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3. Metode, gjennomføring og funn

3.3 Delphi-metoden

3.3.1 Fase 1: Idémyldring

Existem diversas preocupações políticas relacionadas com a convergência e divergência dos sistemas nacionais. Algumas destas preocupações têm que ver com a eficiência económica e igualdade enquanto outras têm a ver com a integração económica e o papel das nações na economia global. Vejamos as grandes linhas de preocupações políticas:

i) As diferenças nos níveis de rendimentos per capita entre países podem ser vistos como um problema de desigualdade e oportunidades desiguais. Porque deve a oportunidade de obter uma alimentação correcta e boa educação depender do local de nascimento e da cidadania nacional resultante? Visto deste ponto de vista, a convergência na forma de estreitamento das lacunas no rendimento per capita entre países e continentes pode ser um objectivo importante para a comunidade internacional. Levar tal objectivo de uma forma séria implicará estender o alcance do “Estado de Bem-Estar” do nível nacional até ao nível global. Uma perspectiva mais limitada é centrar-se no “catching up” nacional ou no empurrar para a frente da própria economia em relação a algumas economias “benchmark” específicas (Balzat, 2003). Até agora, a segunda perspectiva tem sido a dominante mesmo nos países mais ricos da OCDE.

ii) As diferenças na especialização internacional são normalmente vistas como positivas e o desenvolvimento da especialização é visto como uma fonte de crescimento da riqueza global. As ideias clássicas desenvolvidas por David Ricardo e Adam Smith de que os países envolvidos em trocas internacionais irão todos ganhar com a especialização e comércio, continuam fortemente presentes na maioria dos discursos e práticas políticas. Mas em paralelo existe um contínuo debate relacionado com a nova teoria do comércio, acerca de quão longe e de que formas uma especialização em sectores caracterizados por fortes efeitos de aprendizagem e crescentes retornos é mais vantajosa para o desenvolvimento económico do que uma especialização em sectores específicos caracterizados por efeitos de aprendizagem muito limitados e mercados estagnados. A história indica que alguns países retiraram muito menos efeitos positivos da sua participação no comércio mundial do que outros (Archibugi e Michie eds., 1998; Fagerberg, Guerreri e Verspagen, 1999).

iii) As diferenças institucionais entre países podem ser vistas como um factor positivo que apoia a inovação e contribui para a estabilidade num período de mudanças rápidas. Mas também podem ser vistas como barreiras ao fluxo livre dos factores de produção e até mesmo como barreiras ao comércio (Ostry e Nelson, 1995). É um assunto altamente controverso em que medida o grau de integração política e económica na Europa se deve centrar na erosão de tais diferenças. Por um lado, podem existir economias de escala a tirar proveito da criação de um espaço homogéneo mais amplo, por outro lado, a diversidade institucional pode estimular a aprendizagem e inovação.

iv) Um aspecto político especial da diversidade institucional é a ideia que existe apenas uma única “melhor prática” para fazer certas coisas (organizar transportes, educar pessoas, regular indústrias, etc.). Se isto fosse verdade para a maioria das actividades socio-económicas, a convergência em direcção às melhores práticas internacionais seria racional e a falta de convergência poderia ser vista como uma falta de eficiência dinâmica. Correntemente a crescente ênfase no “benchmarking” na realização das políticas europeias pode ser vista a esta luz. No entanto, algumas instituições podem ser mais fáceis de importar do estrangeiro e introduzidas como

elementos separados enquanto outras estão fortemente interrelacionadas com outras partes do sistema nacional (Lundvall e Tomlinson, 2000).

Relacionado com a integração europeia foi proposta uma tarefa analítica importante: fazer uma distinção entre diversidade internacional “positiva” e “negativa” (Soete, 2002). Mas fazê- lo não é fácil, pois envolve escolhas em áreas onde existem “trade-offs” difíceis. Determinar o “benchmark” à volta do qual os sistemas devem convergir é um processo altamente político.

