Del I Årsrapport
Kapittel 6 Fagutvikling og pasientrettet kvalitetsforbedring
6.2 Registerets variabler og spesifikke kvalitetsindikatorer
No III milénio a.C., a maré de migração começou a desenvolver-se, muitos povos indo-europeus, celtas chegaram à Europa Central e invadiram o território português. Devido à invasão de novas raças, várias civilizações começaram a misturar-se, formando alguns grupos étnicos, com numerosas tribos, entre os quais avultam os galaicos, que criaram a cultura castreja a norte, os lusitanos no centro, os célticos no Alentejo, e os cónios no extremo sul de Portugal (regiões do Algarve e Alentejo). Estes povos, de origem mista, viviam geralmente no alto dos montes, em povoações rodeadas de muralhas (Castro, 2006: 47).
Ano após ano, os romanos, que eram um povo forte, muito desenvolvido e com um exército muito bem organizado, conquistaram pela força das armas as terras à volta do mar Mediterrâneo. Os soldados venciam com facilidade a maior parte dos seus adversários.
No ano 218 a.C., durante a Segunda Guerra Púnica contra Cartago, o plano dos romanos era invadir a Península Ibérica, mais concretamente o território de Portugal atual. E no século I a.C. foi formada a província da Lusitânia, que correspondia à maior parte de Portugal atual. Os romanos venceram os cartagineses12, mas, terminadas as guerras, em vez
de se irem embora, resolveram instalar-se e dominar todas as tribos da Península (Mommsen, 1854 - 1855: 1934).
No processo de assimilação cultural, os lusitanos não ficaram parados como outras tribos, mas lutaram bravamente pelas suas crenças e persistência em manter a sua própria cultura. Comandados por Viriato13, mantinham-se vigilantes nas montanhas, sem se deixar
impressionar pela grandiosidade e organização do exército romano. Mesmo com armas mais frágeis, os lusitanos não deixavam de atacar em força: desciam dos montes, de vez em quando, e travavam batalhas violentas com os romanos. Morria sempre muita gente. Nestas 12 Cartagineses: um povo de comerciantes do Norte de África que tinha fundado algumas cidades na Península Ibérica. 13 Viriato (181 a.C. – 139 a.C., Lusitânia) foi um dos líderes da tribo lusitana que confrontou os romanos na Península
batalhas, os romanos nunca conseguiam vencer os lusitanos. No entanto, uma coisa é incontestável: os romanos influenciaram os povos que conquistaram em várias áreas, e os lusitanos não são exceção. Por exemplo: os costumes, as leis, a arte, a moeda, a rede viária, o direito de cidadania e o mais importante: a língua (o latim) (Martins, 1998: 105-121).
Nos anos 407-409 d.C., com o declínio do Império Romano, chegam em massa os invasores germânicos, a que os romanos chamavam bárbaros. Os romanos usavam a palavra “bárbaro” para todos aqueles que habitavam fora das fronteiras do império e que não falavam a sua língua oficial: o latim (Castro, 2006: 53).
No processo de agressões, os vândalos foram para o Sul, os suevos para Noroeste e os alanos para nordeste. Algumas pessoas encaravam os povos germânicos como libertadores do confrangimento romano, outras como invasores. As influências imediatas das invasões foram a confusão e a desmoralização. Vieram depois a rapina feroz e as emigrações massiças. Perde-se assim o equilíbrio imperial (Bustamante, 2006: 136).
Em 711, um exército formado principalmente por soldados berberes e árabes atravessou o estreito de Gibraltar e começou a conquista da Península de sul para norte. A velocidade de conquista foi muito rápida, e o seu efeito, duradouro. Após cinco anos, chegaram ao centro da atual Espanha e expandiram as campanhas militares no que viria a ser Portugal, mais precisamente em cidades como Beja, Évora, Coimbra e Santarém. Mas a dominação não teve a mesma duração, nem as mesmas repercussões, em todas as zonas. Foi fraca nas Beiras, a norte do rio Douro, principalmente na região onde viria a se constituir o Condado Portucalense. Também não provocou nenhuma mudança importante, embora aí se tenham fixado, em maior ou menor número, tribos muçulmanos, sobretudo, as de origem berbere. Isso dá aos outros invasores uma nova oportunidade. Em 754, o pequeno reino cristão das Astúrias conseguiu expulsar definitivamente os muçulmanos para o sul do Douro. De fato, foi no sul de Portugal que o Islã deixou marcas profundas, comparáveis à contribuição da presença romana na estrutura do que, mais tarde, seria a civilização portuguesa.
No entanto, deve notar-se que a ocupação árabe teve efeitos diferentes em vários lugares de Portugal durante este período. Os árabes não chegaram à região norte, que esteve sempre sob o domínio cristão. A influência foi mínima a norte do Douro e na área interior do território português atual. Sentiu-se mais na Estremadura e Beira Litoral, e o máximo nas províncias do sul, sobretudo na Algarve. Habitavam todo o sul e centro de Portugal atual, até à região do Mondego ou porventura do Douro, e no norte existiam só estabelecimentos
ocasionais (Castro, 1990: 165)
Pode-se afirmar que a presença do colono muçulmano não foi igual. A norte do Douro a autoridade muçulmana desapareceu nos fins do século VII, depois de cinquenta anos de domínio irrequieto e incompleto.
