Del I Årsrapport
Kapittel 8 Samarbeid og forskning
8.2 Vitenskapelige arbeider
8.2.3 Publikasjoner
A inspiração para o nome perfeito pode envolver uma variedade de conhecimentos. Tradição cultural; herança familiar; confissão religiosa; preferências pessoais; tendências em voga; nomes curtos, nomes compostos; exotismo e grau de raridade ou vulgaridade do nome; ordem alfabética, entre outros. Existe uma infinidade de fontes de inspiração (Belo, 1995).
Em primeiro lugar, é necessário dar atenção aos critérios semânticos ou relativos ao “poder” do nome.
O modelo de excelência é que o nome pode expressar o que se procura na vida. Afinal, o nome é o símbolo específico dado pelo indivíduo e dá sempre a primeira impressão nas pessoas, além de conter os desejos e as esperanças auspiciosas dos pais.
Por exemplo, se um casal quer que o seu filho se torne um atleta na idade adulta, pode escolher um nome que tem relação com a força física e agilidade; se um casal quer que a sua filha se torne uma professora, pode escolher um nome relacionado com a habilidade cultural e a sinceridade.
Em segundo lugar, é necessário dar atenção à combinação com o nome de família, e é melhor ter em conta a correspondência com o grau de raridade ou vulgaridade.
Se alguém tem um nome de família mais comum, tal como Silva (9.44%), Santos (5.96%), Ferreira (5.25%), pode escolher um nome um pouco menos frequente para fazer uma combinação agradável.
consultar on-line no Google quantos homónimos os filhos terão antes de os nomear. Se a ocorrência for muito alta, isso prova que o nome é demasiado vulgar, e o melhor será mudar para outro. Também precisam de verificar se existe redundância, como Maria Mariana, Fernanda Fernandes. Se realmente não gostam desse tipo de cacofonia que forma a expressão, com sons desagradáveis ou ambíguos, o melhor é mudar para outros.
Além do mais, precisam de pensar nos possíveis apelidos, pois há muitos casos em que alguém é chamado pelo apelido em vez do nome próprio (o Teixeira, a Barros).
Por outro lado, os nomes próprios são frequentemente reduzidos a hipocorísticos ou nomes familiares. Beatriz, por exemplo, habitualmente vira Bia, mesmo que as pessoas insistam no nome original. Então, é necessário imaginar todos os resultados que com os apelidos irão formar.
Em terceiro lugar, deve-se prestar atenção à grafia e à estética.
A grafia do nome mostra-se muito importante e por isso merece atenção por parte dos progenitores, por exemplo, se o nome da criança for muito extenso irá tornar-se mais difícil e redundará num processo mais demorado para esta conseguir escrever o seu nome completo. Também se deve ter em conta a primeira letra do nome, pois em Portugal há muitos casos em que os nomes surgem por ordem alfabética, como no caso dos exames nacionais. Nos exames nacionais em Portugal os alunos são distribuídos em salas por ordem alfabética, e aos alunos cujo nome surge no início do abecedário ser-lhes-á atribuído um professor em primeiro lugar. Nos exames nacionais de 2013 estima-se que cerca de 90% dos professores fizeram greve, os alunos encontravam-se na sala de aula para realizar o exame, no entanto, só aqueles cujo nome surgia no início do abecedário tiveram um professor a vigiar a sala, enquanto os alunos cujo nome aparece no fim tiveram que fazer o exame noutro dia por causa da falta de professores. A própria distribuição nas salas de aula é habitualmente feita começando pelos nomes iniciados por a, pelo que as crianças e jovens do início do alfabeto poderão ter melhor visibilidade e proximidade do quadro e da frente da sala.
Além disso, também as bibliografias estão dispostas por ordem alfabética, aqueles cujo o nome começa com a letra “A” têm vantagem sobre os outros, pois aparecem em primeiro lugar, tornando mais fácil e mais curta a procura.
