5 Input Data Structures
5.3 Data Traffic
• Trabalharnoconcreto • Retomaroconteúdodetempoemtempo • Trabalhomanual • Apresentarlivrosdearte • Trabalharnabiblioteca • Mostrarasfiguras • Fazersimulados • MostrartrabalhosdosalunosdoEnsinoMédio • ApresentaçãodesemináriospelosalunosdoEnsinoMédio • FazerparceriacomaprofessoradeArtes • Apresentarartistasplásticos • NãotrabalharsomenteaáreadaMatemática • NãoproporsomenteexercíciosnaáreadaMatemática • Utilizarmaterialconcreto • Lerasituação-problemacomosalunos • Explicar • Proporatividadesindividuais • Fazerreforçoescolarcomaprofessoraauxiliar
Fonte:dadosorganizadospelaautora.Dos Quadros 3 e 4 observou-se que, de fato, não havia uma estratégia para o
ensino da Geometria, mas apenas a enumeração de atividades e técnicas que, sobrepostas,
muitas vezes sequer se relacionavam com as dificuldades dos alunos apontadas, tampouco
consideravam o desenvolvimento do conjunto de habilidades propostas por Hoffer (1981),
queincluiashabilidadesverbal,visual,dedesenho,delógicaedeaplicação(Anexo10).
Em relação às propriedades do modelo van Hiele (Anexo 24), que permitem a
compreensãodomodocomosedáapassagemdeumníveldeconhecimentoparaoutromais
elaborado, na fala dos participantes não foi possível identificar a presença de uma
sequencialidadedaspropostasmencionadas,detalmodoqueasatividadesseapresentavam
como um fim em si mesmas e não eram organizadas de modo a possibilitar a ampliação
gradativadosconhecimentosgeométricos.
Emrelaçãoaodesenvolvimentoeaousodalinguagemmatemáticaque,segundo
o modelo, favorece ao mesmo tempo a realização da tarefa e sua resolução, permite o
descobrimento das relações pertinentes, a organização temporal das ações e seu controle,
tambémnãofoipossívelidentificar,nafaladosprofessores,umtrabalhoqueapresentassetais
objetivos. Situações de comunicação oral, organizadas de forma sequenciada, não foram
consideradaspelosprofessoresentrevistados.
SegundoomodelovanHiele,odesenvolvimentoprogressivodeumvocabulário
adequado implica etapas, que têm início com a comunicação por meio de uma linguagem
informal, que deve avançar na medida em que as observações e as manipulações se
desenvolvem a partir dos conceitos e propriedades geométricas. Tal aspecto pode ser
complementadocomaideiatrazidaporDavidAusubel(1978),citadoporRoldão(2010,p.
66),sobreanecessidadedaampliaçãointencionaldoprofessoracercadosconhecimentosque
osalunospossuemsobredeterminadoconteúdo,ouseja,“[...]comeceondeoalunoestá[...]”,
maséprecisoavançar.
Dessemodo, cadanível dedesenvolvimentodo pensamento geométrico deveria
ser composto, segundo o modelo, por uma linguagem e por símbolos específicos que se
relacionam por meio de sistemas próprios. Assim, uma relação estabelecida e considerada
adequadaemumdeterminadonível,poderiaser modificada emoutrosníveisposteriores,o
quepossibilitariaumaapreensãotambémgradativadalinguagemmatemática,e,porquenão
dizer,geométrica.
A esse respeito, Crowley (1987) explica que uma figura pode ter mais de um
nome:umquadradopodeserumretânguloeumparalelogramo.Contudo,nãoseesperaque
umalunodonível0sejacapazdefazertaisrelações,masestastornam-seevidentesàqueles
queseencontramnonível2,razãopelaqualseriapreciso,nocasodosparticipantes,avançar
paraalémdassituaçõesdocotidianoedosconhecimentosqueascriançaspossuemsobrea
Geometriaquandochegamàescola.
Ainda em relação à linguagem, Vergnaud (1990, p. 15) também esclarece que,
para além dos objetivos de comunicar e representar, há ainda o papel de orientação do
pensamento, em situações que não se encontram automatizadas, ou em suas palavras
“insuficientemente dominadas” pelo aluno, uma vez que a linguagem e os símbolos
matemáticos desempenham um papel importante para a conceitualização gradativa e para a
açãodoaluno,semosquaisosesquemaseassituaçõescairiamemumvaziodesentido.
Portanto, analisando as dificuldades dos alunos, apontadas pelo grupo de
professores, em relação à leitura da situação-problema, segundo Vergnaud (1990) estas
estariamrelacionadasnãoapenasàalfabetização,mastambémàfaltadeconhecimentodos
conceitosgeométricoseàpoucafamiliaridadecomessetipodeatividade.Assim,investirem
leitura não resolveria o problema, que precisaria ser enfrentado com o ensino de um
vocabuláriopróprioapartirdotrabalhocomosconceitosgeométricos.
