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3. Teorikapittel

3.1 Prestasjonsledelse

No quarto encontro, os participantes foram convidados, primieramente, a pensar sobre si e a imagem profissional, abrindo o diálogo sobre as experiências, acontecimentos e situações marcantes. No segundo momento, compartilharam as fotografias e as narrativas orais e escritas construídas a partir da solicitação feita no encontro anterior. Reginaldo (2009) iniciou sua exposição com sua narrativa autobiográfica relembrando a tradição histórica da profissão: “O Oficial de Justiça tem uma tradição histórica desde a época que o Brasil era colônia. Ele era aquele homem com a espada do lado que ia cumprir as determinações judiciais, ia com a vara”.

Na busca de compreender o sentido atribuído ao cargo que ocupam no trabalho jurisdicional do Poder Judiciário, os Oficiais de justiça foram construindo uma representação de si como sujeitos históricos, numa reflexão cada vez mais intensa entre pares, o que lhes

permitia, gradativamente, a entrelaçar suas narrativas na perspectiva de buscarem conjuntamente uma imagem concebida pelo grupo do profissional do Oficial de justiça.

É importante fazer o resgate histórico, da figura do oficial de justiça. A passagem, inclusive, na Bíblia, onde há referência a figura do oficial de justiça. Ele é tão antigo quanto a Bíblia. Na Primeira Constituição da República, o Oficial de Justiça figurou no texto constitucional junto com os juízes, quando fala da questão da responsabilidade. Os códigos de processo civil, o código de processo penal militar, os códigos, as legislações, a legislação trabalhista, a lei de uma forma geral se reporta a figura do Oficial de Justiça. Aquele profissional que executa as decisões judiciais. Por uma questão administrativa, no ano de 92, quando da feitura do primeiro plano de cargo e salários, a Administração resolveu edificar todos os cargos de nível superior e extinguiu a figura do Oficial de Justiça, criando a figura do Analista Judiciário - Executante de mandados. E ninguém até então não visualizou nada... (MATEUS, 2009).

Espontaneamente, cada participante compartilhava suas fotos e o que havia preparado para socializar no grupo. As fotos falavam por si e permitiam uma síntese da vida de cada um, resgatando etapa da vida, revelando o desejo e a necessidade de compartilhar suas histórias de vida com o grupo. O sentimento de insegurança inicial cedia o passo à confiança no outro. A segurança e a satisfação de contar sua história invadiram a interação no grupo. É o que vemos nos fragmentos abaixo:

Eu trouxe fotos da Escola Militar na época de 87. Passei um ano na Escola, estava com 22 anos. A Escola foi em Minas Gerais, sou de Natal, mas passei num concurso e fui pra lá. Outra foto, que foi quando eu saí da Escola e me apresentei no quartel... Era sargento novinho aí nessa foto. Fiquei 11 anos na vida militar. Essa foto aqui é na saída da Escola. A outra, num treinamento dentro da lama, tinha passado dois dias sem comer. Essa outra foi quando eu estava recém-casado, cheio de “todinho”. Essa daqui é à vista da Escola Militar. Aqui, é minha esposa em fase terminal com câncer, esse daqui é meu bebezinho, que já está com 12 anos. Outra, com um amigo de infância. Esse daqui é meu outro filho que eu tenho lá em Currais novos. Outra foto com minha mãe. Eu procurei a foto que eu estava com meu colega de trabalho, mas não achei (REGINALDO, 2009).

A narrativa de Reginaldo (2009) sobre a dimensão das mudanças conquistadas no percurso da vida emergiu das rememorações provocadas por sua fotografia. Esse momento foi

trocas e estimulando o desejo de situar cada um naquele espaço-tempo do registro fotográfico. As imagens serviram de dispositivo para o mergulho nas lembranças de fatos e pessoas que marcaram suas vidas, ao tempo em que os estimulavam a repensar sua historicidade. Foi um momento de rememoração aleatória, caracterizada pela partilha de acontecimentos significativos. Galvani (s/d) trata deste processo de rememoração como uma pluralidade de níveis que compõe a autoformação de maneira não-linear. No processo de exploração e conscientização, as narrativas apresentaram os modos de interação de cada participante com o material fotográfico compartilhado, como se observa na fala de Helena (2009), expressando o sentido das suas experiências que foram registradas em fotografias.

