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3. Metode, gjennomføring og funn

3.3 Delphi-metoden

3.3.2 Fase 2: Reduksjon

A primeira forte e clara advocacia de uma política de C&T nacional baseada no apoio público à investigação é usualmente atribuída a Francis Bacon que viveu entre 1561 e 1626. Em “New

Atlantis”, ele advogava a instituição de um grande instituto de investigação (“Salomon´s House”) que usasse os resultados de expedições e explorações científicas de todo o mundo

para estabelecer o “conhecimento das causas e movimentos secretos das coisas”. Provavelmente foram Bacon e Newton que, mais do que outros indivíduos, ajudaram a desenvolver na Grã-Bretanha nos séculos XVII e XVIII um clima cultural e político altamente favorável à ciência. Alguns dos Estados das cidades italianas forneciam um apoio mais generoso numa fase anterior, mas os problemas culturais, religiosos e políticos em Itália impediram o desenvolvimento de uma cultura científica exclusivamente favorável à Revolução Industrial como foi o caso da Grã-Bretanha no século XVIII. Deve ser referido que nessa altura não era costume fazer-se uma distinção clara entre investigação básica e aplicada6.

Antes das décadas finais do século XIX, as somas gastas no apoio a academias de ciências, sociedades científicas ou investigação universitária eram realmente muito pequenas. Os governos também despendiam pequenas quantias de dinheiro em investigação para armamento, frequentemente em fábricas de material de artilharia públicas. Apesar das somas

6 Esta é a investigação original empreendida de forma a adquirir novo conhecimento, dirigida, em primeiro lugar, a um alvo ou objectivo prático e específico. Os resultados da investigação aplicada são destinados principalmente a serem válidos para um ou um número limitado de produtos, operações, métodos ou sistemas. A investigação aplicada desenvolve ideias dentro de uma forma operacional. O conhecimento ou informação derivada dela é frequentemente patenteada mas também pode ser mantida em segredo. (Manual Frascati, 1993, pág. 7).

serem pequenas, a sua importância estratégica era considerável no contexto da altura. Por exemplo, as fábricas de material de artilharia e arsenais conduziam frequentemente o rumo no avanço da tecnologia do trabalho do metal e dos estaleiros navais que eram importantes para a indústria da construção naval como um todo. A Springfield Armoury (armaria) foi o pioneiro da tecnologia das partes intercambiáveis enquanto os anteriores trabalhos de Frederick Taylor, sobre as ligas de aço foi patrocinado pela marinha americana. A fábrica de armamento italiana possuída por Beretta, que foi descrita pelos historiadores como “a mais velha dinastia industrial do mundo”, levou à introdução de muitas novas tecnologias em Itália.

No final do século XIX, com o aumento de novas tecnologias químicas e eléctricas, os governos alargaram os limites das actividades científicas e técnicas. Laboratórios para a introdução e regulamentação de padrões industriais (metrologia), como o Bureau of Standards nos EUA, o Physikalische und Technische Reichsanstalt na Alemanha e o National Physical

Laboratory na Grã-Bretanha, assumiram importantes responsabilidades na investigação assim

como no apoio das suas funções reguladoras e foram instituídos outros laboratórios governamentais para apoiar a investigação civil.

A Primeira Guerra Mundial estimulou o crescimento do apoio governamental para a I&D científica em muitos países como, por exemplo, na fundação do Department for Scientic and

Industrial Research (DSIR) na Grã-Bretanha em 1915. Este continuou como uma agência no

apoio à ciência civil até os anos sessenta, controlando uma variedade de laboratórios governamentais e financiando a investigação universitária. Desenvolvimentos semelhantes ocorreram em muitos países, mas foi a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria (em que os dois grandes blocos político-ideológicos se vão enfrentar nos mais diversos planos da vida económica e social) que levaram à maior onda de fundos governamentais para a I&D, tomando uma forma de apoio maciça a alguns projectos enormes, dos quais o mais famoso foi o Manhattan para conceber e desenvolver armas nucleares. Este apoio foi seguido, em muitos países, de grandes instituições para a I&D nas aplicações militares e civis da energia nuclear. Estes não eram os únicos laboratórios da “big science”; existiram outros, especialmente com fins militares e para a exploração do espaço. Contudo, durante muito tempo, alguns governos começaram a aumentar o seu apoio à “little science”, isto é, um grande número de projectos de investigação levados a cabo por pequenos grupos de investigadores, por investigadores individuais ou alunos pós-graduados. Após a Segunda Guerra Mundial este tipo de investigação (principalmente universitária) recebeu, em muitos países, um aumento generoso

