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Presentasjon av sakene

Kapittel 5: Det empiriske materiale

5.2 Om det empiriske materialet

5.2.1 Presentasjon av sakene

As práticas educativas, ao estarem sustentadas por uma concepção, por uma filosofia sobre o papel da educação em determinado contexto social, podem ser orientadas por estratégias, objetivos e planos de ação que lhes assegurem maior êxito. Ao serem formulados os princípios do ato educativo, poder-se-ia saber desse ato, “sua natureza e os seus fins, os factores que o constituem e a participação que

tem que ter no mesmo o educando e o educador.” (CABANAS, 2002, p.24).

A dificuldade de perceber, no Programa Telecentro, qual a filosofia da educação pretendida por essa política de inclusão digital, tende a propiciar que várias estratégias e objetivos educativos, de forma desalinhada, possam ser estabelecidos nos Telecentros. Sua importância reside no fato de que, mesmo com sua formulação explicitada, a concepção de educação dos responsáveis pela prática pedagógica impactará no alcance dos objetivos. Sem ela, fica a descoberto o projeto antropológico do Programa Telecentro, correndo-se o risco de não serem adotadas metodologias específicas, técnicas instrumentais adequadas, que possam tornar o processo educativo eficaz na conquista de seus objetivos.

A educação, enquanto uma prática de intervenção social, desenvolvida como atividade de trabalho, utiliza-se de ferramentas simbólicas, constituindo-se,

[...] em mediação das próprias mediações existenciais dos homens e só pode se efetivar servindo-se de outras mediações. Assim, a instituição escolar, o currículo, as atividades pedagógicas, os conteúdos programáticos compõem outras tantas mediações que viabilizam o processo intencionalizado da educação. (SEVERINO, 1994, p.9).

Considerando as diferentes formações profissionais e atribuições dos responsáveis pela implementação e manutenção do Programa Telecentro, é possível que os mesmos desenvolvam percepções diferenciadas quanto à natureza e à finalidade dos espaços de inclusão digital. Por isso, a construção da concepção de educação da política de inclusão digital, poderia ser percebida como a visão que nortearia as decisões e o trabalho pedagógico implementado no Telecentro Lupicínio Rodrigues.

No decorrer dessa pesquisa, identificaram-se divergências em aspectos que sustentam a gestão da educação no Programa Telecentro, o que pode ser decorrência da ausência, depreendida pelas entrevistas, de diálogo entre os parceiros desse programa.

Tanto a coordenação da Prefeitura, quanto a coordenação do Telecentro Lupicínio Rodrigues, atribuem, ao parceiro, a responsabilidade pelo planejamento e realização de cursos e práticas pedagógicas dirigidas, tanto aos monitores quanto à comunidade que freqüenta o Telecentro. Com isto, praticamente nenhum projeto educativo foi formulado e, conseqüentemente, o espaço de inclusão digital foi utilizado, em tempo bastante significativo, como um espaço de disponibilização de acesso a Internet, de forma gratuita.

A princípio, a não construção de oportunidades que viabilizem a troca de idéias quanto às questões de cunho educativo, continuará a trazer prejuízos, mais do que ao programa, à própria comunidade que tem nesse espaço, talvez, uma das iniciativas de inclusão digital mais significativas no país.

De acordo com dados publicados em artigo veiculado pela revista A Rede (2007), informando dois mapeamentos a cargo do Ministério da Ciência e Tecnologia: um mapa dos telecentros e outro dos projetos de inclusão digital, abrangendo o país inteiro. Em um cálculo preliminar foi estimado existirem cinco mil telecentros no país, enquanto o total das iniciativas em projetos de inclusão digital aponta 16 mil unidades, nas quais já foram detectadas sobreposições, o que deve diminuir esse número. Portanto, ao final do trabalho do Ministério, a tendência é de que aumente o percentual do número de Telecentros em relação ao total das unidades de inclusão digital.

Embora tenha sido possível identificar o desejo e a vontade, tanto das coordenações, quanto das educadoras e da monitora do Telecentro Lupicínio Rodrigues, para que esse espaço possa ser de fato um espaço de construção de conhecimento, de oferecimento de oficinas e cursos que possam apoiar a promoção e o exercício de cidadania, o gap de competência e habilidade apresentado pelas educadoras e pela monitora, em utilizar as novas tecnologias de informação e comunicação em sua potencialidade, está comprometendo a realização desse desejo.