Alguns anos mais tarde, em 1096, o rei Afonso VI de Leão e Castela entregou o governo do Condado Portucalense, formado em 868 entre os rios Minho e Douro, a um primo de Raimundo, o conde Henrique de Borgonha, juntamente com a sua filha Teresa de Leão, passando Henrique a ser conde de Portucale. Em 1139, depois de uma grande vitória contra um forte contingente mouro na batalha de Ourique, D. Afonso Henriques foi afirmado como rei de Portugal, com o apoio das suas forças militares, e deste modo nascia o Reino de Portugal. Em 1297, o rei D. Dinis finalmente garantiu a estabilidade com os reinos de Leão e de Castela e publicou o Tratado de Alcanizes, a fim de fixar os limites fronteiriços. E acompanhando a reconquista, reconheceu o português como língua oficial em Portugal, e na documentação pública, em vez do latim (Castro, 2006: 73).
Em suma, através da observação do desenvolvimento da história portuguesa, as terras foram conquistadas sucessivamente pelos povos celtas, iberos, romanos e árabes. É por causa da sua presença que existem muitas evidências arqueológicas relacionadas. Deles restam também termos linguísticos que se mantêm vivos no português dos nossos dias. Ao mesmo tempo, com base em materiais sobre antroponímia portuguesa, podemos analisar a situação linguística num específico período histórico, não só no âmbito da escrita, mas também da fonética. Os testemunhos antroponímicos são importantes para a análise da qualquer língua, permitindo análises regionais ou locais. As variantes do vocabulário da antroponímia proporcionam-nos referências fonéticas, lexicais, gráficas, gramaticais e culturais a respeito dos desenvolvimentos linguísticos, permitindo um melhor conhecimento da história da língua portuguesa.
A língua portuguesa tem a sua origem na língua latina. Até à atualidade, em consequência das alterações linguísticas, ocorreram várias mudanças fonéticas, fonológicas e morfossintáticas, todavia, também continuam a utilizar-se vocábulos cultos na antroponímia.
A seguir apresentam-se alguns exemplos típicos retirados do livroNomes próprios (Belo, 1995), acompanhados da sua etimologia, referência histórica mais evidente e da indicação de personagens que os usaram, incluindo papas e santos.
Augusto
Vem do latim AUGUSTUS, que significa 'majestoso, venerável, consagrado'. Os Imperadores de
Roma que usaram este nome (depois de Otávio) eram considerados iguais aos deuses. Foram muitos os missionários e santos com este nome. Lembremos Santo Agostinho de Cantuária, que baptizou dez mil ingleses de uma assentada.
César
Do latim CAESAR, nome de importante família romana (GENSJULIA). Todos sabem quem foi Júlio
César, que pretendia descender de Vénus. Foi um político extraordinário, cuja eloquência empolgava as multidões, era um ídolo para as tropas que comandava, empreendeu numerosas campanhas e saiu vitorioso de quase todas. Os imperadores romanos usaram a partir de então o título de César.
Vicente
Vem do latim VINCENS('vencedor'). São Vicente, diácono espanhol, morreu em Valência (séc. IV)
depois de torturado. É o padroeiro dos vinhateiros. Entre os numerosos santos com este nome destacam-se São Vicente de Paula, eclesiástico que se dedicou aos pobres e fundou a Ordem das Irmãs da Caridade. Dele derivaramVicentinoe as formas femininasVicentinaeVicência.
Se é verdade que os romanos estabeleceram uma base sólida para a formação inicial da língua portuguesa, também há que reconhecer que os germanos e árabes tiveram um papel imensurável no seu desenvolvimento. Pode-se dizer que os efeitos deles se manifestaram nos vários aspetos da vida quotidiana, especialmente nos substantivos para designar vegetais e produtos hortícolas. Existem também muitas palavras que têm relação com a economia, a tecnologia, o mobiliário e instrumentos diversos. Esse léxico geralmente foi adotado para descrever uma realidade nova e essa descrição sempre resulta em renovação na área da linguística. Sendo assim, as modas e as coisas foram mudando e novos nomes mais modernos foram aparecendo.
São exemplo de nomes germânicos, de entre os mais usados em Portugal já no século XVIII,Henrique e Carlos (Barros, 2018: 403-410):
Henrique
Tem origem no nome germânico HAIMIRICH, composto pela união dos elementos HEIM, que
significa 'lar', 'casa', eRIK, que quer dizer 'senhor', 'príncipe', 'poder'. Dessa junção, resulta o
significado 'senhor do lar', 'príncipe do lar' ou 'governante da casa' (Dicionário de nomes próprios-lista de nomes germânicos masculinos, rank 3).