Essa foto é legal porque foi no dia em que fui a Pernambuco falar com o Presidente da TRF da 5ª Região, com meus colegas da Associação e Federação. [...]. Esta outra foto é do nosso último almoço dos oficiais de justiça. Nesta outra foto, a turma do TRT, com a turma da Justiça Federal, aqui Rita está presente. Aqui, o momento em que eu fui sorteada, eu gostei. E essa atividade externa, no meu caso, é mais ampla, abrange outras coisas, mas como a minha atividade é no Sindicato, essa foto foi da última reunião com os colegas de lá e essa daqui foi quando eu estive agora em João Pessoa, participar da eleição da nova diretoria da Federação dos oficiais de justiça. Neste momento, todos tomaram posse e assinaram o termo, eu como Coordenadora Regional. Aqui a foto com todos os integrantes, a atual diretoria também está presente. Eu acho que para mim, a minha atividade de oficial de justiça agregou muitos outros aprendizados nas quais estou muito realizada. Sinto-me muito à vontade de estar na minha Federação, no meu Sindicato. Sim, aqui é uma foto da CAEX numa festa junina. Então, eu me vejo muito assim dentro da CAEX, todo aquele espaço micro, depois dentro da minha Associação, dentro do meu Sindicato e dentro da minha Federação. Para mim, ser oficial de justiça é tudo isso aqui. É difícil escolher uma foto só, eu escolhi, iria escolher uma foto da minha família e colocar bem aqui no centro, mas é claro que a família está presente, mas eu estou falando mais do lado profissional, associativo, sindicalista talvez, mas tudo tem haver também com a família, não é? Não obstante, não está aqui. Isso aqui é a minha síntese de ser um oficial de justiça (HELENA, 2009).

As fotografias escolhidas por Helena revelavam sua intenção de apresentar ao grupo o percurso do ser profissional – Oficial de Justiça Avaliador Federal. Ao comentar as fotos expressava o envolvimento prazeroso e intenso na militância e defesa dos direitos da categoria e a sua identificação com o cargo.

Os estudos de Passeggi (2011b) afirma que os participantes no grupo reflexivo potencializam as interações e reconhecem seu pertencimento ao grupo social, assim como o seu engajamento num projeto comum. Partilhar entre os pares as experiências vividas

possibilita compreender a si mesmo e ao outro, como sujeito plural que se prolonga para além do espaço institucional. Nesse sentido, é possível perceber as histórias narradas pelos Oficiais de justiça, como uma pluralidade de experiências em diferentes etapas da vida e como possibilidades de construir, reconstruir e se projetar em novas histórias.

O trabalho autobiográfico pautado nessa dimensão coletiva implicou a alternância entre o individual e o grupo, entre a autobiografia e a heterobiografia, impulsionando a reflexão sobre os processos de formação de si e do outro. Para Josso (2010, p. 71) “Todos os grupos biográficos constatam que a apresentação e a escuta dos relatos desencadeiam um processo dialético de identificação e de diferenciação, que alimenta o questionamento sobre seu próprio percurso e, em contrapartida, o questionamento do percurso dos outros”.

Na continuidade do encontro, após a realização do lanche coletivo, a interação prosseguiu num clima descontraído, os participantes continuavam compartilhando as fotografias e os textos e suas autobiografias elaborados como atividades de casa que deveriam ser compartilhados no encontro com o grupo.

Pesquisar sobre as narrativas (auto)biográficas é se tornar ouvinte de si mesmo e dos discursos, emoções e sentimentos silenciados ao longo da vida. Para quem acompanha o outro nessa reflexão sobre si mesmo, trata-se de ficar atento ao que se passa com o outro, desenvolver uma escuta sensível e valorizar o vivido como fonte de experiências formadoras para si e para o grupo (JOSSO, 2004). Esse é um campo com vasta perspectiva de descobertas e investigação como veremos nas histórias de vida narradas nos próximos encontros.