Del II Kriterier og måling
9.1 Prioritering på ulike nivåer
A cultura, é uma produção histórica das relações dos grupos sociais uns com os outros. Cada coletividade sente-se tentada a defender a sua especificidade, provando que o seu modelo cultural é original, o mesmo acontece com alguns dos habitantes de Vilar de Perdizes e com os organizadores do Congresso de Medicina Popular, que querem manter vivas tradições antigas. Vilar de Perdizes, tem um cultura específica porque reúne três condições: a) pode identificar-se um certo número de traços culturais comuns aos membros do grupo, suficientemente específicos para permitir diferenciá-los dos outros grupos; b) que este conjunto de traços culturais forme um sistema unificado, de tal forma que cada traço cultural apenas se possa explicar a partir das relações que mantém com os outros elementos da cultura; c) que estes traços culturais se transmitam de geração em geração, sem sofrer modificação sensível. O termo “cultura” provém do verbo latino colere, que designa o facto de cultivar a terra. Para a sociologia e para a antropologia o termo “cultura” tem um sentido mais amplo, serve para designar o conjunto das atividades, das crenças e das práticas comuns a uma sociedade ou a um grupo social particular. Na aldeia de Vilar de Perdizes,as suas gentes, querem simplesmente manter vivos os costumes, os hábitos de gerações anteriores que chegaram a comprovar que as plantas medicinais tinham a sua eficácia, num tempo que não era marcado pela medicina científica e pelas tecnologias. Há que cultivar a ideia de preservação, de perceber as raízes da própria nação e também cultivar a ideia de autenticidade, ou seja, viver como viviam os seus antepassados.
Um conjunto de pessoas torna-se um grupo social a partir do momento em que estabelece uma relação de identidade, quando partilham um sentimento de pertença, uma história, uma cultura, uma religião, laços de solidariedade cívica, económica e política. O grupo é visto como uma continuidade no tempo, que se vai mantendo e, os defensores dos Congressos de Medicina Popular em Vilar de Perdizes, pretendem dar essa continuidade aos valores e saberes que lhes foram transmitidos ao longo da vida, o que não quer dizer que os congressos não sofram reconstruções e renovações, até porque muitos defendem que o congresso deve continuar, mas deve sofrer alterações, é um mito pensar que tradições são impenetráveis à mudança. As tradições evoluem com a passagem do tempo, mas também podem ser transformadas e alteradas, são inventadas e reinventadas. A tradição é mantida, é conservada em grupos, em comunidades e coletividades. A mudança, por si só, implica a destruição e o desaparecimento de valores, ideias e comportamentos assim como a emergência de outros novos” (Batalha, 2004, p.303). Foram as transformações ideológicas, sociais, económicas e políticas que levaram a um desajustamento e envelhecimento de muitas instituições assim como de muitos valores,
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costumes e habitus caraterísticos de muitas comunidades tradicionais. A cultura, é um meio de integração do homem dentro do conjunto social de que participa.
Tudo isto nos leva ao que se chama de etnocentrismo, ou seja, quando colocamos a cultura com a qual nos identificamos, no centro de todas as coisas, repugnando tudo o que se lhe oponha. Parece que a diversidade de culturas raramente surgiu aos homens tal como é: um fenómeno natural, resultante das relações diretas ou indiretas entre as sociedades, sempre se viu nela uma espécie de escândalo. Reagimos com repulsa face a outras maneiras de viver, de crer ou de pensar que nos são estranhas. O etnocentrismo é, neste sentido, “o termo técnico que designa essa visão das coisas segundo a qual o nosso próprio grupo é o centro de todas as coisas, sendo todos os demais grupos medidos e avaliados por referência ao primeiro” (Cuche, 2001, p.47). No etnocentrismo, cada grupo tem os seus próprios costumes e despreza tudo o que seja estrangeiro. O etnocentrismo, é uma representação do outro, é uma análise de outra cultura usando como ponto de comparação a nossa própria cultura.