No que diz respeito à estética, têm que atentar na sigla — as letras iniciais de diversas palavras. Nunca formar acidentalmente uma expressão com significado malquisto. Por exemplo, o nome Rui Alexandre Tavares Oliveira forma a sigla RATO, o nome Diana Inês
Amaral Barroso de Oliveira, DIABO. Atualmente, as pessoas são cada vez mais identificadas pelas iniciais, especialmente nas empresas, escolas ou agências, portanto, esse pequeno detalhe não deve ser ignorado.
Em quarto lugar, deve-se decidir se se quer ou não seguir os critérios de respeito pelos antepassados e pela tradição.
Em Portugal há muitas famílias que têm a tradição de dar determinado nome, e alguns nomes são herdados de geração para geração. Contudo, o século XXI é uma era com mentes muito abertas, e os portugueses, que estão na vanguarda das tendências da moda, não gostam de obediência completa, estando mais dispostos a seguir os seus próprios pensamentos. Para corresponder à pressão de seguir o comportamento familiar mas também considerar os seus desejos, a melhor solução é usar o nome tradicional da família como nome do meio.
Em quinto lugar, deve-se atentar se a fonética corresponde à esperança inicial.
Existem muitas maneiras de verificar a sua escolha, por exemplo, repetir o nome centenas de vezes antes de tomar a decisão final; deixar as pessoas ao redor ouvir a pronúncia para avaliarem se há algo errado. De qualquer modo, um exercício ótimo é utilizar as mais variadas entonações e sentidos, com o objetivo de ver se a sonoridade causa agrado e satisfação.
Em sexto lugar, deve-se ter em atenção que às vezes o exotismo do nome é favorável, mas outras vezes não. Os benefícios são conhecidos por serem rápidos e fáceis de lembrar e impressionar em comparação com os nomes comuns. A desvantagem é que, devido à sua raridade, em muitos casos é fácil tornar-se objeto de atenções. Investigações indicam que as crianças com nomes “estranhos” são facilmente alvo de brincadeiras de mau gosto nas escolas durante a infância. Isso tem um grande impacto no crescimento normal da criança.
Finalmente, há que salientar que a tendência do nome é sempre um círculo. Então não há necessidade de escolher um nome só porque já ninguém se chama assim, ou seja, gostar de qualquer nome que parece em desuso. A moda está sempre em mudança: os nomes populares podem ser impopulares um dia, e os nomes impopulares também podem ser populares um dia. Joaquim, por exemplo, já foi considerado um nome fora de moda e depois retornou com tudo. Isso muda e não pode ser um fator determinante.
A dissertação que neste momento concluo tem como objetivo dar um contributo, ainda que geral e pouco aprofundado, para o estudo da evolução da cultura antroponímica em português e chinês.
Uma língua, como um corpo vivo, que não é estático e fechado, apresenta sempre variação e mudança, a vários níveis. Desde logo variação social, geográfica e cronológica, ou seja, variação diastrática, diatópica e diacrónica, respetivamente, as quais são três manifestações concretas dos fenómenos de mudança linguística. A mudança é um processo inerente à própria língua natural humana, mas não é só o sistema linguístico que evolui, também evoluem aqueles que o usam. Sendo a antroponímia um dos mais importantes recursos verbais humanos, também nessa área existe variação e mudança, embora os nomes fixem frequentemente palavras comuns da língua.
A antroponímia revela-nos aspetos interessantes de civilizações anteriores e das suas instituições, na medida em que os nomes são frequentemente concebidos sob o influxo religioso, político, social e histórico, sob as mais variadas circunstâncias, deixando transparecer o espírito das sociedades de diferentes épocas e lugares. Portanto, podemos dizer que estudar a antroponímia e a mudança ou desenvolvimento da linguagem é inseparável.
Nas origens dos apelidos em português e chinês ambos oferecem exemplos que derivam de ocupações ou profissões, da toponímia, de posições oficiais, etc. O tributo do imperador chinês e o batismo do papa português também têm efeitos em comum. Entretanto, na cultura portuguesa há exemplos de apelidos que descrevem as características físicas, enquanto na cultura chinesa existem apelidos que representam feudos e tribos.