É necessária a ajuda, o apoio às educadoras e à monitora do Telecentro Lupicínio Rodrigues, no sentido de familiarizá-las com as novas tecnologias de informação e comunicação, desde a aquisição de conhecimentos instrumentais até em nível mais avançado, auxiliando-os a integrar pedagogicamente essas tecnologias à suas práticas educativas. (MORAN, 2000).

Não se trata de dar receitas, porque as situações são muito diversificadas. É importante que cada docente encontre sua maneira de sentir-se bem, comunicar-se bem, ensinar bem, ajudar os alunos a aprender melhor. É importante diversificar as formas de dar aula, de realizar atividades, de avaliar. (MORAN, 2000, p. 32).

Entretanto, a percepção da coordenação do Telecentro, das educadoras e da monitora, quanto às oportunidades de aprendizagem, de elaboração de projetos de forma interdisciplinar, que as novas tecnologias proporcionam, pode ser percebido como um aspecto positivo. Inicialmente, porque demonstrou que as mesmas estão dispostas a participarem de processos educativos que lhes oportunize adotarem as novas tecnologias de informação e comunicação, em suas práticas pedagógicas, desenvolvendo projetos que visam buscar maior adesão das crianças e dos jovens que freqüentam, não só o CEDEL, mas também o Telecentro Lupicínio Rodrigues. E, também, que estão dispostas a aprender, fazendo desse aprendizado uma ponte que possa promover a passagem das crianças e dos jovens para um novo patamar de desenvolvimento e conhecimento, colocando as novas tecnologias de informação e comunicação a serviço de práticas educativas emancipatórias, a serviço da inclusão social.

É necessário agir com vistas a promover as competências e habilidades necessárias a essas educadoras em utilizar as novas tecnologias, propiciando um

novo ambiente de aprendizagem em que essas ferramentas possam auxiliar os jovens a realizarem a passagem da Era Material59 para a Era das Relações60 (MORAES, 1997).

A Era das Relações requer uma nova ecologia cognitiva traduzida em novos ambientes de aprendizagem, que privilegiem a circulação de informação, a construção do conhecimento, o desenvolvimento da compreensão, e, se possível, o alcance da sabedoria objetivada pela evolução da consciência individual e coletiva. (MORAES, 1997, p. 219).

Os encaminhamentos para atender essa necessidade de aprendizado, apresentada pelas educadoras e monitora do Telecentro Lupicínio Rodrigues, assim como para potencializar o uso das novas tecnologias de informação e comunicação nos espaços de inclusão digital, passam por uma nova postura e atitude da coordenação da Prefeitura e da coordenação do Telecentro. Uma mudança, em relação à condução da gestão de educação, nesse espaço, com o objetivo de implementar uma educação mais eficiente e eficaz no que tange a sua orientação em provocar transformações sociais.

Com o armazenamento cada vez maior de informações, o processamento e a análise das informações possibilitam, potencialmente, a amplificação do uso da mente na capacidade de tratar informações e gerar conhecimento. Por esta razão, a revolução tecnológica não apenas tem o poder de sedimentar as diferenças sociais existentes, como também aprofundar estas diferenças gerando um distanciamento maior entre os que têm a oportunidade de estar acompanhando-a e os que não possuem esta chance. (SILVEIRA, 2003). Esta nova situação, inserida na gestão social, configura-se como uma emergência a ser atendida pelo Brasil, bem como por todos os países considerados como periféricos pelo grupo hegemônico.

59

Era Material – era que pressupõe a dualidade, uma visão fragmentada separando o homem da natureza, prevalecendo o individualismo e a ausência de cooperação, compaixão e solidariedade. (MORAES, 1997).

60

Era das Relações – visão holística do homem e da natureza, prevalecendo formas mais elevadas de cooperação entre os nichos ecológicos. Uma era de autoconsciência, de respeito ao espírito humano e à diversidade cultural. (MORAES, 1997).

O acesso digital, além de dar mais chances na obtenção de emprego, alavanca muitas possibilidades em prol da cidadania. Quanto maior o número de cidadãos, maior será a consciência coletiva em identificar soluções para a exclusão social. Quanto maior o número de cidadãos mais assegurado estará a condição de uma sociedade democrática.