de fundos públicos, ficando a par com o crescimento da “big science”. A própria “big

science” não começou realmente com a Segunda Guerra ou com o Projecto Manhattan, mas

sim nos anos trinta. Embora se pensasse que o departamento da agricultura americano estivesse, na altura, a gastar mais na investigação do que o departamento da defesa e também se pensasse que a “small science” fosse predominante, os primeiros laboratórios da “big

science” emergiram bastante antes da Segunda Guerra Mundial. O mais importante, sem

dúvida, foi o Lawrence Berkeley Laboratory – O laboratório da radiação na Universidade da Califórnia em Berkeley.

Não sendo surpresa o enorme aumento do financiamento público da investigação, este não continuou desmesuradamente. A sua capacidade de sobrevivência a cortes governamentais e a sua continuidade nos anos oitenta em muitos países deveu-se a uma combinação de factores. Indubitavelmente, um dos principais factores era o forte apoio de agências militares em muitos países, especialmente nas super potências. Os exemplos das bombas nucleares e radares serviram para convencer mesmos os mais cépticos de que a tecnologia do armamento depende fortemente da ciência básica e especialmente da física. Assim, a força aérea dos EUA, o gabinete de investigação naval e outras agências militares estavam entre os maiores patrocinadores da investigação básica dos EUA nos anos cinquenta e sessenta. O seu apoio significou que as reivindicações da comunidade científica por dotações mais generosas eram recebidas muito mais favoravelmente do que antes da guerra.

Na União Soviética e outros países de leste, as ligações entre instituições académicas (investigação básica de apoio) e o complexo militar-industrial eram ainda mais estreitas e o financiamento público da investigação básica expandiu-se muito rapidamente, embora não concentrado em universidades como na Europa Ocidental e nos EUA.

Os argumentos económicos a favor do financiamento público da investigação não eram realmente elaborados em profundidade até algum tempo após a Segunda Guerra Mundial. Foram Nelson (1959) e Arrow (1962b) que escreveram os artigos clássicos, que fizeram a despesa pública na investigação básica assim como na educação, aceitável à maioria dos economistas. O principal ponto que eles focaram foi que as despesas privadas tenderiam a ser inferiores do que era economicamente e socialmente desejável se deixado ao mercado de financiamento. A investigação básica é por definição verdadeiramente incerta; os investigadores não conhecem quem irá beneficiar com os seus resultados. Consequentemente,

é improvável que as empresas financiem muita investigação básica porque eles não conhecem quais as indústrias ou empresas que serão capazes de se apropriarem do retorno do investimento. Usualmente, as empresas têm perspectivas de curto ou médio prazo para os seus investimentos em I&D. Elas esperam por um retorno dentro de poucos anos ou numa década no máximo e fazem os cálculos dos “cash-flows” seguirem esta direcção. Consequentemente, muito poucas empresas pensam que vale a pena financiar a investigação, que pode levar cerca de vinte a trinta anos a chegar a um rendimento que é, de qualquer modo, incerto.

A visão de que as empresas improvavelmente irão financiar muita investigação básica foi confirmada pela contraprova empírica. Certamente, existem exemplos de apoio industrial à investigação básica de longo prazo, alguns deles, como é o caso dos Laboratórios Bell, foram facilitados pela peculiar forma de regulamentação das indústrias de telecomunicações. Desde a desregulamentação e reorganização da AT&T, os fundos para a investigação básica foram drasticamente reduzidos nos anos noventa. Em outros (poucos) casos, especialmente na indústria química, empresas muito grandes como a Bayer, Hoechst, BASF, ICI e Du Pont estavam preparadas para apoiar a investigação básica orientada, que devido à enorme expansão dos portfólios dos seus produtos era mais provável de produzir resultados de interesse para eles. Há no entanto, estudos que apoiam a visão de que as empresas, numa variedade de indústrias, necessitavam de um contínuo contacto ou envolvimento com a investigação universitária para uma inovação com sucesso (Faulkner e Senker, 1994).

