthesizing Sounds

4.2. SCOT and Art

4.2.3. Relevant Social Groups

− uso de arma na escola (100,0%) [INTIMIDAÇÃO] − roubo de celular de colega (95,4%) [FÍSICA] − roubo de celular de professor (93,1%) [FÍSICA]

− aluno bate em pessoas da direção da escola (82,0%) [INTIMIDAÇÃO] − aluno bate em professor (78,0%) [INTIMIDAÇÃO]

− quebra de prédios e móveis da escola (75,0%) [FÍSICA] − roubo de caderno de colega (75,0%) [FÍSICA]

− briga entre aluno e professor (70,4%) [FÍSICA] − briga entre professores e pais (68,1%) [FÍSICA]

− briga entre professores e direção da escola (61,3%) [FÍSICA] − aluno bate em colega menor (57,0%) [INTIMIDAÇÃO]

− insulto de professor a aluno (52,2%) [INTIMIDAÇÃO] − insulto de aluno a professor (43,1%) [INTIMIDAÇÃO]

Na Escola 2, constata-se que existiram discentes que divergiram quanto às atitudes

consideradas como não-violência, o que demonstra que há também problemas de

entendimento quanto ao real significado do conceito “violência”. Nota-se, em algumas das

atitudes, que nem sempre o fato de a maioria dos entrevistados as haverem considerado como

não-violência significa o pensamento do grupo, uma vez que a soma das outras respostas

ultrapassou o percentual da primeira resposta. Isso ocorreu nos seguintes itens: “toque de mão

no colega com sentido sexual” (FÍSICA), “escrita nas carteiras e nas paredes” (FÍSICA), “uso

de câmera de tv pela escola” (SÍMBÓLICA) e “emprego de palavrões por professores”

(VERBAL). Dessa forma, o uso de termos ofensivos, a utilização de tecnologias de vigilância

pela escola, atos de vandalismo contra o patrimônio da escola e o toque de mão com

conotação erótica não foram considerados atos de violência por número expressivo de

discentes. Esta seria uma percepção menos ampla de violência. No entanto, estas atitudes são,

em sua maioria, manifestações de violência física.

Os resultados encontrados revelam, os discentes da Escola 2 deram maior valor à

violência relacionada a aspectos materiais do que os da Escola 1. O “roubo de celular de

professor e de aluno” apareceram em 3º e 5º lugares respectivamente, na Escola 1. Já na

Escola 2, a mesma situação ficou em 1º e 2º lugares na avaliação dos discentes, no quesito

gravidade. Esse resultado pode revelar a discrepância entre classes sociais e interesses dos

discentes das duas Escolas, bem como a realidade e o universo social em que vivem. Os

discentes da Escola 2 podem se prender mais a questões consumistas em detrimento de

questões humanas, ou, pelo seu nível socioeconômico mais elevado, considerarem menos

Com relação ao comportamento “uso de arma na escola”, verifica-se grande

diferença entre os percentuais da Escola 1 (61,5%) e da Escola 2 (33,3%), que denotam os

distintos tipos de vivência de cada grupo. Provavelmente os discentes da Escola 1 convivam

mais freqüentemente com o fato de colegas chegarem à escola armados – enquanto, para os da

Escola 2, o fato não faz parte do seu cotidiano, ocorrendo esporadicamente. Essa avaliação

reforça a idéia de que o ambiente social das duas Escolas apresenta dessemelhanças.

De outro modo, com respeito ao entendimento sobre a agressão que possa ir de

encontro ao conceito de cidadania, verifica-se certa incoerência na análise dos discentes. Por

um lado, identificaram a “quebra de prédio e móveis da escola” como violência muito grave;

por outro, a “escrita nas carteiras ou nas paredes” como violência pouco grave. Infere-se que

não conseguem avaliar que a violência contra patrimônio público ou privado, seja ela de que

natureza for, fere os preceitos básicos da atitude de um cidadão.

Cabe ressaltar, ainda, o efeito que a liberação sexual e os apelos eróticos advindos

de todas as partes (tv, cinema, revista) causam na percepção dos discentes no que concerne à

violência. Nas duas escolas menos da metade dos discentes considerou o “toque de mão no

colega com sentido sexual” como violência muito grave. É provável que haja banalização do

sexo e a aceitação como normal de contato físico entre eles com conotação sexual. Tal fato foi

observado nos estudos realizados sobre violência na escola pela UNESCO (ABRAMOVAY

et al., 2004d), onde se constatou nos relatos que os atores desconheciam ou mesmo não podiam identificar o assédio sexual por considerar que “tudo está muito liberado”. Segundo as

Autoras, são comuns, nas interações entre jovens, as situações explícitas que tomam várias

formas e que são chamadas “brincadeiras” – linguagem desrespeitosa, ameaças e outros tipos

de violência -, circulando pelo nível simbólico e embasadas em abusos de poder. No entanto,

o “assédio sexual é percebido como uma das formas mais comuns de violência de professores

Assim, poder-se-ia inferir que os estudantes de ambas as Instituições não conseguem

aquilatar o possível prejuízo que a violência simbólica pode causar às relações sociais. Talvez,

ligada ao fato de que a violência simbólica pode ser menos ofensiva, e danosa que a violência

física, e que sua incidência seja mínima, esse tipo de violência sutil ou das omissões tem

permanecido indiscutido por faltar-lhe o impacto da brutalidade (MORAIS,1995). Para

Oliveira (2003), acredita-se que a falta de percepção da violência simbólica se dê em função

da ausência de uma discussão pedagógica sobre o assunto.

Waiselffisz e colaboradores (1998), em pesquisas realizadas com jovens, ao serem

perguntados se haviam sido vítimas de algum tipo de violência na escola, sempre diziam que

não. Contudo, no decorrer do estudo a percepção da violência foi se ampliando para além dos

limites da agressão física, demonstrando que há um tipo de violência moral da qual são

vítimas em seu cotidiano (OLIVEIRA, 2003). Fato este também observado nos estudos de

Abramovay e Rua (2002), os próprios professores banalizam a violência e não dão atenção

especial às intimidações e discriminações, assim contribuindo para o desrespeito dos direitos

do aluno à proteção e perdendo o momento pedagógico de educar contra culturas de violência.

Em outro achado, verifica-se que as atitudes de intimidação foram entendidas como

manifestação de violência (Tabela nº 7), pois estas foram consideradas em sua maioria como

de alta gravidade. Contudo, os estudos de Debarbieux revelam que freqüentemente os

professores ignoram esse tipo de manifestação. Em princípio, pode ser negligência para aquilo

que não perturba significativamente o andamento da aula. Nesse caso, vem o possível silêncio

Tabela nº. 7: Percentual de atitudes consideradas violência ou não para discentes da 1ª série do Ensino Médio, por escola pesquisada. Emagosto de 2005

ESCOLA 1 (%) ESCOLA 2 (%)