Figura 6 - Principais Loas
Fonte: KANAGA
O Vodu visa basicamente criar a harmonia do cosmo, ou seja, entre o mundo visível e o mundo invisível. Existe no Vodu uma verdadeira família de loas. Essa família aspecto mais cultural, mais antropológico, fundamentando-se nessa cultura popular tradicional crioula (contos, provérbios, ditos, cantos, adivinhas, expressos em língua crioula) que se quer resgatar através de uma escrita irrigada por ela”. Tal visão, a partir principalmente de Eloge de la créolité (Bernabé, Chamoiseau, Confiant: Gallimard, 1989) em que o conceito de crioulidade é sinônimo de mestiçagem, tem se mostrado muito polêmica.
engloba dois gêneros: o masculino e o feminino. Do lado masculino encontram-se os laplaces, os porta-bandeiras e os houngans. Do lado feminino, as porta-bandeiras, as hounsi (noviças) e as mambos (sacerdotisas).
A iniciação total termina no sacerdócio, quando o iniciado ou a iniciada no Vodu torna-se houngan ou mambo, passando por graus sucessivos conhecidos como: lavé-tét (lava-cabeça), kanzo e ansan.
O lavé-tèt marca o fim do estado “selvagem”, violento e incontrolado das possessões da pessoa por um espírito, e para isso a água é derramada sobre sua cabeça em determinadas condições.
O kanzo é uma prova de fogo, é quando o aspirante tem que se mostrar capaz de manter em suas mãos matérias incandescentes sem se queimar, sinal certo de que atravessará as peripécias da vida com coragem, integridade e força, sem jamais desistir de lutar.
O ansan é uma cabaça usada pelo houngan, coberta por uma rede frouxa de contas coloridas e por vértebras de cobras, que o sacerdote iniciador (hochet) entrega ao noviço durante uma cerimônia como símbolo de seu poder, recordando-lhe que, em última instância, todo poder reside no culto dos templos de Uidah e de Adalada, espíritos simbolizados pela cobra.
As diligências mágico-religiosas do Vodu abarcam as relações com inúmeros espíritos, principalmente com o “Grande Mestre” e as almas. Essas diligências concretizam-se em três ritos: o rito radá, o rito congo e o rito petro.
No rito radá, invocam-se os espíritos: Dambalá, Rizan, Lokó Adanuzo, Erzuli Freda Dahomey, Agum, Legba e Shango. Esse rito é considerado como parte pura do Vodu que tende essencialmente ao bem.
O rito congo reúne os espíritos sedentos de sangue que são: Mondongue, Biliki e Congo-Demele. Eles exigem constantemente sacrifícios e ameaçam com grandes calamidades.
O rito petro realiza-se em nome dos seguintes espíritos: Ti Jan Pye Fen, Jan Kita, Èzili Je Rouj, Lenglesou e Kabare San. É através deste rito que o Vodu chega à magia, porque o sacerdote serve ao mesmo tempo e diferentemente aos loas da mão direita e aos da mão esquerda, forçando estes últimos ao cumprimento de seus votos.
Esses ritos são realizados sobre três tipos de altares distintos: a) O altar pessoal, que se chama de oratório.
b) O altar familiar, que se chama de hounfor. c) O altar coletivo, que se conhece como santuário.
Nas celebrações, a exibição de objetos sagrados com muitas manifestações verbais ou gestuais, testemunha o profundo simbolismo existente no Vodu.
O Poto Mitan é um tipo de poste central bem cravado no solo. Este poste de madeira dura eleva-se até o ponto mais alto do péristyle (templo). Às vezes é recoberto por um friso de alvenaria. Mesmo que não figure materialmente no local, está sempre representado em pensamento na mente dos praticantes. O oficiante fica perto do poste para dirigir a cerimônia. O iniciado atingido pela possessão ajoelha-se junto ao poste. Mas o “profano” deve permanecer afastado dele porque não possui a graça de penetrar no recinto do sagrado.
As oferendas são colocadas ao pé do poste ou dos postes, porque a pluralidade dos postes não prejudica, pelo contrário, ajuda. Todos os postes representam o eixo sagrado do local.
Os Vévé (cf. figura 13) são considerados o que há de melhor, de mais fino e mais precioso da arte do Vodu. São as assinaturas dos deuses escritas sobre o solo com a ajuda de farinha de milho e de outras substâncias pelos houngans ou mambos. Os Vévé são por natureza efêmeros: são traços executados pelo sacerdote no início de cada cerimônia, após soprar o fubá ou farinha em direção aos pontos cardeais, invocando a divindade escolhida. São feitos em pé, de pernas afastadas, para uma cerimônia específica, e serão apagados sem remorso pelos passos dos dançarinos. Baseados sobre o Vodu de Daomé, os Vévé oferecem proteção e cura. Feitos no péristyle (templo) em torno do Poto Mitan ou em outros lugares, as primeiras linhas do Vévé guiam o espírito desses deuses.
Se os Vévé são a essência do Vodu, as bandeiras (cf. figura 14) rituais são certamente o gênero mais inovado e mais celebrado da arte-sacra do Vodu.
As bandeiras são elementos preciosos nas cerimônias do Vodu e constituem as novas estrelas da arte haitiana. Encontram-se hoje de maneira proeminente nas exposições artísticas que acontecem ao redor do mundo.
A origem das bandeiras do Vodu é diversa: símbolos do Congo de Daomé, bandeiras da procissão católica, bandeiras e tapeçarias maçônicas. Embelezadas com as imagens dos loas do Vodu e dos santos católicos, as bandeiras são tipicamente feitas de cetim, seda, veludo, pano ou juta e bordados com pérolas. Decoradas de lantejoula e de cacos
de vidro, muitas vezes, de formas brilhantemente coloridas, são hoje muito procuradas pela sua estética. Tradicionalmente as bandeiras Vodu têm sido consideradas como sagradas e desempenham um papel importante nas cerimônias Vodu. Armazenados em santuários, estes objetos sagrados são utilizados durante as cerimônias pelos houngans, para honrar e chamar à frente do loa aquele a quem é dedicada a cerimônia. As bandeiras são expostas no início de cada cerimônia do Vodu e acredita-se que os loa, ao segui-las, criam um espaço sagrado.
Hoje uma das mais populares representações é a da sereia, La Sirene la Baleine, loa do amor e das águas.
Figura 7 - Legba – Loa da Encruzilhada
Fonte : KANAGA
Figura 8 - Erzili Freda Dahomey - Loa do Amor
Figura 9 - Grande Brigitte - Loa da Morte
Fonte: KANAGA
Figura 10 - Dambala Wedo - Loa Serpente
Fonte: KANAGA