Segundo Flick (2004), a interpretação de dados é o ponto central de uma pesquisa com abordagem qualitativa, como é o caso deste trabalho. A forma de tratamento e análise dos dados adotadas aqui será a de análise qualitativa do conteúdo, que é adequada tanto para produtos de mídia quanto para entrevistas e que utiliza categorias originadas por modelos teóricos (FLICK, 2004).
Já foram apresentados neste trabalho quais foram as fontes de evidência utilizadas, como foi conduzida a coleta dos dados e a caracterização dos materiais a serem analisados, sendo que todas as entrevistas foram gravadas e transcritas. Segundo Mayring (1983 apud Flick, 2004), essas são as três primeiras etapas da análise qualitativa do conteúdo.
Para a continuidade da análise, foi realizada um recorte das unidades de registro de acordo com seu tema, geralmente utilizado para o estudo de opiniões, atitudes, valores, crenças, entre outros, e bastante utilizado na análise de entrevistas. É válido destacar que a análise foi realizada com uma abordagem qualitativa, não visando a quantificação da frequência de aparição de cada tema das unidades de registro (BARDIN, 2007).
A categorização realizada gerou uma divisão das unidades de análise em 20 categorias analíticas, que seguiram os princípios de Bardin (2007) de exclusão mútua, homogeneidade, pertinência, objetividade / fidelidade e produtividade. Essas categorias são apresentadas no Quadro 12.
CATEGORIAS ANALÍTICAS 1. Histórico e propósito da Rede Asta
2. O comércio justo na visão da Rede Asta 3. Rede de cooperação da Rede Asta e seus atores 4. Principais indicadores e resultados da Rede Asta 5. Acesso a mercados consumidores e ampliação de vendas 6. Relação com fornecedores
7. Credibilidade e legitimidade 8. Capacitações para precificação 9. Prospecção de empresas
10. Comunicação e valorização cultural 11. Acesso a crédito diferenciado
12. Troca de informações de mercado, tendências, produtos e técnicas 13. Desenvolvimento de um novo produto
14. Segurança de pagamento, adiantamentos e investimentos.
15. Compartilhamento de atividades e complementariedade de técnicas 16. Transparência e confiança
17. Concorrência interna e comportamentos oportunistas 18. Aspectos ambientais no desenvolvimento dos produtos 19. Não exclusividade
20. Autoestima dos artesãos
Quadro 12 Categorias analíticas Fonte: Elaborado pelo autor (2015)
Essas primeiras categorias foram estabelecidas com a classificação analógica e progressiva dos elementos, com seus títulos estabelecidos apenas ao final do processo (BARDIN, 2007). Após esse processo, as categorias foram reagrupadas para originarem as categorias finais.
A primeira categoria final é a de apresentação do caso, na qual foram incorporadas as categorias analíticas de histórico e propósito da Rede Asta; o comércio justo na visão da Rede Asta; rede de cooperação da Rede Asta e seus atores; e principais indicadores e resultados da Rede Asta. Além de contextualizar o leitor sobre o caso estudado, nessa categoria final é apresentado como cada critério para a seleção do caso foi atendido e dois objetivos específicos do trabalho já são respondidos: a) identificar uma iniciativa de comércio justo de artesanato e analisá-la como uma rede de cooperação; b) mapear os atores que compõem essa iniciativa de comércio justo.
Já as categorias analíticas de acesso a mercados consumidores e ampliação de vendas; relação com fornecedores; e credibilidade e legitimidade foram agrupadas de forma a compor o
primeiro ganho competitivo em redes de cooperação, originando a segunda categoria final que é a de escala e poder de mercado.
As categorias analíticas de capacitações para precificação; prospecção de empresas; comunicação e valorização cultural; e acesso a crédito diferenciado foram agrupadas de forma a compor o segundo ganho competitivo em redes de cooperação, originando a terceira categoria final que é a de acesso a soluções.
As categorias analíticas de troca de informações de mercado, tendências, produtos e técnicas; e desenvolvimento de um novo produto foram agrupadas de forma a compor o terceiro ganho competitivo em redes de cooperação, originando a quarta categoria final que é a de aprendizagem e inovação.
Já as categorias analíticas segurança de pagamento, adiantamentos e investimentos; e compartilhamento de atividades e complementariedade de técnicas foram agrupadas de forma a compor o quarto ganho competitivo em redes de cooperação, originando a quinta categoria final que é a de redução de custos e riscos.
Por fim, as categorias analíticas segurança de transparência e confiança; e concorrência interna e comportamentos oportunistas foram agrupadas de forma a compor o quinto ganho competitivo em redes de cooperação, originando a sexta categoria final que é a de relações sociais. Essas categorias finais de escala e poder de mercado, acesso a soluções, aprendizagem e inovação, redução de custos e riscos e relações sociais foram estruturadas de acordo com a teoria e consolidarão a análise dos resultados para cumprir com os demais objetivos da pesquisa e responder ao problema proposto pelo presente estudo.
Já as categorias analíticas aspectos ambientais no desenvolvimento dos produtos; não exclusividade; e autoestima dos artesãos foram agrupadas na sétima categoria final que é a de outros aspectos do comércio justo. Ao longo da coleta de dados, aspectos relevantes foram apontados sobre essas três categorias analíticas e serão importantes para complementar a discussão dos resultados a partir da ótica do comércio justo, e não dos ganhos competitivos.
Com isso, o Quadro 13 sintetiza as categorias analíticas e seu agrupamento nas categorias finais.
CATEGORIAS ANALÍTICAS CATEGORIAS FINAIS
1. Histórico e propósito da Rede Asta
I. APRESENTAÇÃO DO CASO 2. O comércio justo na visão da Rede Asta
3. Rede de cooperação da Rede Asta e seus atores 4. Principais indicadores e resultados da Rede Asta 5. Acesso a mercados consumidores e ampliação de vendas
II. ESCALA E PODER DE MERCADO
6. Relação com fornecedores 7. Credibilidade e legitimidade 8. Capacitações para precificação
III. ACESSO A SOLUÇÕES 9. Prospecção de empresas
10. Comunicação e valorização cultural 11. Acesso a crédito diferenciado
12. Troca de informações de mercado, tendências, produtos e técnicas IV. APRENDIZAGEM E INOVAÇÃO
13. Desenvolvimento de um novo produto
14. Segurança de pagamento, adiantamentos e investimentos. V. REDUÇÃO DE CUSTOS E RISCOS
15. Compartilhamento de atividades e complementariedade de técnicas 16. Transparência e confiança
VI. RELAÇÕES SOCIAIS 17. Concorrência interna e comportamentos oportunistas
18. Aspectos ambientais no desenvolvimento dos produtos
VII. OUTROS ASPECTOS DO COMÉRCIO JUSTO 19. Não exclusividade
20. Autoestima dos artesãos
Quadro 13. Síntese das categorias analíticas e finais Fonte: Elaborado pelo autor (2015)
Dessa forma encerra-se a apresentação da metodologia adotada durante o trabalho e os capítulos a seguir apresentarão o caso a ser estudado e, posteriormente, a análise de dados e as considerações finais.