4. Analyse av resultater fra delphi-studien
4.3 Refleksjon over resultater i fase 3
De acordo com van de Donk e Snellen (1989) as quatro racionalidades distinguem a administração pública da empresa privada. Esta distinção, contudo, é baseada na suposição de que as empresas privadas, em princípio, podem-se limitar às racionalidades económicas e a um certo grau de racionalidades científicas. Esta suposição, se fosse analisada do ponto de vista institucionalista e evolucionário poderia ser uma simplificação irrealista. Poucos iriam argumentar que a legislação (de vários tipos) não afecta as estratégias das empresas privadas.
O conceito de “racionalidade política” pode, num sentido lato como foi usado anteriormente, ser relevante para a compreensão das actividades que estão a decorrer entre empresas privadas. A distinção entre organizações públicas e privadas pode ser uma questão de encontrar padrões significativos de modo a que estas várias racionalidades estejam interrelacionadas. Argumentos para estas declarações podem ser encontrados em Lane (1988), que de certo modo, é menos “categórico” nesta distinção entre organizações públicas e privadas.
De uma análise comparativa entre gestão pública e privada, Lane (1988) argumenta que numa economia mista poderá ser difícil distinguir, claramente, entre liderança pública ou privada, porque “cada um parece trabalhar com uma multiplicidade de objectivos e enfrenta um complexo ambiente onde vários interesses procuram participação e muitas regras restringem o comportamento”. Contudo, ele conclui que numa economia mista continuam a existir
diferenças fundamentais entre a gestão pública e privada especialmente ao longo de duas dimensões como são ilustradas no quadro II.7.:
Quadro II.7. Liderança pública e privada
AMBIENTE
ORIENTAÇÃO Estável Instável
Interesse público I II
Interesse privado III IV
Fonte: Gregersen (1992), pág. 134.
A primeira dimensão é a bem conhecida clássica orientação dos objectivos. A segunda dimensão é o ambiente, no qual as duas organizações operam. A imagem tradicional das organizações públicas é o tipo I, considerando que as organizações privadas são tipo IV. De acordo com esta imagem, as organizações públicas tendem a trabalhar num ambiente mais estável ou menos instável do que as organizações privadas. As “condições de mercado” ou as relações com os consumidores ou clientes difere entre os dois tipos de organizações. As relações com os consumidores ou clientes das organizações públicas são muitas vezes autoritárias sem possível saída considerando que a relação das organizações privadas com os seus consumidores depende da procura de mercado e a saída tanto para o produtor como para o consumidor é uma possibilidade.
As organizações privadas tentam maximizar ou satisfazer uma função privada de objectivos, enquanto que as organizações públicas têm de responder aos interesses públicos definidos por um corpo político que é o governo ou pelo eleitorado. Como foi indicado anteriormente, o interesse público pode, muitas vezes, consistir numa multiplicidade de objectivos ou racionalidades contraditórias, qualitativas sendo muitas vezes difíceis de quantificar ou avaliar.
Se substituir a dimensão de orientação de objectivos no quadro II.7. com uma dimensão que capta a orientação para inovação, pode-se ilustrar a imagem tradicional de inovação das organizações públicas e privadas como no quadro II.8.:
Quadro II.8. Capacidade de inovação pública e privada
AMBIENTE
ORIENTAÇÃO Estável Instável
Rotina I II
Renovação III IV
Fonte: Gregersen (1992), p. 135.
De acordo com esta imagem tradicional as organizações públicas tendem a ser do tipo I, enquanto que as organizações privadas pertencem ao tipo IV. É assumido que a ausência de concorrência (ambiente estável) juntamente com a burocracia no sentido Weberiano (especialização funcional, regras e procedimentos para assegurar uniformidade e continuidade, falta de humanidade nas relações interpessoais, hierarquia de autoridade, e qualificações técnicas formam a base de emprego e promoção) travam a capacidade de inovação das organizações públicas e estimula a conformidade e soluções rotineiras padronizadas. Pelo contrário, o espírito empreendedor no sentido Schumpeteriano (crescimento pessoal, criatividade e iniciativa) juntamente com a concorrência (ambiente instável) força as organizações privadas a inovar continuamente.
O trabalho desenvolvido por Daft (1982) pode ajudar a introduzir algumas luzes na imagem sombria da capacidade inovadora das burocracias públicas. O ponto de partida é que todas as organizações, sejam públicas ou privadas, orgânicas ou mecânicas, ou híbridas têm de lidar com o dilema estabilidade-mudança, facilitando a rotina e a novidade. Eles resolvem este dilema de maneiras diferentes dependendo do tipo de inovação tipicamente necessária e do contexto ambiental.
Muitas instituições tradicionais de bem-estar público relacionadas com serviços pessoais como lares de terceira idade, jardins de infância e escolas, mas também instituições de administração pública como a administração fiscal e departamentos de serviços sociais têm actualmente de enfrentar um ambiente instável com mudanças frequentes nas leis e cortes orçamentais. Também os hospitais públicos depararam-se nos anos mais recentes com uma crescente incerteza tanto no ambiente técnico como administrativo criando uma necessidade urgente por alterações organizacionais especiais. Algumas destas instituições, especialmente na área administrativa, tentaram responder ao ambiente em mudança através da introdução de novas tecnologias de informação. Contudo, muitas tiveram problemas devido a uma falta de
conhecimento interno sobre computadores e uma falta de mudança organizacional para um tipo mais orgânico de burocracia capaz de tirar proveito das novas tecnologias de informação.
É importante frisar que o grau de incerteza do ambiente pode mudar com o decorrer do tempo. Desde a revolução da micro electrónica a pressão para as inovações técnicas e administrativas têm sido crescentes nas organizações públicas e privadas, mas sem estudos comparativos não existe nenhuma razão particular para acreditar à priori que as instituições públicas podem fazer pior do que as privadas no longo prazo.