5 Input Data Structures
5.6 Probe Data
Ciclo Critérios 1.ºciclo •Localizaraposiçãodeumapessoaouumobjetonoespaçoeidentificarcaracterísticas nasformasdosobjetos. 2.ºciclo •Reconheceredescreverformasgeométricastridimensionaisebidimensionais. 3.ºciclo •Decidirsobreosprocedimentosmatemáticosadequadosparaconstruirsoluçõesemum contextoderesoluçãodeproblemasnuméricos,geométricosoumétricos. •Utilizaralinguagemalgébricapararepresentarasgeneralizaçõesinferidasapartirde padrões,tabelasegráficosemcontextosnuméricosegeométricos.• Utilizar as noções de direção, sentido, ângulo, paralelismo e perpendicularismo para representaremumsistemadecoordenadasaposiçãoeatranslaçãodefigurasnoplano. • Analisar,classificareconstruirfigurasgeométricasbidimensionaisetridimensionais, utilizandoasnoçõesgeométricascomoângulos,paralelismo,perpendicularismo, estabelecendorelaçõeseidentificandopropriedades.
• Obter e expressar resultados de medições, utilizando as principais unidades padronizadasdemedidadecomprimento,capacidade,massa,superfície,volume,ângulo etempo.
Fonte:dadosorganizadospelaautora.
Percebeu-se,portanto,que,talqualodiscursodosprofessoresparticipantes,nos
textos oficiais prevaleceu a sobreposição de atividades e técnicas, relacionadas apenas à
“discriminação, identificação, planificação, observação, quantificação” a partir de critérios
genéricos, emdetrimentodesituaçõescomoaspropostaspeloPISA2003e2012(Anexos27
e 29), que envolvessem a “formulação de hipóteses; aplicação dos conhecimentos
matemáticoseinterpretaçãoderesultados”,quesomenteserãomencionadosnoscritériosde
avaliaçãoapartirdoterceirociclo.
No tocante aos diferentes contextos de aplicação propostos pelo PISA 2003 e
2012 (Anexos 27 e 29), também não foi possível localizar, tanto na fala dos professores
quanto nos textos oficiais, outras instâncias de contextualização e aplicação da Geometria
para além do contexto imediato do aluno, que, segundo a proposta do PISA (2012) e os
estudosrealizadosporBransfordetal.(1999),seriaapenasumdoscontextospossíveis,mas
nãooúnico,conformeafirmavamosparticipantesdopresenteestudo.
Osalunostrazemosmateriaisdecasaeparacontextualizar,épedidopara
que vejam em revistas, ou tragam de casa figuras que parecem com uma
pirâmide,comumcilindroeaígenteconversa(Suj.14).
[...]éumadificuldade,euconcordosim.Esseanoaescolaadquiriuumkit
comasfiguraseissofacilitouotrabalho.Quandoelespegaramasfigurasjá
montadas,afiguraébonita,chamaaatençãoeissoajudoumais.Maseles
têmdificuldadeemguardardepois.Vocêtrabalhaessesconteúdos,maseu
acho que eles esquecem e isso cai sempre em prova. Você está lá sempre
cobrando. Quando eu falo conte as arestas e ele fala qual que é a aresta
mesmo? Qual que é a aresta? Eles esquecem o conceito. Eles dominam o
triângulo,oquadradoeoretângulo,issoé,aquelasfigurasqueestãomaisno
nossodiaadiaelesconhecemmais(Suj.3).
Sóoqueeuvejoaqui,asfigurastridimensionaiseaspirâmides,agentenão
explorou muito, a gente acabou não explorando muito. A gente trabalhou
mesmosóaquelaquestãodeidentificarvértices,desaberoqueéovértice,
face,assim,àsvezesagenteficapreocupadoemtrabalharoutrasquestõese
acabaesquecendoondefocarmais,essaquestãodospoliedrosaí.Masnós
trabalhamos, particularmente eu acho que a gente deveria tá focando um
pouquinho mais, principalmente nas pirâmides, porque a gente fala num
geral,numtodo,nãofocamuitoumououtro.Naavaliaçãoeuacreditoque
comastridimensionaistalvezelestenhamdificuldadessim(Suj.16).
