Após toda a recolha de informação chega a fase de analisar e interpretar os dados recolhidos. Assim, o investigador terá a necessidade de selecionar a informação recolhida que será mais relevante para a sua investigação e para dar respostas às questões de partida (Sousa & Baptista, 2011), desta forma, a técnica escolhida é a Análise de Conteúdo.
8 Das três entrevistas previstas a serem realizadas aos responsáveis pela avaliação de desempenho, apenas duas foram gravadas e posteriormente transcritas. Um dos responsáveis não mostrou disponibilidade em realizar a entrevista presencialmente e pretendeu que a entrevista fosse enviada eletronicamente para que pudesse responder e devolver.
48 4.4.1. Análise de Conteúdo
A análise de conteúdo a ser realizada no projeto consiste na análise de toda a informação
recolhida através das entrevistas efetuadas. Todas as entrevistas foram transcritas9 e de seguida foi feita
a sua análise.
Amado (2013, p. 300) define a análise de conteúdo como
“uma técnica flexível e adaptável às estratégias e técnicas de recolha de dados […] que aposta claramente na possibilidade de fazer inferências interpretativas a partir dos conteúdos expressos, uma vez desmembrados em ‘categorias’. […] a Análise de Conteúdo consiste numa técnica central, básica mas metódica e exigente […] cuja diferenciação depende sobretudo daquilo que se procura em especial, ou, ainda, dos conteúdos que são privilegiados na análise entre muitos outros disponíveis no acervo de dados”.
Como muitos outros conceitos na área das ciências sociais e humanas, o conceito de análise de conteúdo foi evoluindo e existem várias definições associadas a esta técnica por diferentes autores. A evolução que o conceito sofreu foi no sentido de passar de algo mais descritivo e quantitativo para um sentido mais interpretativo e inferencial.
Em termos de definições temos vários autores que definem a análise de conteúdo, contudo é possível verificar que existe uma característica em comum entre as várias definições, que é o facto de a análise de conteúdo permitir fazer inferências válidas, ou seja, procura aquilo que está para lá do que é imediatamente percetível. Amado (2013, p. 304) apresenta-nos a definição de Robert e Bouillaguet (1997, p. 4) em que a considera ser a mais abrangente:
“A análise de conteúdo stricto sensu define-se como uma técnica que possibilita o exame metódico, sistemático, objetivo e, em determinadas ocasiões, quantitativo, do conteúdo de certos textos, com vista a classificar e a interpretar os seus elementos constitutivos e que não são totalmente acessíveis à leitura imediata”.
De realçar que existem vários tipos de análise de conteúdo enumerados por Rocha (2014): a análise categorial, a análise temática, a análise de avaliação das atitudes, a análise de enunciação, a análise proposicional do discurso, a análise da expressão, a análise das relações, a análise estrutural.
A análise de conteúdo feita foi de tipo categorial, onde foram criadas categorias e subcategorias facilitando a análise dos discursos obtidos nas entrevistas.
Amado (2013, p. 309) identifica um conjunto de fases a serem seguidas no processo de análise de conteúdo, porém estas fases podem ser flexíveis. Desta forma temos seis fases do processo:
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1. “definição do problema e dos objetivos do trabalho; 2. explicitação de um quadro de referência teórico; 3. constituição de um corpus documental;
4. leitura atenta e ativa; 5. formulação de hipóteses; 6. categorização”.
Assim, na primeira fase, definição do problema e dos objetivos do trabalho, refere-se ao facto de que será a problemática e os respetivos objetivos a determinarem e a conduzirem todas as decisões que possam ser tomadas, quer aos aspetos menos relevantes, quer em aspetos mais relevantes.
Na segunda fase, explicitação de um quadro de referência teórico, permite que o investigador questione os dados recolhidos, assim como começar a avançar com explicações e interpretações desses dados. Neste quadro de referência teórico podem ser consideradas teorias restritas e limitadas e tem três finalidades: prescritivo, analítico e metódico
“É prescritivo no sentido de que deve guiar a conceptualização e o desenho da análise de conteúdo; é analítico no sentido de que deve facilitar o exame crítico dos resultados da análise de conteúdo efetuada por outrem; e é metódico no sentido em que deve orientar o desenvolvimento e o aperfeiçoamento sistemático dos métodos de análise de conteúdo” (Amado, 2013, p. 309).
A terceira fase, constituição de um corpus documental, diz respeito ao facto da razoabilidade que é determinada através do tamanho da amostra, ou seja, tem de ser representativa. Esta análise e construção do corpus documental é algo que é complexo e dinâmico, sendo aqui uma grande ajuda um
dos softwares10 existentes para a análise de conteúdo, uma vez que é bastante moroso e difícil introduzir
novos dados e categorias ao longo das várias fases de análise. Assim, o uso destes softwares vai permitir que sejam memorizados, transferidos e introduzidos novos dados em relação ao trabalho já realizado.
Nesta fase os documentos podem ser “naturais [ou invocados], se preexistem em relação à análise (material de arquivo); provocados se resultam do próprio processo de investigação (transcrição de entrevistas, composições, perguntas abertas a um questionário, etc.)” (Amado, 2013, 310). Para a construção deste corpus temos de ter ainda em atenção a exaustividade do levantamento do material; a representatividade (a composição da amostra refletir as dimensões relevantes da população para a investigação); a homogeneidade onde os textos devem referir-se ao tema e possuir outras características semelhantes; e por fim a adequação aos objetivos da pesquisa.
Quarta fase, leitura atenta e ativa, devem ser feitas várias leituras aos documentos em análise e sendo cada vez mais seguras, minuciosas e decisivas. É com estas leituras que o investigador irá
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proceder à inventariação dos temas relevantes assim como aos conceitos mais utilizados. Nestas leituras o investigador deve ir fazendo anotações nos próprios documentos e para isso pode tirar cópias dos originais para puder ter mais liberdade para tirar anotações. Se o investigador utilizar um software, estes documentos devem ser importados para o software utilizado.
A quinta fase, formulação de hipóteses, coloca-se quando as hipóteses estão na base da
codificação. Caso seja em estudos estruturais e exploratórios pode não haver lugar para a explicitação de hipóteses prévias uma vez que vão ocorrendo ao longo da análise (Amado, 2013, p. 312). Contudo serão as hipóteses que implícita ou explicitamente irão estar na base das decisões a serem tomadas ao longo do processo.
A última fase, categorização, é quando se agrega todos os dados brutos em unidades que vão permitir uma descrição exata das características mais relevantes do conteúdo, porém tem de se definir com antecedência o que vai ser considerado como relevante para o conteúdo.