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Melting point depression theory

De acordo com Godoy (1995b), o estudo de caso visa analisar profundamente uma única unidade do objeto em estudo, sendo recomendado para responder questões de como e por quê a partir de diferentes dados coletados em diversos momentos por meio de entrevistas e observação como técnicas fundamentais.

O estudo de caso deve se concentrar em um caso particular e representativo. A unidade social será estudada com profundidade e intensidade, a fim de proporcionar uma posterior generalização para situações análogas, com a possibilidade de se realizar inferências. Com isso, o estudo de caso se caracteriza pela pesquisa dos fenômenos dentro do seu contexto real, com a intenção de se descrever, compreender e interpretar a totalidade de uma situação. Em suma, o estudo de caso é indicado para situações nas quais o pesquisador deseja entender um fenômeno em profundidade a partir de seu contexto, já que não há um limite claro entre o esse fenômeno e o contexto (MARTINS e THEÓPHILO, 2006; SEVERINO, 2007; YIN, 2010).

A pesquisa de estudo de caso pode combinar diversas técnicas de coletas de dados. Podem ser realizadas entrevistas, observações, análise de documentos, entre outros, e, com isso, tanto dados qualitativos, como palavras, quanto dados quantitativos, como números, são possíveis de serem coletados e utilizados no estudo de caso. Portanto, o estudo de caso conta com diversas fontes de evidências, cujos dados podem ser tanto qualitativos quanto quantitativos, devendo convergir para uma triangulação. Por fim, a coleta e a análise desses

dados se beneficiam da formulação prévia de proposições de estudo (EISENHARDT, 1989; YIN, 2010).

Este trabalho se preocupou com a formulação prévia de proposições, apresentadas anteriormente, e contará com uma abordagem qualitativa. Com isso, é relevante apresentar a seguir as características da abordagem qualitativa e suas implicações para esse projeto de pesquisa.

A distinção entre a abordagem qualitativa e quantitativa passou a ser feita nas pesquisas a partir do momento em que se percebeu que o conhecimento do modelo humano não poderia se reduzir apenas a parâmetros e critérios, evidenciando que o método experimental- matemático era ineficaz se os cientistas quisessem garantir a especificidade do homem como objeto puramente natural (SEVERINO, 2007). Cada vez mais utilizada, as pesquisas qualitativas se caracterizam “[...] pela descrição, compreensão e interpretação dos fatos e fenômenos, em contrapartida à avaliação quantitativa, [...] onde predominam mensurações” (MARTINS e THEÓPHILO, 2006, p.61).

Da mesma forma que essa primeira distinção feita, segundo Strauss e Corbin (2008, p.23), a abordagem qualitativa representa “qualquer tipo de pesquisa que produza resultados não alcançados através de procedimentos estatísticos ou de outros meios de quantificação”. Essa definição também vai de encontro ao exposto por Godoy (1995a), que aponta o não emprego instrumental estatístico na análise de dados como uma das principais características da pesquisa qualitativa.

Já Sampieri, Collado e Lucio (2006), destacam que além da não utilização do instrumental estatístico e da medição numérica, os estudos qualitativos buscam principalmente a dispersão ou expansão dos dados, diferentemente dos estudos quantitativos que visam medir as variáveis do estudo com precisão. Isso, segundo Sampieri, Collado e Lucio (2006), faz com que a abordagem qualitativa não tenha um resultado que seja generalizável, mas tenha fundamentação em um processo indutivo para geração de perspectivas teóricas. Este estudo possui, portanto, abordagem qualitativa uma vez que pretende-se gerar uma nova perspectiva teórica, explorando uma área para a qual já há literatura, que é o comércio justo, visando ganhar novos entendimentos.

Por fim, abordagem de pesquisa qualitativa envolve o “[...] contato direto do pesquisador com a situação estudada, procurando compreender os fenômenos segundo a

perspectiva dos sujeitos, ou seja, dos participantes da situação em estudo” (GODOY, 1995a, p.58). Tendo isso em vista, uma das formas de se realizar a investigação é o estudo de caso (GODOY, 1995b), estratégia de pesquisa que será adotada neste trabalho.

Após a definição da abordagem qualitativa para o estudo de caso, a próxima distinção que pode ser feita é com relação à quantidade de casos analisados.

Uma preocupação com relação à validade do estudo de caso como método de pesquisa é sua impossibilidade de generalização dos resultados e, por mais que de fato não permitam a generalização para a populações ou universos, estudos de casos múltiplos, aqueles com mais de um sujeito de estudo, podem contribuir para a generalização das proposições teóricas (YIN, 2010). O presente trabalho adotará o estudo de caso único como o método de pesquisa, apesar da recomendação de Yin (2010) ser a da priorização dos casos múltiplos. Entretanto pode-se dizer que essa pesquisa permitirá testar os limites da aplicação do modelo teórico de ganhos competitivos em redes de cooperação ao comércio justo, investigando um caso que pode ampliar as perspectivas teóricas sobre os temas e direcionar estudos futuros descritivos e com estratégias de casos múltiplos ou levantamentos.

Apesar deste trabalho ter sido desenvolvido para estudo de um caso único, a pesquisa se caracteriza como um projeto de caso único integrado, com a atenção dirigida também a mais de uma subunidade (YIN, 2010) ao se propor uma investigação da ótica de diversos atores presentes na rede mapeada. Ou seja, apesar de ter como objetivo compreender os ganhos competitivos dos artesãos, o presente estudo visa não apenas ter o olhar do próprio artesão, mas também das outras subunidades de análise, que são os outros membros da rede mapeada. Dessa forma buscou-se complementar as informações para análise e reduzir a possibilidade de um viés ou até mesmo de uma limitação da pesquisa, já que há a cautela para que os ganhos competitivos em redes de cooperação sejam de fato percebidos pelos artesãos. Essa opção, portanto, dialoga com o exposto por Yin (2010), que aponta como um dos potenciais problemas do estudo de caso holístico, que não é integrado, uma abstração grande na condução da pesquisa que pode resultar em dados pouco claros.

DETALHAMENTO DA ETAPA IV

DO FLUXO DE PESQUISA ADOÇÃO NESTE TRABALHO

Definição da pesquisa Exploratória

Estratégia de pesquisa Estudo de caso único integrado Abordagem da pesquisa Qualitativa

Quadro 9 Síntese da definição e estratégia de pesquisa Fonte: Elaborado pelo autor (2015)