Os assuntos políticos relacionados com a convergência institucional num mundo globalizado são especialmente complexos. Algumas instituições nacionais únicas podem ser vistas como tendo um elevado valor cultural intrínseco e também podem ser importantes fontes do “capital social” que faz a economia funcionar sem muito atrito. Isto parece ser verdade para alguns dos bem sucedidos e prósperos pequenos estados da Europa. Contribuições clássicas para a análise do sucesso de países pequenos são Kutznets (1960), Svennilson (1960) e Katzenstein (1985). As forças e as fraquezas de pequenos sistemas de inovação foram analisados em Freeman e Lundvall (1988) e em Edquist e Lundvall (1993). Encontrar formas de criar mais “economias de aldeia” (Maskell et al. 1998) deste tipo na Europa pode ser uma alternativa à construção de um espaço homogéneo institucionalmente dominado por uma lógica de mercado “standard”. Mas instituições do tipo “aldeia” também podem estar no centro da exclusão de trabalhadores imigrantes e de minorias do mercado de trabalho. Na era dos processos de globalização é um grande desafio tentar fazer com que as “economias de aldeia” se abram tanto que possam permitir a coexistência de culturas e etnias, sem minar o capital social que os mantém juntos.

Para o mundo em desenvolvimento e para as antigas economias planeadas existem também assuntos fundamentais relacionados com a convergência ou divergência institucional. Alguns dos conselhos dados por organizações internacionais como o FMI e o Banco Mundial não foram muito úteis. A estimulação de um movimento para a “pura economia de mercado” na Rússia criou uma má combinação de uma monstruosa desigualdade e extrema ineficiência. Nos mais recentes relatórios do Banco Mundial foi reconhecido que o “Consenso de Washington” - abordagem ao desenvolvimento económico onde mercados abertos e finanças públicas disciplinadas eram as pedras angulares - não deu o prometido incentivo geral ao desenvolvimento económico no terceiro mundo. Nas palavras do anterior economista-chefe

do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, o conselho era “... manter a inflação num nível moderado, limitar o tamanho do deficit fiscal, evitar a introdução de grandes distorções na economia, abrir a economia à competição estrangeira...” (Stiglitz, 1998, pág. 28).

O Consenso de Washington tentou definir uma estratégia de desenvolvimento “melhor prática”; uma estratégia com um suposto alcance muito – se não geral – vasto de aplicabilidade. Foi agora reconhecido que não existe tal melhor prática. O equilíbrio macroeconómico continua a ser visto como uma parte necessária de uma estratégia de desenvolvimento efectiva, mas é agora enfatizado que tem de ser complementado com inovações institucionais: “Uma parte essencial das novas estratégias de desenvolvimento envolve a criação de instituições e a mudança de culturas – o movimento para uma cultura de mudança e ciência, onde as práticas existentes são questionadas e são constantemente exploradas alternativas” (Stiglitz, 1998, pág.29).

5.3. Conclusões

Neste ponto é discutido o tema controverso da globalização e a sua posição perante os sistemas nacionais de inovação. É irónico que à medida que a importância das políticas tecnológicas e políticas industriais foi crescentemente reconhecida na OCDE e nos países desenvolvidos, as limitações das políticas nacionais são crescentemente enfatizadas e a relevância dos sistemas nacionais crescentemente questionada (Humbert, 1993). O alcance global das empresas multinacionais, as reduções drásticas dos custos e melhorias da qualidade nas redes de telecomunicações globais e outras rápidas e relacionadas mudanças na economia mundial devem certamente ser levadas em conta em qualquer análise satisfatória dos sistemas nacionais (Chesnais, 1992; Freeman e Soete, 1997; Edquist, 1997).