Para Silveira (2003), a inclusão social tem, na inclusão digital, um pilar muito significativo. Segundo o autor, estando a sociedade, cada vez mais organizada, em grupos sociais que possam utilizar a tecnologia da informação para a produção do conhecimento, e estando a organização da economia e do trabalho cada vez mais mediada pelo computador e pela comunicação em rede, a qualificação para o avanço tecnológico não estará restrita apenas à possibilidade de garantir renda. Principalmente, há a possibilidade de qualificar as pessoas para que possam entender as dinâmicas dessa nova economia e posicionar-se sobre ela, aumentando desta forma o exercício da cidadania, requerendo os seus direitos, melhorando sua qualidade de vida, aumentando a sinergia para a geração de um desenvolvimento sustentável do país.

“Posso ter todas as técnicas do mundo e ainda assim usá-las

insensatamente. É preciso possuir, de antemão, a sabedoria em seu sentido ético para tirar o melhor possível da técnica.” (DESMOND, citado por DUPAS, 2001, p.

71).

A educação e os sistemas de gestão do conhecimento, que se desenvolvem em torno dela, têm de aprender a utilizar as novas tecnologias para transformar a educação, na mesma proporção em que estas tecnologias estão transformando o mundo que nos cerca.

O desafio da inclusão digital não é só de introduzir novas tecnologias, com o conjunto de transformações que isto implica, mas, também, como processo de inclusão social, de assegurar que as transformações sejam fontes de oportunidades.

A luta pelo acesso aos espaços de conhecimento vincula-se ainda mais profundamente ao resgate da cidadania, em particular para a maioria pobre da população, como parte integrante das condições de vida e de trabalho. O Relatório Mundial sobre a Informação da Unesco insiste muito sobre este ponto: o acesso à informação, neste mundo complexo em que vivemos, é vital inclusive para o cidadão poder ter acesso aos outros direitos humanos. (DOWBOR, 2001-a, p.34).

Considerando a construção de redes cognitivas, a articulação da coordenação do Telecentro com as escolas do entorno e outras instituições de ensino e de saúde, poderia trazer ganhos significativos para o planejamento de ações educativas junto à comunidade. Em relação a esse fator, a coordenação da Prefeitura, ao promover a construção de um portal, propiciaria através da conexão entre os Telecentros, não só os do Programa Telecentro de Porto Alegre, mas com outras unidades de inclusão digital, existentes em território nacional, a constituição de comunidades de práticas, de aprendizagens estabelecidas em uma ação de cooperação e de solidariedade.

O uso de redes telemáticas é outro aspecto importante a ser observado nos novos ‘nichos cognitivos’; ele representa uma nova forma de relação entre sujeitos, redimensiona a cultura, os valores, e, principalmente, gera uma nova visão do mundo. São redes de informações, de representações e de conexões das quais fazem parte múltiplos usuários, com múltiplas funções, em que papéis são compartilhados, divididos e redistribuídos. [...] O trabalho em redes telemáticas implica a criação de ambientes de aprendizagem cooperativa voltados para a socialização, a solução de problemas, a gestão compartilhada de dados, de informações e a criação e a manutenção de uma “memória coletiva compartilhada”, que contenha informações de interesse do grupo, capazes de modelar conhecimentos sobre as mais diferentes áreas de aplicação. (MORAES, 1997, p. 221).

Saber usar as tecnologias é mais complexo do que possa parecer, pois abrange mais do que um saber técnico, e preciso saber usá-las como instrumentos que possibilitem alavancar mudanças sociais. Eis que esta complexidade leva a um questionamento essencial aos espaços que promovem a inclusão digital: O processo

educativo está orientado por uma educação transformadora que possa promover a inclusão social com base na formação de cidadania?

Kleist (citado por MORIN, 2001) escreve: “o saber não nos torna melhores

nem mais felizes”. Mas a educação pode ajudar a tornar-nos melhores e ensinar-nos

a assumir a parte simples e positiva de nossas vidas.

A educação tem como desafio essencial enfrentar o como preparar as novas gerações para o trabalho, para a vida social e para a cultura da subjetividade, sem degradá-las, sem submetê-las à opressão social ou aliená-las. (SEVERINO, 1994, p.100).