Geertz, define cultura como um “padrão de significados transmitidos historicamente, incorporado em símbolos, um sistema de conceções herdadas expressas em formas simbólicas por meio das quais os homens comunicam, perpetuam e desenvolvem o seu conhecimento e as suas atividades em relação à vida” (Geertz apud Silva, 1994, p.22), no fundo, e de acordo com Augusto Santos Silva, as diferentes culturas são padrões estruturantes da ação, ou seja, as culturas comandam a ação social, a qual é estudada através da observação da vida quotidiana. Toda a ação social envolve construções simbólicas e, no caso de Vilar de Perdizes, é o simbolismo e o significado que os Congressos de Medicina Popular têm para os visitantes que os leva a manter tradições e culturas que foram transmitidas de geração em geração. Assim sendo, a ação social é “carrilada por padrões simbólicos, modelos socialmente produzidos de representação e conduta quotidiana” (Silva, 1994, p.25). Segundo Bourdieu, a cultura aplica-se a situações particulares “Ela constitui um conjunto de esquemas fundamentais, previamente assimilados, e a partir dos quais se articula, segundo uma arte de invenção análoga à da escrita musical, uma infinidade de esquemas particulares diretamente aplicados a situações particulares” (Bourdieu apud Silva, 1994, p.26), neste sentido, a cultura não é uma representação de problemas comuns. A análise cultural, consiste em interpretar os processos de transformação de princípios básicos partilhados em diferentes e específicos sentidos e comportamentos. Quando se fala em cultura, não se pode discurar os campos culturais que não são mais do que “redes de instituições e agentes especializados, que se configuram como espaço de relações dotados de certa autonomia face à globalidade do espaço social” (Silva, 1994, p.33), há que preservar as raízes culturais de cada comunidade, raízes “...como na árvore, base comum que se alimenta bem fundo, na espessura histórica dos processos de formação e
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desenvolvimento estrutural, e suporte de um tronco de que brotam ramagens diversas, embora, por isso, articuladas” (Silva, 1994, p.468), quer isto dizer, que a cultura possui raízes profundas interligadas entre si que devem ser mantidas para, assim, possibilitar a subsistência da comunidade. Ainda de acordo com Augusto Santos Silva, existem três tipos de cultura: a cultura cultivada, a cultura de massas e de entretenimento e a cultura popular. Interessa-nos aqui focar na cultura popular e na riqueza e complexidade das culturas criadas por sociedades de pequena dimensão que dispõem de muito pobre tecnologia material. Há respostas polares quanto à maneira como se deve analisar a cultura popular, por um lado, para compreender uma cultura popular na sua coerência simbólica, será necessário tratá-la como um universo significativo autónomo, esquecendo tudo o que existe fora dela ou, por outro lado, será necessário partir da dominação social qua a constitui como cultura dominada, para interpretar em relação a esse princípio de heteronomia todos os seus movimentos e produções simbólicas? A verdade é que os comportamentos coletivos marcam a vida social, como por exemplo, festividades católicas ou os Congressos de Medicina Popular em Vilar de Perdizes em que a fé faz com que centenas de pessoas se desloquem para melhorar ou tratar a sua saúde. A cultura é, portanto, a inculcação de gestos, símbolos e posturas, é a lógica e prática das representações. Cultura popular, segundo Silva, é “este processo pelo qual um passado presente que funciona tão duradouramente como fonte e razão de ser da ação de hoje, mas cuja presença se defronta com a pluralização das referências dos espaços e dos tempos e por aí se valoriza como presença de algo que é já passado – regressa simbolicamente transmutado em objeto de uma prática demarcada, o ato cultural de recriação e salvaguarda do quê, enquanto objeto, ainda possa servir de razão de ser, recurso matricial para pensar e compreender a interceção de diferentes mundos” (Silva, 1994, p. 303). A cultura popular pode ir desde a) a aprendizagem das técnicas da leitura e da escrita; b) disseminação de noções relativas às ocupações normais do povo (agricultura, pecuária...), c) vulgarização de noções relacionadas com o nível de vida rural; d) exibicionismo folclórico e decorativo, entre outros (Denys, 1999, p.3). Da cultura, fazem parte realidades que já existem, que resultam do património secular das gerações “toda a cultura se define, em termos de consciência de valores. Ser consciente de direitos e deveres, amar a terra em que se nasceu, sentir o orgulho das suas usanças, ter um sentimento de justiça, formar uma noção da autoridade, da sociedade, da família, da responsabilidade do trabalho, sentir o orgulho dos pais e os deveres dos filhos, compreender as exigências da solidariedade humana e praticar a ajuda coletiva , venerar lugares, respeitar costumes, ter determinado critério sobre o que é bem e o que é mal – tudo isto são as pedras fundamentais da cultura popular” (Giddens, 1999, p.53). Só pelo desenvolvimento natural dos elementos culturais já radicados na alma dos povos se poderão conseguir resultados efetivos
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e perduráveis. O grande mestre da cultura popular há-de, assim, ser o próprio povo. Nas Ciências Sociais, a tese minimalista deve ser evitada, que é aquela que não reconhece às culturas populares qualquer dinâmica própria, qualquer criatividade. De acordo com esta tese, as culturas populares seriam simples produtos derivados da cultura dominante, única a poder ser reconhecida como legítima, como cultura central e de referência. As culturas populares, de acordo com esta tese, não seriam mais do que culturas marginais, más cópias da cultura legítima. Uma outra tese a evitar pelas Ciências Sociais, é a tese maximalista, em que as culturas populares seriam culturas autênticas, completamente autónomas e que nada deveriam à cultura de elites. Tem de haver um meio termo, as culturas populares nem são por completo independentes, nem por completo autónomas, nem de pura imitação e criação. Qualquer cultura particular é uma reunião de elementos originais e de elementos importados, de invenções próprias e de empréstimos (Cuche, 1999, p.2).
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