Às vezes, eu estou vendo isto daqui, olha, nesta prova, alguns alunos
erraram,maséapalavra.Ocontornoexterno,eradabandeira.Todomundo
sabequeaquiloeraumretângulo,masocontornoexterno.Éovocabulário,
amaneiradevocêfalarquepega(Suj.17).
[...]anomenclaturaparaeles(alunos)émuitodifícil[...](Suj.20).
Como eu disse, usamos material concreto e aí fica fácil para os alunos
entenderem,omaiorproblemaaindaéelesentenderemasituação-problema,
naleitura,entãoeuleiocomeleseaíelesentendemdireitinho(Suj.14).
Apartirdafunçãoderepresentaçãoquealinguagemcomporta,ou,naspalavras
de Vergnaud (1990, p. 15), “representação da linguagem”, seria possível observar a
representaçãodoselementospertinentesàsituação,àrepresentaçãodaaçãoeàrepresentação
dasrelaçõesestabelecidasentreaaçãoeasituação,quecorrespondemàprópriaestruturada
atividadeintelectual,postoque:
•
As informações pertinentes se expressam em termos de argumentos,
depropriedadesederelações,deteoremas.
•
As operações do pensamento em termos de seleção de informações,
inferências, de aceitação ou de negação de consequências, e também em
termos de previsão das operações que serão realizadas, de resultados ou
objetivosaserematingidos,dedecomposiçãodoprocessodetratamentoem
etapas:agoraisto,depoisaquilo,entãotereiisto,etc.
•
Aatividadelinguísticaexpressatambémoutrosaspectosimportantes,
como a implicação do sujeito na tarefa ou na opinião emitida, seus
sentimentos,verificarseasuahipóteseouconclusãosãoplausíveis,ouainda
arelaçãodesteselementosentresi(VERGNAUD,1990,p.15-16–tradução
nossa).
Assim,asescolhasdidáticasapresentadaspelosprofessorespoderiam,segundoo
modelo van Hiele, ser classificadas como “combinações malsucedidas”, em virtude da
ausênciadeadequaçãodaspropostasàsnecessidadesdosalunos.
Eainda,naperspectivadeHoffer(1981),taisestratégiasestariamcontemplando,
quando muito, apenas o desenvolvimento da habilidade visual, por meio das situações que
envolvemapenasaidentificaçãodoselementosfiguraisemsuatotalidade.
Emrelaçãoàsfasesdeintervençãodoprofessor,propostaspelocasalvanHiele
(Anexo25),novamentenãofoipossívelvislumbrarnafaladosparticipantesintervençõesque
privilegiassemodiálogoesituaçõesdeobservaçãoapartirdecritériospreviamentedefinidos,
bem como o levantamento de perguntas e a apresentação gradativa de um vocabulário
adequado.
Segundo o modelo, as intervenções dos professores deveriam contemplar
simultaneamente dois objetivos, a saber: ao professor, o conhecimento do nível de
conhecimentoqueosseusalunospossuemsobreosconteúdosdageometria;eaosalunos,o
conhecimentosobreomodocomoserãodesenvolvidososconteúdosdocurso.
Portanto, o que restou na presente análise foi a ausência de intervenções
planejadas, que, segundo Berbigier (2010), permitiriam aos alunos um conhecimento
gradativo das propriedades específicas dos elementos figurais e generalizações a partir da
observaçãocriteriosadassemelhançasediferenças.
EsseaspectotambémcorroboraosestudosdesenvolvidosporClementseSarama
(2000), que observaram que entre as crianças da pré-escola (4 – 6 anos de idade) e os
estudantesdo6.ºanoasdiferençasacercadosconhecimentosgeométricosentreosgruposfoi
mínima,ensejandoquenovaestruturaçãocurricularsejaconsideradaafimdequeotrabalho
de cada etapa da escolaridade possa, de fato, resultar na ampliação das aprendizagens dos
alunos.
Adesconsideração,porpartedosprofessores,dosconhecimentospréviosdosseus
alunosedosobjetivosdoensinodaGeometriatambémsemostroupresente.Detalsorteque,
nãovislumbrandoosobjetivosaserematingidos,aindaquehouvesseumamatrizcurricular
elaborada pelo sistema de ensino, as ações empreendidas pouco contribuíam para que os
conhecimentos adquiridos se constituíssem como ponto de partida para investigações mais
elaboradas.
Segundo afirma Berbigier (2010), os alunos, com base em suas experiências
anteriores, poderiam revelar seus pensamentos e modificar seus pontos de vista sobre as
estruturas trabalhadas, e poderiam, por exemplo, discutir entre si e com o professor as
relaçõesqueseestabeleciamentreasfigurasestudadasanteriormenteesuaspropriedades;por
meio de comparações e demonstrações apoiadas no material, tornando assim evidente aos
alunososistemaderelações.