A antroponímia constitui-se como um tópico que tem relação com os estudos lexicológicos e é um recurso indispensável para reatar o fio do sistema lexical pretérito. Nesse entendimento, o vocabulário relevante da antroponímia dá dicas e probabilidades que permitem investigar o modo como o estágio histórico específico evidenciava o seu sistema de nomeação e os vários ângulos da situação social para a qual o nome pode remeter. A mudança histórica envolve inevitavelmente a capacidade de compreensão e aceitação de práticas que concretizem o desejo de transformação, não apenas o aperfeiçoamento e o desenvolvimento, como também a decadência e a regressão. Em outras palavras, não importa como é a situação posterior, para que a mudança aconteça, as pessoas precisam de ser sensibilizadas para ela. Foi nesse contexto que surgiu o segundo capítulo, tendo por
objetivo avaliar como se caracteriza o processo de construção, adoção e difusão dos nomes nos diferentes períodos e as possíveis implicações sociais e culturais expressas através da classificação e identificação da antroponímia.
A ordem dos nomes completos em português e em chinês é diferente, mas a composição é o apelido mais o nome próprio. Ao mesmo tempo, pode-se descobrir que a discriminação de género incorporada na composição do nome, ou seja, a mulher após o casamento deve seguir o apelido do marido, melhorou com o desenvolvimento do movimento de libertação das mulheres. Além disso, em chinês, o uso de “geração” como nome é único, ao passo que o uso do nome do meio em nomes portugueses é exclusivo.
As profundas conotações culturais refletidas na antroponímia estão intimamente relacionadas com mudanças históricas, e ambientes históricos e culturais específicos produzem tendências diferentes, o que é fator de semelhança entre os dois. No entanto, devido às diferenças de fonte cultural, os significados abordados são muitas vezes desiguais.
Quase todos os lugares do mundo exprimem atitudes, comportamentos e valores que diferem de outros lugares. É por esse motivo que cada sociedade tem uma cultura particular. Existem muitos estudos sobre as diferenças culturais, e a esse respeito é necessário falar de Hofstede, o grande psicólogo holandês criador da teoria das cinco dimensões de cultura.
As análises de Hofstede comprovaram que algumas características da cultura inerente a alguns países e regiões afetam o comportamento diário da sua sociedade e organização, e que o impacto é persistente ao longo do tempo. As características são padrões culturais, também chamadosdimensões culturais.
Há cinco dimensões de cultura. A primeira delas é o individualismo versus coletivismo. A segunda, a aversão à incerteza, a terceira, a distância relativamente ao poder, a quarta, a masculinidadeversus feminilidade. Há ainda a orientação de curto prazo versus longo prazo. As sociedades diferentes podem pontuar alto ou baixo em cada dimensão devido às suas características ou comportamentos. Com base nas cinco dimensões, podemos analisar a cultura antroponímica em português e chinês, o que deu a inspiração para o terceiro capítulo deste trabalho.
Depois de identificarmos as semelhanças e diferenças entre a tradição antroponímica portuguesa e a chinesa, não só em termos linguísticos, mas também históricos e socioculturais, ainda nos centrámos nas preferências e tabus das pessoas em relação às denominações de hoje e na influência das crenças religiosas, ambiente ecológico, costumes
especiais, gostos estéticos e formas de pensamento na evolução dos nomes.
Ao simplesmente analisar as semelhanças e diferenças entre a cultura antroponímica em português e em chinês, espero ter fornecido informações que ajudem a aprofundar a compreensão das duas línguas e culturas e a promover uma comunicação, integração e fusão de culturas.
Por fim, retomando o começo desta conclusão, espero que outros investigadores venham a aprofundar estes tópicos, uma vez que a “cultura antroponímica” merece um estudo mais amplo e que, no âmbito dos estudos comparativos luso-chineses, não existe ainda grande apoio bibliográfico a este respeito, o que determinou que o meu trabalho fosse apenas uma primeira abordagem do assunto.
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