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As redes sociais se ramificaram em vários domínios um dos quais é o ensino e aprendizagem de línguas (MCBRIDE, 2009). Sites de aprendizagem de línguas tradicionalmente ancorados na tecnologia Web 1.0 migraram para os espaços semióticos interativos oferecidos pela Web 2.0, adotando diversas ferramentas características da Web social, tais como fóruns, chats e recursos de rede (O'REILLY, 2005; WARSCHAUER & GRIMES, 2007). Alguns destes sites têm adotado características de sites conhecidos de redes sociais (por exemplo, Facebook), ou seja, os aspectos do design do site e do conceito de comunidade. Para distinguir estes tipos de sites de aprendizagem de línguas de sites de redes sociais regulares, alguns estudiosos têm chamado de sites de redes sociais para a aprendizagem de línguas (LIU et al, 2013;. GRUBA & CLARK, 2013) que em inglês corresponde à Social Network Site for Learning Languages (SNSLL). Exemplos de SNSLLs incluem Livemocha, Palabea, Lang-8, Duolingo e Busuu, sendo este último o foco da

pesquisa neste estudo. Os primeiros SNSLLs apareceram em cena para o ensino de línguas em 2007, e desde então muitos outros foram criados.

O aparecimento de redes sociais específicas para a aprendizagem de línguas, para além de constituírem uma oportunidade para a aprendizagem em contexto informal, possibilita também uma nova forma de integração de ferramentas da Web 2.0 no contexto formal de aprendizagem, o que pode ser motivador para os alunos (HARRISON & THOMAS, 2009).

As redes sociais para aprendizagem de línguas são comunidades virtuais de aprendizagem que se destinam primordialmente à educação de caráter não formal no âmbito do multilinguismo. Construídas com a finalidade de proporcionar a aprendizagem de línguas de forma colaborativa, estas plataformas apresentam “uma multiplicidade de ferramentas de comunicação e trabalho, que antes eram exclusivas das plataformas de e-learning” (MINHOTO & MEIRINHOS, 2011, p. 26).

Nessa mesma direção, Bohn (2009) afirma que:

Assim como as ferramentas da Web 2.0, as redes sociais oferecem um imenso potencial pedagógico. Elas possibilitam o estudo em grupo, troca de conhecimento e aprendizagem colaborativa. Uma das ferramentas de comunicação existentes em quase todas as redes sociais são os fóruns de discussão. Os membros podem abrir um novo tópico e interagir com outros membros compartilhando idéias(...). Enfim, com tanta tecnologia e ferramentas gratuitas disponibilizadas na Web, cabe ao professor o papel de saber utilizá - las para atrair o interesse dos jovens no uso dessas redes sociais favorecendo a sua própria aprendizagem de forma coletiva e interativa (BOHN, 2009, p.01).

Em termos de ensino, estas ferramentas sociais redefinem aprendizagem de diferentes maneiras. Em primeiro lugar limitações de tempo, muitas vezes limitam a quantidade de socialização face-a-face do aluno; no entanto, redes sociais vem oferecer novas oportunidades para os alunos se conectarem facilmente com seus colegas, alunos e professores e pares em um outro nível que é mais pessoal e motivador, em muitos aspectos. Como Mazer, Murphy e Simonds (2007) sugerem, este tipo de interação pode ter um efeito positivo sobre as relações aluno-aluno e aluno-professor, e pode, consequentemente, levar a um ambiente mais positivo de aprendizagem. Em segundo lugar, usando essas ferramentas emergentes, os alunos

têm maior autonomia e estão ativamente envolvidos no desenvolvimento do conhecimento, uma vez que tem mais controle sobre a própria aprendizagem. Ao invés de entregar exclusivamente informações de livros didáticos, novas tecnologias aumentam o engajamento dos alunos em encontrar, reconhecer e analisar os recursos por conta própria.

Consideradas ferramentas da Web 2.0 (HARRISON & THOMAS, 2009), as redes sociais integram-se no conceito de comunicação mediada pelo computador, do inglês Computer-Mediated Communication (CMC), sendo que, no caso do Busuu, esta rede social se constitui como uma comunidade virtual de aprendizagem, facilitadora da imersão linguística (WARSCHAUER & LIAW, 2010) e promotora de uma aprendizagem colaborativa mediada por computador.