A partir do discurso dos professores observou-se que o tema recorrente era a
abstraçãodaGeometriaversusanecessidade/realizaçãodeumtrabalhoconcreto,conformese
depreendedafaladealgunsparticipantes:
Quandotrabalhaageometriaébastantelúdicaaaula,porqueacriançanãoentende uma figura.Normalmenteeu uso massade modelarepalitodechurrasco.Eujogo paraeles.Elesachamquenósvamosbrincar(Suj.10).
É assim. Quando trabalha só giz, papel eles apresentam, têm dificuldades, mas a partir do momento que você traz para o concreto e mostra para eles material ou a formademexercomeles.Agentefaznopapelcartão.Entãonoprimeiromomento quando você mostra para eles só a figura, igualzinho no livro lá, pedindo para identificar,elestêmdificuldade,mastrabalhandonoconcretonãoédificuldade(Suj. 24).
Aquiloéabstrato,maselefeznoconcreto,então,aquiloficaguardadonacabecinha dele. Ele construiu o sólido geométrico, então, ele consegue abstrair na hora da prova.Elenãoconstrói,eleseembaralha...Istodaquitemquesertrabalhadomuito noconcreto(Suj.18).
Emrelaçãoàsdificuldadesidentificadaseàscausasatribuídaspelosprofessores,
a incapacidade do aluno de lidar com conteúdos abstratos figurava de forma primordial,
reforçandoaideiadequeosalunosdo5.ºanosóseriamcapazesdeaprenderGeometriapor
meiodalivreobservaçãoemanipulaçãodomaterialpedagógico.
É o que eu falo. Tudo o que está no abstrato eles não aprendem (Suj. 24).Têm criançasquetêmumadificuldadeterrível,vocêdáumafiguraquetenhafundoela não consegue transpor aquilo pro concreto, ela não consegue visualizar, de jeito
nenhum,aívocêmostraofundodacaixa,ofundodoarmário,ofundodeumacaixa devidro,éissodaqui,écomosefosseumacaixadevidro,masédifícil,euachoque é a imaturidade deles. [...] ele vive cercado com formas geométricas, tridimensionais,bidimensionais,eassimpordiante,sóqueelenãoaprendeuaparar epensar,né,noslados,quantoladostemumarmário?(Suj.20).
Acriançaaindanãosabe.Elanãosabeporqueelanãomanuseou.Elanãosabese nãomanusear(Suj.23).
É muito difícil você abstrair isso com o aluno porque quando você apresenta, por exemplo, a figura de um cubo, ele tem dificuldade em visualizar os vértices e as arestas(Suj.9).
Noquetangeàsatividades/técnicasquediziamutilizar,novamenteadificuldade
dos alunos para lidar com conceitos considerados abstratos se colocava como justificativa
paraousoindiscriminadodochamadomaterialconcreto,comoformaprioritáriadesanartais
dificuldades.
[...] acredito que não tem como você trabalhar esse conteúdo sem trabalhar aí concretamente[...]difícilimaginarasfacesqueagentenãoestávendo(Suj.1). [...] quando começamos a trabalhar com vértices, arestas, se eles não estão vendo, eles não conseguem. Então você tem que apresentar várias vezes. Aqui eu não colocariaqueelesapresentamestasdificuldades(Suj.15). [...]elesprecisamterovisual,seelesnãotiveremaliovisualnãoadiantasófalar praelestemqueestarvendo,precisaenxergar,prapodersaberoqueécadacoisa (Suj.19). Asfigurasbidimensionais,aomeuvercomoprofessora,nóstemosquetrabalharno concreto.Vocêtemtrazerissoparaoalunovisualizar(Suj.9).
Domesmomodo,quandoadificuldadedosalunoseranegadapelosparticipantes,
o sucesso era novamente atribuído à manipulação de material concreto e sequer eram
mencionadas as intervenções realizadas pelos professores na mediação entre os alunos, o
materialeosconteúdosgeométricos.Detalformaqueomaterialpareciasempreserumfim
em si mesmo e a Geometria passava a ser representada pelo grupo como um conteúdo
abstrato,teóricoepoucoacessívelaosalunos.
Esseanoaescolaadquiriuumkitcomasfiguraseissofacilitouotrabalho.Quando elespegaramasfigurasjámontadas,afiguraébonita,chamaaatençãoeissoajudou mais(Suj.3).
Quando trabalha só giz, papel, eles apresentam, têm dificuldades, mas a partir do momentoquevocêtrazpara oconcretoe mostraparaeles materialoua formade mexercomeles(Suj.24).
Porqueosalunostrazemos materiaisdecasae,paracontextualizar,épedidopara quevejamemrevistas,outragamdecasafigurasqueparecemcomumapirâmide, comumcilindroeaíagenteconversa(Suj.14).
Nos descritores um e dois que trabalha tridimensional e o bidimensional nas pirâmidesnósfizemosumtrabalhomanualcomeles,atividadesmanuais,eachoque elesnãotiveramproblemasnão,elesatégostaram(Suj.4).