Carlos
Tem origem no germânico KARL, a partir dos termos KARAL, KERL, que significa literalmente
'homem do povo'. Há estudiosos da onomástica que apontam também a relação do nome
Carlos com o termo germânico hari, e nesse caso o significado seria 'exército' ou 'guerreiro'
Exemplo de nomes árabes, colhidos no Índice de nomes próprios gregos e latinos (1995), são Ademir e Fátima:
Ademir
Significa 'feito de ferro' ou possivelmente 'estrangeiro'. Existem duas possíveis origens para o nome Ademir, ambas do árabe: - Ademir pode significar 'de ferro', se for originado no nome AD-DEMIRI, uma cidade egípcia; outra possível origem é o nome ADJEMIR, uma cidade santa do
Indostão. Nesse caso o significado seria 'estrangeiro' (Dicionário de nomes próprios - lista de
nomes árabes masculinos mais vistos,rank 3).
Fátima
Vem do árabe FATIMA e significa 'aquela que desmama (uma criança)'. Assim se chamavam a
esposa do profeta Maomé e a esposa de Ali, o quarto dos califas. A devoção a Nossa Senhora de Fátima pôs em uso este nome (Dicionário de nomes próprios - lista de nomes árabes
femininos mais vistos, rank 1).
Figura 3Dicionário dos sobrenomes, e appellidos mais uzados, e communs em Portugal
Além do latim e do árabe, a religião teve também grande influência na antroponímia portuguesa deste período. No século II e III, os templos e as aras aparecem como um dos efeitos mais significativos do processo de romanização (Castro, 2006: 60). Com eles mudaram-se substancialmente os aspetos concretos das práticas religiosas ao nível do processo de aculturação entre romanos e indígenas. À medida que a romanização se processava, verificaram-se diversas demonstrações de sincretismo entre as divindades existentes. Com efeito, no Império Romano, que tinha como “plano de fundo” a religiosidade
proto-romana, a partir do século II começaram a instalar-se os deuses romanos paralelamente aos cultos indígenas na Península, o que poderá ter-se iniciado já na época pré-romana, por influência dos contactos com os Fenícios, Gregos e Cartaginenses, que teriam introduzido os seus substitutos.
O cristianismo, quando penetrou na Península Ibérica, através dos canais do Império Romano, foi encontrar um “fundo religioso” multissecular constituído por uma multiplicidade de deuses e cultos. E os cristãos celebram as etapas mais importantes da vida com determinados costumes e rituais que, nalguns casos, foram sendo transmitidos ao longo dos séculos (Castro, 2006: 60). Estes acreditam que Deus os acompanha desde o nascimento até à morte, motivo pelo qual muitos pais batizam os seus filhos pouco tempo depois de nascerem. Em todas as confissões cristãs, seguindo o exemplo de João Baptista, é derramada água sobre a cabeça do batizando, ou este é imerso em água. Ao mesmo tempo, a palavrabatismo também está relacionada com o ato de dar um nome a alguém. Dizem que os nomes de batismo são apenas usados por pessoas dessa religião e costumam ser os mesmos dados pelos pais no nascimento. Quando os pais católicos selecionam um nome para os seus filhos, consideram que também selecionam um nome de batismo. E não é incomum serem nomes de santos.
Assim, podemos afirmar que as características essenciais do cristianismo têm uma relação muito próxima com a antroponímia portuguesa, e uma evidência disso são os nomes de batismo originários daBíblia (Gonçalves, 2013: 230). Vejam-se alguns exemplos:
Maria
Tem origem no hebraico MYRIAM, que significa 'senhora soberana' ou 'a vidente'. É um dos
nomes mais comuns do mundo há séculos, e pode ser visto também como segundo nome e até em conjugação com nomes masculinos, como João Maria ou José Maria. Por ser utilizado por muitas culturas, o nome tem um vasto leque de interpretações. A versão mais utilizada é a advinda do hebraico MARAH, que quer dizer 'aquele que é insistente' ou 'sabor amargo'. A
segunda interpretação mais difundida é a do egípcio MRYM, que significa 'amada de Amón', ou
seja, 'amada por Deus', explicação que foi tomada de empréstimo pela Igreja Católica séculos mais tarde (Dicionário de nomes bíblicos-Dicionário online de português).
João
Tem origem no hebraico YEHOKHANAN, IOHANAN, composto pela junção dos elementos YAH, que
quer dizer 'Javé, Jeová, Deus', e HANNAH, que quer dizer 'graça'. Significa 'Deus é gracioso,
agraciado por Deus, a graça e misericórdia de Deus, Deus perdoa'. Este nome deve a sua popularidade a dois personagens do Novo Testamento, ambos santos muito reverenciados. O primeiro foi João, o Batista, um eremita judeu considerado o antecessor de Jesus Cristo. O segundo foi São João Evangelista, um dos doze apóstolos de Cristo, autor do Evangelho Segundo João e do livro da revelação apocalíptica (Dicionário de nomes bíblicos-Dicionário
online de português).