Uma comunidade virtual pode ser denominada uma comunidade virtual de aprendizagem quando, além da concentração de sujeitos em torno de um interesse ou valor comum, há um caráter educativo implícito. As tecnologias digitais viabilizam novas abordagens à aprendizagem, novas formas de comunicação, novas formas de (co)produzir e (com)partilhar conhecimento. As redes evoluíram para sistemas bem mais complexos e multifacetados, mas o propósito inicial destas redes, que estava relacionada com a necessidade de estabelecer ligações e potenciar a comunicação, ainda se mantem. Com esse mesmo objetivo, surgiram as redes sociais para a aprendizagem de línguas: Livemocha, Busuu, Babbel, etc. São comunidades virtuais de aprendizagem de línguas, que se destinam primordialmente à educação de caráter não formal no âmbito do multilinguismo.

Construídas com a finalidade de proporcionar a aprendizagem de línguas de forma colaborativa, estas plataformas distinguem-se de outras redes sociais como o Facebook, que não têm um objetivo definido no âmbito educativo (MASON & RENNIE, 2008). Tal como nas redes sociais tradicionais, tendo como referência o Busuu, há “uma multiplicidade de ferramentas de comunicação e trabalho, que antes eram exclusivas das plataformas de e-learning” (MINHOTO & MEIRINHOS, 2011, p. 26).

Ainda segundo Minhoto e Meirinhos (2011), estes ambientes colaborativos de aprendizagem ganham grande importância, uma vez que proporcionam benefícios a nível pessoal e ao nível da dinâmica de grupo. Se, por um lado, potencializam a

comunicação/interação, a aprendizagem, o respeito pelo outro e pelas suas ideias, o desenvolvimento de competências pessoais e de pensamento crítico, fortalecendo a autonomia e a autoconfiança; por outro, reduz o isolamento do aluno e o receio da crítica. A aprendizagem torna-se uma “atividade social” mais satisfatória (MINHOTO & MEIRINHOS, 2011, p. 26).

As redes sociais oferecem uma ampla gama de capacidades tecnológicas para apoiar diferentes interesses e práticas que integram vários modos de Comunicação Mediada por Computador (CMC) como a auto apresentação, e intercâmbios escritos de um-para-um ou um-para-muitos. McBride (2009) argumenta que, se alunos desenvolvem habilidades comunicativas em um SNSLL de uma língua estrangeira (LE) e reconhecem o potencial que este site oferece em termos de se conectar com outros falantes nativos da LE, eles podem aumentar a sua autonomia com a prática de vários aspectos de sua habilidade linguística.

Kárpati (2009) destaca o fato de que os SNSLL fornecem contextos de educação de línguas autêntica, o que é um aspecto essencial em termos de alcançar a competência comunicativa em língua estrangeira. Nesse sentido, as redes sociais vieram alargar o conjunto de ferramentas que já existiam na Internet para facilitar a aprendizagem de línguas. A junção entre estas ferramentas, em particular os SNSLL, e os modelos de ensino e aprendizagem de línguas, proporcionam ao usuário um processo de aprendizagem motivador e colaborativo. O estudo de Pasfield-Neofitou (2011, p.105), mostra que a participação numa comunidade virtual, com público autêntico, é fundamental para a motivação.

Sendo a motivação um aspeto fundamental no contexto de aprendizagem de uma língua estrangeira, a imersão em ambientes sociais, que ocupa já uma percentagem elevada do tempo gasto em atividades online, permite desenvolvê-la e, em simultâneo, desenvolver a autonomia e as competências essenciais.

Harrison e Thomas (2009, p. 113) reforçam também a importância da aplicação dos benefícios das redes na aprendizagem de línguas. O aparecimento de redes sociais específicas para a aprendizagem de línguas, para além de constituírem uma oportunidade para a aprendizagem em contexto não formal, possibilita também uma nova forma de integração de ferramentas da Web 2.0 no contexto formal de aprendizagem, o que pode ser motivador para os alunos.