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Os primeiros estudos sobre liderança enfatizaram o que denominamos “perfi l do líder”, ou seja, os líderes são estudados com base em suas características pessoais, suas motivações, comportamentos e estilos.

Weber, em suas pesquisas sobre dominação, estabeleceu a diferença entre exercício do poder e exercício da autoridade (reveja tais conceitos na Aula 9, em Burocracia). Em sua análise, Weber diferenciou a autoridade formal da liderança, conforme resumiremos no quadro a seguir:

Pois então vamos explicar melhor aquilo que está exposto no quadro. A autoridade formal é inerente ao cargo (pressupõe-se a autoridade em virtude da posição ocupada, como uma chefi a de setor, por exemplo); a liderança é fruto de habilidades, interesses e comportamentos exercidos pelo líder e aceitos pelos liderados. Logo, a fonte (origem) de autoridade formal está no cargo, enquanto a fonte de liderança está na aceitação de uma pessoa como líder por parte de seus seguidores.

Com isso, podemos estabelecer que o exercício da autoridade formal é restrito às funções e responsabilidades do cargo, que são fi xadas por normas organizacionais. E que o exercício da liderança é amplo, ainda que restrito ao grupo social em que a liderança é exercida, e esse exercício compreende as relações entre o líder e seus seguidores.

Mas, afi nal, qual é a importância disso? Tal distinção entre autoridade formal e liderança trouxe nova luz à análise do desempenho dos ocupantes dos cargos de chefi a nas organizações. Observou-se que muitos chefes que têm autoridade formal devido ao cargo que ocupam não exercem liderança sobre seus subordinados. E muitos empregados que não são chefes desempenham papéis de líderes por serem muito infl uentes junto a seus colegas.

Com isso, voltamos às noções de poder e autoridade quando observadas em situações práticas nas quais autoridade formal e liderança são percebidas como coisas distintas.

Autoridade formal Liderança

Baseia-se em normas Baseia-se na aceitação pelos outros

Pertence ao cargo e não ao indivíduo Limitada ao grupo social dentro do

qual o líder exerce infl uência

É permanente, enquanto o cargo existir É efêmera, enquanto persistir a

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Almas gêmeas

Pablo e Helena eram um casal perfeito, o que poderíamos chamar almas gêmeas. Conheceram-se na universidade, estudaram juntos, assistiam às aulas juntos e, não poderia ser diferente, começaram a trabalhar juntos na mesma empresa.

Ele, mais conservador, detalhista, amante dos números, exímio calculista, foi designado chefe do Setor de Atendimento ao Cliente (SAC). Ela, mais sensível, de comportamento mais irreverente, amistoso e sociável, foi para a área de treinamento e desenvolvimento. Portanto, um casal de chefes, ambos ocupando cargos de gerência numa distribuidora de alimentos, sediada na região oeste da cidade do Rio de Janeiro.

Atividade 1

O poder está associado ao exercício da autoridade formal e é decorrente do cargo de chefi a exercido pela pessoa. São as prerrogativas do cargo que conferem poder ao seu ocupante, e não ele, como pessoa.

A autoridade, por sua vez, tem a ver com liderança, pois depende das habilidades, conhecimentos e experiência do indivíduo. O exercício da autoridade, na concepção weberiana, equivale ao exercício da liderança, que signifi ca “infl uenciar positivamente as pessoas”, fazê-las aceitar de boa vontade suas idéias. E o fazem porque consideram tais idéias boas, melhores e promotoras do seu próprio crescimento e desenvolvimento profi ssional.

Os primeiros estudos sobre relações humanas na

empresa estabeleceram as diferenças entre o líder formal (chefes com autoridade formal) e os líderes informais (empregados que não ocupam cargos

de chefi a mas que infl uenciam seus colegas).

A dicotomia autoridade formal x liderança também aprofundou os estudos sobre poder e autoridade. O próprio Weber

estabeleceu esta diferença ao defi nir ambos assim: "poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que essa

pessoa preferisse não fazer;

autoridade é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por

causa de sua infl uência pessoal".

!!

Com menos de seis meses nos cargos, as diferenças começaram a surgir. Pablo tinha um estilo próprio. Fazia poucas reuniões com seus subordinados - apenas uma reunião mensal - nas quais defi nia metas, avaliava os resultados, cobrava as responsabilidades, identifi cava erros de desempenho e tudo mais.

Perguntado sobre o seu estilo de gerência pelo seu superior, Isaías, gerente-geral da empresa, ele foi claro: “Dou ordens e quero vê-las cumpridas”.

Helena tinha um estilo diferente.

Reunia-se freqüentemente com sua equipe, analisava metas em conjunto, propunha ações, ouvia sugestões e estabelecia um plano de melhorias de desempenho para cada um dos membros da equipe. Diante da mesma pergunta feita pelo gerente-geral, ela falou: “Sou gerente, mas sou líder também. Procuro infl uenciar meus subordinados, de modo que eles possam ter um desempenho ótimo que nos leve a alcançar nossas metas e promover o seu autocrescimento e desenvolvimento”.

Analise o desempenho de ambos à luz dos conceitos de autoridade formal x liderança e poder x autoridade. _______________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________

Resposta Comentada

Pablo é o típico chefe. Exerce a autoridade formal e seu comportamento diz respeito ao exercício do poder. Gerencia dando ordens, controlando e cobrando resultados.

Helena exerce a liderança, embora tenha autoridade formal e poder que lhe são conferidos pelo cargo que ocupa. Seu papel é diferente: infl uenciar pessoas, motivá-las, fazê-las crescer e se desenvolver, e, com isso, levá-las a atingir as metas da empresa. É o que podemos denominar gerente-líder.

Figura 14.1: Unidos no amor e na empresa.

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Em seguida à abordagem weberiana, surgiram os primeiros estudos sobre o comportamento do líder. É a análise dos estilos gerenciais, assim defi nidos:

autocrático (autoritário, diretivo, impessoal); democrático (participativo,

consensual); e laissez-faire (no qual o líder abdica do seu papel de liderança e o transfere para o grupo).

Os representantes das escolas de Relações Humanas e Comportamentalista aprofundaram seus estudos sobre liderança e realizaram muitas pesquisas nesta área.