Nomesmosentido,emrelaçãoaomodelovanHiele,ostextosoficiaisanalisados
nãocomportavamasequencialidadeindicadapelomodeloparaotrabalhocomosconteúdos
geométricos. Ao contrário, nos anos iniciais centravam-se nos conteúdos de localização
(Espaço)nãodeixandoclaroomodocomoelespoderiamconstituir-secomopontodepartida
para o ensino dos conteúdos geométricos (Forma), como se a aprendizagem da Geometria
decorresseapenasdasrelaçõesempiricamenteestabelecidascomoespaço(Anexos11a21).
[...]existemparacadaano,existemalgumascompetências,né?Queagente
usa, a gente tem que cumprir algumas expectativas para abranger essas
competênciasehabilidades[...]quandoeuentreiaqui,eusofri...tivemuita
dificuldade, por causa disso mesmo. Você poderia escolher qualquer
expectativa. Se você quisesse começar, por exemplo, por essa de
porcentagemnocomeçodoano,noquartoano,vocêpoderia,né?[...]isso
meconfundiumuito,issomedeixouperdida(Suj.11).
A matemática está muito assim... situações muito simples de raciocínio,
muitopequenasemuitosimples.Vistoquenoslivrosqueagentetemdas
editoras, que já são do quinto ano, eles têm uma visão melhor. São mais
específicos,osconteúdossãomaisdetalhados,eleapresentaoconteúdo,ele
elabora o início desses conteúdos e vai aumentando o grau de dificuldade
desses conteúdos. Esse livro, ele começa no nível básico e termina o
conteúdononívelbásico!Elenãoapresentaconteúdonenhum!Então,nósé
quevamosapresentar[...](Suj.12).
Nesse sentido, conforme aponta Crato (2011, p. 247), “estudos modernos da
cogniçãotêmmostrado[...]queoalcancedeobjetivosmaisambiciososdependecriticamente
da sequência de actividades de aprendizagem em que os processos básicos têm
necessariamenteprecedência”,razãopelaqualsefaznecessáriaaexplicitaçãodosconteúdos
edasfinalidadesdeseuensino,nãoapenasapartirdaapresentaçãodascompetênciasquese
pretendedesenvolver,mas,sobretudo,apartirdatransposiçãoquenecessitaserrealizadapara
oplanodasestratégiasdidáticas.
Portanto, ao analisar as propostas curriculares nacionais (PCN, 1997; RECNEI,
1998), bem como o discurso dos professores, foi possível identificar que os consensos
marcavammaisarelaçãoentreambosdoqueosdissensos.Osconsensosgiravamemtorno
deumensinocontextualizadoeapoiadonalivreobservaçãoemanipulaçãodemateriaisdo
mundo físico, com foco em atividades cujo objetivo era apenas a identificação, a
diferenciaçãoeanomeaçãodoselementosfigurais.
Confirmou-se,nessesentido,aideiapropostaporCrato(2011,p.251)acercado
processo de negação da abstração dos conteúdos matemáticos, sobretudo por meio de
orientações curriculares nacionais que, pautadas exclusivamente pela aprendizagem de
contexto,resultamnaideiadequea“competênciaparaaacçãosósedesenvolveriaquando
integrada num contexto, e o treino abstracto teria pouca utilidade, pois a verdadeira
aprendizagem só ocorreria em situações reais”. O que é um equívoco, justamente porque
nesse processo de negação da abstração nega-se também aos alunos a possibilidade de
contextualizações internas à própria Matemática e a apropriação gradativa de porções do
pensamentogeométrico.
Aspectosquesemostrarampatentesnãosónafaladosprofessores,mastambém
nos textos oficiais analisados, conforme se observa no Anexo 30, elaborado a partir da
propostacurricularnacionalparaoterceirociclo.
Embora as atividades, propostas nos documentos analisados e na fala dos
professores, compusessem parte considerável das estratégias didáticas, o fato de observar,
classificar,planificareconversarnãoseriasuficienteparagarantiraaprendizagemdosalunos
(Anexo28).
Segundo Roldão (2010), seria necessário considerar esse conjunto colocado a
serviço de uma intencionalidade que, dotada de estruturação e organização, coerentes com
conteúdos e objetivos determinados, permitiria o ensino e a aprendizagem dos conteúdos
geométricos.
Emrelaçãoàsdificuldadesdosalunos,àsrazõesatribuídaspelosprofessoreseas
atividades/técnicasquediziamutilizarparasaná-las,generalidadeedesconexãosemelhantes
às observadas nos textos oficiais foram explicitadas nos discursos coletados, conforme
Quadro6.
Quadro 6 – Dificuldade dos alunos, razões atribuídas às dificuldades
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09-00911
(sider 55-61)