Os resultados da investigação biológica conduziram a um a crescimento extremamente rápido da biotecnologia com inumeráveis potenciais aplicações. Estes desenvolvimentos inesperados significaram que as empresas da indústria química teriam de recorrer rapidamente a uma variedade de técnicas para a compreensão e assimilação dos resultados da investigação universitária. Isto inclui a contratação de muitos biólogos universitários como consultores, recrutá-los para os departamentos de I&D industrial, ou financiamento da investigação nos departamentos universitários (Sharp, 1991).

Finalmente, os benefícios sociais da investigação básica e aplicada financiada publicamente são muito mais vastos do que a vantagem competitiva das empresas ou o crescimento da economia. Exemplos óbvios são a investigação sobre os problemas de saúde pública e sobre o ambiente. Como Pavitt (1996) referiu, é altamente improvável que as empresas privadas tivessem financiado a primeira investigação sobre a BSE ou sobre o cancro e tabaco. É ainda

menos provável que elas quisessem ou pudessem financiar a investigação sobre o buraco na camada do ozono ou sobre a vida em Marte. Não se sabe simplesmente quais serão os resultados da investigação sobre astronomia ou sobre a física das partículas e os custos da instrumentação são muito pesados. No entanto, a sociedade julga que vale a pena incorrer nestes custos mesmo que nenhuma empresa privada esteja disposta a incorrer nos mesmos.

Esta visão clássica das externalidades resultantes da investigação básica e do substancial financiamento público quase não foi posta em causa nos anos sessenta e setenta mas ficou debaixo de fogo por parte de Milton Friedman e, mais recentemente, por um cientista, Terence Kealey (1996). No seu livro The Economic Laws of Scientific Research, Kealey tentou mostrar, como muitos outros antes dele, que o chamado “modelo linear” de I&D é enganador. Mas considerando que a maioria dos historiadores, engenheiros e cientistas sociais argumentaram que este deveria ser substituído por um modelo “interactivo”, que aponta para as fortes interacções entre a investigação básica, aplicada, desenvolvimento experimental7,

produção e mercados, Kealey argumentou que a investigação básica virá em último lugar. Apenas quando a sociedade é muito rica é que pode suportar a investigação básica. Ele deriva o seu modelo linear “invertido” da contraprova histórica que ele reuniu, que é, contudo, fortemente contestado pelos historiadores.

A conclusão política esboçada por Kealey foi de que todo o financiamento público da investigação básica deve ser retirado. Ele acreditava que deveria ser substituído por crescentes financiamentos da indústria privada, indivíduos privados e fundações privadas. O núcleo do bom senso neste argumento é que um padrão pluralista do financiamento é preferível a apenas uma fonte de financiamento.

As incertezas na investigação básica, a influência subjectiva na tomada de decisão e o elemento ideológico significam que é frequentemente desejável ter fontes alternativas. Contudo, a cessação de todo o apoio público teria, provavelmente, consequências de longo prazo desastrosas na maioria dos países e é altamente improvável que as fontes privadas

7 É o trabalho, plano ou esboço sistemático sobre o conhecimento existente, ganho ou conquistado através da investigação e/ou experiência prática que é direccionada para a produção de novos materiais, produtos ou dispositivos, para instalar novos processos, sistemas e serviços, ou para melhorar substancialmente aqueles já produzidos ou instalados. Nas ciências sociais, desenvolvimento experimental pode ser definido como um processo de transferência de conhecimento ganho através da investigação dentro de programas operacionais, incluindo projectos demonstração levados a cabo com propósitos de testes a avaliação (Manual Frascati , 1993, pág. 7).

compensassem o colapso do investimento público. Isto não significa dizer que todas as decisões acerca das despesas públicas para a investigação sejam sábias. Pelo contrário, podem existir falhas do Estado, pois está sujeito à pressão de “lobbies” poderosos.