Kapittel 5: Det empiriske materiale
5.8 Delproblemstilling F: Om sakskostnader
A inabilidade ou não-competência em realizar uma interpretação adequada do estímulo auditivo sugere que o processamento auditivo apresenta desordem, distúrbio ou transtorno, ou seja, a percepção (input), para qualquer processo cognitivo, inicia com alteração. O déficit do processamento auditivo apresenta-se quando há um impedimento auditivo específico o qual pode causar sérios impactos psicoemocionais, educacionais e sociais, conforme Welsh e Healy (1996).
A desordem do processamento auditivo, segundo Pereira (1997), Alvarez e Zaidan (2000), denota distúrbio de ordem auditiva que se caracteriza pela inabilidade em analisar e/ou interpretar os padrões sonoros. Ele pode ser resultado de um prejuízo nas capacidades de sujeito na adequação da plasticidade cerebral e/ou até mesmo da inexperiência acústica advinda da interação com o meio.
Para que se possa considerar uma desordem do processamento auditivo é necessário entender que se refere a uma disfunção perceptual específica que não é própria da perda
auditiva periférica (McFarland e Cacace, 1997), porém está relacionada à perda total ou parcial da função de análise das imagens auditivas.
O surgimento do distúrbio do processamento auditivo não está relacionado à faixa etária ou ao perfil cognitivo, mas apresenta influência considerável de vários fatores etiológicos. Segundo Katz (1999), a hereditariedade, no que diz respeito a características familiares, provavelmente seja o aspecto mais importante a ser considerado, pois recentes estudos salientam que este é um fator que está diretamente relacionado à influência genética e à organização do sistema nervoso central.
Outro aspecto a ser abordado, quanto aos problemas no processamento auditivo, associa-se à ocorrência do distúrbio ser mais freqüente em homens que em mulheres. Tem-se como hipótese a ocorrência de corpo caloso maior, podendo as mulheres serem capazes de “integrar informações visuais e auditivas dos dois hemisférios mais efetivamente do que os homens” (KATZ, 1999, p. 487).
Estudos de Northern e Downs (1991) confirmam a presença de otite média durante a infância como um dos aspectos mais relevantes relacionados ao histórico social do sujeito com distúrbio do processamento auditivo. A privação sonora, durante os primeiros 18 meses de vida, pode acarretar menos conexões neuronais responsáveis pelas várias experiências auditivas possíveis.
Evidenciam-se, também, fatores sócio-econômicos ligados ao distúrbio do processamento auditivo, pois há multiplicidade de razões para que achados em sujeitos com padrão sócio-econômico sejam mais rebaixados. A falta de oportunidade social e, portanto, descuido quanto ao tratamento de otite é uma assertiva, porém, a pouca estimulação ou o ambiente pobre em estímulos sonoros pode ser a causa principal desses achados.
Welsh e Healy (1996, p. 118) dizem que o déficit do processamento auditivo inclui como principais características do distúrbio: “atenção pobre para a informação auditiva, inadequada supressão em querer ouvir o estímulo, inabilidade em atender em ruído competitivo, dificuldade de utilização da informação lingüística e limitação da memória de curta duração”.
Os autores referem, como grandes conseqüências dessa disfunção: desatenção, respostas inapropriadas, necessidade de repetição de questões e aparente déficit auditivo. Pereira, Navas e Santos (2002) referem que a necessidade de reforço auditivo para interpretar
informações auditivas relativas à fala ou conversações decorre do fato de os sons do português brasileiro estarem concentrados entre 15 e 45 dB, requerendo, pois, a integridade funcional das vias auditivas centrais. É de se considerar, portanto, que algumas habilidades auditivas e até mesmo seqüências auditivas verbais e não-verbais, estejam prejudicadas.
As manifestações comportamentais de um sujeito com distúrbio do processamento auditivo, segundo descrição de Pereira (1996), envolvem dificuldades quanto à comunicação oral, à comunicação escrita, ao comportamento social, ao desempenho social e auditivo. As manifestações clínicas referem-se a prejuízo na localização sonora e prejuízo de memória auditiva para sons em seqüência, na identificação de palavras decompostas acusticamente e na identificação de palavras de mensagem em presença de ruído competitivo em tarefas monóticas e dicóticas. O Quadro 2 apresenta as manifestações comportamentais e clínicas do sujeito com desordem do processamento auditivo.