É, à primeira vista, tentador seguir Ohmae (1990) e rejeitar as economias nacionais e encarar nações como categorias rapidamente obsoletas. A velocidade da mudança e as dificuldades de uma análise focalizada podem ser ilustradas pela confusão na terminologia. Ohmae defende que as nações estão a perder o seu poder e a sua influência tanto no sentido ascendente como descendente, por um lado para instituições supranacionais (UE, North American Free Trade

Agreement (NAFTA), Organização das Nações Unidas (ONU), etc.), assim como para as

empresas multinacionais e, por outro lado, para autoridades e organizações sub nacionais, provinciais, urbanas e locais (a desintegração de estados federais e centralizados, a crescente

importância em algumas áreas de agências governamentais locais e até várias formas de zonas de comércio livre). Infelizmente, a mesma palavra “regiões” é usada para descrever ambos os processos – os grandes blocos de comércio “regionais”, como a NAFTA, ou a emergente “região” da Ásia de Leste e as muito pequenas “regiões” sub nacionais. É necessária aqui alguma inovação ao nível da terminologia.

O trabalho dos geógrafos assim como dos economistas (por exemplo, Storper e Harrison, 1991; Saxenian, 1991; Lundvall, 1992; Antonelli, 1994) demonstrou convincentemente a importância de regiões sub nacionais para o desenvolvimento de redes e novos sistemas tecnológicos. Eles argumentavam que as infra-estruturas locais, externalidades, especialmente em capacidades e mercados de trabalho locais, serviços especializados, confiança mútua e as relações pessoais contribuíram grandemente para o florescer das regiões. Não deve ser esquecido, que os “sistemas de inovação regionais” e as “economias de aglomeração” sempre suportaram os sistemas nacionais desde os princípios da Revolução Industrial (Arcangeli, 1993). Marshall (1890) já tinha sublinhado a importância daquilo que se entendia na altura como "distritos industriais" onde "os segredos da indústria estavam no ar" (Foray, 1991). Piore e Sabel (1984) realçaram especialmente a importância destas regiões em muitas partes da Europa tanto no século XIX como nos dias de hoje.

A vulnerabilidade das economias nacionais a choques externos é também um novo fenómeno das últimas décadas, embora a liberalização do mercado de capitais e dos fluxos internacionais de comércio e investimento juntamente com a computorização e as redes de novas telecomunicações possa ter aumentado esta vulnerabilidade.

O trabalho de Freeman (1995) defendeu que as nações, as economias nacionais e os sistemas nacionais de inovação ainda são elementos indispensáveis da análise económica e política, apesar de algumas mudanças para regiões maiores e menores. De facto, Michael Porter (1990) pode ter razão quando afirma que a intensificação da concorrência global tornou o papel da “nação-mãe” mais importante. Particularmente do ponto de vista dos países em desenvolvimento, as políticas nacionais para “catching up” na tecnologia permanecem de fundamental importância. Não obstante, a interacção dos sistemas nacionais com os sistemas de inovação sub nacionais e com empresas multinacionais será crescentemente importante, assim como será o papel da cooperação internacional em suster um regime global favorável ao “catching up” e desenvolvimento. Estas tendências que são por vezes de conflito e outras

vezes de convergência serão seguramente uma das mais excitantes áreas de investigação nos próximos tempos. Igualmente excitante será o estudo dos sistemas de inovação sectoriais, que afectam indústrias específicas ou “clusters” de indústrias que por vezes têm um melhor desempenho do que os nacionais (Carlsson e Jacobsson, 1993).

Kuhlmann (2001) referiu que, na Europa, a investigação pública e as políticas tecnológicas e de inovação deixaram de estar exclusivamente nas mãos de autoridades nacionais. Crescentemente, as iniciativas nacionais são supridas e competem com políticas de inovação regionais ou programas transnacionais, em particular, na UE. Assim, a inovação industrial ocorre, cada vez mais, dentro de redes internacionais.

Em suma, no contexto da globalização, não deve ser abandonada a análise nacional do sistema nacional de inovação, dada a ainda forte componente institucional de cariz nacional, mas o estudo dos sistemas nacionais de inovação deve obrigatoriamente ser conjugado com outros sistemas supra ou sub nacionais.

Capítulo II. Os sistemas nacionais de inovação e a política de inovação do