Quadro 2 - Manifestações comportamentais e clínicas na desordem do processamento auditivo
MANIFESTAÇÕES COMPORTAMENTAIS MANIFESTAÇÕES
CLÍNICAS
1. Quanto à comunicação oral
• Problema de produção de fala envolvendo os sons /r/ e /l/, principalmente
• Problemas de linguagem expressiva • Dificuldade de compreensão em
ambientes ruidosos
• Dificuldades de compreender palavras de duplo contexto (piada)
2. Quanto à comunicação escrita • Inversão de letras
• Orientação direita/ esquerda prejudicada
• Disgrafias
• Dificuldade de compreender o que lê 3. Quanto ao comportamento social
• Distraídos
• Agitados/ hiperativos/ muito quietos • Desajustados
• Tendência ao isolamento 4. Quanto ao desempenho escolar
• Inferior em leitura, gramática, ortografia e matemática
• Desempenho pode ser melhorado ou agravado de acordo com fatores, tais como: posição na sala de aula, tamanho da classe, nível de ruído, clareza da voz
5. Quanto à audição
• Audição ao som prejudicada
• Dificuldade em escutar em ambiente ruidoso
1. Prejuízo de
• Localização sonora
• Memória auditiva para os sons em seqüência
• Identificação de palavras decompostas acusticamente
• Identificação de sílabas e/ou frases na presença de uma mensagem competitiva em tarefas monóticas ou dicóticas
2. Prejuízo de um canal auditivo em relação ao outro.
3. Limiares de audibilidade próximos ao limite superior à faixa de normalidade bilateralmente (15-20 dBNA)
4. Possibilidade de discreta perda auditiva (25-30 dBNA) em freqüências isoladas
Fonte: Pereira (apud SCHOCHAT, 1996, p. 49)
A simples identificação da presença da desordem não é suficiente, afirma Bellis (1996). O distúrbio necessita ser qualificado para que se possa obter sucesso em planejamento
educacional ou intervenções.
A classificação do distúrbio foi sugerida por Katz (1992), que selecionou três subperfis. Em outra organização, Bellis e Ferre (1996) expandiram a classificação feita por Katz, com base na relação da informação anatômica e eletrofuncional com dados educacionais, comunicativos e comportamentais. Eles propuseram um modelo de quatro subperfis: déficit de integração, déficit de decodificação, déficit de organização de saída, déficit de associação. Alvarez e Zaidan (2000) referem, além destes, o déficit relacionado à disfunção não-verbal ou déficit de prosódia. No presente estudo, são utilizados os déficits dos cinco subperfis, sintetizados no Quadro 3, conforme localização, alterações comportamentais e específicas.
Cada um dos subperfis tem localização da disfunção e sintomas auditivos, cognitivos, de aprendizagem e linguagem claramente definidos, conforme afirma Bellis (2002). Os déficit primários são: déficit de integração, déficit de decodificação, déficit de prosódia ou disfunção não-verbal. Os déficits secundários são: déficit de organização de saída e déficit de associação. No presente estudo, são utilizados os subperfis, sintetizados no Quadro 3, conforme localização, alterações comportamentais e específicas.
Quadro 3 - Subperfis do distúrbio do processamento: localização na via auditiva central e alterações comportamentais SUBPERFIL PRIMÁRIO LOCALIZAÇÃO DA DISFUNÇÃO ACHADOS ESPECÍFICOS ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS
Decodificação Tronco encefálico e córtex auditivo primário esquerdo Inabilidade de fechamento auditivo; capacidade pobre em representação fonêmica, discriminação e retenção de fonemas; problemas em leitura, escrita, soletração, vocabulário, sintaxe e semântica. Dificuldade em compreensão de fala no ruído competitivo; freqüentemente solicitam repetição de assuntos através de perguntas.
Integração Corpo Caloso Dificuldades em tarefas que requerem comunicação inter- hemisférica e em integrar funções auditivas e visuais. Dificuldade em leitura, escrita e soletração Dificuldade na interpretação da fala monótona e inabilidade em perceber prosódia e ritmo de fala. Disfunção não- verbal ou déficit de prosódia Córtex auditivo não-primário direito e áreas associativas Dificuldade em habilidades musicais e/ou habilidades auditivas não-verbais. Inabilidade em reconhecer padrões gestálticos sarcasmos e frases ambíguas. Déficit na identificação e utilização dos aspectos prosódicos de enunciados relacionados ou não a pistas não-verbais,e expressões faciais, corporais e gestos. SUBPERFIL SECUNDÁRIO LOCALIZAÇÃO DA DISFUNÇÃO ACHADOS ESPECÍFICOS ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS
Associação Córtex associativo esquerdo Dificuldade em aplicar rótulos de linguagem para informações acústicas incomuns, dificuldades de sentenças lingüísticas na voz passiva. Déficit na linguagem receptiva, quanto a vocabulário, sintaxe e semântica. Comunicação social e pragmática prejudicada. Organização de Saída Vias eferentes auditivas Déficit na habilidade em seqüenciar, planificar e organizar respostas. Baixa performance na execução de mais de duas
ordens; dificuldade em orientação espacial, em repetição de palavras; erros na fala expressiva;
dificuldade em planificação motora
As informações apresentadas no Quadro 3 oferecem subsídios para identificar, da melhor maneira, os achados relativos aos subperfis. De acordo com Bellis (1996), busca-se, de forma mais evidente, a presença ou ausência da desordem, imbuindo-se de um entendimento maior das características mais específicas do funcionamento auditivo de cada sujeito.
Por ser a avaliação um procedimento importante para o acesso a essa identificação e classificação, a seguir se explicitará a avaliação dos distúrbios do processamento auditivo.